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05 novembro, 2014

As “barbaridades e os disparates” que a tonta da Merkel se atreve a dizer!...



Claramente, existem duas visões distintas sobre este tema das “quotas” de licenciados e / ou das qualificações académicas.
 
Uma visão, mais próxima das declarações de Merkel (e, pode dizer-se, mais “à direita”) que defende a necessidade de observar uma  correspondência entre o n.º de licenciados - e da própria “variedade” de licenciaturas que num dado sistema económico, num país, devem existir – em função do aproveitamento que o seu tecido económico pode fazer dessa mão de obra, i.e., a “absorção” desses licenciados.

A outra visão, ideologicamente mais “à esquerda”, que olha a vida académica quase como um fim em si mesmo, onde a produção de conhecimento é sempre uma “mais valia” independentemente de esse “conhecimento” ter aplicação ou retorno (económico ou outro) para a sociedade / sistema económico em causa.

Um e outro são defensáveis. O problema, está na sustentabilidade do sistema de ensino que cada sociedade opta. Centremo-nos no caso português: teremos capacidade económica para formar os milhares de licenciados em direito, em sociologia, nas letras ou, por ex., mais professores quando o desemprego entre estes licenciados atinge (infelizmente) os níveis conhecidos?...


Até podemos achar que sim e continuar a financiar este (cada vez maior) conjunto de pessoas ao longo de décadas através de bolsas de “investigação”, de “doutoramento”, etc. Mas, poderemos garantir essa política de forma ilimitada e universal?
 
Deixem-me salientar aqui um aspeto para reflexão:  um dos traços que caracterizava os países de leste - sociedades que Merkel conheceu bem e onde vigoraram sistemas comunistas e socialistas -, era a “excelência” do seu sistema de ensino, designadamente, as elevadíssimas taxas de alfabetização e formação superior dos seus cidadãos. Um modelo, portanto, próximo do modelo defendido pela “esquerda”.


No sentido de avaliar os prós e contras destas duas visões, não seria interessante sondar aos médicos, os engenheiros e toda a variedade de doutorados, oriundos e formados nesses países que, especialmente durante os anos 90 e porque o modelo económico desses países implodiu, se viram forçados a vir trabalhar para Portugal nas obras de construção civil, nos cabeleireiros e em outras profissões “qualificadas”, qual será a sua opinião sobre este assunto?


Nunca fiz a sondagem, mas tenho o palpite que esses tenderão a concordar mais com a Merkel do que com a opinião da nossas “elites” e o pensamento mediaticamente dominante… 



 

31 outubro, 2014

Os jornalistas da Bola serão preguiçosos?


Curioso com o título? Já lá vamos...
 

2 Entre os que dominam o palco do espaço mediático, as previsões do atual Governo são sempre inexequíveis e um embuste (atente-se à discussão do OE2015). Apesar disso e tal como já sucedeu em 2013 - ano em que personalidades (essas sim) de inquestionável sabedoria e credibilidade, vaticinavam um novo resgaste para Portugal e o seu regresso à idade média -, o défice orçamental está em linha com a meta prevista (embora a execução tenha sido afetada pela decisão do TC, recorde-se):

“O saldo das Administrações Públicas fixou-se nos -3.989,9 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um desagravamento de 1.421 milhões face ao período homólogo.

... se excluirmos a despesa do Estado com juros da dívida, observa-se um excedente primário de 1.388 milhões de euros, uma melhoria de 1.654 milhões face a 2013.”



3 Terceira nota - a dívida pública -, outro segredo bem guardado pelos média. Parece que o ano de 2014 assinalou uma inversão da tendência de subida:
“A proposta de Orçamento do Estado para 2015 aponta para uma descida do rácio de endividamento de 127,2% para 123,7%, uma descida de 3,5 pontos percentuais. Em 2013, este valor atingiu os 128%, já tendo em conta as novas regras do Sistema Europeu de Contas Nacionais e Regionais (SEC 2010).”


O que têm em comum estes 3 factos?!
A circunstância de passarem completamente despercebidos nas manchetes e nas aberturas de telejornal das 20h!
 
Mas, bastará fazer um breve exercício de memória e todos recordaremos (em períodos bem recentes)  telejornais abrirem, quase diariamente, com notícias sobre o aumento do desemprego, da dívida ou a denunciarem uma derrapagem do défice

E, não,
não é “preguiça” de ir estudar os números e os indicadores. Este condicionamento da agenda mediática, como aqui se defende há muito, é deliberado. O país não precisa de notícias boas nesta fase... 

Alguns fizeram troça das declarações de Passos Coelho sobre jornalistas e comentadores, outros fizeram-se desentendidos... No entanto, qualquer pessoa minimamente atenta e imparcial, sabe que essas declarações refletem uma realidade:  o espaço mediático não é isento, é-lhe (bastante) hostil e anseia pelo regresso ao poder de algo com um rótulo de "esquerda"...
 
 
Enfim, as boas notícias regressarão às capas dos jornais e à abertura dos noticiários, quando o "predestinado" tomar o seu lugar... 
   
 
Façamos aqui uma analogia entre o "jornalismo político" e o jornalismo desportivo.   
 
A falta de isenção clubística do jornal "A Bola", ficará a dever-se à "preguiça" dos seus jornalistas ou será que a redação daquele jornal, objetivamente, segue um critério editorial de apoio ao clube lisboeta que veste encarnado? 
 
 
 
 
 

10 setembro, 2014

A boa Imprensa pode sobrepor-se à Realidade?


Nos media em geral e no comentário dos mesmos opinadores de sempre, Costa era um leão e Seguro um tareco.

No entanto, foi fora dessa “realidade mediática” que decorreu o debate. Foi o que se viu...

Pouco me interessa sobre a questão do vencedor e do vencido no debate, o ponto que gostava de destacar é este: considerando a cobertura mediática das primárias do PS, não existe uma enorme divergência entre a imagem projetada dos candidatos Costa e Seguro, e a imagem que os portugueses puderam constatar ao vivo e em direto no debate de ontem?

A que se deve a aura de redentor que a generalidade dos meios de comunicação social atribui a Costa?!

Que propostas concretas, que obra, tem Costa para apresentar que justifiquem a proteção mediática e a boa imprensa, que, sistematicamente, lhe é reservada?!

Será que a cobertura mediática destas primárias do PS, está mais empenhada em informar de forma isenta os portugueses sobre o que distingue e caracteriza, os dois candidatos socialistas ao cargo de PM, nomeadamente, a sua personalidade e o que cada um defende com as suas ideias e projetos. Ou, preferindo antes decidir por eles, estará apenas apostada na “produção” de (mais) um líder, um messias, que, depois de derrotar "a direita", abrirá  caminho 
a um futuro resplandecente, à medida de um conto de fadas... 
 
 


“O espaço mediático atual, será o espelho da sociedade portuguesa e traduzirá de forma isenta as diferentes correntes e sensibilidades existentes?

Ou será que esse espaço, negligenciando a missão de informar de forma isenta e, não raras vezes, menosprezando até o pensamento e as convicções da maioria, empenha-se, suportado nas convicções de uma minoria alinhada com o “wishfull thinking” do jornalismo militante, num exercício diário de doutrinação da “população” com os seus próprios valores?”


P.S.: O momento do debate de ontem, aconteceu quando Costa, tal como já havia feito em outras ocasiões, apontou a incompetência de Seguro na condução da oposição ao governo, afirmando que  a ""Fraqueza" do PS começou com abstenção na votação do OE 2012".  


Talvez habituado à boa imprensa, que assimila cada declaração sua (o que sucede com outros personagens) com a mesma crença que os gregos escutavam o oráculo, foi surpreendido pelo "trabalho de casa" de Seguro que demonstrou a sua cambalhota nesta matéria, já que na altura defendeu a abstenção.

A prova-lo, fica o link dessa declaração (Outubro de 2011) no programa "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias: http://www.youtube.com/watch?v=p2ViV55HokM

Curiosamente, esta noite, na mesma SIC, acontece o 2º debate e pergunto-me se estas imagens, pelo dano que podem provocar à credibilidade do candidato Costa, vão ser exibidas.       
 
A ver vamos...



 

09 maio, 2014

RTP, diz que é seviço público...


 
 

"Portugal importou, no primeiro trimestre de 2014, três vezes mais bens do que aqueles que vendeu ao exterior, com as importações a aumentarem 6% e as exportações a cresceram apenas 1,7% em termos homólogos."

Há títulos que são um autêntico hino à ignorância e denotam bem o desconhecimento grosseiro de muitos jornalistas em relação aos mais básicos conhecimentos de matemática (por ex., trocar mil milhões por um milhão, e vice-versa, é tão vulgar...). Se nem a matemática elementar conhecem, como podem informar os cidadãos sobre qualquer matéria que envolva números, indicadores económicos, etc.?

Imagine o leitor se, a partir destes dados, fosse um ministro a retirar tal conclusão: seria ridicularizado durante dias a fio!...

Curiosamente, nos meses em que a taxa de aumento das exportações foi o triplo ou o quádruplo da taxa das importações, não consta que a RTP tenha publicado notícias a afirmar “Portugal exportou três vezes mais do que importou”. 

Obviamente, tal título seria uma imbecilidade semelhante à notícia em cima. No entanto, isso demonstra que estas manchetes não resultam apenas de desconhecimento, mas de um misto de ignorância e má-fé do jornalismo no tratamento noticioso, já que, frequentemente, a análise objetiva da informação é preterida em favor de uma mensagem que traduz antes a convicção e tendência política do autor da peça jornalística, invariavelmente, de oposição ao atual governo "fassista". (recordar O “wishful thinking” das redacções VS o País Real).  


Última hora:
Agência Moody's sobe o rating de Portugal
"Pela primeira vez desde 1998, a agência de notação financeira Moody's subiu o rating da dívida portuguesa."
 
Ui!... A azia que deve andar em algumas redações...
  

 

24 fevereiro, 2014

Qual será a distância entre a “versão mediática” e a Realidade?


Várias vezes aqui no blog se questionou a adesão à realidade do que é noticiado, especialmente, nos media de grande audiência (por exemplo aqui ”O País dos telejornais das 20h, será o País Real?”, ou aqui “O “wishful thinking” das redacções VS o País Real”).

Desta vez chamamos a atenção para a cobertura mediática do caso dos Estaleiros de Viana ("polémica"que também já tinha sido focada neste post).

Durante semanas, fomos bombardeados com reportagens diárias nos telejornais que nos davam conta da “luta dos trabalhadores” contra a concessão daquela empresa. Inúmeras vezes, partilhei uma refeição com o Sr. Arménio da CGTP e um outro Sr. com ar ainda mais zangado (de 0 a 10, ele será um 8. Um 10, já agora, é o Daniel Oliveira) que sistematicamente eram identificados nesses peças jornalísticas como sendo os “representantes dos trabalhadores”.

E o que, repetidamente e de forma peremptória, nos diziam esses representantes? Os trabalhadores são contra as rescisões!



Entretanto, o caso deixou de abrir telejornais e este fim de semana, vários órgãos de informação noticiavam:


Ou seja, 98% dos trabalhadores aceitaram a proposta ... este detalhe também é interessante:

“11 funcionários não aderiram ao acordo. A tutela acrescenta que dos sete elementos da comissão de trabalhadores cinco aderiram à proposta.”


Entre o cenário que os telejornais nos apresentaram e este desfecho, não há aqui nada de estranho?! De outra forma, qual será a distância entre a “versão mediática” e a Realidade?

Pergunto: será que aqueles sindicalistas, tal como os srs. jornalistas nos informaram, representavam efetivamente a vontade da maioria dos trabalhadores? 

Será que não existiam outras correntes entre as centenas de trabalhadores,  que o critério jornalístico, simplesmente, optou por ignorar?


Concluindo:


"O espaço mediático atual, será o espelho da sociedade portuguesa e traduzirá de forma isenta as diferentes correntes e sensibilidades existentes? Ou será que esse espaço, negligenciando a missão de informar de forma isenta e, não raras vezes, menosprezando até o pensamento e as convicções da maioria, empenha-se, suportado nas convicções de uma minoria alinhada com o “wishfull thinking” do jornalismo militante, num exercício diário de doutrinação da “população” com os seus próprios valores?"

30 dezembro, 2013

Retroespectivando… fim de ciclo, novo ciclo?

 
Em jeito de retrospectiva, não apenas do ano que agora finda, mas dos últimos 40 anos, aconselha-se (mais) este excelente post no “portadaloja”. Através dele podemos, não só, constatar, mas também perceber alguns dos mecanismos que explicam o fenómeno que aqui designamos por wishfull thinking do jornalismo luso.

Através de uma peça jornalística do Público, é possível esmiuçar a narrativa, um autêntico "reescrever da história", que o jornalismo em geral, construiu, e constrói - neste caso particular -, em torno do que correu mal (
apesar de uma ajuda massiva da UE, diga-se...) ao longo do processo de transformação social e económica que Portugal enfrentou desde os anos 70, até ao presente.

Transcrevemos apenas este excerto, mas aconselha-se vivamente a leitura do post na íntegra:
“Por outro lado, como é que o autor explica o que ocorreu em 1974-75? Como a coisa mais natural deste mundo, apesar de notificar que houve "alterações profundas na estrutura económica do país. Nesse ano, a economia não cresceu e, em 1975, em particular, o PIB caiu 4,3, um valor não superado por crises posteriores". Isso apesar de o PIB, poucos meses antes crescer a um ritmo de quase dois dígitos. […]

Estes especialistas analisam assim "a economia", como se fosse um fenómeno estático e dado somente a variações numéricas influenciadas pela conjuntura do momento que é entendida como resultado do devir normal de um qualquer país. Nenhum país da Europa sofreu o descalabro económico que sofremos em 1974-75 e nenhum país da Europa teve uma Esquerda (comunista e socialista) como tivemos por aqui naqueles anos e ainda temos e que revolucionaram a economia nacional para todo o sempre. Conseguiram fazer aprovar uma Constituição absurda e com laivos de país das maravilhas em que não deixaram tocar durante mais de uma dúzia de anos… […]

É por estas e por outras que este jornalismo é assim, tipo para quem é bacalhau basta. A Esquerda não tira ilações das suas derrotas porque não as entende sequer. E a linguagem que usa é a chamada "língua de pau" do economês, sem relação dinâmica com a realidade social e política e muito menos com a língua comum ao entendimento comezinho dos fenómenos. Se houve alguma coisa que mudou essencialmente nestes últimos 40 anos foi a linguagem corrente de quem escreve sobre assuntos específicos. Todos apostam nos estrangeirismos, nas figuras linguísticas sem conotações que sejam fáceis de entender e numa espécia de dicionário de rimas do politicamente correcto que empobrece a escrita e principalmente a explicação de qualquer fenómeno.”
 
Basta ler o título que introduz o estudo analisado no post: “Quando os ventos do exterior acabam com as intenções de reforma”, para confirmar todo um programa defendido pela redação do Público.
 
Para estes intelectuais do jornalismo, há sempre um alibi – que designam por “factores externos” ou a "realidade internacional" - para desculpar as verdadeiras causas dos sucessivos falhanços de construção de um país com níveis de desenvolvimento mais consentâneos com os nossos parceiros da Europa Ocidental - as “receitas esquerdistas”. Quem formule a sua opinião baseando-se apenas no que lê ou ouve, na comunicação social dificilmente perceberá, mas foi esse o padrão das opções tomadas nas décadas mais recentes. 


Enquanto este “clima mental”, em larga medida, concebido e “amamentado” por este tipo de jornalismo, que faz subordinar factos e realidade, à medida das suas próprias conceções ideológicas e fé militante… Enquanto um povo for - não informado, mas formatado e educado - nesta “realidade paralela socialista”, dificilmente veremos sinais de mudança neste cantinho.


É impressionante como, em pleno Sec. XXI, na suposta era da informação, seja ainda possível conviver com tamanho irrealismo e cegueira ideológica. Repare, no que que toca a socialismo, só se conhecem dois tipos de países ou modelos de sociedade:

     - os fictícios ou utópicos: onde, apoiando-se na desigualdade existente em qualquer sociedade e instrumentalizando os mais desfavorecidos, se formula um modelo que funciona perfeitamente nos discursos e na retórica, garantindo - assim que se “embarque” no processo socializante - um país "igual e fraterno", uma sociedade com um futuro resplandecente, bem à medida de um conto de fadas;

     - os reais: correspondendo aos países e às sociedades, que efetivamente passaram por tal processo, e que apenas têm para oferecer pobreza generalizada, aumento de todo o tipo de desigualdades e assimetrias, violação dos direitos humanos, presos políticos, fome, etc. (ex-URSS, Cuba, China, Coreia do Norte, Albânia, Venezuela,…).


Pessoalmente, o que considero mais curioso - e talvez um dos grandes enigmas (à mistura com angústia e embaraço) do nosso tempo -, é constatar como responde  um esquerdista convicto, por muita formação académica, por mais mestrados e doutoramentos que tenha, quando confrontado com os resultados práticos e consistentes, que o socialismo teve nos inúmeros países onde foi implementado, é qualquer coisa como isto:
 “Na verdade, esse regime não seguiu uma experiência autenticamente socialista!..”… Pois… e ainda dizem que são as religiões que alienam os indivíduos.

Não admira que qualquer “revolução cultural” de matriz socialista, encare com hostilidade a religião – afinal de contas, a "esquerda" tem pavor de
concorrência!


20 novembro, 2013

Ser mediaticamente correto… é disto que o meu povo gosta!

 
Da homília do Domingo passado, a propósito de uma pergunta sobre o sistema de avaliação de professores proposto por Nuno Crato, analisemos a resposta / comentário de Marcelo Rebelo de Sousa.

 
 
Começou assim:
“A ideia de haver avaliação no início e no acesso à carreira docente, para se ser professor, tem lógica.



 
“O haver avaliações periódicas tem lógica

“O haver condições acrescidas de avaliação contínua, tem lógica…”


Ora bem, por esta altura do comentário pensei: “esta pessoa só pode estar de acordo com a prova de avaliação proposta pelo Ministro Crato”. Tem lógica!...

Mas não, logo a seguir Marcelo (como se pode constatar no vídeo) atira com uma série de argumentos (porquê agora, será no Natal...) e termina a concluir que ”a medida pode ser injusta e discriminatória com alguns professores”. 
 
Este pequeno episódio ilustra bem a forma como o comentário político, a discussão e a análise dos assuntos na comunicação social, é feito de forma condicionada.


Note-se que, mesmo aqueles comentadores que estão de acordo com o sentido que norteia uma determinada decisão, em vez de afirmar perentoriamente que a medida é positiva (podendo discordar deste e daquele ponto), por ela ser impopular e – sobretudo - dissonante da corrente “mediaticamente correcta”, optam pela solução mais confortável, isto é, dizer aquilo que o “jornalismo quer ouvir”…


Neste caso concreto, por ex.: então um jornalista verdadeiramente interessado numa opinião bem fundamentada sobre a medida, para que os cidadãos sejam melhor esclarecidos, não deveria interrogar Marcelo sobre a evidente contradição entre a abordagem inicial à questão e a forma como concluiu o seu comentário?!


Não, o objetivo não passa por aí, como podemos observar, as intervenções de Judite apenas se focalizam na obtenção comentários que evidenciem desacordo e oposição, à medida:

 “Portanto é uma medida injusta?”  Ouvida a resposta pretendida, garantida a habitual narrativa anti-governo, assunto encerrado, venha o próximo!


Sobre o assunto em concreto, o que ficaram os espectadores a saber? Apenas que, “em teoria”, a medida é boa mas, na prática é “injusta e discriminatória”... É este jornalismo que esclarece os cidadãos? Claro que não, mas isso não interessa. O importante não é informar, é doutrinar.  

Tal como sucede nesta situação, em que Marcelo diz “assim não”, mas não avança com "o seu" sistema de avaliação “à prova” de injustiças e discriminação (existirá algum?...) -, uma infinidade de problemas que o país enfrenta, é sujeito ao mesmíssimo tratamento mediático.

Como aqui no blog repetidamente se demonstra, existe uma pressão dos media que delimita as correntes que são politica e ideologicamente “bem vistas”, e as que não são. Não é necessária uma análise muito atenta à agenda mediática, para constatar que, de acordo com o posicionamento assumido por cada individuo face a essas correntes, temos um tratamento mediático selectivo que temos abordado na categoria “Filhos e Enteados”:

    - relativamente ao que vem da “esquerda”, predomina uma bondade no tratamento mediatico, designadamente, a total ausência de escrutínio e contraditório do que é dito (Soares, Costa, Dilma Roussef… );

     - já em relação ao que vem da “direita”, a hostilidade impera, e as frases e o posicionamento deste conjunto de personalidades, tem de enfrentar um contraditório jornalístico implacável e, não raras vezes, a manipulação do que é dito através da distorção do contexto em que essas posições / frases foram proferidas (basicamente, qualquer pessoa que se identifique com a direita… I. Jonet, Soares dos Santos, Ulrich, César das Neves, etc.);


Este jornalismo militante, que faz questão de demonstrar o que é “mediaticamente correto” dizer, aliado à circunstância de toda a gente quer “parecer bem” na televisão, provoca  uma uniformização da corrente de opinião nos jornais, rádio e televisão. Paralelamente, vai-se formatando a opinião pública à medida da sensibilidade e pensamento do grupo resrito que controla a agenda mediática: jornalistas e redacções.


Neste país, com uma comunicação social claramente alinhada “à esquerda”, qualquer medida tomada por um governo “de direita”, é imediatamente arrasada. Nos destaque e manchetes, apenas a posição e voz dos elementos cujos interesses são afetados, se faz ouvir . Entretanto, aproveitando a onda de indignação, temos os chavões dos mesmos de sempre a dizer que havia "outro caminho”, que havia “uma alternativa” e – claro - sem cortes, sem sacrifícios, sem dor.

Sobre qual seria esse caminho alternativo, nem um pio (tal como no comentário de Marcelo). Nos telejornais, graças ao “wishfull thinking” das redações, a realidade concreta vai sendo substituída por uma realidade paralela onde, por vezes, até parece que os problemas não existem, que é o governo que os cria, para levar a cabo a sua própria agenda...


Com uma informação mais assente em comentários e opiniões de conveniência do que em factos concretos, vai-se formando uma “opinião pública” contrária a qualquer mudança e reforma. Aos cidadãos, vai-se transmitindo a ideia que uma dada decisão, em vez de inevitável, só é necessária porque A e B o desejam (cortes, por ex.), só avança para agradar ao grupo x e y, que a medida só vai agravar o problema, etc., etc…


É o contexto perfeito para a proliferação dos políticos oportunistas.
 

Quando o actual governo cair e um novo governo chegar, fará sensivelmente o mesmo que o anterior e nada do que prometeu na oposição, lá teremos “o povo” a lamentar-se que “foi enganado” pelos políticos. A comunicação social que, em tom pesaroso, continuará a dizer que cada vez “a democracia está mais pobre”…
 
Será assim? Será que o apenas os políticos que “enganam” o povo?

Não será que aqueles que têm por missão informar os cidadãos, também têm grandes responsabilidades neste processo? 

 

18 outubro, 2013

O País dos telejornais das 20h, será o País Real?

Parece que no próximo dia 9 de Novembro haverá nova greve das empresas públicas de transportes. Em rigoroso exclusivo, o "Jornalismo Assim" avança com as manchetes que farão capas de jornais e os destaques de abertura de telejornais:

Greve dos transportes paralisa o País!”

 
Pois...
 

Obviamente, não é necessário ser vidente para "adivinhar" a agenda mediática desse dia, pois esta mensagem de "TODO um país paralisado", é recorrente.
 
Mais provas, se necessário forem, do centralismo mediático (recordar que a generalidade dos órgãos de informação encontram-se sedeados na capital), mas, sobretudo, sobre a forma como essa pequena “elite” de redações e jornalistas, vai incutindo nos cidadãos uma perceção do mundo influenciada (contaminada?), pela sua própria visão, pelos seus valores e ideologia, em vez de ser baseada em informação isenta, factual.
 

1 As redações Vs o "país real":

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/o-wishful-thinking-das-redaccoes-vs-o.html

2 Um problema que, na província, é um “palito”, em Lisboa, transforma-se num “barrote“..

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/07/nascer-no-pais-da-equidade.html

3 Noção disfuncional de Equidade, ou, como a Equidade só é um valor absoluto quando é o interesse de alguns que está em causa:

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/06/portugal-o-bastiao-da-equidade.html

4 Portugal, Lisboa e o Resto do País:

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/02/portugal-lisboa-e-o-resto-do-pais-1.html



Concluindo:

“... o espaço mediático atual, será o espelho da sociedade portuguesa e traduzirá de forma isenta as diferentes correntes e sensibilidades existentes ? Ou será que esse espaço, negligenciando a missão de informar de forma isenta e, não raras vezes, menosprezando até o pensamento e as convicções da maioria, empenha-se, suportado nas convicções de uma minoria alinhada com o “wishfull thinking” do jornalismo militante, num exercício diário de doutrinação da “população” com os seus próprios valores?”
 

 

01 outubro, 2013

Das Autárquicas (daqui a 4 anos, há mais…)


Como praticamente tudo foi dito sobre os resultados das eleições, partilham-se algumas “curiosidades”...

O povo pronunciou-se! E, como é habitual, por parte de jornalistas e comentadores, há muita “boa vontade” nas leituras e interpretações das opções do "povo". O politicamente correcto manda dizer que o “povo é soberano” (é "sábio", dizem alguns...) e que os políticos "devem saber interpretar" o sentido de voto e a “vontade popular”…

Pois da “cobertura” eleitoral realizada pelo “Jornalismo Assim”, o momento mais marcante da noite autárquica (à parte do fenómeno Moreira no Porto), foi ver um directo de um canal de tv a partir de Oeiras, onde um coro "popular" entoava "Isaltino!, Isaltino!"...  


Pessoalmente, sou muito céptico em relação às razões e ás teses muito elaboradas que os comentadores normalmente apontam para explicar o sentido de voto dos eleitores. Uma larga maioria, suspeito, faz uso do voto – não para, em função da realidade e do contexto nacional, escolherem uma personalidade pelo seu projecto e pelas soluções que propõe – mas, simplesmente, para “castigarem” alguém:

     - votou-se em Guterres para castigar Cavaco; também para castigar Cavaco, numas eleições presidenciais, votou-se em Sampaio;

      - votou-se em Sócrates para castigar Santana Lopes e a fuga de Barroso; e, em 2011, votaram em Passos Coelho para castigar Sócrates;  

Mas, claro, o povo é soberano! Como se não tivessem sido as decisões e o sentido de voto, desse mesmo povo - em sucessivas eleições livremente disputadas nas últimas décadas – o principal motivo que nos trouxe até aqui.
 
Quantas vezes na vida, as coisas que queremos, não coincidem com as que precisamos?

 
Outra “curiosidade” está relacionada com o Bloco de Esquerda (bloquinho? bloquito?...). Já aqui no blog colocamos esta questão, mas, depois do resultado ontem alcançado "por aquela malta jovem", voltamos a questionar:

 
Será que a representatividade da esquerda mais radical no "espaço mediático", não é completamente desproporcionada em relação à sua representatividade na sociedade portuguesa? Será que os seus 5% de votos (ou nem isso...), justificam o “espaço” que as redacções e o jornalismo lhes atribui?  

Por último, voltando à importância de saber interpretar a tal "vontade popular", e até porque é importante lembrar que “O Povo é quem mais ordena”, não podemos – a propósito da apregoada maturidade cívica e democrática da sociedade portuguesa – deixar de reflectir no significado desta notícia:


“"Casa dos Segredos 4" vence em noite de eleições”


 

25 setembro, 2013

Também tu, Cavaco?! A propósito do “mediaticamente correcto”…


Na área da medicina, algo equivalente, seria dizer:



“Eu defendo uma quimioterapia amiga do bem estar do paciente”.

 
São assim os tempos que vivemos: toda a gente quer “parecer bem” na televisão (nem Cavaco escapa ao mediaticamente correcto). Em que situação seria possível corrigir os desequilíbrios de que Portugal padece, sem efeitos adversos para a Economia?! Pelo menos numa fase inicial de ajustamento...

Entretanto, como a comunicação social – diga-se a propósito, porque uma significativa parte das redacções e jornalistas, partilham das mesmas convicções e receitas irrealistas que a esquerda preconiza - não confronta aqueles que aspiram a governar, vendendo ilusões, com a realidade, nunca sairemos deste ciclo vicioso:

Os políticos, por mais irrealialista que seja essa postura, percebem que, o que compensa, é ter o discurso que passa bem nas tvs e jornais. Por um lado, sem esse discurso "sensível e amigo", será mais difícil chegar aos eleitores… e aos votos. Depois, como podem dizer as maiores barbaridades sem que o jornalismo os confronte com a inviabilidade do que dizem - aliás, existem algumas realidades / verdades, que são muito mal vistas pelas elites dos editoriais -, estão reunidos todos os incentivos  (inclusivamente, uma presença assegurada de destaque na agenda mediática) à proliferação daquelas balelas do “crescimento económico”, da aposta nas “medidas activas de emprego”, que a “austeridade só ajuda a agravar os problemas”, etc., etc..

No entanto, como no mundo real, o país continua a precisar que lhe emprestem 8.000.000.000 € por ano e só existem duas alternativas:

1 Os mercados: estes só nos emprestarão esse dinheiro a taxas de 8%, 9%... para conseguirmos pagar esses juros, sacrifícios muito maiores que os que já estão a ser exigidos aos portugueses teriam que ser feitos, ou seja, esse é um beco sem saída.

2 As únicas entidades que nos emprestam dinheiro a taxas razoáveis (fmi / ue) exigem como contrapartida a redução da despesa do Estado… a malfadada “austeridade”. Se falhamos nessas contrapartidas poderá estar em causa a saída do Euro. Tal como na alternativa anterior, essa opção causará sacrifícios muito maiores que os que já estão a ser exigidos aos portugueses…

Ou seja, qualquer político que chegue ao governo terá que fazer sensivelmente o mesmo!

Até podem ter o voto popular mas, no dia seguinte (oh Hollande!...), lá teremos “o povo” a lamentar-se que “foi enganado” pelos políticos e a comunicação social, em tom pesaroso, a dizer que cada vez “a democracia está mais pobre”… será que são apenas os políticos que “enganam” o povo? Não será que aqueles que têm por missão informar os cidadãos, também têm grandes responsabilidades neste processo?

Como aqui no blog já se referiu diversas vezes, será impossível concretizar uma redução significativa da despesa pública – que é a razão maior desta crise - sem (pelo menos na interpretação de alguns)  "violar" a Constituição.

(embora, também aqui já se tenha demonstrado como a “constitucionalidade” é mais flexível quando são os socialistas a governar).

Estamos há 2 anos nisto… quantos mais anos serão necessários para sair deste estado de negação?!



05 agosto, 2013

Agarra que é "fassista"!



(Nota introdutória: um dia que sentisse o meu posto de trabalho em perigo, escrever algo assim, daria um bom alíbi para depois dizer que estava a ser perseguido politicamente...  )

Pela mesma razão que o canal Benfica não é o sítio mais adequado para aqueles que pretendem revisitar os maiores êxitos desportivos do F.C. Porto, nunca, com esta comunicação social, um governo da área da direita terá boa imprensa!

Os briefings nasceram porque se dizia que este governo "não comunicava / comunicava mal", que era / é um desastre a explicar medidas, blá, blá, blá.... Os "especialistas" do governo lá pensaram numa fórmula para ir mais de encontro a essas críticas e (tentar) dar de si uma melhor imagem - nasceram os briefings.

Agora, garantidamente, já comunicará mais qualquer coisa... mas, sejamos claros, o que interessa às redacções e aos Srs. jornalistas difundir, está nos antípodas do que este governo quer comunicar! O problema não reside na mensagem ou na forma como esta é veiculada, o verdadeiro problema comunicacional entre emissor (governo de “direita”) e receptor (jornalismo), decorre da incompatibilidade ideológica entre ambos!

Note-se o caso presente: num país onde o jornalismo luso conviveu sem grande indignação com o que abaixo se descreve (aliás, essa personagem até veio a tornar-se ilustre comentador), que razões substantivas - para lá da "repulsa ideológica" - podem levar o Sr. Mascarenhas a contemplar Maduro & Lomba, com o epiteto de fascistas?!

Se estes são fascistas, por uma questão de escala, outros, o que serão... o anti-cristo?!

(19 Março, 2013)


Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita....

Como é hábito neste cantinho socialista, as declarações e entrevista que a seguir se transcrevem, não suscitaram qualquer interesse por parte dos "predadores de polémicas" do costume. A matéria é explosiva mas, agora e como invariavelmente sucede, envolvendo malta inimputável de esquerda, o assunto passa ao lado das manchetes de jornais e dos alinhamentos de noticiários na rádio e televisão.

A entrevista, dada por Octávio Ribeiro na última edição do jornal SOL, pode ser lida aqui e traz novos elementos sobre as relações de Sócrates com o mundo da comunicação social.

«[Octávio Ribeiro] Quando começo a ter acesso a algumas das escutas do Face Oculta apercebo-me que não era só a TVI que ia ser comprada. O CM também. Houve uma fase negra em Portugal em que, com o apoio da banca, se ponderou fazer grandes negócios na comunicação social que não visavam o objecto de negócio, mas sim mudar direcções e silenciar.

O que pensa de Sócrates?

Entre 90 e 91, ao fim-de-semana tinha RTP e durante a semana Semanário e RR. Nesta altura, António Guterres apresenta-me uma jovem promessa. E, de facto, ele tinha um estar que contrastava: não usava gravata, dizia palavrões, era pouco mais velho do que eu e trabalhava imenso. Já como líder do PS faço-lhe a entrevista que antecede a queda de Santana Lopes, com o título: 'O PS está pronto para governar'. Logo a seguir dá-se a decisão de Sampaio. Numa primeira fase conversávamos muito, trocávamos impressões de forma aberta, ainda eu era director-adjunto.
Em 2007 ele faz-me um convite que achei que o primeiro-ministro não podia fazer.
Que convite foi esse?

Para substituir o José Eduardo Moniz na TVI. Ele diz que não sabia de nada do que se estava a passar, mas em Fevereiro fez-me esse convite. Quatro meses antes. Disse-lhe que não estava disponível e a relação acabou.

Sócrates quis dominar a comunicação social?

Completamente. Tinha essa vertigem. Denunciei isso muitas vezes em editoriais. Uma vergonha. Não é um democrata. É um tipo colérico quando é contrariado. Depois desse almoço na Travessa - e uma coisa estranha é que o restaurante estava cheio, mas todas as mesas à nossa volta estavam vazias, portanto presumo que ele não marcava apenas uma mesa, mas um quadrado -, acho que nunca mais falámos.» "
Como é fácil de entender, há luz do critério esquerdista das redacções lusas, o conteúdo da entrevista não tem relevância jornalística, sendo mesmo inoportuno... ainda mais num momento em que as redacções apostam, como nunca, em incutir no cidadão tuga a ideia de que a culpa da crise em que o País está mergulhado é de Passos & Gaspar. Imagine-se a mesma entrevista, mas com o nome "Relvas" em vez de "Sócrates"... teríamos abertura de telejornal, semanas a fio que culminariam com 1 - 2 Milhões na rua a pedir a demissão do governo.
 

20 julho, 2013

Por onde andaram os “que se lixe a troika” por estes dias?...


Porque era importante um acordo que envolvesse o PS?

Essencialmente, porque, sem esse posicionamento e compromisso, o "ambiente prec" segue dentro de momentos…

É sintomático que, durante a realização das 9 reuniões do “compromisso de salvação nacional”, não tenha existido uma manifestação sequer dos “que se lixe a troika” (e outros), à porta dos locais onde decorriam as “negociações”.

Porque não se debruçam os comentadores da nossa praça sobre este “pormenor”? Note, para um movimento que se afirma “anti-troika”, poderia existir evento que justificasse maior  mobilização que estas reuniões?... 

Este facto, por si só, prova como a grande maioria das manifestações “anti-troika” são altamente politizadas (em vez do carácter mais abranhente que a comunicação social normalmente lhes cnfere). Bastou os socialistas estarem presentes nestas reuniões, que a turba, em vez dos habituais raids de contestação e indignação, optou por ficar em casa. 
Nota: Uma explicação alternativa para a “ausência” da malta jovem manifestante, também pode ser o Optimus Alive e outros festivais de verão… 

Como por diversas vezes já se abordou aqui no blog, a sociedade portuguesa ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de maturidade cívica e democrática. Largas franjas da população ainda fazem as suas opções, não pela substância das matérias em discussão, mas em virtude dos rótulos ou da posição da sua tribo. O que define os movimentos “anti-troika”, é a sua matriz “anti-direita”, bastou lá estarem uns indivíduos “de esquerda” e a manifestação não aconteceu.

Obviamente, existiram manifestações de carácter transversal e nacional, mas não é dessas que aqui se fala (e que se resumiram a 2 nos últimos 2 anos). Refiro-me aquele ruído e ambiente de agitação, que, em alguns períodos é quase diário. Embora esse clima se resuma apenas à capital, como domina a abertura de qualquer telejornal e faz os destaques de rádio e imprensa nacionais, constitui o rastilho para um clima social de constante agitação que perturba qualquer processo de transformação que seja necessário fazer em Portugal… E isto também se explica porque, é o modelo de desenvolvimento da capital (o “País à mesa do Orçamento de Estado”, que aqui já falamos), o mais ameaçado pela mudança de paradigma que Portugal atravessa.

Era importante um acordo que envolvesse o PS, porque o efeito aqui descrito para os manifestantes “anti-troika” também se aplica aqueles jornalistas militantes da nossa comunicação social.

Um dia depois das declarações de Seguro, note-se que as redacções nem se interessam em conhecer, em função da real situação do País, proposta a proposta, quais as posições de cada partido, e qual o motivo de não ser possível o tal acordo. Não, para os cidadão o soundbyte de o PS “ser contra a austeridade” é suficiente (não convém beliscar a narrativa com a realidade…). As perguntas nos directos e reportagens, já se focam apenas no "que irá o Presidente agora fazer?": eleições antecipadas ou outra solução, da sua iniciativa, mas que “contorna” a realização de eleições já?

A turba aguarda. O "ambiente prec" segue dentro de momentos… 
 
 
P.S.:
Pessoalmente, gostaria de eleições já… poucas coisas seriam mais divertidas do que ver Seguro a anunciar medidas de austeridade e os cortes que um orçamento socialista consagrariam para 2014.

Sim eu si, eleições já, seria a pior solução para o País. Mas, que diferença faz, alguém ainda acredita que este País tem salvação?! 


11 julho, 2013

And now, for something completely different...


O melhor da noite de ontem, foi observar o ar assarapantado de alguns dirigentes políticos e comentadores que, face à aguardada bênção presidencial à solução que saiu do cisma Pedro & Paulo, já tinham um discurso de reacção "engatilhado" - "business as usual", pensavam eles...

Antes do discurso de CS, toda a esquerda queria eleições antecipadas mas todos consideravam esse cenário excluído. Curiosamente, uma aproximação do Presidente às suas pretensões (eleições antecipadas dentro de 1 ano), em vez de fortalecer as suas posições, deixou-os encurralados! Isto diz muito da forma de fazer política em Portugal…

Prontinhos que estavam, designadamente, os socialistas, para andarem até 2015 a apregoar que o problema do País é esta "coligação reaccionária de direita" de Cavaco/PSD/CDS - como se o problema de Portugal fosse este governo e não os desequilíbrios que ainda precisam ser corrigidos… -, a decisão de Cavaco esvaziou o seu programa político, já que nenhum deles quer dizer algo sobre a reforma do Estado ou sobre medidas, soluções, que tornem este País sustentável. Limitam-se a esperar que o descontentamento dos eleitores lhes devolva o poder….


Quanto aos comentadores da nossa praça, a “opinião publicada”, basta constatar como praticamente ignoram o pano de fundo da intervenção presidencial – apresentar um plano consistente, suprapartidário, que permita resolver os problemas do País – e preferem dedicar o tempo a discutir as tricas, as teses conspirativas, enfim, privilegiar a politiquice. Pergunta-se: este tipo de jornalismo e comentário, contribuem para um clima em que personalidades com valor (e como precisamos dessa gente…) “apareçam” e dêem o seu contributo, ou, favorecem o cenário e preparam o terreno, para que os habituais “vendedores da banha da cobra” proliferem? 

Esta comunicação social é um dos principais responsáveis pela fraca qualidade dos políticos que temos... 

Cavaco Silva, abriu um caminho invisível para a esmagadora maioria da intelligentsia portuguesa (que o despreza). "Inventou" uma solução que coloca nas mãos dos portugueses a escolha do próximo governo mas, simultaneamente, obriga os políticos e os partidos, a discutirem, a pronunciarem-se sobre os temas que realmente interessam aos cidadãos, em vez do vulgar paleio de campanha eleitoral.


Cavaco Silva, já teve bastantes momentos infelizes, mas, ontem, ao devolver uma possibilidade à política portuguesa de produzir algo nobre, redimiu-se. Veremos, como se comportarão as nossas “elites” (os fazedores da “opinião pública”) com a possibilidade que foi aberta… é de verdadeira salvação nacional que estamos a falar!

Aqueles que o criticam por ter criado uma crise, têm que se assumir: preferiam eleições antecipadas e o descalabro que as mesmas implicam, ou, que se assumam como defensores da solução proposta por Passos & Portas, defendendo a realização de legislativas em 2015. Só há estas alternativas, não se escondam atrás dos habituais cenários mágicos...  


PS: Ainda obre Cavaco, recordar o que dele se escreveu há uma semana atrás.



 

06 julho, 2013

Em apenas 2 minutos...



Para quem não viu esta entrevista – acredite – é obrigatória! Em 10 min, são desmontadas todas as narrativas, retórica e versões utópicas que, desde há 2 anos, dominam a agenda mediática. 

Aos 2 min…
“... vocês [jornalistas] também ajudam a alienar a sociedade… ” “… vocês criaram um sistema que leva todo este lixo todo para dentro das nossas casas…”

A reacção de J. Alberto Carvalho a estas palavras, também é muito interessante de observar…


Aos 5 min…Medina Carreira, explica onde falhou este governo “… não mexeu nas despesas, nos municípios, PPP, rendas excessivas…”

 
Entre os 6 min e os 8 min…

É o resumo da realidade económica e financeira do País (balanço e demonstração de resultados...).
A mesma realidade que, durante 2 anos, uma parte do País, nomeadamente, as luminárias que controlam a comunicação social e a opinião pública, insistem em ocultar, por não entenderem ou porque não querem entender.

Aliás, a passagem chave deste “estado de negação” do jornalismo português, é o momento em que J.A. Carvalho, replica “…então na sua opinião…” e Medida responde “não é a minha opinião! São números! ”.

Portugal, ou antes, o Estado português, só é sustentável se a sua despesa for de 70.000 Milhões €. Já teve uma despesa acima de 90.000 M€ (consulado Sócrates), desceu agora para 80.000 M€, mas temos de baixar para os 70.000 M€.


Os breves minutos de lucidez desta entrevista, são valiosíssimos. O único factor positivo desta crise, que ditou - independentemente do acordo que venha a ser divulgado mais logo –, a morte definitiva deste governo, foi termos dois dias em que foi possível descer da “realidade paralela” em que o mundo mediático vive e assistirmos, nas televisões e jornais  (por um breve período é certo), substituída a narrativa do BE, da CGTP, etc., por algumas vozes e opiniões que nos recordaram a nossa triste realidade – Portugal é um Estado falido!
 
Obviamente, esta realidade é triste, mas o País nunca conseguirá sair desta situação sem, antes, reconhecer e aceitar essa realidade.

Entre os 6 min e os 8 min desta entrevista, encontramos o antidoto para toda a banha da cobra e as aldrabices que alguns continuam a vender aos portugueses, fazendo-os acreditar que existe uma saída para o País, voltando aos défices e à divida.  

O “estado de negação”, segue dentro de momentos…