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19 novembro, 2014

Ensaio sobre Gestão Pública Vs Privada – o exemplo do Douro.

 
Uma das melhores notícias dos últimos tempos, pelo impacto que a mesma tem ao nível da imagem do País, mas que passou relativamente despercebida…  

"O melhor vinho do mundo é português. Do Douro

O melhor vinho do mundo é português. Do Douro
O vinho do Porto Vintage Dow´s 2011, do grupo Symington, foi eleito esta sexta-feira o melhor vinho do ano pela revista norte-americana "Wine Spectator".
 
 
No top 10 dos melhores vinhos do mundo da revista há ainda mais dois vinhos do Douro, no 3.º e 4.º lugares: o Chryseia 2011 Douro DOC Prats & Symington e o Quinta do Vale Meão Douro 2011, ambos com 97 pontos.
..."






 
Entretanto, notícias do mesmo sector, mas sob gestão pública…

(Público, 8 de Novembro)

"Casa do Douro vai morrer e deixa como herança dívida de 167 milhões ao Estado

13 agosto, 2013

Nós e os Nórdicos


 
Lendo parte dos comentários nas redes sociais, é fácil de entender porque seria impossível replicar cá o episódio do “1º Ministro taxista”, passado na Noruega - são níveis de civilização distintos. E isto tanto se aplica ao “povo” como às "elites" (se bem que as “elites”, por terem maiores responsabilidades, têm menos desculpa…).

Outro aspecto interessante (e que já tinha sido objecto de análise aqui no blog), é esta obsessão de comparar a sociedade Portuguesa com os povos nórdicos - Dinamarca, Suécia, Noruega, etc.. Invariavelmente, estas reportagens recorrentes na comunicação social, terminam com uma conclusão que, de alguma forma, insunua o seguinte: o povo português é uma vítima por não ter políticos "ao nível" dos povos nórdicos.

Será que isto faz sentido?... Sinceramente, considerando alguns aspectos da sociedade portuguesa como os níveis de violência doméstica ainda tão visíveis, o comportamento das pessoas em locais públicos (por ex., os casos de discussões e agressões em serviços públicos), o comportamento de crianças e adolescentes, nas escolas e o desrespeito pelos professores, a forma como os portugueses se comportam (conduzem) na estrada ou, até, este "fenómeno" da combustão espontânea das nossas florestas - não faria mais sentido, em termos de expectativas e fasquia de exigência, que, para além dos nórdicos, nos comparássemos também com o que se passa em Marrocos ou na Argélia?!

Atendendo à "matéria prima", será que, poderíamos ter líderes melhores? Ou, “Os políticos que temos, é o que merecemos?



 

26 abril, 2013

Cavaco Silva: de bestial a besta...




Sumário executivo do discurso de ontem de Cavaco Silva:

Seguro e o PS, são os culpados da impossibilidade do consenso para a reforma do Estado.  

Recorde-se, em tempos bem recentes, qual era a "narrativa" dos socialistas relativamente às intervenções de Cavaco Silva:

"PS: Primeiro-ministro “profundamente isolado”
"A mensagem de ano novo do senhor Presidente da República vem confirmar algo cada vez mais evidente aos olhos de todos os portugueses. Portugal tem um primeiro-ministro profundamente isolado. Isolado politicamente e isolado socialmente", proferiu João Ribeiro, porta-voz do PS, em declarações aos jornalistas na sede do PS em Lisboa.

O porta-voz adiantou também que o discurso de Cavaco Silva revela que o país tem "um primeiro-ministro que se afastou do consenso social e político e que radicalizou o seu discurso".

De acordo com João Ribeiro " ficou também claro que o Governo não ouve ninguém. Não ouve parceiros sociais, não ouve o PS, não ouve a Igreja, não ouve a academia e não ouve o Presidente da República", acrescentou."
 
 
Confesso que foi uma surpresa ouvir o discurso de Cavaco e vê-lo sair da "zona de conforto" em que se transformou dizer umas larachas "contra a austeridade" (como se as medidas deste governo resultassem de uma opção / vontade e não de uma necessidade em resltado da governação dos últimos 15-20 anos).
 
Será que Passos, nas horas que se seguiram à decisão do TC, ia mesmo avançar para a demissão, só tendo sido travado pelo PR? Que este tentou, com o envolvimento do PS, forçar um acordo / consenso em torno da inevitável reforma do Estado, mas a recusa de Seguro & PS nesse propósito redundou no episódio de ontem)?...
 
 
E MFL?! Que confusão deve ir naquela cabeça...
 
 
 
 
 

10 abril, 2013

Gloriosa República Socialista Portuguesa


O pedido de ajuda externa que culminou com o Memorando assinado em Maio de 2011 (há menos de 2 anos, portanto), foi o derradeiro sinal que Portugal tinha que “mudar de vida”. O Estado português, tal como está, é insustentável - mas continuamos a discutir sobre a necessidade / desnecessidade, de cortes para baixar o défice para 4% - 5% do PIB, quando este deveria ser ZERO!

Mas Portugal “é o que é” e uma parte significativa da sociedade prefere continuar a viver na realidade paralela socialista (formatada, em larga medida, pelo pensamento socioeconómico e político, que domina as redacções e o jornalismo luso). Continua a acreditar-se que, batendo o pé ou fazendo birrinha, “os credores” continuarão a financiar os direitos e benesses que a sagrada Constituição da República Portuguesa nos reserva.
 
É (e será) impossível sair do marasmo económico em que Portugal se encontra, sem beliscar a "lei fundamental". Esta é a clarificação que não pode mais ser adiada e, por isso, Passos comete um erro em não bater já com a porta e permitir que este logro se arraste.
 
Os cortes alternativos (a conhecer nos próximos dias) terão um impacto mais recessivo sobre a economia que os cortes chumbados pelo TC, porque recaírão sobre os agentes mais fragilizados neste momento económico: as pequenas e médias empresas. Muitas empresas fornecedoras do sector público estavam já no seu limite e, nova contracção do cliente Estado, atirará muitas delas para a falência... O resultado: menos receita para o Estado e mais despesa com subsídio de desemprego. Em suma, a relação - nunca explorada por comentadores e jornalistas -, entre as decisões do TC e a espiral recessiva.

Nos últimos dias, a CRP tornou-se a Bíblia dos situacionistas. Conceitos como despesa Vs receita ou princípios básicos de matemática e aritmética, não rivalizam com a “ciência constitucional”.  Redigida em 1976 - como terá conseguido Portugal existir entre 1143 e 1975?! - e convertida no guia definitivo e indissociável dos caminhos a trilhar no futuro luso, convém recordar qual a origem e orientação na base da concepção desse mesmo guia e onde o mesmo nos conduzirá...
 
 

"A Constituição da III República em boa companhia

Lista dos países (comunistas e não-comunistas) em que o Socialismo está inscrito nas respectivas constituições:
- República Popular do Bangladesh
- República Popular da China
- República Popular Democrática da Coreia (do Norte)
- República de Cuba
- República Cooperativa da Guiana
- República da Índia
- República Democrática Popular do Laos
- República Portuguesa
- República Democrática Socialista do Sri Lanka
- República Unida da Tanzânia
- República Socialista do Vietname.
Fonte: Wikipedia - List of Socialist Countries

E é assim 39 anos depois do 25 de Abril, 38 depois do 25 de Novembro, 31 depois da revisão constitucional de 1982, 27 depois da adesão à CEE, 20 depois da criação da União Europeia, 11 depois da entrada em vigor do Euro.
E depois a culpa é da Troika e da Merkel."
 
... e que futuro resplandecente será esse!
 
 
 

08 abril, 2013

Haraquíri de Passos



“Um Não dito com convicção, é melhor e mais importante que um Sim dito meramente para agradar, ou, pior ainda, para evitar complicações.”


Mahatma Gandhi
 
Passos, ao optar por um “sim” para evitar complicações, cometeu um erro. Desde que assumiu a liderança do PSD, definiu a dimensão e a despesa do Estado, como “O” problema a resolver - esta era a sua receita.

Cedo a sua “receita” teve de ser adaptada. Com o chumbo do TC aos cortes nos subsídios de férias e Natal da função pública em 2012, viu-se forçado a um aumento generalizado de impostos no OE de 2013, em vez de um ajustamento mais direccionado ao sector público.

Depois da  alteração da sua “receita”, percebeu, aquando da proposta de reforma TSU, que também não poderia usar os seus ingredientes, tal é o fosso entre o seu paladar “liberal” e os aromas do “caminho socialista” a que a sociedade portuguesa tanto se habituou.

A ideia, da redução da TSU para as empresas e aumento para os trabalhadores (com rendimentos superiores a 700 €, recorde-se), era, através da redução dos custos de contexto, uma aposta na atracção de investimento (estrangeiro e nacionais) únca via para fomentar a criação de emprego, ou, ao reduzir os encargos de empresas,  pelo menos evitar a falência de algumas e com isso reduzir o n.º de desempregados e os encargos que o Estado terá de comportar através de despesa social.

No livro português de receitas, este prato chama-se “transferir capital dos trabalhadores para os patrões”. De sabor mais familiar, foi confeccionada mais uma dose de “aumento brutal e generalizado de IRS”, prato tradicional de comida portuguesa. 

Com a sua receita de “redução da dimensão e despesa do Estado” adulterada, com os ingredientes de 2ª e 3ª escolha, o Chef Passos viu ainda ser chumbado o seu método de confecção pelo TC (Tribunal da Confecção), alegando que a sua cozinha ainda é demasiado indegesta para os funcionários públicos Vs os do sector privado…  

 
 
O Chef Passos devia ter dito Não… aquele discurso foi deprimente. A clientela (quer do público quer do privado) continuará a “reclamar do serviço” porque as suas expectativas continuarão a ser completamenete defraudadas. Ele, sem convicção no que está a fazer e a seguir uma receita não é a sua, continuará a tentar explicar que - com estes ingredientes - essas expectativas não são concretizáveis.
 
Isto não faz sentido, o pântano está de volta.