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12 maio, 2015

Se Cavaco fosse de enviar sms intimidatórios a jornalistas, seria um político mais popular entre as redações da capital?

 

Nas últimas semanas, tornou-se evidente uma das linhas mestras da estratégia política definida por Costa: malhar em Cavaco Silva e capitalizar votos à custa da “má imprensa” que rodeia o ainda PR. 
Mas esta nova estratégia socialista, como em tantas outras situações, apoia-se em dois sólidos pilares: a falta de memória dos portugueses e a cumplicidade dos media para não fazer perguntas incómodas que desmontem a narrativa da ocasião.


Já todos esqueceram que, em Julho de 2013, Cavaco Silva colocou nas mãos do PS a possibilidade de realização de eleições em Setembro de 2014? Pena que nenhum jornalista se recorde disso e coloque a Costa a questão “Não foi um erro o PS ter recusado essa proposta?”


Foi o PS de Seguro - correção, o PS de Soares, Almeida Santos, César, etc.. – e a rejeição do célebre acordo com a maioria psd/cds, que afastou o cenário de eleições antecipadas em Portugal. Foi há menos de 2 anos.


Suspeitou-se então e percebeu-se mais tarde, os “donos do PS” nunca deixariam Seguro chegar a PM por ser um “corpo estranho” (outra circunstância que nunca despertou a curiosidade das redações…) aos legítimos donos da república socialista portuguesa.



Um socialista é sempre uma vítima dos malfeitores da “direita”…

Para finalizar, os mesmos que não quiseram a via para eleições antecipadas - num período que lhes seria bem mais favorável -, ainda têm a lata de acusar quem lhes deu essa possibilidade de “esticarem uma legislatura”, insinuando a existência de motivos obscuros que “alguém um dia perceberá” mesmo quando esse ato eleitoral se vai realizar dentro do período previsto na lei e há semelhança de muitas outras legislativas no passado.


Num país civilizado, em vez de colaborar, uma comunicação social "a sério" estaria a desmascarar estes estratagemas manhosos. Por alguma razão, não saímos da cauda da Europa… (para já, valha-nos a Grécia!)




PS 1: Se, em vez de alguns meses, Cavaco Silva tivesse mais tempo de mandato pela frente, Costa nunca assumiria semelhante ataque (atitude, diga-se, tipicamente portuguesa… é “de homem” só afrontar alguém quando se tem a certeza que o seu poder está perto do fim).   

PS 2: Ao contrário do que possa parecer, não sou especial fã de Cavaco. Um doa maiores responsáveis pelo
regime centralista que por cá vigora.
 
 

09 maio, 2015

E quando a maior ameaça à “liberdade de informação” parte dos próprios órgãos de comunicação social?

 
Várias notícias vão dando conta aos cidadãos dos “perigos” que a proposta de lei relativa à cobertura eleitoral, apresentada pela coligação psd/cds, representa…

Este título de uma notícia do Público, traduz a principal ideia que tem sido avançada na agenda mediática sobre o assunto, a que se somam outras “ameaças”:


“..a nova proposta de lei do PSD e CDS sobre a cobertura eleitoral confunde jornalismo e propaganda política, “mantém a tentação de impor um freio às redações” e ameaça a liberdade de informação.”     


“Embora saúdem a eliminação de propostas “absurdas” da anterior versão,  [este trecho daria um péssimo título...] como o visto prévio para planos de cobertura das eleições pelos órgãos de comunicação social, os directores editoriais consideram que o novo articulado da maioria “está ainda longe de garantir aos cidadãos a existência de um jornalismo livre e independente de restrições políticas e administrativas inadmissíveis em democracia”.


E quando a confusão entre jornalismo e propaganda política, parte dos próprios órgãos de comunicação social? Que outra forma – sem a imposição de um conjunto mínimo de regras às redações - pode ser definido de forma a salvaguardar a isenção e objetividade de informação a que nós, cidadãos, temos direito?


Tomemos o exemplo do Público (cujos critérios editoriais e de isenção, já aqui abordamos em outras ocasiões). Recorrendo a este post de Helena Matos, não é difícil imaginar o que seria o dito “jornalismo independente” e que caminhos, em termos de “pluralidade de informação”, seriam trilhados caso a sua redação não tivesse de obedecer a qualquer regra ou requisito…     


       
Vitória de Hollande
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Vitória de Rajoy
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Vitória do Syriza
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Vitória de Cameron
Publico-20150508
 


 

02 maio, 2015

O silêncio dos media de grande audiência sobre o sms de Costa. Por onde andam os Charlies?!


Em Janeiro passado, durante a fase “Je suis Charlie”, publicou-se este post:

“Quais são, afinal, os limites de tolerância do nosso jornalismo com aqueles que violam os valores da liberdade de expressão e imprensa?
…
Tenham vergonha!

Vocês, enquanto afirmam à boca cheia que o desrespeito pela liberdade de imprensa é incompatível com a democracia - por razões de pura afinidade ideológica – são capazes de se aliarem à agenda dos que “se cagam para o segredo de justiça”, de se aliarem à estratégia dos que, com Sócrates, calaram alguns jornalistas e condicionaram outros, em suma, são capazes de colocar os interesses e a conveniência da "esquerda" (nomeadamente, os interesses de Costa e do PS) à frente dos tais direitos que dizem ser intocáveis e, ativamente, darem o vosso contributo para que essa gente volte ao poder!”



Serve esta introdução para melhor enquadrar a omissão e o silêncio – à exceção do Expresso, órgão de comunicação onde escreve o visado, do Observador e de alguns blogs -, em torno deste elucidativo episódio sobre o próximo PM de Portugal (recorro, mais uma vez e com a devida vénia, ao Impertinente…):

"João Vieira Pereira, um jornalista com uma razoável independência de espírito, qualidade reconhecidamente pouco abundante na corporação, escreveu no dia 25 de Abril uma crónica com o título «Perigosos desvios do PS à direita» sobre o relatório "Uma década para Portugal", do qual, aliás, não faz uma apreciação negativa, nem menciona uma única vez António Costa, e onde escreveu:

«Só que ao estilo PS. Nada como pedir a uns independentes que façam umas contas que não comprometem ninguém. Se correr bem o partido tinha razão. Se correr mal eram apenas umas ideias loucas de uns economistas bem-intencionados. Esta falta de coragem é a mesma que levou Sampaio da Nóvoa a avançar sozinho. Uma espécie de "vai andando que eu já lá vou ter". A política do tubo de ensaio. Cheia de falta de coragem e reveladora da ausência de pensamento político consistente.
»

O retrato sem nome é tão rigoroso que o inominado enfiou a carapuça e tomou a iniciativa de lhe enviar um intimidatório
SMS:«Senhor João Vieira Pereira. Saberá que, em tempos, o jornalismo foi uma profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que comentava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de terem uma opinião e discutirem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher as colunas que lhes estão reservadas. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem nem conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito. António Costa»

Se a crónica de João Vieira Pereira traça um retrato político do líder do PS, a resposta de Costa oferece-nos um retrato do seu carácter. São complementares, por assim dizer. "



Não vi uma referência a este caso em nenhum telejornal. Não encontrei nos noticiários daquela rádio de informação sempre com linha direta às indignações do dia, qualquer referência ao assunto…
 

Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...
 
 

30 abril, 2015

O que é que o Nóvoa tem?

Ligo a televisão e lá estão reportagens dando-me conta dos roteiros de Sampaio da Nóvoa. Abro os jornais e leio notícias gizadas na sequência de discursos de Sampaio da Nóvoa. Ligo a rádio, idem.

Não existindo até agora apoios partidários declarados aos candidatos que, individualmente, tomaram a opção de avançar, que critérios jornalísticos justificam tamanha promoção mediática de Sampaio da Nóvoa em relação (por exemplo) a Henrique Neto e a Paulo Morais?!

Estando até ao momento estes candidatos em pé de igualdade (recorde-se, não existem ainda apoios partidários declarados), não deveria a comunicação social usar de critérios de imparcialidade e isenção no tratamento mediático?

Esta “opção editorial” de selecionar o candidato presidencial a impingir aos portugueses, serve a estratégia de quem?  (... difícil, a resposta a esta questão, não é?)
 

Enfim, como em tantas outras ocasiões, em vez de informar, o Jornalismo prefere decidir por si quais os candidatos a eleger… 



 

08 abril, 2015

“Cortam, cortam, cortam, mas a despesa aumenta!”, ouço à mesa durante o almoço…

O desabafo em título, foi ouvido ontem durante o almoço e é uma daquelas ideias que, de tão repetidas na agenda mediática - pelas vozes da oposição, mas também por diversos comentadores -, tornou-se em mais um daqueles casos de “ideia implantada”.

Quando disse (perante a atitude reprovadora da maioria dos presentes…) que essa ideia não correspondia aos factos e que, pelo contrário, a despesa baixou uns largos milhares de milhões de euros, ainda obtive como resposta “Tenho a certeza que não é assim, pois já vi muitos comentadores na televisão a dizê-lo!”.

Enfim… “Uma mentira mil vezes repetida, transforma-se em verdade…” 

Você também está convencido que a despesa aumentou?

A partir do Portal do Governo (que, note-se, recorre a dados oficiais) testemos a adesão à realidade desta “ideia implantada”. 
 
O gráfico seguinte representa a evolução da despesa, mas sem a componente dos juros (despesa primária).

 


Conclusão: ao longo de quatro anos, existiu uma redução acumulada de cerca de 11 500 milhões de euros.


Algumas notas sobre esta evolução:

- outra “ideia implantada” traduz-se na noção generalizada de a despesa ter baixado, exclusivamente, em função dos cortes aplicados a vencimentos e pensões. Isto também não é verdade, já que o peso desses cortes na despesa é muito inferior (menos de metade) dos 11.500 milhões de redução de despesa;

- o efeito ainda desconhecido dos portugueses, da pesada herança das políticas seguidas no consulado de Sócrates (e não falo de questões criminais). O quadro em baixo (fonte INE e Banco de Portugal) permite-nos constatar que em 2005 a despesa com juros era inferior a 4.000 milhões de Euros. 


 
No entanto, fruto de coisas que permanecem como “orgulhos do PS”, os portugueses têm hoje de suportar quase 9.000 milhões de euros de despesa com juros! E a este (mais do que) duplicar de encargos com juros, há ainda a somar as rendas com PPP que representarão nos anos vindouros mais 1.500 a 2.000 milhões de euros anuais… 


Povo que vos indignais! Entre 6.000 e 7.000 milhões anuais do vosso esforço, do vosso trabalho, vão direitinhos para o pagar a “visão” socialista que, Sócrates e seus companheiros de partido, executaram entre 2005 e 2010.

Esses mesmos que vos preparais para reeleger…     

“No encontro, em que teceu duras críticas à governação PSD/CDS, António Costa afirmou também que, “ao contrário do que o Governo diz, apesar dos cortes nos salários, cortes nas pensões, cortes das despesas sociais, apesar do aumento da carga fiscal, a verdade é que as finanças públicas não estão melhores do que há quatro anos”.”


Voltando à discussão durante o almoço: como normalmente faço, disse ao "indignado" para ser mais desconfiado em relação às coisas que vê e ouve na televisão e nos media em geral. Que fizesse uma pesquisa na net, observa-se os dados e, então, retirasse as suas conclusões.    

 
Os media, deviam confrontar aqueles que dizem que finanças públicas estão pior com os factos e não colaborar com a sua estratégia.
 
Em Portugal, os cidadãos não votam em função de factos e de informação objectiva, mas em função de opinião e emoção induzidas em relação ao político A ou B.
 
 
 
 

24 março, 2015

Listas VIP que não chocaram o jornalismo luso...


Neste caso, sim, foi constituído um grupo de cidadãos que beneficiava de proteção e privilégios diferenciados dos restantes, tendo estes últimos visto os seus próprios direitos diminuídos em função de tão abstrusa lei:   
 
"... ao longo dos últimos meses, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o PGR foram escrevendo argumentos contraditórios sobre a mesma. A organização da tal "extensão" deveu-se ao facto de o actual Código do Processo Penal estabelecer uma competência exclusiva ao presidente do STJ para o acompanhamento de escutas telefónicas em que "intervenham" o Presidente da República, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República.

Só que as escutas em causa no "Face Oculta" não foram feitas directamente a Sócrates, mas a Vara. Nos milhares de telefonemas interceptados, a Polícia Judiciária apanhou fortuitamente conversas com o primeiro-ministro.

Como defende o professor de Direito Paulo Pinto Albuquerque, uma vez que as escutas foram realizadas no âmbito de um processo, elas não poderiam ter sido destruídas sem os restantes arguidos terem conhecimento delas. Até porque as poderiam aproveitar na sua defesa."
 
Compare-se a reação dos media, então, com o filme a que se assistiu nos últimos dias...  
 
Referir ainda António Costa,  número dois do governo que em 2007 alterou o Código de Processo Penal e criou a lista VIP acima referida, é a mesma pessoa que, não só se indigna com a "lista VIP" do Fisco - porque esta "mina confiança dos cidadãos" nos organismos públicos... - como ainda suspeita da existência de "fortes indícios criminais" no caso... 
 
 
Bernardes, Manuel   

O hipócrita é um santo pintado; tem as mãos postas, mas não ora; o livro na mão, mas não lê; os olhos no chão, mas não se desestima.

 
 
Enfim, Portugal é muito isto...
 
    

11 março, 2015

Jeroen Dijsselbloem, deixa-te disso pá! Tu não enganas ninguém…


 
Graças à comunicação social portuguesa, sabemos que estas declarações são uma cortina de fumo. Na realidade, é o Passos, mais a M.ª Luís Albuquerque, mais um punhado de espanhóis, que estão a impedir o acordo com a Grécia e o “fim da austeridade” na Europa.
 
Dijsselbloem, tal como outros líderes europeus, não passam de meros  fantoches manipulados pelos atuais governantes portugueses!

"O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que “perdemos mais de duas semanas, nas quais houve muito pouco progresso. As conversações ainda não recomeçaram, não houve implementação de medidas. Temos de parar de perder tempo e efetivamente começar a negociar."


Felizmente, graças ao nosso jornalismo (especialmente, a malta dos telejornais), qualquer português facilmente percebe que a única coisa que impede a Europa de ajudar a Grécia, é a opção do malvado do Passos que – por radicalismo ideológico - prefere levar a austeridade e a miséria ao seu povo, em vez da opção defendida pela simpática dupla Tsipras & Varoufakis (com quem a bruxa da nossa ministra das finanças até que se recusa a falar, vejam lá...), que defendem o crescimento económico, o emprego e bem estar da população…


Abençoado o povo que pode contar com uma comunicação social assim… com jornalistas capazes de descodificar assuntos de grande complexidade e um jornalismo que, com grande objetividade, decifra e interpreta o desenrolar dos acontecimentos de forma que até o mais simples cidadão pode entender e julgar quem são os “bons” e os “maus”…   




 

01 março, 2015

O real contributo do Syriza pela "união dos povos europeus"…


Como muito bem demonstra este post do Impertinente, os governos português e espanhol, estão longe de serem os grandes opositores a um acordo com a Grécia. Essa é mais uma “ideia implantada” (com o valioso contributo do jornalismo militante) que serve a estratégia de momento do Syriza e os interesses eleitorais dos mesmos de sempre...

"Mitos (188) – Mitologia grega (I)

A esquerdalhada e o jornalismo de causas domésticos têm vindo a apontar o dedinho acusatório à ministra das Finanças por, dizem eles, estar a ser na questão Syriza versus Eurogrupo mais papista do que o papa ...

 O certo é que vários dirigentes políticos da Europa de Leste – dos países que foram ocupados pelo Império Soviético e tendo experimentado as fórmulas da esquerda comunista e bloquista ficaram imunizados - não tiveram papas na língua e deixaram muito claro o que pensavam sobre o assunto:
  • «Ninguém na Europa quer dar dinheiro à Grécia», Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia 
  • «A zona euro está mais estável e mais forte do que há cinco anos e a hipotética saída de um dos seus membros teria um fraco impacto», Maris Lauri, ministra das Finanças da Estónia
  • «A cooperação com a Grécia só pode ter por base o programa de assistência financeira existente, com condições claras», Janis Reirs, ministro das Finanças da Letónia 
  • «A política de austeridade foi o único remédio para nós e não vejo motivo para os gregos não a aplicarem … o populismo" grego é perigoso para a Europa», Andrius Kubilius, antigo primeiro-ministro da Lituânia."


Basta olhar ao que governos de outros Estados-membros dizem sobre a postura do Syriza - opiniões que os portugueses desconhecem por "opção editorial" dos nossos media -,  comparar a contundência dessas afirmações com o que tem sido a dita posição “mais alemã que os alemães” de M.ª L. Albuquerque e Passos, para constatar,  por muitas vezes que essa ideia seja reproduzida na abertura de telejornais, que essa "ideia implantada" é uma falácia …


Dá que pensar, isso sim, é nas razões pelas quais Tsipras e Varoufakis, não usam os seus “camaradas” da agenda mediática para lançar farpas aos responsáveis dos diversos governos que têm uma posição semelhante - até mais dura, como vimos - optando antes por visar apenas os governos português e espanhol…


A resposta, suspeito, é simples: estando os países de leste imunizados da solução socialista (com bem refere o Impertinente) e sendo em Espanha e Portugal onde existem situações económicas mais próximas da situação grega, a estratégia é o recurso aos seus “irmãos” ideológicos. O Podemos, aqui ao lado, e uma hipotética “aliança de esquerda” que poderia nascer em Portugal envolvendo o BE, o Livre & C.ª com o PS (A. Costa, na sua habitual ambiguidade, tem alimentado essa possibilidade).


Ora, isto levanta um novo paradigma na relação entre membros da UE, algo que até agora sempre foi evitado: a utilização das instituições e da “política europeia”, para que algumas famílias políticas e ideológicas, se intrometam de forma aberta nas disputas politicas internas de cada Estado.

 
Efeitos da "nova forma de fazer política" do Syriza... o apelo ao "nacionalismo ideológico".
 
Nas últimas horas esta estratégia teve novos desenvolvimentos...
 
 
Para quem está sempre a apelar à solidariedade europeia, a assumir-se perante os europeus como uma “nova esperança” e um movimento, esse sim, composto por gente que efetivamente visa a “união dos povos europeus”, brincar com  parece-me um precedente muito perigoso…
 
Mas, tratando-se de extrema-esquerda, o mundo mediático e do comentário político, finge não reconhecer o risco deste radicalismo.
 
Para alguns portugueses, aliás, parece que um simpatizante ou militante do Syriza, é mais seu compatriota que um cidadão português cuja convicção politica seja distinta da sua… 
 
Recordar aqui a tirada de Louçã – esse grande democrata - quando, há alguns dias atrás, disse:

“Portugal tem pela 1.ª vez um governo que nos representa na Europa, o grego.”

A noção de democracia desta malta vê-se muito nestas tiradas… Como se o atual governo não tivesse resultado de umas eleições onde, recorde-se, o BE de Louçã teve menos de 300.000 votos, face a cerca de 3.700.000 de portugueses que votaram a coligação que, lá mais para o Verão, será escrutinada. 


Imagine o seguinte cenário: suponhamos (espero que não aconteça) uma vitória de Le Pen em França. Qual seria a reação do nosso jornalismo e do espaço mediático em geral, se surgisse o líder no PNR a dizer:
 
  “Portugal tem pela 1.ª vez um governo que nos representa na Europa, a Srª Le Pen!”?
 
 
Tão mau como a vergonhosa estratégia de Tsipras - que, na boa tradição comunista do "inimigo externo" - está a usar Portugal e Espanha como bodes expiatórios para justificar as ilusões e as mentiras vendidas ao povo grego, é observar a quantidade de portugueses disponíveis para - contra os interesses do seu próprio país -  colaborarem com essa estratégia por dela retirarem proveitos políticos.
 
Que triste País este.... 
 
 

12 fevereiro, 2015

Lembram-se da dívida da Madeira? Ou quando a Esquerda reclamava austeridade para aqueles que acumularam dívida…


Já não suporto a ladainha – autêntica cópia da postura do BE sobre o tema - e a chantagem emocional usadas pelo jornalismo tipo TSF sobre a situação da Grécia (uns querem a condenação dos gregos contra "os outros", que os querem salvar).


A contínua repetição na agenda mediática da ideia de vitimização dos gregos, que a pobreza e miséria que sobre eles recaiu se deve aos “grunhos” dos alemães e de todos os que defendem a austeridade. Em suma, estou farto que me façam sentir um pulha só porque penso que a miséria que se abateu sobre a Grécia é, essencialmente, consequência do que andaram a fazer durante décadas e que o perdão da dívida não servirá para nada…


Solução para a dívida da Grécia Vs Solução para dívida da Madeira

Basta recuar ao final de 2011 e ao célebre “buraco” da dívida da Madeira, para constatar a coerência desta malta. Como facilmente se constata numa busca no Google, a coerência das posições de BE, PCP e PS, sobre dívida e austeridade, são desconcertantes…


A dívida da Grécia, dizem, é injusta e imoral. É essencialmente fruto das políticas europeias, designadamente, do próprio programa de ajustamento imposto à Grécia. Logo, existem razões plausíveis para não pagar. Os gregos são as vítimas desta estória.

E qual foi a posição desta malta relativamente à dívida da Madeira?... Basta analisar, em finais de 2011, os termos usados por Louçã para se referir ao assunto:

 “… é preciso que se faça uma auditoria às contas da região “para proteger a Madeira e todos os contribuintes no país inteiro que têm sido obrigados a pagar este descalabro das contas e este facilitismo das contas de Alberto João Jardim, que é o primeiro e único responsável pelo buraco financeiro da Madeira”…”


Note, a dívida é da exclusiva responsabilidade do “descalabro” e do “facilitismo” dos que governaram a Madeira. Não existiu contributo das políticas nacionais ou europeias, para esse desfecho.



Quando se fala da Grécia, está sempre presente uma ideia de obrigação moral dos seus parceiros europeus, perdoando as dívidas, “salvar” os gregos. No caso da Madeira, o tom usado era “ligeiramente” diferente… voltemos a Louçã:

“... “Desconfiamos que no dia em que Pedro Passos Coelho vier fazer um comício ao lado de Alberto João Jardim, por cada minuto do discurso, nós todos vamos pagar 30 milhões de euros, até chegar aos 500 milhões do cheque que ele vai passar a Jardim …”

Em vez de apelos à solidariedade com a Madeira, a “esquerda” alertava para a circunstância de estar em curso o pagamento do “descalabro” madeirense "à custa de nós todos”…



Na Grécia, a austeridade é a culpada da situação económica grega e tem que ter um ponto final. No caso da Madeira, pressionava-se o governo de Passos para aplicar o respetivo plano de austeridade! E, era implícito, esse plano de austeridade tinha de assegurar que seria a Madeira – e não os contribuintes de todo o país – a pagar a crise…


“O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, confrontou o primeiro-ministro com o compromisso assumido pelo Governo no anterior debate sobre a Madeira, no qual Passos Coelho se referiu ao plano de austeridade para resolver a dívida do arquipélago.
 
[…] Na intervenção de hoje, o primeiro-ministro garantiu que será "prioritariamente" a região autónoma a fazer "o esforço de correção" orçamental e financeiro e não o país na sua globalidade.”

Só para demonstrar que a posição do PS era (então como agora...) sensivelmente a mesma do BE…

“Seguro desafia Passos Coelho a esclarecer quem paga "irresponsabilidade" da dívida da Madeira

Referindo que a dívida da Madeira é de oito mil milhões de euros, António José Seguro disse que "os bebés daqui [região autónoma] já nascem endividados".



A coerência desta gente em termos de doutrina sobre dívida e austeridade, fica bem patente…

Que moral, têm aqueles que acusam os alemães de falta de solidariedade com os gregos, quando a posição que adotaram em relação à resolução dos problemas da dívida dos seus próprios compatriotas, foi a que se vê nos excertos acima?


Para finalizar, notar que o tratamento mediático destes dois casos – o da Madeira e o da Grécia – é também exemplar num outro plano: a sistemática colagem dos meios de comunicação social, às posições políticas de circunstância da esquerda.
 

 

03 fevereiro, 2015

Finalmente, é conhecida uma medida concreta de Costa no que toca a “criação de emprego”...


Não posso deixar de estranhar que a mesma comunicação social sempre tão atenta a qualquer vacuidade proferida por António Costa, tenha deixado passar praticamente despercebida a notícia que origina este post. Ou, então, não estranho nada!...


O Orçamento da CM Lisboa para 2015

A estória começa com a 1ª versão do orçamento da câmara lisboeta. Aqui, “en passant”, constatar o habitual duplo critério dos socialistas e dos seus seguidores na comunicação social.

A propósito da apresentação do OE 2015 pelo governo de Passos - mesmo entregue dentro do prazo estabelecido – não deixa de dar lugar a diversas reportagens nos telejornais dando conta aos telespectadores / cidadãos / votantes das “trapalhadas”, da “forma atabalhoada”, enfim, da incompetência revelada pelos políticos do atual “governo de direita” para preparar e apresentar um orçamento.    

Vejamos, então, como é que competentes políticos socialistas, como António Costa (sim ele é líder do PS mas continua a acumular com a presidência da CM Lisboa), gerem um processo semelhante…


Incumprimento legal do prazo de entrega… 

Os mesmos que criticaram Passos por ter entregue o OE 2015 no último dia do prazo (vejam lá!), são os mesmos que, tendo como limite de entrega o dia 31 de Outubro, apenas o apresentaram a 10 de Novembro.

Pelo meio a curiosidade de a Lusa ter tido acesso ao documento 2 dias antes…    
 

 E agora, finalmente, a solução de Costa para a “criação de emprego”

Apesar de ter entregue um orçamento 10 dias depois do prazo legal, parece que apenas um mês depois, o documento já precisava de um retificativo…


“Na passada quinta-feira, uma alteração ao Orçamento da Câmara de Lisboa (CML) aprovou um aumento de despesas de avenças com pessoal de 6,8 milhões para 8,6 milhões de euros. Uma situação que faz o vereador do PSD António Prôa considerar que se tratou de uma forma de António Costa mascarar as despesas com pessoal na autarquia.”


“O vereador do PSD na Câmara de Lisboa considera que se trata de um “brutal aumento das despesas na rubrica de pessoal em regime de tarefa ou avença”, explicando que está em causa “um aumento de 26% face ao orçamento que a câmara apresentou há pouco mais de um mês”.”


Recordo o slogan "Quero fazer no País o que fiz em Lisboa", está assim encontrada a solução de Costa para criar emprego...

 

Viu alguma “polémica” sobre este assunto nos telejornais? Viu ou ouviu algum órgão de comunicação social pegar no assunto e falar sobre trapalhadas?! Atabalhoamento?! Documentos feitos em cima do joelho?!
 
Claro que não, políticos socialistas são geneticamente imunes a essas coisas…como poderia ser notícia?!


Quem serão os beneficiários daquele acréscimo de 26%? 
 
E,
 
 
 

31 janeiro, 2015

Tsipras quer sair do Euro, mas não quer assumir a responsabilidade dessa opção.

 
Durante a campanha eleitoral o Syriza suavizou o seu discurso. Dando a entender que o partido de extrema-esquerda tinha evoluído para uma posição mais moderada. Esta “moderação” foi essencial para o seu crescimento eleitoral.

Ao final de uma semana, começa a parecer claro que essa posição foi uma mera estratégia para chegar ao poder. Na Grécia, o socialismo (radical) vai sair da gaveta…

Seria compreensível algum bluff para ganhar margem negocial com as instituições europeia e seus credores, mas os sinais dados desde a sua tomada de posse vão muito para além de uma simples tomada de posição.


1 Escolheu para parceiro de coligação um partido extremista de direita (e como é lindo ver a malta do BE conviver com essa aliança, de repente já é tolerável a xenofobia e homofobia… até o facto de o governo de Tsipras não contar com qualquer mulher não levanta questões de género!);


2 Os primeiros actos incluíram: ir depositar uma coroa de flores no memorial dos combatentes comunistas que foram mortos pelos nazis na II GM e, no seu discurso, o recorrer a linguagem como
"o novo Governo está pronto a derramar o seu sangue";


3 Aproximação à Rússia… o primeiro diplomata que Stripas recebeu, foi o embaixador russo. Simultaneamente, criticou a posição da UE e o seu anúncio de novas sanções à Rússia pela evolução dos acontecimentos na Ucrânia .


4 As primeiras medidas de foro económico: todas no sentido de aumentar a despesa pública (aumento de salários, readmissão de funcionários públicos, abortar privatizações em curso, etc.), logo, de se afastar de uma posição de compromisso e de diálogo com as instituições europeias. 



Se, em vez de extrema-esquerda, estivéssemos a falar de um partido de extrema-direita estes sinais – que foram largamente ignorados pela nossa comunicação social esquerdista – estariam a abrir telejornais anunciando à populaça que as sombras do extremismo voltam a cobrir a Europa!

Mas, não. Para o nosso jornalismo, tudo o que vem da esquerda é intrinsecamente bom... Tsipras e o Syriza, em vez de sombras, trazem esperança à Europa!  




Tsipras, posso estar errado mas é a minha convicção, quer forçar uma saída do Euro. Mas, por cinismo político, não tem coragem de o dizer abertamente.


Essa saída trará mais sacrifícios e sofrimento para o povo grego, que o “caminho da austeridade”. Mas, para Tsipras, será mais confortável dizer aos gregos que a miséria que sobre eles recairá, se deve aos alemães (esses nazis) e aos políticos europeus que "levaram fome à Grécia", que assumir que essa miséria é a consequência da sua opção…


Aliás, essa é a estratégia de qualquer força extremista: o “inimigo comum”. Nunca assumir as responsabilidades próprias pelo que de mau existe numa sociedade e atribuí-las a outrem.
É mais difícil reunir os povos em torno do trabalho e da responsabilidade necessárias para atingir o bem estar comum. É bem mais fácil, convencer os pobres, os marginalizados, que a culpa do seu estado é dos “ricos”, dos “judeus”, dos “imperialistas”, etc..
 

Ligo a tv e uma jornalista visivelmente entusiasmada, anuncia uma "marcha pela mudança" do Podemos em Espanha...   

Cada um deve assumir as suas responsabilidades neste crescimento dos extremismos na Europa. Será que a comunicação social está ciente das suas?   
 
 
Gostava, dentro de 6 meses, dizer que este post sobre a situação grega, era um completo disparate… 








28 janeiro, 2015

José Rodrigues dos Santos: a mais recente vítima dos censores do mediaticamente correto...


Como não disse coisas como “os gregos são vítimas da austeridade”, “os gregos são vítimas de Merkel” ou “os gregos passam fome porque os credores lhes impõem austeridade”, JRS – tal como sucedeu a Isabel Jonet, Soares dos Santos, F. Ulrich, César das Neves, etc.. - é o mais recente proscrito da linha de pensamento único que domina a agenda mediática. 

Admitindo que algumas passagens das suas reportagens podem levar a uma generalização a todo o povo grego de práticas de corrupção ou de fuga aos impostos, será essa “caricatura” mais desviada da "realidade" apresentada por aqueles que repetidamente se referem à Grécia como uma “vítima da austeridade e de Merkel”?!


Não será a narrativa da “esquerda”, que assenta numa ideia chave – a “austeridade” é a origem de todos os males – a maior caricatura de todas?

Dizer, por exemplo, que a Grécia está a passar pela III Guerra Mundial, será menos infeliz que constatar que a corrupção faz parte do dia-a-dia dos gregos? 
 
Em suma, a indignação com as reportagens de JRS decorrem de um mau trabalho jornalístico realizado ou serão apenas fruto de mais um episódio de condicionamento do que é (ideologicamente) aceitável dizer-se no espaço mediático?



Mentiras que, mil vezes repetidas, se transformam em verdades… 

A narrativa dominante dos media estabelece uma relação causa / efeito entre as “políticas europeias de austeridade” e a crise. Será mesmo assim?

Por exemplo, o altíssimo nível de desemprego (provavelmente o principal problema europeu), poderá até estar relacionado com as tais "politicas europeias", mas, não decorrerá essencialmente de outro fenómeno, conhecido há mais de 20 anos, a globalização?
(nomeadamente, a deslocalização da produção da Europa para Leste, Oriente, Norte de África, etc.)


Será “uma caricatura” dizer que enquanto uns países - com os alemães à cabeça – se prepararam, fazendo as necessárias reformas e ajustamentos para esse embate, outros dizendo que "há mais vida para além do défice" se limitaram a ir "empurrando com a barriga para a frente"?
 
Há 10 anos atrás, os alemães estavam a limitar salários à função pública enquanto gregos (e portugueses) os aumentavam! Será “uma caricatura” dizer  que Portugal e a Grécia (também outros, mas fundamentalmente estes), foram vivendo à custa do crédito que a entrada na  Zona Euro lhes possibilitou, mas ignoraram sistematicamente as duas regras essenciais exigidas à permanência nessa mesma zona: défice próximo dos 3% e dívida pública abaixo de 60% do PIB? (Critérios de Convergência de Maastricht)..


Não será que, em larga medida, estas duas posturas e a respetivas sociedades, estão a “colher o que semearam”?


Outra linha de argumentação recorrente é a evocação das responsabilidades dos alemães na II G.M., concretamente, as suas dívidas de guerra à Grécia. Sinceramente, faz algum sentido sugerir uma espécie de “acerto de contas” misturando uma dívida que, essencialmente, é o resultado das asneiras, das megalomanias e da irresponsabilidade dos gregos (que também a houve por cá) com uma guerra de há quase 80 anos?!


Se vamos entrar neste tipo de contabilidade qual é o limite? Por ex. nós portugueses, estaremos na disponibilidade para reconhecer e pagar, as dívidas correspondentes às riquezas extorquidas às nossas antigas colónias africanas, ao Brasil, etc.?...

Aliás, e dentro ainda desta narrativa de "guerra": em vez dos alemães, mais depressa vejo como meus principais inimigos aqueles políticos portugueses que, à custa de dívida a pagar com os meus impostos (e, no futuro, pelos meus filhos e netos...), fizeram as auto-estradas onde ninguém passa, um tgv que não saiu do papel, as obras do parque escolar, etc.! Esses, sim deviam ser vistos como os verdadeiros inimigos (em vez de andarem a meter-se em autocarros para lhes demonstrar solidariedade...) 

O mesmo, talvez mais até, não se aplicará ao povo grego?…


Repare, aqui em Portugal, é frequente relacionar os cortes e a austeridade com os submarinos “comprados pelo Portas”. Não é curioso constatar que os mesmos que usam os “nossos” 2 submarinos como arma de arremesso político contra a área de centro direita, acham infeliz, e até apelidam de xenófobos, aqueles que recordam os 6 submarinos comprados pelos gregos como "caricatura" do escandaloso nível de corrupção na Grécia?

Qual é o princípio e a coerência?...
 
Outro exemplo, atente-se nesta declaração de Roberto Almada, cabeça de lista do BE na Madeira:

 “Chegou a hora de aposentar compulsivamente Alberto João Jardim, que nos levou a um beco sem saída, que fez com que a região estivesse endividada até ao tutano, que fez com que os nossos filhos e os nossos netos estejam com o seu futuro endividado"


Claro que nenhum jornalista questionará o bloco, ou alguém da esquerda, se não é demagógico e contraditório, dizer que A.J. Jardim nos “endividou até ao tutano” e comprometeu o futuro “dos nossos filhos e netos” e, simultaneamente, dizer que os gregos são vítimas da austeridade e da “bruxa” da Merkel...


Não digo que a Europa deva abandonar os gregos à sua sorte, mas custa a acreditar na forma infantil como este assunto é tratado na agenda mediática, onde existem: os “bonzinhos da esquerda” que querem crescimento e emprego Vs os “mauzões da direita” que querem a austeridade.


E, confrontados com este contexto e esta narrativa mediática, será assim que os portugueses irão votar nas legislativas aqui a uns meses…


Enfim, Portugal é muito isto… 
 
 
 

19 janeiro, 2015

Não me lixem, vocês estão a c*g%#%-se para a liberdade de expressão e de imprensa.


Dois dias depois da publicação do último post – que, a partir de acontecimentos do 1º mandato de Sócrates, questionava a forma como a nossa comunicação social lida com aqueles que “convivem mal” com o direito de liberdade de imprensa e de expressão – vieram a público novas informações sobre as manobras de Sócrates para calar alguns órgãos de comunicação social e controlar outros (factos ocorridos no final de 2013 e início de 2014, note-se).
 


Desde que tais informações saíram na imprensa – honra seja feita ao Correio da Manhã pela sua investigação neste caso - tenho estado atento aos telejornais (espaços onde, segundo os próprios jornalistas, se formata a opinião dos cidadãos, se fabricam os presidentes e primeiros-ministros, enfim, onde se ganham e se perdem eleições) para perceber a relevância e o destaque que as respetivas redações iriam dar ao assunto.


E, o que pude constatar? Nenhuma referência ao caso. ZERO!

Vi reportagens sobre Sócrates, mas apenas abordaram as últimas personalidades que lhe fizeram uma visita (já é um clássico da tv lusa...) e a referência a alegadas queixas de outros reclusos reclamando dos privilégios exclusivos do preso n.º 44.

Nota: Desde já, peço desculpa se alguma reportagem sobre estas notícias passou nos telejornais (RTP, SIC e TVI). Se passou, foi de tal forma discreta que não vi (e bem que fiz zapping…).

Ninguém acha isto estranho, incompreensível mesmo. Então, os mesmos órgãos de informação que, durante dias a fio, falam incessantemente do “valor supremo” da liberdade de expressão e de imprensa, os mesmos media que adotam uma posição de defesa intransigente desses direitos, remetem-se a um total silêncio sobre notícias vindas a público  que nos dão conta das manobras do ex-pm socialista - envolvendo a Entidade Reguladora da Comunicação Social, inclusivamente - com o objetivo de calar o Correio da Manhã e controlar órgãos de informação como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias e a TSF?!


Se isto não é matéria jornalisticamente relevante para levar a um telejornal, o que será?! As últimas da relação entre o Ronaldo e a Irina?!...


Tenham vergonha!

Do ponto de vista informativo e para além desta vertente da liberdade de imprensa, as “novidades” mais recentes (recordo novamente: reportam-se a factos ocorridos no final de 2013 e início de 2014) contêm outros dados relevantes sobre o caso Sócrates, nomeadamente, porque tais elementos nos permitem analisar, ajuizar, sobre a veracidade de parte da teoria de defesa de Sócrates.

Segundo o próprio, era a bondade do seu amigo Carlos Silva e os empréstimos que este lhe fez para "fazer face a algumas necessidades financeiras”, a explicação para as largas somas de dinheiro que tinha à sua disposição. Ora, pelo que foi agora tornado público, Sócrates “disponibilizou-se para angariar capital para compra da Controlinveste”. Vejamos, esta conduta é própria de alguém que depende de favores e de ajudas financeiras de amigos ou será típico de alguém que tem a autonomia e os meios financeiros para decidir o desfecho destes negócios?


Mas, voltando à suposta intolerância que os nossos media têm com aqueles que violam a liberdade de expressão e de imprensa: 

Tenham vergonha e calem-se com o chavão da defesa da liberdade de imprensa! Pelo que já se viu, as redações estão cheias de gente disponível para proteger "democratas" como Sócrates, suas estratégias e forma de "fazer política"…


Pelo envolvimento e cumplicidade de muitas “figuras ilustres” do PS, Sócrates não pode cair. Assim que ele sinta que os seus amigos não conseguirão safá-lo, assim que perceba que vai “cair em desgraça”, irá arrastar um grande número de comparsas com ele.

Os socialistas sabem-no e continuam a ir a Évora, dando-lhe provas de solidariedade e, acima de tudo, no intuito de o manter tranquilo. O jornalismo e a elite merdosa que controla os telejornais, sabe-o e continuará a fazer o que pode para proteger a imagem de Sócrates e o PS que a ele está amarrado.
 


É óbvio que Sócrates não agiu sozinho ao longo de todos estes anos! O seu “cadastro“ nas mais variadas áreas – desde as manobras de silenciamento da comunicação social (envolvendo até a banca privada onde colocou os Varas), na definição dos negócios que se fazem e não se fazem, nas empresas públicas ou para-públicas (como a PT e a EDP), nas opções tomadas em termos de investimento público (PPP rodoviárias, PPP energia eólica, Parque Escolar, TGV, etc.) – é tão evidente que só num país hipócrita como este, podemos assistir aos que, durante anos, com ele conviveram e partilharam o poder, dizerem coisas como: “estou muito surpreendido com tudo isto” ou “acredito na sua inocência”…  
 
Aliás, alguns destes "espantados com tudo o que está a acontecer", muito provavelmente, até estavam ao seu lado quando os telefonemas apanhados nas malhas das escutas foram realizados.

Mas desta vez, parece, não existirá alguém para invalidar as escutas ou recortá-las à tesoura... (mas, depois de Outubro, quem sabe? )


Tenham vergonha!

Vocês, enquanto afirmam à boca cheia que o desrespeito pela liberdade de imprensa é incompatível com a democracia - por razões de pura afinidade ideológica – são capazes de se aliarem à agenda dos que “se cagam para o segredo de justiça”, de se aliarem à estratégia dos que, com Sócrates, calaram alguns jornalistas e condicionaram outros, em suma, são capazes de colocar os interesses e a conveniência  da "esquerda" (nomeadamente, os interesses de Costa e do PS) à frente dos tais direitos que dizem ser intocáveis e, ativamente, darem o vosso contributo para que essa gente volte ao poder!


É esta a vossa noção de “democracia”. Não me lixem com mais balelas sobre a liberdade de imprensa e de expressão!


"Todos os burros comem palha, o que é preciso é saber dá-la." Hoje em dia, é este o mote para editar telejornais...


(desculpem-me os mais sensíveis, mas esta hipocrisia e este calculismo tiram-me do sério...)