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15 julho, 2014

É obrigatório que os cidadãos se indignem com o atual Governo!


Para além desta capa do JN, foram diversos os órgãos de comunicação social que fizeram questão de difundir esta “falcatrua”…

Governo «esconde» 162 mil desempregados

Desempregados em formação poderiam fazer disparar a taxa de desemprego de 15,1% para os 18,2%


Governo encobre número de desempregados com estágios e formações


"Formação e estágios escondem reais valores do desemprego"


Pois... Basta revisitar (bendito Google…) algumas notícias alusivas ao fim do “Programa Novas Oportunidades” para constatar como é discricionária a análise mediática dos assuntos...

Em 2012, quando várias notícias nos davam conta do encerramento de muitos centros das Novas Oportunidades por iniciativa este governo, alguma capa de jornal referiu que os inscritos nesses cursos eram, na verdade, “desempregados escondidos”?

Claro que não. Nessa altura, entre outras desvantagens, a comunicação social preferia destacar o desinvestimento na educação de adultos…  
Ao pesquisar o que então noticiava, facilmente se constata que o ângulo de análise escolhido pelo jornalismo visa sempre o mesmo objetivo: incitar o "cidadão comum" a indignar-se com o atual governo.   

“Formação de adultos sem respostas depois do fim das Novas Oportunidades…

Na prática, denunciou também a Associação Nacional de Profissionais de Educação e Formação de Adultos (ANPEFA), "não há oferta de educação de adultos desde Agosto de 2012", altura em que os centros Novas Oportunidades foram impedidos de receber novas inscrições. Estes encerraram em Março, deixando, segundo estimativas apresentadas pelo Governo, 55 mil candidatos com processo de formação em curso.
[…]
Entre 2006 e 2010 foram 409 mil os adultos que conseguiram uma certificação escolar através do programas Novas Oportunidades, a maioria dos quais por via dos processos RVCC, em que eram sobretudo valorizadas as competências já aprendidas ao longo da sua vida. Para além destes, conseguiram uma certificação escolar mais 80 mil adultos nos chamados "cursos de Educação e Formação de Adultos" (EFA), que também estão agora reduzidos a uma expressão ínfima…”



Porque será que os mesmos jornalistas que conceberam a capa do JN acima, não se lembraram aquando da subida (acima de todas as expectativas ) da taxa de desemprego em 2012 e 2013, de referir que - parte dessa subida, pelo menos - se devia ao fim das ações de formação das NO?!
 
Porque não fez  o mesmo JN uma capa em letras garrafais a afirmar que, na realidade, a taxa de desemprego divulgada pelo governo socialista entre 2006 e 2011 era falsa, graças às centenas de milhar de formandos "escondidos" nas Novas Oportunidades!?


Conclusão:

Se um governo "de direita" cria cursos de formação, isso éesconder desempregados”. Quando um governo "de esquerda” fomenta cursos de formação, está a apostar na "qualificação dos portugueses".

É assim o (duplo) critério do jornalismo português.

04 janeiro, 2014

Previsões 2014: Nogueira vai impedir que Crato destrua a “Educação”

 
 
Mesmo a fechar o ano, grande vitória sindical! Por decisão de um tribunal, a “Educação” foi a grande vencedora e a derrota de Crato foi total. Graças à estrondosa vitória da Fenprof e de Nogueira, para o ano, o número de professores desempregados vai ser… maior.

Falando mais "a sério", esta questão do exame é completamente lateral relativamente ao problema de fundo dos professores em Portugal: o desemprego ditado pelo enorme desajustamento entre a necessidade de docentes nas escolas (oferta) e o número de professores (procura).

O que é aflitivo em Portugal, de há uns anos a esta parte, é ver as inúmeras aberturas de telejornais e as manchetes da imprensa, que nos anunciam grandes “vitórias” dos sindicatos a propósito da causa do momento – desta vez foi o exame dos professores, anteriormente foram os exames aos alunos do 1º ciclo, todos os anos temos a polémica em torno dos concursos de colocação, antes disso, o sistema de avaliação dos professores, etc., etc… –, e cada "luta" traz consigo a respectiva derrota do ministro da educação do momento. A comunicação social refere-se a estas disputas, como se tratasem de notícias sobre “Educação”. Não são.

Sejamos realistas, a esmagadora maioria das causas e greves de professores, "iriam para a gaveta" caso o Estado empregasse todos aqueles que obtiveram um diploma que os habilita a ensinar. Mas isso é impossível. 

Crato, como outros, é apenas mais um Ministro que tem de lidar com a força tremenda de um sindicato, que representa os interesses de dezenas de milhares de professores (compreensivelmente desesperados), mas que, infelizmente, não poderão exercer a profissão para a qual se prepararam.
 
Esta situação, como várias outras aliás (recordar a lei da causa - efeito...), decorre más decisões e erros sucessivos, tomados nas décadas recentes - o desemprego destes professores, tem origem em opções tomadas há 10, 20 anos, e não com as políticas de Crato (ou da sua antecessora). Más decisões políticas mas, diga-se, também, más decisões pessoais. Já nos distantes anos 90 existia desemprego entre os professores e tal não impediu que muitos apostassem num curso que apenas lhes serviria para engrossar as fileiras do desemprego…

Acresce ainda, uma evolução demográfica desfavorável que sentencia – qualquer que seja o governo ou ministro – que cada vez existirão menos alunos, logo menores necessidades de professores.
 
Analisemos esta questão do exame dos professores em concreto:
Em resumo, todos os anos, o Estado português contrata, entre largas dezenas de milhar de professores (40.000, 50.000?), uns 6 ou 7 mil. Do ponto de vista da qualidade do sistema educativo, não consistirá na avaliação desses professores, a única forma que o Estado tem ao seu alcance para poder selecionar os melhores e mais bem preparados? 

Será mesmo, como inúmeras vezes se vê repetido na comunicação social, que o objectivo deste exame é a “humilhação dos professores”, ou será que o “maldito” teste de avaliação permitiria selecionar os mais competentes e, assim (ao contrário do que os sindicatos dizem repetidamente), a medida seria benéfica para o sistema de ensino, nomeadamente, para a melhoria da educação facultada aos nossos alunos?


E, assim sendo, que está aqui a “defender o sistema público de ensino” neste processo,
ministro ou sindicatos?  
Poder-se-á dizer "o teste não é a melhor forma de avaliar". Certo, mas, existe algum sistema de avaliação que exclua completamente a subjectividade?  

Recordemos o que já foi dito atrás: infelizmente, para largos milhares de professores, o ensino não será uma opção. Qualquer pessoa ”com um pé na realidade” sabe isso, o Sr. Nogueira e a Fenprof, sabem disso. Entre tantas entrevistas, tantas reportagens com dirigentes sindicais, para quando um jornalista que pergunte simplesmente, isto:

"Sr. Nogueira, se apenas uma minoria dos professores poderão ser contratados pelo Estado para ensinar nas nossas escolas, é do senso comum, que deverão ser os mais bem preparados. Que medidas, que sistema o sindicato propõe, para selecionar os mais habilitados e competentes ? 

As greves e as lutas contra “a destruição da Educação”, seguem dentro de momentos…




13 novembro, 2013

Público Vs Privado no Ensino


Uma reportagem da TVI despoletou a discussão sobre o financiamento público de escolas privadas. A mesma reportagem (feita de forma algo tendenciosa*, diga-se…) demonstrou como grupos privados obtiveram junto do Estado os recursos para porem de pé os seus projetos, quando  já existia oferta pública. Essas situações devem ser investigadas e, caso a lei tenha sido violada, apurar responsabilidades. 
 
* seria interessante a reportagem tocar, por ex., nestas 2 questões:
- aquelas famílias que optam pelo ensino privado porque se identificam com determinado projecto educativo (católico, por ex.), não merecerá discussão sequer, o facto de terem de pagar 2 vezes pela prestação desse serviço?
- sendo reprovável, como a reportagem sugere, a construção de escolas privadas onde existia oferta pública, no caso inverso, i.e., no caso de escolas privadas que existiam há décadas e se viram confrontadas com concorrência pública, como se deveria preceder nesse caso?  
 

No entanto, é importante não misturar isso com outra questão: se, numa qualquer área geográfica, existir oferta privada e oferta pública e em função da evolução demográfica - nomeadamente, o número decrescente de alunos -, uma dessas escolas for suficiente para satisfazer a procura, qual delas deve o Estado financiar?
Não será - independentemente se a sua gestão é pública ou privada - aquela que revelar ser a mais bem gerida, isto é, aquela que apresentar melhores resultados Vs consumo de recursos?

Por exemplo: Se a escola pública significar um custo para o Estado de 5.000 € / aluno / ano e a privada 4.500 € / aluno / ano, será o corte (e encerramento) da escola privada, a decisão que melhor defende os interesses de alunos, pais e contribuintes? 
Uma última questão, seria possível a situação abaixo descrita passar-se numa instituição do ensino privado?

"«Aquilo é um resort de luxo para pombos», ironiza um dos empreiteiros que estiveram nas obras daquela escola e que assistiu à construção.
 
«Só para assentar a base do pombal, andou lá quase um mês uma máquina que custava 75 euros à hora». O empreiteiro assegura que a máquina chegou a trabalhar dez horas por dia, o que faz com que só estes custos possam ultrapassar os 20 mil euros."


25 março, 2013

Sobre as petições, manifestações e outras indignações...


Vem este post a propósito da “guerra” de petições em torno do (eventual?)  regresso de Sócrates, reencarnado em comentador, à RTP. Logo um conjunto de cidadãos se “indignou” e criou uma petição, a seguir veio a "contra petição". Este post é sobre esta sanha “peticioneira” e a veia manifestante tuga.

Todas as semanas o espaço mediático é fértil em petições indignadas contra isto e aquilo e/ou manifestações contra injustiças de vários géneros. Será que isto é sinónimo de um grande apego dos portugueses à ética e à decência na vida pública?

Qual a real importância que os "portugueses" atribuem a assuntos como a integridade dos seus líderes, a relevância de estes terem (ou não) uma conduta "limpa", decente,  importância do respeito pela palavra dada, pela “verdade”, etc.? Neste capítulo, se há um momento na história recente que pode ajudar a caracterizar a sociedade portuguesa nesta matéria, esse momento, são as eleições de 2009.
 

Sinceramente, se a nossa sociedade fosse assim tão "alérgica" a políticos que "faltam à verdade", se, efectivamente, o cidadão português se senti-se tão repugnado com condutas de “honestidade duvidosa”, etc., teria sido possível que alguém como Sócrates, de quem, à altura, já se conhecia tudo o que se sabe hoje (a licenciatura, o Freeport, as pressões sobre a comunicação social, etc., etc.), obtivesse uma vitória tão clara nessas eleições?!

Nessa altura Sócrates arrecadou 37% dos votos contra 29% de Manuela Ferreira Leite. Apoiado num discurso completamente falso e irrealista, de mais estado social e mais investimento público (num momento em que a torneira do crédito se fechava) enquanto MFL – sobre quem não existiam dúvidas de carácter - alertava para o descalabro que aí vinha se não houvesse uma inversão de política. Os resultados dessas eleições são a prova, a evidência, reveladora das escolhas e preferências dos portugueses, quando confrontados com alguém que lhes aponta a verdade (que normalmente implica um caminho mais difícil) e alguém que lhes vende ilusões

Como pode ser compatível o desfecho das eleições de 2009, com o tal país das petições e manifestações que, constantemente, reclamam “moralidade” aos seus políticos e onde os seus habitantes se declaram tão intolerantes com comportamentos não éticos?!

Nos jornais e televisões fazem-se anúncios tremendos: “Os portugueses saíram à rua” e lá os vemos, aos milhares, indignados com os “gatunos dos políticos”. Na rádio, televisão e jornais, diz-se que os portugueses estão cansados de serem “enganados” e que são pessoas revoltadas contra as injustiças e as iniquidades. Pois, pelas razões acima indicadas, desde 2009 a propósito de manifestações e petições, pergunto-me que percentagem dos indignados lá estão por uma simples questão ideológica (talvez tribal seja mais adequado…), isto é, manifestam-se por serem “anti-esquerda” ou” anti-direita”, em vez de ali estarem por consistentes razões éticas e pela “moralidade” na vida pública.


Pergunto-me até, quantas daquelas pessoas desmobilizariam e deixariam os cartazes cheios de princípios e valores caídos no chão, ao primeiro aceno de um subsídio extra ou de um empregozito, pois foi precisamente baseado nesta ideia - que era possível continuar a distribuir benesses - que Sócrates ganhou em 2009.

Claro que foi determinante o papel da comunicação social cooperante, que de episódio em episódio, ia desacreditando M. F. Leite (que, como se viu depois, falava verdade e a sua eleição teria provavelmente poupado os portugueses a parte destes sacrifícios…).
 
Agora, do mesmo jornalismo que a demoliu em 2009, até ouvimos dizer que MFL “teve razão antes do tempo”. Hilariante o jornalismo luso… Também aqui as redacções e jornalistas, deveriam reflectir em que medida o seu trabalho e qualidade da informação, está a contribuir para que os cidadãos, de forma consciente, possam escolher entre os bons e os maus políticos.

Em resumo e voltando à “guerra das petições”, lamento, mas acho que os portugueses têm os comentadores que merecem…

 

19 dezembro, 2012

Eu ainda sou do tempo...


1) Eu ainda sou do tempo em que se exigia o corte nas pensões mais altas. Era uma vergonha, um escândalo, num país com os níveis de pobreza de Portugal, a existência de pensões superiores a 5.000 €! 

Num País em que 90% das pensões são inferiores a 1.000 €, veio um Governo que criou uma sobre-taxa mensal (temporária) de 3,5% para as pensões acima de 1350 €, enquanto criou taxas de 25% para pensões superiores a 5.000 € e 50% para as superiores a 7.500 €. 

De repente, os cortes que se pediam até por imperativo moral, passaram a ser um ataque aos direitos dos cidadãos e uma inconstitucionalidade….



2) Eu ainda sou do tempo em que se exigia aos Governos que cortassem nas Fundações. Estas, não passavam de sorvedouros de recursos públicos, de esquemas para evasão fiscal, locais para instalar os amigos dos políticos. Veio um Governo que, pela 1ª vez, travou a proliferação dessas fundações, extinguiu algumas e cortou no financiamento de dezenas.

De repente, aquilo que era a obrigação de cortar nas Fundações, deu lugar a duas realidades: que os cortes estavam a afectar organizações que, afinal, eram indispensáveis, ou, que os cortes deveriam ter ido mais longe….



3) Eu ainda sou do tempo em que se exigia uma reforma do poder local e se falava da necessidade de fusão ou extinção de Municípios e Freguesias. Já não fazia sentido termos a organização do território idêntica à do Sec. XIX e sempre se cortavam alguns tachos.

Agregaram-se freguesias, afinal não havia qualquer vantagem. Quem perde são as populações e para além disso, trata-se de algo inconstitucional… (claro que esta reforma deveria tocar nos Municípios, mas alguém imagina o que seria fazê-lo “ à porta” de eleições autárquicas?)

Será que tudo o que foi (ou está a ser) feito, é errado?! Será que estas medidas, embora possam acarretar algumas situações injustiça, numa análise global, não aproximam o País de objectivos que eram vistos como consensuais e de importante implementação?!

Seremos uma sociedade bipolar? Ou será que, não tendo sido um governo de esquerda a fazer qualquer coisa nestas áreas, em vez de se destacarem os aspectos positivos (alguns existirão!) das medidas, a Comunicação Social prefere apenas dar voz aos que se sentem prejudicados pelas medidas e realçar os aspectos negativos?

Já cansa tanta indignação e inconstitucionalidade!

13 dezembro, 2012

Jornalismo de Intriga


No site da RTP, uma peça assinada pelo jornalista Daniel Belo, afirma:
 
 
Esta ilação resulta, no critério de jornalista, de "... visões muito diferentes de ministros do mesmo governo. Assunção Cristas elogia as políticas ambientais europeias, políticas que o ministro da Economia classificou como fundamentalistas."
 
Numa breve pesquisa (abençoada internet!) é possível recuperar as declarações do Ministro da Economia (ASP): por ex. aqui no JN:
 
"O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, defendeu hoje, em Bruxelas, uma política industrial europeia mais "amiga do investimento", defendendo que a reciprocidade é a palavra-chave, e critica o "fundamentalismo" de algumas regras ambientais." e acrescentou... "Em relação aos instrumentos para a reindustrialização da União Europeia (UE), Santos Pereira desejou que "ao nível das regras ambientais e doutras regras obviamente importantes, a Europa não seja mais papista que o papa em relação a outras regiões do globo""
 
ASP, ao referir a "reciprocidade" e mantendo que as regras ambientais são "obviamente importantes", esteve muito bem ao tocar na ferida:  há muito que a Europa deveria ter tomado medidas para estancar a deslocalização do seu tecido produtivo (uma das principais causas da subida do desemprego na Europa) e não faz sentido nenhum que a Europa tenha as suas portas "escancaradas" a produtos que, no seu processo de fabrico, não cumprem nada do que é exigível no espaço europeu. Desde, os aspectos ambientais, de saúde e segurança no trabalho, e até o respeito pelos direitos humanos (trabalho infantil, escravatura, etc.).
 
Mas o critério jornalistico parece não ver interesse em explorar este lado da questão. A RTP no cumprimento do tal "serviço público" optou por esmiuçar bem as declarações de ambos os ministros e, apesar de ASP salvaguardar a importância das regras ambientais, embora ache que algumas serão fundamentalistas, viu aqui uma divisão no interior do governo, um ministro que desautoriza outro, enfim, uma polémica "das boas"!...
 
A esta hora já algum jornalista estará de microfone em punho a perguntar "Álvaro, como reage à desautorização das suas declarações pela sua colega de governo?"
 
Ficamos assim mais bem informados.
 
 

05 dezembro, 2012

Episódios negros da comunicação social portuguesa.


Neste post, recorda-se um dos episódios que melhor demonstram como a comunicação social em Portugal, impunemente, pode cometer os maiores erros na informação prestada e induzir os cidadãos de forma completamente desonesta e manipuladora.

Ao fim da tarde de 15 de Setembro de 2012, dia de uma das maiores manifestações de protesto realizadas em Portugal, todos os órgãos de comunicação social avançaram a notícia: “Manifestante imolou-se em Aveiro”
 

Talvez se recordem que, entre essa tarde de Sábado e o dia de 2ªfeira, esta notícia foi continuamente repetida nas rádios, jornais e tv. O tom (como se justificava, se tal situação fosse verdadeira) era dramático: “como é possível chegar a este nível de desespero? ”, relacionava-se a “imolação” com a “austeridade”, etc.. Seguem-se alguns links (TSF, Expresso, DN).
 
 
 
"Um homem que participava nos protestos em Aveiro contra as medidas de austeridade imolou-se pelo fogo"

Ao fim de 2 dias e, numa pequena reportagem televisiva de um dos canais, envergonhadamente foi referido que o protestante não se teria imolado mas seria, afinal, vítima de um acidente:
 
"o episódio que foi noticiado como uma tentativa de imolação durante os protestos na cidade, foi originado pelo derrame de líquido inflamável quando o jovem, de 21 anos, se preparava para um número circense, cuspindo fogo."

E assim, depois de linhas e linhas na imprensa, milhares de comentários nas redes sociais à volta dos terríveis efeitos da austeridade, depois de horas de emissão dedicadas ao tema, o assunto “desapareceu”. Sem qualquer esclarecimento ou pedido de desculpas pela falta de rigor gritante envolvida na situação.
 
Isto é admissível numa “sociedade da informação”? Nunca se viu ninguém ligado ao jornalismo abordar este episódio, a dedicar-lhe uma reflexão que fosse, sobre o que tinha sucedido. Recordo que dias / semanas depois, ainda ouvia pessoas a falarem no jovem desesperado que se tinha “imolado contra a austeridade”.
 
Foi tão grave a forma como, durante aquele fim-de-semana, foi possível difundir interruptamente uma notícia falsa que, inclusivamente, marcou até emocionalmente, o próprio significado da manifestação, como a forma subrrepetícia como a mesma desapareceu das manchetes sem o esclarecimento que se impunha.

E é por episódios deste é que este blog se chama “Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...”
 

03 dezembro, 2012

Parece que o mundo não vai terminar, mas o fim da gratuitidade no Ensino é o começo!


Nos últimos dias, a propósito das declarações de PPC sobre a “refundação do estado” (nebuloso termo…), designadamente, os novos cortes na área da educação, levou as redacções a fabricar uma nova “polémica”: o suposto fim da gratuitidade no ensino obrigatório. 

Sem que ninguém do Governo tenha avançado tais medidas, tudo os Srs. Jornalistas foram escrevendo, desde co-pagamentos, à criação de propinas para ciclos de ensino que hoje fazem parte do ensino obrigatório e são gratuitos.

Na imprensa, na tv, no habitual tom alarmista pontuado pela palavra “anti constitucionalidade” a cada 17 segundos, a mensagem sugerida é mais ou menos esta: não existe outra alternativa que não seja sobrecarregar (ainda mais) os cidadãos portugueses e que estamos perante (mais um) “retrocesso social”.

 
Mas será mesmo assim? Será que na área da Educação não existe desperdício que pode, e deve, ser combatido em nome (precisamente) da salvaguarda dos contribuintes portugueses? Por exemplo, alguém saberá dizer, quantos milhares de professores trabalham: 
 
     - na sede do Ministério da Educação (ME)?    
     - nas Direcções Regionais da Educação?   
    - nos Observatórios, Gabinetes, Projectos, nas “unidades orgânicas flexíveis” (!?!?) e outras estruturas?
     - e quantos professores têm horário “zero”?
 
Alguém saberá dizer, quantos milhares de professores trabalham “na Educação” mas cuja função não é ensinar? Quantos estão convertidos em burocratas, ocupados unicamente com funções administrativas, que apenas contribuem para sobrecarregar, desmotivar os professores que têm a missão de ensinar alunos com papéis, procedimentos, formulários, etc.

Se a comunicação social se interessasse por investigar e desvendar esta estrutura “monstruosa” do ME e como são absorvidos os seus recursos, se tivesse a preocupação de informar e de dar a conhecer a resposta a algumas das questões acima, talvez ficasse claro que, afinal, talvez seja possível cortar significativamente na área da educação sem prejudicar o ensino e os alunos.

Aliás, os cortes, se aplicados nos locais certos, talvez permitissem aos professores que trabalham nas escolas - muitos deles verdadeiros heróis – centrarem-se mais na tarefa de ensinar que no preenchimento de papéis. É claro que isso implica “mexer no queijo de alguém”…

NOTA: Alguém perante esta notícia: "Oeiras tem 163 jardineiros para seis hectares", sentir-se-ia satisfeito, acharia normal, se a resposta fosse "temos jardineiros a mais pois são jardineiros com horário zero"?!