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06 maio, 2015

O Humor e o mindset “Esquerda boazinha Vs Direita maléfica”…


Num recente artigo, Rui Ramos debruçou-se sobre o tema “Porque é que todos os humoristas da rádio e da televisão são de esquerda?”
 
 Em jeito de resposta a esta interrogação, deixo outra: 
 
Se, de uma forma geral, políticos, economistas, comentadores, historiadores, etc…, provenientes ou ligados ideologicamente à “esquerda”, gozam de uma benevolência, tolerância e escrutínio público completamente distintos dos que proveem da “direita”, porque raio haveria de ser diferente com os humoristas?!
 
  
Alguns exemplos dessa discrepância no escrutínio mediático e tolerância (vulgo, “Esquerda boazinha Vs Direita maléfica”):
  • Se, em vez de Obama, Bush fosse o Presidente dos EUA, o funcionamento de Guantánamo ao fim de anos e anos de promessas do seu fecho, teria o mesmo tratamento jornalístico / mediático que Obama beneficia?
 
  • Se, em vez de Obama, Bush fosse o Presidente dos EUA, olhando ao barril de pólvora em que todo o Médio Oriente e parte de África se transformou, alguém duvida que veríamos – ao contrário do que sucede com Obama - na agenda mediática frequentes artigos a relacionar tal circunstância com o falhanço da política externa da Casa Branca nos últimos anos?
 
  • BPN Vs BES: Do ponto de vista da proteção dos contribuintes e do erário público, alguém pode duvidar que o atual governador Carlos Costa atuou de forma incomparavelmente superior que Constâncio durante os anos em que a fraude do BPN se desenrolou? Assim sendo, porque vemos C. Costa ser atacado todos os dias enquanto Constâncio acabou por ser premiado com a vice-presidência do BCE?
 
 
  • Previsões económicas: Qualquer erro deste Governo (lembram-se do Excel de Gaspar?) dá aso a um chorrilho de comentários sobre o seu irrealismo, fantasia, incompetência, etc., relativamente às suas projeções. Teixeira dos Santos e Sócrates, apresentavam Orçamentos com um défice de 3% que afinal eram 11% ou 12% e nenhum comentador ou jornalista fazia caso disso.  
 
Enfim, os exemplos são mais que muitos e as categorias “filhos e enteados” ou “daria um excelente escândalo se fosse para malhar na Direita...”, mostram inúmeros casos desta desigualdade de tratamento, designadamente, diferente grau de escrutínio e a tolerância jornalística para com o agente político consoante este é de "esquerda" ou de "direita" (sempre entre aspas....). 
 
Considerando este clima de hostilidade seletiva, admiração, seria constatar igual presença de humoristas de ambos os lados das "barricadas" ideológicas. No fundo é a lei da oferta e da procura a funcionar: Com semelhante condicionamento mediático, humor para ridicularizar a esquerda promete o mesmo sucesso comercial como ir vender mantas polares para as Caraíbas... (veem como "à direita" se faz humor?...)   
 
Pessoalmente, não reconheço a existência de humor de “direita” e humor de “esquerda”, apenas bom e mau humor (sendo este subjetivo, claro). Coisa diferente é um humorista atacar políticos de uma área ideológica ou outra. E essa prática já se insere numa das armas de guerrilha mediática mais usadas por cá: não discutir a mensagem, mas o mensageiro (fragilizando-o).
 
 
Lembrar os casos de Isabel Jonet, Fernando Ulrich ou, mais recentemente, o ataque  movido a José Rodrigues dos Santos. Personalidades que, por opiniões emitidas ou por posições assumidas que comprometem a narrativa de ocasião defendida pela inteligentsia de "esquerda", passam a constar de uma espécie de “lista negra” sendo, a partir daí,  na agenda mediática e nas redes sociais, sujeitos a todo o tipo de críticas e ataques pessoais sem se discutir a substância das suas ideias (a mensagem) ou o que defendem.      


No entanto, recorrendo a um caso real, para demonstrar a (falta de) tolerância para com o humor proveniente da área de “direita” e como é fácil ser objeto de uma campanha de ódio quando não se é adepto de ideologias de esquerda, sugiro a leitura de um post que acaba por se interligar com o artigo de Rui Ramos.

(já agora, aqui deixo a minha solidariedade ao autor e ao seu blog, que visito regularmente…)
 
 
E não matei 5 peregrinos, que seria se o tivesse feito.

O Pedro Reininho fez-me uma entrevista por e-mail com 8 perguntas que, na compreensível necessidade de vender papel, transformou numa capa sensacionalista.
 
A vida está difícil e eu, para ter os meus 15 minutos e fama, já sabia que me teria que sujeitar a isto.
Publico agora o que eu lhe disse para os estudiosos da comunicação social poderem comparar a fonte com a peça jornalística (ver, A história do professor mais odiado e Portugal).
(Só corrigi o erros ortográficos que seriam un 10, o que é pouco para o meu historial)
1. Esperava a reacção que causou a mera menção ao seu nome, por parte do deputado Duarte Marques? Como interpreta aquele artigo de Francisco Louçã, em que recupera algumas das considerações que o senhor tem publicado no seu blogue?
Como nota prévia, não conheço o deputado Duarte Marques nem ele me conhece e muito menos somos amigos.
O artigo do Louçã não me surpreendeu em nada e já o esperava há muito porque cada vez mais as batalhas políticas travam-se nos blogs. Mostrando eu no meu blog com números e factos que o denominado "outro caminho" anunciado pelos pensadores de esquerda é um embuste, uma história para adormecer criancinhas, sem qualquer viabilidade prática, não lhes sobraria mais do atacar o meu carácter. Pensaram que a palavra "pretalhada" seria a sua oportunidade.

2. A verdade é que, nesses artigos que tem vindo a publicar, emprega termos fortes ("pretalhada", "alienígenas", etc.) para referir-se às pessoas que têm tentado atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa. Até que ponto se trata de uma mera estratégia "comercial", um meio para conseguir mais "público" para os seus artigos?
Não interessa chamar a um pobre "Ex.mo Sr. Pobre e Desgraçado" para, depois, o mandar embora sem esmola.
Essa minhas palavras são um grito de indignação. Agora que foram notadas, queria que o Louçã apresentasse uma solução minimamente credível para o problema das centenas de milhões de pessoas que, desde Moçambique ao Bangladesh passando pela Guiné-Bissau, levam vidas de extrema miséria. Não queria o discurso de que "a culpa é do grande capital" mas antes que fossem aos calhamaços de Economia estudar soluções práticas.
Em certa medida, as palavras são uma estratégia comunicacional, uma forma de gritar no meio da multidão dos blogs.


3. O mesmo se pode dizer das teorias que apresenta para resolver o problema da SIDA, ou para o equilíbrio da Segurança Social. É um inconformado? Um irreverente? Como se define?

Quando falei do abate sanitário como política para acabar com a SIDA também referi que essa política não só não resolveria o problema como ainda o agravaria. O seu uso pelo Louçã só prova a minha tese de que o pretendido não era discutir o problema da SIDA mas lançar um cortina de fumo sobre as incoerências do actual discurso da esquerda.
Eu sou, enquanto figura pública, uma criação do espaço público, livre e não moderado que os blogs materializam. É neste espaço que luto todos os dias para ser livre. Poderia escrever sobe anonimato como fazem, por exemplo, no Irão mas isso seria reconhecer de que não vivemos numa sociedade de livre pensamento. Seria tornar-me prisioneiro das pessoas que se acham as únicas com direito a pensar sobre a miséria que aflige o Mundo (mas que não pensam).

4. Essa forma discursiva tem um preço: as adjectivações mais variadas de que é alvo. Incomodam-no?
Não me incomodam nada porque, de facto, essas adjectivações não são sobre mim enquanto pessoa mas apenas enquanto personagem de um mundo virtual. Quando eu vou à farmácia, ao supermercado, ao café, ou caminhar à beira mar, nesses mundos não existe qualquer ligação com a minha personagem enquanto bloggista.
Cada vez mais as pessoas são multipolares, os momentos em que sou judoca, professor, bloggista, amante da natureza, etc. não se interceptam. Por exemplo, na aldeia onde vivi desde que me lembro até ir estudar para a universidade não sabem que eu sou professor universitário, pensam que eu não tenho emprego e que vivo à custa da reforma da minha mãe. 

5. Licenciou-se em Engenharia de Minas (em 1988, se não estou em erro). Porquê esta área?

Quando eu, em 1983, me candidatei à Universidade escolhi Minas porque gostava das coisas da natureza e não precisava pensar na sua aplicação profissional porque os meus pais, tendo 6 filhos, não tinham recursos mínimos para que eu pudesse frequentar a universidade. Tive sorte de a minha mãe ter lutado para que eu tivesse uma bolsa de estudo. Eu, enquanto licenciado, sou um filho do Estado Social.

6. É filiado nalgum partido?
Não. Em termos políticos defino-me como um liberal e já votei no CDS, no PSD e no PS.

7. É o mais velho de três irmãos. Que importância tem a família? Tem filhos?
Pedro, eu talvez cortasse esta pergunta porque não terá interesse.
Tenho 5 irmãos e não tenho filhos porque os homens não podem ter filhos.

8. Porquê essa ausência de relação com telemóveis?
Telefonar, receber telefonemas ou cartas e falar com pessoas causa-me mal estar.
Deve ser uma doença qualquer."
 
 
 



30 abril, 2015

O que é que o Nóvoa tem?

Ligo a televisão e lá estão reportagens dando-me conta dos roteiros de Sampaio da Nóvoa. Abro os jornais e leio notícias gizadas na sequência de discursos de Sampaio da Nóvoa. Ligo a rádio, idem.

Não existindo até agora apoios partidários declarados aos candidatos que, individualmente, tomaram a opção de avançar, que critérios jornalísticos justificam tamanha promoção mediática de Sampaio da Nóvoa em relação (por exemplo) a Henrique Neto e a Paulo Morais?!

Estando até ao momento estes candidatos em pé de igualdade (recorde-se, não existem ainda apoios partidários declarados), não deveria a comunicação social usar de critérios de imparcialidade e isenção no tratamento mediático?

Esta “opção editorial” de selecionar o candidato presidencial a impingir aos portugueses, serve a estratégia de quem?  (... difícil, a resposta a esta questão, não é?)
 

Enfim, como em tantas outras ocasiões, em vez de informar, o Jornalismo prefere decidir por si quais os candidatos a eleger… 



 

07 dezembro, 2014

Saberá alguém a data de aniversário do General Ramalho Eanes?....


 
Sabemos que a redação do Público não gosta, mas temos um Presidente...
 
Sugestão: na próxima poderiam optar por Sua Majestade. 
 
 
 

31 outubro, 2014

Os jornalistas da Bola serão preguiçosos?


Curioso com o título? Já lá vamos...
 

2 Entre os que dominam o palco do espaço mediático, as previsões do atual Governo são sempre inexequíveis e um embuste (atente-se à discussão do OE2015). Apesar disso e tal como já sucedeu em 2013 - ano em que personalidades (essas sim) de inquestionável sabedoria e credibilidade, vaticinavam um novo resgaste para Portugal e o seu regresso à idade média -, o défice orçamental está em linha com a meta prevista (embora a execução tenha sido afetada pela decisão do TC, recorde-se):

“O saldo das Administrações Públicas fixou-se nos -3.989,9 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um desagravamento de 1.421 milhões face ao período homólogo.

... se excluirmos a despesa do Estado com juros da dívida, observa-se um excedente primário de 1.388 milhões de euros, uma melhoria de 1.654 milhões face a 2013.”



3 Terceira nota - a dívida pública -, outro segredo bem guardado pelos média. Parece que o ano de 2014 assinalou uma inversão da tendência de subida:
“A proposta de Orçamento do Estado para 2015 aponta para uma descida do rácio de endividamento de 127,2% para 123,7%, uma descida de 3,5 pontos percentuais. Em 2013, este valor atingiu os 128%, já tendo em conta as novas regras do Sistema Europeu de Contas Nacionais e Regionais (SEC 2010).”


O que têm em comum estes 3 factos?!
A circunstância de passarem completamente despercebidos nas manchetes e nas aberturas de telejornal das 20h!
 
Mas, bastará fazer um breve exercício de memória e todos recordaremos (em períodos bem recentes)  telejornais abrirem, quase diariamente, com notícias sobre o aumento do desemprego, da dívida ou a denunciarem uma derrapagem do défice

E, não,
não é “preguiça” de ir estudar os números e os indicadores. Este condicionamento da agenda mediática, como aqui se defende há muito, é deliberado. O país não precisa de notícias boas nesta fase... 

Alguns fizeram troça das declarações de Passos Coelho sobre jornalistas e comentadores, outros fizeram-se desentendidos... No entanto, qualquer pessoa minimamente atenta e imparcial, sabe que essas declarações refletem uma realidade:  o espaço mediático não é isento, é-lhe (bastante) hostil e anseia pelo regresso ao poder de algo com um rótulo de "esquerda"...
 
 
Enfim, as boas notícias regressarão às capas dos jornais e à abertura dos noticiários, quando o "predestinado" tomar o seu lugar... 
   
 
Façamos aqui uma analogia entre o "jornalismo político" e o jornalismo desportivo.   
 
A falta de isenção clubística do jornal "A Bola", ficará a dever-se à "preguiça" dos seus jornalistas ou será que a redação daquele jornal, objetivamente, segue um critério editorial de apoio ao clube lisboeta que veste encarnado? 
 
 
 
 
 

03 outubro, 2014

E se, em vez de Costa, fosse o Isaltino, o Meneses ou o Valentim?...


O Público (através de um bom jornalista) volta a trazer novos desenvolvimentos de um dos casos de “relação privilegiada” entre a CM Lisboa e o Grupo Espírito Santo, assunto já abordado aqui (Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita...).

Desta vez, ficamos a saber que o executivo de António Costa autorizou obras que violavam o Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz-Benfica (parte do Plano Diretor Municipal (PDM), presumo…) que estava em vigor. 

 


Segundo a mesma notícia, só uma revisão do referido plano há cerca de 1 mês, veio tornar legais as obras entretanto realizadas ao abrigo de projetos aprovados em 2013.


Mais uma vez se comprova, enquanto umas notícias abrem telejornais e são mantidas durante dias, semanas, nos noticiários de grande audiência, cozinhando em lume brando alguns políticos, outras notícias, sobre outros políticos, ficam-se apenas pelas páginas dos jornais que chegam apenas a um grupo cada vez mais restrito de pessoas…  


Se, por exemplo, fossem Isaltino Morais ou Filipe Meneses os autarcas envolvidos, duvida que os telejornais abririam com uma notícia a dar-nos contas de “Favorecimento de x ou y ao Grupo Espírito Santo”?!



O inestimável serviço público prestado pelo jornalismo

O Jornalismo e as redações, num notável espírito de serviço público, encarregam-se de fazer a triagem dos políticos “sérios” e dos “corruptos”, levando ao conhecimento dos cidadãos apenas o estritamente necessário para que estes percebam quais são os políticos que merecem o seu voto.
 
Afinal, os portugueses já têm uma vida tão complicada que, se toda a informação e fatos fossem colocados à sua disposição em pé de igualdade, perderiam imenso tempo a fazer a sua própria avaliação dos diferentes casos e dos intervenientes. Provavelmente nem teriam tempo para ver a Casa dos Segredos e as telenovelas…
 
 
“Enfim, a comunicação social já escolheu o novo “querido líder”. Resta aos portugueses continuarem a ver e ouvir os comentadores do costume e lerem os escribas do costume, até que o poder volte a cair no colo dos predestinados…

Tudo correrá pelo melhor e sem sobressaltos!”



PS: O país andou indignado com a possível quebra de “exclusividade” do deputado Passos Coelho nos anos 90. Uma pergunta: há algum regime de exclusividade para um Presidente de Câmara?

Por ex., pode alguém ser eleito para conduzir um município, passar a gestão para alguém da sua confiança e continuar a ser pago pelo Estado, pelos contribuintes, por uma função que não exerce?


 
 

22 setembro, 2014

Comunicação Social, a verdadeira oposição…

 
Durante os últimos 4 - 5 dias, e com ampla divulgação em todos os meios de comunicação social (incluindo telejornais, espaço onde se  vendem presidentes e se fabricam líderes políticos), os cidadãos foram “informados” dos seguintes factos sobre o passado do atual P.M.:


"Sábado: Investigados alegados rendimentos não declarados de Passos Coelho
Alegadas denúncias remontam a 1995-1999. Passos terá, segundo a revista, recebido cinco mil euros por mês da Tecnoforma quando era deputado em exclusividade. Lei proíbe acumulação de rendimentos."
 

"DCIAP estará a investigar alegados pagamentos ilegais da Tecnoforma a Passos Coelho"

 

Ilegalidades colocam Passos 'na mira' do DCIAP
 O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, estará a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por ilegalidade devido a rendimentos auferidos entre 1995 e 1998, período em que era deputado em exclusividade, e que não foram declarados..”




Entretanto, hoje (22.09.14), um comunicado da Assembleia da República esclarece que ”… Pedro Passos Coelho não teve qualquer regime de exclusividade enquanto exerceu funções de deputado entre novembro de 1995 e de 1999.”

 
Ainda assim, eis como alguns meios de comunicação social optaram por transmitir esta relevante informação:
 

O "gajo" safou-se porque já prescreveu, terá pensado quem apenas leu o título!
 
A quem serve este tipo de “jornalismo”?...


Sinceramente, com esta vergonha de comunicação social, nomeadamente a forma completamente parcial como gere a agenda mediática, cuidando da boa imagem dos candidatos queridos da esquerda, enquanto tudo faz para enlamear e prejudicar a imagem de outros, alguém acredita que as eleições em Portugal podem ser justas?!


“… a comunicação social já escolheu o novo “querido líder”. Resta aos portugueses continuarem a ver e ouvir os comentadores do costume e lerem os escribas do costume, até que o poder volte a cair no colo dos predestinados…

Tudo correrá pelo melhor e sem sobressaltos!

 Com Jornalismo assim, quem precisa de Censura?...”


 

11 setembro, 2014

Sim. A Boa imprensa pode sobrepor-se à Realidade.


No post anterior, ficou no ar a curiosidade quanto à forma como a SIC iria gerir o 2º debate entre Costa e Seguro, designadamente, sobre uma questão que marcou o 1º debate: a decisão de Seguro em abster-se aquando da apresentação do OE212. Mas, já lá vamos…

Logo na abertura do telejornal (lendo o que a redação lhe colocou no teleponto, imagino) foi assim que Rodrigues Guedes de Carvalho fez o enquadramento ao debate enquan
to Seguro entrava nas instalações da SIC:

“…depois do debate anterior, onde Seguro sobretudo lançou acusações a de deslealdade e traição a Costa, hoje os portugueses esperarão sobretudo conhecer as propostas concretas…”

Vamos por partes:

Em 1º lugar, Seguro falou na “deslealdade e traição” porque a moderadora (Judite de Sousa) lhe colocou a questão. Mesmo assumindo, como a generalidade dos comentadores parece ter escolhido fazer, que este assunto deveria ser ignorado por se tratar apenas de uma mera “trica pessoal”, o que deveria Seguro ter feito quando confrontado com a questão pela moderadora? Recusar-se a responder?

Em 2º lugar, realmente os portugueses precisam conhecer essas “propostas concretas” dos candidatos, mas sendo Seguro o único que apresentou as ditas - irrelevantes para a resolução dos problemas que Portugal enfrenta, diga-se, mas, ainda assim, as únicas - faz sentido esta crítica subtil e manhosa que diminui Seguro quando é Costa quem foge a concretizar uma medidazinha que seja?

Mas o que é realmente grave –  tal como no post anterior se suspeitava – foi constatar como, mais uma vez, existiu a opção deliberada em não beliscar a imagem de António Costa e até de colar Seguro a um registo de “queixinhas”.

No entanto, e é aqui que o assunto do sentido de voto no OE de 2012 ganha relevância, o que está em jogo vai muito para além de uma “picardia” pessoal. Trata-se da credibilidade dos candidatos a PM, nomeadamente, o seu carácter.


Foi o próprio Costa quem chamou ao 1º debate o episódio do voto de abstenção do PS no OE2012 e lhe atribuiu grande importância, pois apontou-o como sendo "o" momento que marcou a incapacidade do PS de Seguro em se afirmar como oposição ao governo: ""Fraqueza" do PS começou com abstenção na votação do OE 2012".


Ora, Seguro – recordando a posição de Costa na Quadratura do Circulo – apontou a cambalhota do adversário, pois nessa altura defendeu a abstenção como uma solução lógica. E este episódio – que muitos querem ignorar – é importantíssimo pois coloca em causa a credibilidade de António Costa. Ainda mais quando é conhecida a forma como veio disputar a liderança a Seguro.

As imagens da declaração de Costa são estas, no entanto a SIC, apesar de ser precisamente o canal (SIC Notícias) onde as declarações foram proferidas, optou por não dar relevância à questão, tendo decidido “esquecer” o assunto.

Lembrar aqui os “filhos e enteados da comunicação social”: enquanto alguns políticos são criticados na praça pública por dizerem uma coisa hoje e outra amanhã (lembram-se, por ex., do irrevogável) parece que outros políticos são inimputáveis


Como teria decorrido o debate e o próprio desenrolar destas primárias socialistas se a opção editorial da SIC fosse a de esclarecer o tema da votação no OE2012?

Note-se, que no programa de “análise política” que começou na sic notícias pouco depois do final do debate, novamente esse episódio foi referido (o que volta a provar a sua relevância) e tive a oportunidade de assistir a M. Sousa Tavares dizer algo do género “ou um ou outro está a mentir e isso é grave”… 
 
Meus Srs., neste caso, é muito fácil identificar o mentiroso! Parece apenas faltar a vontade... Como a edição e redação da SIC, não quiseram que os portugueses identificassem quem era o candidato mentiroso, optaram por deixar no baú as declarações de Costa…
 
Enfim, a comunicação social já escolheu o novo “querido líder”. Resta aos portugueses continuarem a ver e ouvir os comentadores do costume e lerem os escribas do costume, até que o poder volte a cair no colo dos predestinados

Tudo correrá pelo melhor e sem sobressaltos!

 Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...

Para terminar, ainda sobre o debate, recomendar a leitura deste post de Vasco Lobo Xavier no Corta Fitas:


“… Mas o mais divertido é ver Lisboa. Lisboa, os lisboetas, as elites, os comentadores da praxe. Eles pensavam todos, eles achavam, eles tinham decretado que para António Costa só podia haver uma passadeira vermelha. E estão todos desesperados. Não tanto como André Freire, claro, mas quase. E então comentam com delicioso desespero e parcialidade. Dizem que no próximo debate é que vai ser. Até Miguel Sousa Tavares estava envergonhado, na SIC N.

Seguro só perdeu quando se esqueceu de dizer que, neste momento, Costa nem à janela da Câmara de Lisboa está.

Estas pessoas não perceberam ainda que o país não é só Lisboa e que o país não se revê nas atitudes nem nos silêncios de António Costa sobre as questões que verdadeiramente preocupam o país. Não perceberam que o país talvez se reveja mais em António José Seguro, com todas as suas fragilidades, e, o que é ainda pior para eles, que o país se reveja mais em Passos Coelho do que em Seguro, com todos os defeitos que aquele possa ter. Se é isto que o PS tem para oferecer, estou convencido de que o país não irá comprar. Só talvez Lisboa, mas é pouco.”


 

18 agosto, 2014

Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita....


Há cerca de 1 ano, publicou-se aqui no blog (via DoPortugalProfundo) este estranho caso entre a CM Lisboa e o BES:

"Como aqui no blog já foi referido, uma das principais formas de censura praticada pelos órgãos de comunicação social portugueses, passa pela selecção daquelas notícias a que se dá visibilidade e grande destaque nos media e (por razões também aqui já discutidas) aquelas que são esquecidas ou “sonegadas” ao grande público… 

Daqui, podemos constatar mais um desses exemplos da “selectividade” das redacções. A matéria em causa diz respeito à CM Lisboa e o eventual favorecimento do BES numa decisão que envolve alguns milhões de euros. No entanto, a nossa comunicação social - talvez pelas figuras que seriam atingidas se o caso fosse elevado à categoria de "Escândalo" - não considerou o assunto relevante para o colocar nas capas dos jornais,  dar destaques e abertura de  telejornais, etc...
 
Enfim, “Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita....”.

NOTA: Sem dúvida interessante neste caso, verificar como os “anti-banca” BE e PCP, não se manifestaram grande indignação com estas manobras …
 
 

Os costados do Costa

As notícias do Sol/Lusa, de 5-5-2013, e do Público/Lusa, de 9-5-2013, sobre uma denúncia anónima relativa a um alegado «favorecimento» da Câmara Municipal de Lisboa «ao Banco Espírito Santo (BES) em detrimento do Santander Totta», numa cessão de créditos no valor de 5,75 milhões de euros, passaram sem grande indignação. Diz o Público que a denúncia alega:
«a autarquia, através da vereadora das Finanças, Maria João Mendes, ter exigido, segundo a denúncia, o visto prévio do Tribunal de Contas apenas no caso de a EPUL assinar o contrato com o Santander. Se o contrato fosse firmado com o BES, a Câmara prescindia desse visto. Ora, segundo uma fonte do Tribunal de Contas ouvida pela Lusa, "as cessões de créditos não estão sujeitas a visto".»
De relevo, o facto de a CM Lisboa ter reagido à notícia pelo vice-presidente, arq.º Manuel Salgado, que detém os pelouros do Urbanismo e Planeamento Estratégico e, dizem as boas línguas, gere a Câmara no dia-a-dia. António Costa escondeu-se..."
 
 
Entretanto, em finais de Julho, o Público dá a conhecer esta interessante notícia que volta a ligar a CM Lisboa e o Hospital da Luz do mesmo Grupo E.S..
 
"Os 12 milhões de euros que a Câmara de Lisboa inscreveu no seu orçamento deste ano como receita prevista para a venda do terreno em que está instalado o quartel dos bombeiros municipais situado ao lado do Hospital da Luz não chegariam para cobrir os 12,3 milhões de euros, pelo menos, que investiu naquelas instalações.
 
Caso consiga vender o lote apenas pelo valor base pelo qual ele irá à praça, o município ficará longe de cobrir o investimento já feito e aquele que terá de fazer para adquirir um terreno alternativo e construir um novo quartel.
 
Tal como o PÚBLICO noticiou, o executivo dirigido por António Costa aprovou no dia 9 deste mês uma proposta que prevê a venda em hasta pública do lote de terreno em que se encontra um quartel da terceira companhia do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB), bem como o museu do regimento e a Sala de Operações Conjunta (SALOC), onde está centralizado o comando de todos os serviços de bombeiros e protecção civil da cidade, que serão demolidos. Embora o orçamento camarário aponte para um encaixe de apenas 12 milhões de euros com essa operação, as avaliações mandadas efectuar pelo município determinaram que a base de licitação da hasta pública venha a ser de 15,8 milhões de euros.

(artigo completo)"
 
Pergunta-se: atendendo aos factos que vêm dominando a agenda mediática nas últimas semanas, que "ingrediente" faltará a estes casos para que o jornalismo e as redações, os façam chegar aos telejornais?!

Que matéria faltará aqui para termos uma boa polémica a alimentar capas de jornais?!..

Será a "cor" dos protagonistas políticos envolvidos, que não é a "mediaticamente correta"?
 
Outra pista para este "mistério": Filhos e Enteados da Comunicação Social.
 
 
 

30 junho, 2014

Oh! E ainda dizem que num regime socialista não se pode desfrutar do melhor que o capitalismo tem para oferecer…


Artigo do Diário Digital:
Fidel tinha uma ilha particular com restaurante flutuante, diz ex-guarda-costas      
 
"Fidel Castro possuía uma ilha particular com restaurante flutuante e um aquário de golfinhos. Esta é uma das novas e bombásticas revelações sobre o estilo de vida do ex-líder de Cuba incluídas num livro, «A Vida Secreta de Fidel», escrito pelo jornalista francês Axel Gyldén e por um ex-guarda-costas de «El Comandante», Juan Reinaldo Sánchez.
 
Durante 17 anos, Sánchez diz ter feito parte do círculo mais íntimo destinado a proteger Fidel. Desempenhou tarefas das mais variadas, incluindo «provar cada prato ou vinho que traziam a Fidel» durante uma viagem a Espanha, em 1992, para «assegurar que não estavam envenenados».
Também acompanhou o comandante durante uma pescaria submarina em que as sua «tarefa era espantar tubarões e barracudas que se aproximavam dele».
 
Sánchez aparece em fotos ao lado de Fidel Castro e histórias de bastidores reforçam a sua identidade. Num vídeo gravado pela BBC na ilha em 1993, o ex-guarda-costas aparece ao lado do comandante.
 
[...]
 
«No livro, ofereço provas de que Fidel levava uma vida de luxos», conta o ex-guarda-costas. «Nem todas as pessoas no mundo podem dizer que têm uma marina privada com quatro iates, um barco de pesca e mais de 100 homens a cuidarem dos seus imóveis».
 
«Ninguém em Cuba sonha em ter uma reserva de caça pessoal, mais de 20 residências que eu pessoalmente conheci e uma ilha privada, Cayo Piedra (a sul da Baía dos Porcos), que conta com um restaurante flutuante e um aquário de golfinhos, onde Fidel levava a família e amigos mais próximos», conta.
 
«Ao contrário do que dizem, Fidel nunca renunciou às comodidades capitalistas ou escolheu viver na austeridade. O seu estilo de vida é de um capitalista sem nenhum tipo de limite», diz Sánchez.
 A suposta fortuna de Fidel Castro é até hoje alvo de muita controvérsia.
 
Em 2006, a revista Forbes incluiu o ex-líder cubano na sua lista dos 10 «reis, rainhas e ditadores» mais ricos do mundo. A publicação estimou a fortuna de Castro em  900 milhões de dólares (cerca de 640,55 milhões de euros aos valores actuais).
 
 
Leitura adicional:

     - "Dos filhos e enteados da comunicação social: Chavez";

     - "Elite chinesa com milhões em offshores, Ainda assim, a Utopia está bem viva…":

O que une Fidel, Chavez, os líderes comunistas chineses, José Eduardo dos Santos, Lula da Silva, os líderes da ex-URSS, da Coreia do Norte e de outros regimes socialistas?… Será o desprezo pelo "vil metal"?


Custa acreditar que, em pleno Séc. XXI, ainda existam estes mitos (o povo, o capitalismo...). Mas, basta ver um telejornal e constatar que, para muitos portugueses, a Utopia ainda está bem viva...  
Como é possível que, no nosso País, ninguém se ria da extrema-esquerda, quando por ex., num êxtase de indignação acusam o governo português de ser "ilegítimo", "antidemocrático", de “roubar” os portugueses, etc. mas, simultaneamente, revelam ser incapazes de se demarcarem de ditaduras como a Coreia do Norte, Venezuela ou Cuba?!

Claro que a forma desigual como a comunicação social trata a extrema-esquerda e a extrema-direita, explica em larga medida este fenómeno. Qualquer elemento conotado com a extrema-direita que faça, por ex., uma declaração a defender Salazar, Franco, ou outro qualquer aspeto de ditaduras de "direita", é imediatamente ridicularizado ou silenciado pelos media.
Vejo ambos os movimentos como forças anti-democráticas, mas pergunta-se:
 Serão os srs. do PNR piores que os srs. que continuam a louvar Estaline?...
 
Então, porque razão as nossas redacções tratam uns e outros, de forma tão distinta? 
 

Nota Final: Aqui, podem consultar uma lista das delegações comunistas que, normalmente, se fazem representar na Festa do Avante. Entre esses regimes "irmãos" do PCP, encontram-se: Partido Comunista Colombiano (de que as FARC, são o braço armado), o Partido do Trabalho da República Popular Democrática (não sei se ria, se chore...) da Coreia do Norte, do MPLA (sim, quem vê e/ou lê os media, nem reflete que o "clã Santos" é uma excrescência comunista... ), Partido Comunista de Cuba, Partido Comunista do Vietname e muitos outros regimes que são um farol da Democracia e Liberdade!
 

02 junho, 2014

Os Media e a Responsabilidade Social: o caso do Banco Alimentar.

 
"Donativos ao Banco Alimentar Contra a Fome cairam 15%"

"O Banco Alimentar Contra a Fome recolheu este fim de semana mais de duas mil toneladas de alimentos na campanha realizada em cerca de duas mil superfícies comerciais, números que representam um decréscimo de 15% em comparação com 2013."
 
 
Talvez estes fatores tenham exercido a sua influencia, mas - para quem tenha alguma memória - não poderá deixará de notar outro aspeto que muito provavelmente teve a sua influência: por comparação com anteriores edições, o reduzido destaque e a quase inexistente cobertura mediática atribuídas à iniciativa do B.A..
 
Se a recolha de alimentos caiu 15%, o tempo de antena dedicado aquela relevante iniciativa, caiu, seguramente, uns 80%...
 
Basta recuar ao início de 2013, para recordar o episódio que determinou a passagem daquela que era, até então, uma das mais relevantes figuras da nossa sociedade civil, em "persona non grata" aos olhos de uma parte significativa da comunicação social e redações.
 
Nada que "por aqui" não seja já por demais conhecido: a "boa imprensa" está apenas reservada ao restrito círculo dos eleitos...
 
 
 
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A relevância atribuída no espaço mediático aos que se têm dedicado a combater Isabel Jonet e as interpretações das suas palavras, é bem sintomático do clima de “guerrilha ideológica” que tomou conta da cobertura mediática do debate político em Portugal.

Na verdade, vê-se pouca gente interessa a na discussão do conteúdo dessas declarações, o que suscita o nível de “reacção” às mesmas é o seu significado político, designadamente, a circunstância de tais opiniões suportarem uma das linhas mestras do discurso do Governo – o célebre gastamos, durante anos, acima das nossas possibilidades”.

Vejamos, independentemente das convicções e interpretações pessoais relativamente ao pensamento e às palavras de Isabel Jonet, se abandonarmos esse terreno subjectivo e questionarmos:

     - Portugal está melhor ou pior, em virtude das suas acções?

     - Se I. Jonet não tem responsabilidade no estado de calamidade a que o País chegou, faz sentido  dedicar tanto escrutínio e tanta energia na fiscalização da sua conduta, em detrimento daqueles que, objectivamente, conduziram o país à atual crise?

     - E, finalmente, atendendo aos problemas existentes no País, que vantagens para a sociedade portuguesa advirão da depreciação da sua imagem perante a opinião pública? E desvantagens?
 
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Se há algo que caracteriza o jornalismo atual, é a constante procura por polémicas (principalmente as que comprometem uma determinada opção ideológica...).
 
Mas, será que alguém pensa nas consequências desse clima de guerrilha mediática e ideológica?
 

 
  

06 maio, 2014

Jornalismo com isenção. Esse é o direito humano que está em vias de desaparecer...



"O ex-Presidente da República Mário Soares considerou, esta segunda-feira, que «neste momento não há direitos humanos em Portugal», porque o Governo tem pensado apenas em «dinheiro e mercados» e «nunca falou com o povo».
...
A «grande maioria do povo não tem dinheiro para comer e os seus filhos vão ao caixote do lixo», acrescentou o antigo chefe de Estado, que citou o papa Francisco para referir que a «austeridade mata»."

Soares continua igual a si mesmo, em cada momento afirma o que mais lhe convém. Miserável, é o papel do "jornalismo"(?) que se limita a amplificar cada anúncio de "sua alteza republicana".
 
Note-se, que o jornalismo que se revela tão atento e implacável com as “contradições” de alguns atores políticos, é o mesmo que se mostra completamente cooperante e cúmplice, daqueles que vão dizendo coisas alinhadas com a ideologia reinante nas redações…


Basta recuar ao último governo de Sócrates, episódio já abordado neste post, e o que tinha o Sr. Soares a dizer sobre o efeito das “políticas de austeridade”?

“Fui capaz [em 83] de retirar o 13º mês! Eu fiz isso porque era indispensável fazer! E foi isso que deu o boom, que veio a seguir, nos governos quando entramos para a Europa!…”

Ou seja, se for de “esquerda” a austeridade é expansionista! A propósito da sua visão recente  dos "direitos humanos", não deixa de ser interessante esta frase da mesma intervenção:

“Comecem a fazer greves, a pedir mundos e fundos – que não podem ter, ninguém lhes pode prometer -, que vamos parar… olhe, vocês vão ver onde é…”
Enfim, vá lá saber-se o porquê, de não recordarem os telejornais, estas afirmações... Deixem o PS voltar ao poder (1 ano, mais coisa, menos coisa...) que, rapidamente, Soares voltará a mostrar a sua faceta “austeritária-friendly” e os srs. jornalistas andarão mais conformados com a vidinha...


Com jornalismo assim, quem precisa de censura?…


Link para o vídeo das declarações do Dr. Soares. 
 
 

28 dezembro, 2013

É importante distinguir: greves provocadas pelo “roubo e ataque aos direitos dos trabalhadores” e as outras…


Embora não resida em Lisboa, é com interesse que tenho seguido a cobertura mediática da greve de recolha do lixo que aí decorre. Já assisti para cima de uma dezena de reportagens sobre o assunto e não deixa de ser curioso constatar a diferença no tratamento jornalístico desta greve por comparação com outras.

Normalmente, as reportagens sobre greves que passam nos telejornais, são dominadas pela opinião e revindicações, de grevistas. Quando o grau de mediatismo justifica, é recorrente, em reforço da revindicação do sindicalista “especializado” no sector, surgirem ainda os dirigentes das estruturas sindicais nacionais (UGT e/ou CGTP) com a habitual narrativa “trabalhadores Vs governos de direita”. Não é à toa que Arménio Carlos se tornou numa das figuras mais assíduas nos telejornais, logo, das mais reconhecidas pelos portugueses.

 
 
Mas, "estranhamente", nestas reportagens da greve à recolha do lixo em Lisboa, nunca vi um sindicalista expor as razões da mesma. Todas as reportagens, foram dominadas pelo transtorno que a greve causa aos cidadãos e pontuadas por diversas entrevistas de rua onde (salvo raras exceções) estes manifestam a sua indignação pelo prejuízo causado (esta greve é coisa do 3º mundo...).
 
As últimas reportagens, aliás, consistiram em exclusivo na comunicação do presidente da CM (António Costa), designadamente, a dar conta das medidas que está a tomar para minorar o incómodo que a situação origina junto da população e a dar conta da sua perplexidade com a greve, que, segundo ele, não tem qualquer razão de ser.

Penso que esta será a única greve em que, na televisão, não vi um qualquer individuo, mais ou menos exaltado, com uma bandeira ou uma faixa, a vociferar contra “os governos fascistas de direita que roubam os direitos dos trabalhadores!”. E o Arménio & outros, porque não aparecem? Será pelo contexto mediático, pouco "convidativo"?...

Não é, com certeza, por esta greve ser a resposta a decisões de gestão tomadas por António Costa, um dos prediletos do jornalismo militante, que a cobertura mediática não segue o guião habitual.


Não, isto sou eu que vejo conspirações em todo o lado


Nota: não estão em causa as decisões de A. Costa (provavelmente até concordo com as mesmas). O ponto, como sempre, é o duplo critério do jornalismo luso.


09 setembro, 2013

Filhos e enteados da comunicação social: Che Guevara...



Ainda a propósito da Festa do Avante, espaço nesta rúbrica, para um dos predilectos da extrema-esquerda (e da malta do merchandising…”ele é” bandeiras, ”ele é” t-shirts, cartazes…) - Ernesto «Che» Guevara.

Ao ler estas suas declarações,
obtidas via “(Im)pertínências, é interessante comparar o pensamento e os traços de personalidade de quem as proferiu, com a figura mítica que tantos adeptos da extrema-esquerda veneram como um ídolo (mito, diga-se, que boa parte do jornalismo ajuda a perpetuar).
 
No que diz respeito ao fabrico de mitos e à categorização do "mundo" em classes ou rótulos (operários Vs capital, nós Vs eles, etc.), ninguém faz melhor que a extrema-esquerda... Não é recordando que cada "ser humano" é um indivíduo, com os seus príncipios, o seu percurso, etc., que se consegue instigar o ódio capaz de manipular as massas. ...
«We're going to do for blacks exactly what blacks did for the revolution. By which I mean: nothing.»

«The Negro is indolent and lazy, and spends his money on frivolities, whereas the European is forward-looking, organized and intelligent.»

«Mexicans are a band of illiterate Indians

«Given the prevailing lack of discipline, it would have been impossible to use Congolese machine-gunners to defend the base from air attack: they did not know how to handle their weapons and did not want to learn».
 
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Não admira que socialismo e comunismo, sejam incompatíveis com religião, basta recordar estas palavras:

“Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará a outro, ou se apegará a um e desprezará o outro.”


15 agosto, 2013

Das Previsões "do Excel" ao inesperado Crescimento do PIB


Depois dos números do desemprego, do crescimento das exportações, foram ontem conhecidos os surpreendentes dados do PIB relativos ao 2º Trimestre. Apesar das boas notícias, obviamente, a situação ainda é de crise. De qualquer forma, uma das expressões mais ouvidas dos últimos tempos, já não fará qualquer sentido ser usada - a célebre “espiral recessiva”.

Aliás, contrariamente aqueles que clamam pelo fim dos cortes, pois estes “trarão mais recessão”, o caminho do crescimento permanece indissociável de uma contínua e paulatina, redução da despesa do Estado. A redução da despesa pública e os cortes na estrutura o Estado – pois é este sector que necessita de ajustamento - deve prosseguir, infelizmente a sua dimensão (entenda-se custo) permanece sobredimensionado para os recursos que a economia portuguesa consegue gerar.
 
Infelizmente, o ajustamento do sector público tem sido obstaculizado por duvidosas razões de inconstitucionalidade, entre outras, por duvidosos príncipios de equidade já aqui abordados.

No entanto, a propósito das boas notícias, seria ingrato não recordar dois nomes…

Vítor Gaspar - Onde estão agora os críticos às suas previsões?

A 18 de Janeiro, interpelado pela deputada d'Os Verdes Heloísa Apolónia, Passos Coelho justificou as discrepâncias nas apostas do Governo para a recessão deste ano (1%) com as do Banco de Portugal (1,9%, quase o dobro).”

A confirmar-se esta tendência de evolução do PIB, será que algum daqueles “gurus da previsão económica” da oposição que, mais do que criticar, troçavam das previsões de Gaspar, se irá retractar em público e reconhecer que, contra todas as previsões, afinal as suas eram as mais correctas?
 
Álvaro Santos Pereira – estas boas notícias, não podem deixar esquecer o trabalho deste Ministro, cuja capacidade de análise da situação portuguesa e convicção do que carecia ser mudado, foi sempre menosprezada.

Basta recordar a forma como sempre foi tratado pelas «pseudo-elites» que dirigem a nossa comunicação social. Certamente, esse desprezo, não será alheio à circunstância de se tratar, nas últimas décadas, do Ministro da Economia mais independente dos lóbis do “establishment”.
 
Esta independência, infelizmente, também ditou o seu sacrifício em função dos interesses e equilíbrio de poder dentro da própria coligação… a dignidade com que saiu de cena, só pode confirmar as qualidades humanas que parecia ter, nomeadamente, a humildade e seriedade.