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19 fevereiro, 2017

Ainda sobre a defesa da Verdade: estaremos imunes às técnicas de Trump?


Nos noticiários do costume, tive a oportunidade de assistir a declarações de Costa durante a inauguração de um projeto industrial em Águeda:


No registo de "chico-espertismo" habitual - e investido no papel de PM, note-se - Costa aproveita-se do evento para fazer verdadeira campanha eleitoral, chamando a si e à sua geringonça, os "louros" pelo projeto. Pelo meio vai imputando à oposição "irritação" pelo que vai correndo bem no País.

Segundo o atual PM, são casos como este que explicam a redução do desemprego, o crescimento económico, a redução do défice!

Note-se: Costa tem razão! Portugal precisa de (mais) casos de sucesso como este, mas uma breve pesquisa, acessível a qualquer cidadão (mas complicada de fazer para algum jornalismo...), permite chegar notícias de 2015 como esta:


Numa nota de imprensa divulgada hoje, o presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais (PS), diz que o processo de negociação foi árduo e envolveu "membros do alto escalão" do Governo.
 
"Disputámos o investimento com a Espanha e mais de uma dezena de municípios portugueses, mas conseguimos", congratulou-se o autarca."
 

A noticia é de Maio de 2015... passariam ainda 18 meses para assistirmos ao nascimento da geringonça. Será a Costa, Catarina e Jerónimo, que se devem os empregos criados e a riqueza gerada?... Como classificar quem recorre a estes métodos, a este nível de embuste? 

E como classificar o papel da comunicação social? Não teria a obrigação de desmascarar quem profere este tipo de declarações em vez de permitir  um aproveitamento descarado do que são méritos da ação de outro governo?! 


Recordando um post de Outubro de 2016:
"...O investimento em curso atualmente, é fruto de decisões tomadas há 2 - 3 anos atrás! ... O impacto das políticas da geringonca no investimento, só se farão sentir dentro de 2, 3 anos!"







22 outubro, 2016

O que faz falta, é taxar tanto chico espertismo…


AH! Que belo ar se respira sem a atmosfera pesada da austeridade… Entenda-se que, fim da austeridade, é a devolução imediata do vencimento ao bolso dos funcionários públicos. Nem que a opção seja cortar cegamente nos equipamento e utensílios básicos para prestar os serviços públicos, como está a suceder na saúde ou nos transportes, por exemplo.


Aliás, esta é a questão de fundo da opção política da actual coligação: servir as suas clientelas, basicamente, quem vive do Orçamento de Estado e vota.

Será isto sustentável? Só os tolos podem acreditar. Vamos por partes:


Devolução de rendimentos: o que estava subjacente ao “programa” de Costa era a redução de impostos, nomeadamente, a alteração dos escalões de IRS. Palavra dada… palavra desonrada. Os trabalhadores do Estado (como os outros) não tiveram qualquer redução de impostos. Assim, por cada 1% devolvidos, as taxas de retenção e o apuramento final de imposto, estão a reclamar mais de metade dessa devolução. Aliás, o OE2017 é exemplar nesse capítulo: ao actualizar os escalões (bem) abaixo da inflação, fará com que esse rendimento volte aos cofres do Estado para, no momento seguinte, voltar a ser emprestado aos bolsos do diligente funcionário.


Impostos indiretos: Combustíveis, IMI, Coca-cola, vinho, balas, atualização da taxa audiovisual.... No comments! Aliás, tentemos ver um pouco além da propaganda: se os rendimentos são devolvidos mas o consumo não cresce. O consumo não cresce, mas a poupança mantém-se praticamente inalterada, para onde estará a ir o rendimento?!          


Investimento (público e privado): se a unanimidade maior entre os partidos de esquerda é não deixar a direita governar, a segunda unanimidade seria a subida imprescindível do investimento público - Palavra dada… palavra desonrada! Nunca se viu semelhante travagem do investimento público. Note-se, nos anos recentes, já não havia Parque Escolar, PPP rodoviárias, TGV, eólicas e outros investimentos ruinosos. Estamos a falar de cortes que incluem a não reparação de equipamentos nos hospitais ou cortes que resultam no esgotamento de bilhetes para o metro!


Mais uma vez, aqui reside a opção de fundo deste governo – privilegiar a compra do voto do funcionário público, sacrificando os que, pagando cada vez mais impostos para sustentar um Estado obeso, vão passar a ter piores serviços! Acresce que a não realização deste tipo de investimento, é uma desorçamentação. Mais tarde ou mais cedo, têm de ser substituídos ou reparados esses equipamentos. A não ser que a visão do Estado "pós austeridade" seja termos edifícios públicos como meros depósitos de funcionários. Começa a cheirar a Brasil e Venezuela…


Outra aldrabice que vejo Costa, e restante trupe, repetirem incessantemente refere-se ao crescimento do investimento privado: qualquer pessoa (com o mínimo de bom senso) sabe quantos anos são necessários neste país, desde o momento em que se decide um investimento, até que esse mesmo investimento chegue ao terreno.

O investimento em curso atualmente, é fruto de decisões tomadas há 2 - 3 anos atrás! E ainda se gabam de serem os responsáveis pelo impacto dessa atividade no emprego… faz falta um imposto sobre tanto chico espertismo. O impacto das políticas da geringonca no investimento, só se farão sentir dentro de 2, 3 anos!


Só a propaganda e colaboração dos media (das notícias desapareceu a fome, a emigração, a miséria, etc.), impede o “cidadão normal” de ver que a breve prazo isto vai dar errado. A opção de privilegiar o bolso do funcionário público à custa do investimento afetará, inevitavelmente, a parte da economia que gera riqueza. Quantos meses aguentarão as empresas que fornecem os hospitais, empresas de transportes, escolas, etc.?


Na minha região, por decisão deste governo, foram cancelados investimentos em obras de ligações rodoviárias importantes e há muito esperadas – não eram scuts, note-se. Trata-se de um belo exemplo da consequência das opções nesta era “pós-austeridade”, o impacto dessa decisão: deixaram de se criar largas centenas de empregos, oportunidades de negócio para novas empresas e a dinamização da actividade económica na região pela significativa redução do tempo de viagem entre os municípios da zona.


A opção de devolver à pressa os vencimentos de quem trabalha para o Estado, trará mais crescimento, mais emprego e poderá gerar mais riqueza do que a realização do investimento que estava previsto?


Lembram-se da Grécia?

15 dezembro, 2014

Durante a semana, temos a peregrinação a Évora, depois reunimo-nos para praticar o Costismo…

 O vigário Seguro não sabia mobilizar os crentes. Com este padre é “outra categoria”, os seus sermões são arrebatadores!...


 

Que brilhante e feliz analogia (Pe. António Vieira é um aprendiz comparado com Pe. Costa). Mas, à boleia desta estimulante associação, imaginemos se, na época dos Descobrimentos, fosse necessário lidar com dezenas de sindicatos como parece que a TAP tem de fazer… alguém acredita que teríamos conseguido chegar à India ou Brasil?!


Mais a sério…

Que país deprimente. Voltamos à prática da política tribal, pela mão dos mesmos políticos que, quando convém, tanto gostam de evocar os modelos desenvolvidos e civilizados das democracias do norte da Europa como exemplo.

 
O PS, em mais de uma ocasião, teve nos seus planos a venda / privatização da TAP. Não é preciso ter memória de elefante para o recordar!

Assistir, como se viu este fim de semana, à demagogia mais reles e barata em torno deste assunto já é suficientemente mau, mas, verificar o papel do nosso jornalismo que, demitindo-se da sua principal missão - informar – se limitou a passar as declarações de Costa e a resposta de PSD e CDS, deixando apenas à “fé dos crentes” em quem acreditar, também é sintomático da “qualidade” da nossa comunicação social e, consequentemente, da nossa democracia.

Fosse o inverso (Passos em vez de Costa), e teríamos os telejornais a abrir denunciando a contradição do político que “dizia uma coisa e agora diz outra” e as imagens para o provar.

A privatização da TAP não é apenas referida no programa de resgate (os socialistas até poderiam alegar que foram forçados a incluir tal medida..) No PEC IV – que o PS continua a apresentar como a solução milagrosa que teria evitado a vinda da Troika – na página 24, existe o parágrafo “Privatizações” que diz o seguinte:


“Privatizações

O programa de privatizações no SEE diminui a dívida pública, e, por conseguinte, os encargos a ela associados, o que se repercute positivamente [a privatização socialista é naturalmente boa...] no esforço de consolidação orçamental. Entre 2010 e 2013 prevê-se a obtenção de receitas de privatizações no montante de cerca de 6470 milhões de euros que contribuirão para reduzir a dívida pública, dependendo o montante efectivo de receitas das percentagens de participação que sejam fixadas.

No quadro da programação plurianual das operações de privatização, continuará a promover-se, em geral, a alienação das participações integradas na denominada carteira acessória, contemplando-se, ainda, um conjunto de diversas empresas nas áreas da energia, construção e reparação naval, tecnologias de informação e comunicação, serviço postal, infra-estruturas aeroportuárias, transporte aéreo e transporte ferroviário, bem como a alienação de activos detidos fora do país.

Neste âmbito, proceder-se-á a um esforço adicional, de antecipação do programa de privatização e alienação de participações do Estado, face ao previsto na actualização de Março de 2010 do PEC, através da antecipação para 2012 de algumas das operações previstas ocorrer em 2013."


Como facilmente se conclui, a posição de Costa e dos socialistas, no que diz respeito a privatizações, é radicalmente diferente dos sociais-democratas!
 
 
Na mesma intervenção, para além de ir buscar as caravelas e o “cisma da privatizações”, o futuro PM acusou Passos Coelho de se “refugiar na fantasia”...

Enfim, ocorre-me dizer que os portugueses têm os líderes políticos que merecem.

27 novembro, 2014

Começou a guerra aberta ao Juiz Carlos Alexandre. Será o seu destino idêntico ao de Rui Teixeira (Casa Pia)?



 
"Rui Teixeira prejudicado com Casa Pia

Magistrado não progride na carreira. Última avaliação foi em 2001.


O magistrado Rui Teixeira, que foi juiz de instrução no processo Casa Pia, tem a carreira estagnada. Segundo a SIC, Rui Teixeira foi avaliado pela última vez em 2001, apesar de todos os magistrados judiciais serem avaliados de 4 em 4 anos.

Desde então, Rui Teixeira voltou a ser inspeccionado, recebeu a classificação de muito bom, mas três conselheiros do Conselho Superior da Magistratura, nomeados pelo Partido Socialista, não concordam com a nota que lhe foi atribuída, aponta a SIC.
..."
 


E ainda falam de "infâmias"... Impressiona o "à vontade" com que os chamados “Donos Disto Tudo” (porque ainda o são...), insultam a inteligência das pessoas.  


Os dados estão lançados. Este país anda, há décadas, a vociferar contra o “centrão”, contra a “promiscuidade entre negócios e o poder político”.
 
Os factos e as evidências, falam por si.  BES, PT, EDP, grandes escritórios de advogados e os milhares de milhões em betão, em eólicas, no Parque Escolar, etc.., pagos com dinheiro público no consulado de Sócrates, foram a principal razão do enriquecimento de um grupo restrito de pessoas, enquanto, para a generalidade do povo português, ficou a crise, os cortes e a Troika.

Será que os DDT vão levar a melhor neste processo? Os próximos meses são decisivos para o futuro de Portugal.
 
E a comunicação social, que papel vai desempenhar no desenrolar deste processo?
 
A sua ação, irá servir os cidadãos ou os interesses instalados?



 



07 novembro, 2014

Manifesto contra o “chico-espertismo”.

Quando surgiu o célebre Manifesto dos 70 sobre a renegociação da dívida, o PS era a favor. O então e ainda atual, Governo, era contra.

Quando o Governo renegociou as maturidades e taxas do empréstimo da Troika, o PS criticou porque isso não "resolvia o problema” de Portugal, que a medida era tardia. Em qualquer medida anunciada por Passos / Gaspar / M.ª L. Albuquerque sobre controlo do défice ou da dívida, o PS manifesta-se convicta e frontalmente CONTRA!

Note-se que qualquer solução para reduzir os encargos e constrangimentos decorrentes da dívida gigantesca que o país acumulou terá sempre “espinhos” e implicará sacrifícios dos portugueses. O PS sabe-o, qualquer pessoa minimizante informada – especialmente jornalistas – deviam sabê-lo. A única coisa que teria resolvido o “problema da dívida” era não a ter (mais do que) duplicado no consulado socialista de Sócrates… 
 

Agora, pasme-se, o PS vem dizer que não tem uma posição definida sobre a dívida… Não tem!?

Só se poderá concluir, então, que a única convicção profunda do PS parece ser estar contra a posição defendida pelo Governo - qualquer que ela seja! E depois, aproveitando a boleia da “guerrilha mediática”, movida pelos habituais comentadores de serviço e uma significativa maioria do jornalismo hostil ao Governo "de direita", vai arrebanhando uns votos aqui e acolá criando a ilusão que este problema se resolverá sem custos para os portugueses…


Não sei se esta forma de “fazer política” está mais alinhada com os “valores do 25 de Abril” ou com a “ética republicana” – argumentos que, recorrentemente, fazem parte dos discursos dos mesmos ilustres socialistas –, mas, o que gostaria de perguntar é o seguinte: 

Serão estes os políticos que vão colher a preferência dos portugueses?

Serão estes políticos que merecem (voltar a) governar o Pais?


Onde melhor se enquadrará este tipo de política do “contra, apenas porque sim”? Mais próxima das democracias ocidentais - das democracias do norte da Europa (que os mesmos socialistas tanto gostam de invocar) -, ou mais próximas de fenómenos que ainda se passam no continente africano onde, infelizmente, ainda funciona mais ou menos assim: o que a “tribo inimiga” defende, a “minha tribo” tem de defender o contrário.

Mas, o mais pernicioso para sociedade portuguesa ou para o “fortalecimento da democracia” portuguesa (que tantos indignados dizem querer...) nem é, diga-se, o comportamento dos socialistas. Sejamos claros, o papel de um político é captar votos, conquistar o poder. Assim, é “desculpável” que o seu comportamento se adapte a esse objetivo. O que não está bem no nosso país, é constatar que este tipo de conduta – do mais puro oportunismo – compensa!

Mas, só compensa para alguns...
Qualquer declaração de Passos Coelho, de outro membro do governo ou de personalidades que corroborem as suas posições (Isabel Jonet, lembram-se?) que possa ser contraditória com algo que disse há 1, 2 ou 3 anos, dá logo aso a um chorrilho de artigos e uma reportagem no telejornal. Logo, uma torrente de comentários e posições de indignados com o "disparate", a "falta à verdade", etc., toma conta do espaço mediático.
 
Já as posições de socialistas, comunistas e outros que andam à procura da sua entidade, não contam com qualquer escrutínio ou contraditório. O resultado - “à esquerda”, nunca há contradições ou trapalhadas!

Porque compensa o oportunismo e o chico-espertismo em Portugal?... Porque, desde que seja para “malhar na direita”, qualquer estratégia é válida e poderá contar com a cumplicidade e a benevolência da comunicação social.


Como Vasco Lobo Xavier aqui bem diz:
"A única coisa que este país merece, mesmo, é a comunicação social que tem."



 

31 março, 2014

A insustentável leveza das notícias sobre pensões…


A agenda mediática da semana passada foi dominada por dois temas:

- A ”agenda escondida” do governo para implementar cortes definitivos nas pensões, situação que A.J Seguro e os socialistas continuam a denunciar como intolerável e resultado do seu radicalismo ideológico, e;

- Um estudo do INE que, entre outras conclusões, como um declínio demográfico acentuado (“Em menos de 50 anos Portugal pode perder um quinto da sua atual população”) veio confirmar outro facto já conhecido e que se prende com um enorme aumento do índice de envelhecimento, quantificando “…entre 2012 e 2060 passaremos de 131 idosos por cada 100 jovens para 307 idosos”.

Das infindáveis horas dedicadas ao tratamento destas duas notícias, nunca vi uma reflexão um comentário, sobre a óbvia ligação entre ambas…

Vejamos, como já aqui se referiu no blog, o atual sistema de pensões foi concebido num momento em que existia, grosso modo, 1 pensionista por cada 4 trabalhadores ativos (convém sempre recordar que o nosso sistema de pensões não é de capitalização…). 
Também convém recordar que as pensões não são pagas por entidades mais ou menos abstratas como o Estado, o Tribunal Constitucional ou a Constituição, mas pelos descontos dos trabalhadores ativos (conclusão que um cidadão que apenas se informe pelo que vê e ouve em telejornais, pode perfeitamente concluir...).
 
Ora, infelizmente, ao longo das duas últimas décadas, não só essa proporção entre contribuintes e beneficiários se foi degradando como ainda assistimos a um enorme aumento na esperança média de vida, fatores cuja evolução ditam a completa insustentabilidade do sistema.


Nada disto é ideologia, trata-se de simples e básica aritmética: um sistema concebido para funcionar com 4 contribuintes por cada beneficiário, não pode funcionar da mesma forma quando passam a existir igual número trabalhadores ativos e pensionistas ou 2 contribuintes e 4 beneficiários! 

Mas parece que em Portugal – na tal “democracia adulta” de que se ouvirá falar nos 40 anos do 25 de Abril - não se podem constatar algumas realidades nem dizer algumas coisas, sob pena de ser catalogado como um crápula ultra-mega-neo-liberal… “fassista”!


Para terminar: Quem mente aos portugueses?
 
Quem afirma que as pensões deverão manter-se tal como estão ou quem, simplesmente, diz que a breve prazo não existirão recursos suficientes para o fazer?


É assim Portugal, depois das legislativas de 2015, lá teremos os portugueses zangados, indignados, com um governo que irá fazer "ao contrário do que prometeu"...
 
 
Os portugueses, têm razão quando lamentam ter sido enganados ou será que gostam de enganar-se a si próprios?...
 
 

 

21 março, 2014

Manifesto pelo fim do chico espertismo


A questão central da discussão em torno do "Manifesto dos 70", não é o Manifesto em si. É óbvio que a dívida, tal como se encontra estruturada atualmente, é impagável e algo terá de ser feito nos próximos anos a esse respeito. Mas, antes de ir ao ponto central do post, dizer que o primeiro passo para impedir a resolução desse problema é precisamente adotarmos esta atitude de “nós é que temos razão e os credores é que estão errados”. Algum tipo de reestruturação terá de existir, mas achar que temos margem para ir impor condições aos nossos parceiros europeus é de um irrealismo…
 
Minhas senhoras e meus senhores, levamos a bela média de quase 1 bancarrota a cada 10 anos, infelizmente, é preciso lembrar que é esse o currículo (o cadastro…) que Portugal tem para apresentar aos olhos de alemães, holandeses, finlandeses e outros. 


Acredito que isto não se aplica a algumas das personalidades que o dinamizaram, mas o verdadeiro propósito do Manifesto, é ser (mais) um instrumento de arremesso político e reconquista de poder. Ponto!


A prova que esta iniciativa não passa de mais um episódio da categoria “Esquerda boazinha Vs Direita maléfica”, mais uma “polémica” para rechear telejornais, é constatar a candura com que aqueles mesmos ilustres que andaram cerca de uma década a defender que “havia mais vida para além do défice”, por oposição aqueles que defendiam que a dívida criaria graves constrangimentos ao País, surgirem subitamente como os maiores opositores e críticos da dívida, reconvertidos ao seu novo credo “a dívida é má, a dívida é impagável!”. 

 
Sim, vamos todos fazer de conta que nascemos ontem. Impagável, é o chico espertismo!

A austeridade não é a causa desta crise, é a consequência!

Deixemo-nos de utopias e ilusões e vamos ser “crescidinhos”. Portugal, terá "austeridade" durante 10 – 15 anos. Irá muito além de Passos, deste governo PSD/CDS, do próximo do PS e do que vier a seguir...

29 novembro, 2013

Ainda o encontro da Aula Magna…


(Em complemento deste post, “O espírito de Salazar esteve na Aula Magna.”)

Já lá vai um tempo, desde que Mário Soares e a “esquerda” que o acompanha, perceberam que a chave para a queda do governo está "na rua". Desde então, não há intervenção pública sua em que o tema da violência e da agitação, não estejam presentes.


 
Jornal i, Abril de 2013


Muitas vozes “à esquerda”, têm negado que exista um “apelo à violência” nestas iniciativas (e de facto, não existiu um incitamento explicito), mas, alguém acredita que é inocente esta ideia recorrentemente transmitida afirmando que a ocorrência de actos de violência seria algo "natural" e legítimo, nas actuais circunstâncias?

Estivessem os papéis invertidos (ps no governo e psd na oposição) e uma figura de direita viesse dizer as coisas que Soares diz, teríamos a comunicação social inundada de “virgens ofendidas”, jornalistas e comentadores, indignados com a linguagem imprópria para uma democracia ocidental, com a irresponsabilidade de inflamar uma situação que, já de si, é um “barril de pólvora”, blá, blá, blá…


O “Com Jornalismo Assim, quem precisa de Censura”, mostra-lhe o que nunca verá no telejornal… e orgulha-se disso!

Felizmente existe o Google, porque, se formássemos opinião apenas pelo que passa nos telejornais e vem escrito nas manchetes... Em 2010, quando começaram a ser tomadas medidas de austeridade do governo de Sócrates, a contestação na rua começou (o ano de 2009 foi de feição para os funcionários públicos...). Qual era a posição de Soares sobre o assunto? 
 
Abra o link (video) seguinte, e observe o que tinha o chefe do clã socialista a dizer sobre dois temas centrais da actualidade: por um lado, o efeito das políticas de austeridade, por outro, o que Soares achava daqueles que fomentavam greves e manifestações, em oposição às medidas do governo PS de então:
 
"[em 83] Fui capaz de retirar o 13º mês! Eu fiz porque era indispensável fazer! E foi isso que deu o boom, que veio a seguir, nos governos quando entramos para a Europa!..."
 
É muito simples, caro cidadão: a austeridade de Soares - a austeridade socialista -, é expansionista (repare no orgulho de Soares quando refere o seu feito), são cortes "fofinhos"... já a austeridade "de direita", essa é maléfica, recessiva, e pode conduzir-nos de volta à ditadura...

Mais do pensamento de Soares...

 
"Comecem a fazer greves, a pedir mundos e fundos - que não podem ter, ninguém lhes pode prometer -, que vamos parar... olhe, vocês vão ver onde é..."
 
Em resumo: se for o PS a governar, resignem-se; se for o PSD, revoltem-se…
 
 
Jornalistas e redações, continuam a venerar o Sr. Soares, mas em função desta total incoerência não é legítimo concluir que estes eventos – que contam sempre com uma generosa cobertura mediática - são, essencialmente, autêntica guerrilha política e têm como principal propósito político, promover a contestação na rua?

Voltando as “mundos e fundos” que se reuniram na Aula Magna - seria mesmo a “defesa da democracia”, a defesa dos “mais pobres e desfavorecidos”, que esteve ali em causa, ou seria a resolução dos “seus próprios” problemas?


Sobre o jornalismo português, a tristeza habitual… sempre tão atentos e vigilantes em relação a contradições de Passos, Cavaco, Machete (enfim, desde que seja “de direita”...). Sempre a escrutinar cada frase e a “esgravatar” intervenções anteriores em busca de contradições para que os cidadãos possam ver às 20h no telejornal, mas, em relação a políticos “de esquerda”, aquela subserviência e passividade habitual…
 
Interroguem-se: porque será que os telejornais nunca mostram o que dizia Soares quando era PM (com o FMI) ou as posições que defendia quando o governo de Sócrates inaugurou a “era da austeridade”? 
 


A narrativa, não podemos comprometer a narrativa! Não vá o cidadão começar a pensar pela sua propria cabeça...
 
Esta é a grande brecha do jornalismo português - a falta de isenção. E nenhuma democracia pode ser saudável sem uma comunicação social independente e ideologicamente imparcial.
 


18 novembro, 2013

Lições de Moral e de Integridade…


Este fim de semana o meu coração alegrou-se... É reconfortante, ver que em Portugal ainda existem personalidades que se pautam pelos mais elevados padrões éticos e se afirmam como a reserva moral de uma nação.
 
Sócrates, não receia expor os vis manipuladores de opinião que vão dizendo as coisas que "O governo tem vergonha de dizer e põe outros a falar"...


Palavra de comentador político escrupuloso e isento! 
 

Entretanto, na área da Justiça...

“O antigo procurador-geral Pinto Monteiro alertou para o facto de «não poder haver tratamento diferenciado», «nem a favor nem contra», de cidadãos angolanos por parte da justiça portuguesa.”


Presume-se que Pinto Monteiro não entende - à luz das boas práticas que marcaram o seu mandato - o porquê de não existirem processos de cidadãos angolanos a serem destruídos “à tesourada”… 


Bem Hajam! – Dr. Pinto Monteiro e Eng. José Sócrates – por podermos contar com a V. vigilância e denuncia em relação a estes flagrantes casos de encobrimento e dissimulação.
 
 


 


28 junho, 2013

PEC IV: a nova religião.


Não deixa de ser curioso observar como muitos socialistas troçam de Cavaco Silva, pela sua fé em Nossa Senhora, e depois vê-los criar um autêntico culto à volta de um “símbolo”, esse sim, nos conduziria à salvação. Esse símbolo e essa crença, o PEC IV…

 
 
A entrevista de Teixeira dos Santos veio (mais uma vez) insistir num dos mitos mais recentes da política portuguesa: “O PEC IV teria evitado o resgate português.”

Para os seguidores de Sócrates, este PEC IV converteu-se numa nova espécie de Sebastianismo. Mas não passa de um mito, uma falácia que, sistematicamente, passa sem o devido contraditório jornalístico. Como resultado disto, na opinião pública, vai-se implantando a ideia que este memorando da Troika - e os sacrifícios que dele decorrem - são “obra” de Passos & Gaspar em vez dos verdadeiros responsáveis – os socialistas.  

O que deveria ser perguntado a Teixeira dos Santos a este propósito:

“Dr. T.S., recuando ao início de 2011 e ao PEC IV: considerado que, tanto a Irlanda, como a Grécia, estavam já sob resgate fmi/feef, garante aos portugueses que as instituições europeias iriam dar a Portugal um tratamento previligiado?

E quanto nos iriam emprestar, 80.000, 100.000 milhões de €?! A que taxas, 1%, 2%?!
”


Se o PEC IV fosse realmente um programa nos termos em que os socialistas o “pintam”, não teriam já surgido documentos que comprovassem isso? Claro que sim! Mas, para os jornalistas “esquerda friendly” uma afirmação do género “ai! Disseram-nos num encontro, não tenho qualquer dúvida que esse apoio ao PEC IV existia!”, é prova mais que suficiente...

Quem tiver fé nestes socialistas (a trupe de Sócrates, bem entendido…) pode agarrar-se com grande convicção a esta versão, mas trata-se disso mesmo - Fé. O 4º PEC, sem troika, destinava-se a manter Portugal nos mercados a contrair divida a 7, 8, 9 % (aguantaríamos mais 3 ou 4 meses, talvez o suficiente para colocar o TGV e o novo aeroporto em obra…).
Se com o empréstimo da troika, com um juro de 3,4%, estamos assim, imagine-se essa "alternativa"...


Foi possivelmente o chumbo do PEC 4 que evitou a degradação da situação financeira portuguesa, ao ponto da situação a que a Grécia chegou.
 
Deixem-se de fantasias: o que teria evitado o resgate português está à vista de todos - era não ter duplicado (cavado, para usar a terminologia de alguns) a dívida entre 2005 e 2010. O que sobrecarrega efectivamente os portugueses são os 8.000 milhões de juros que temos de pagar anualmente.


NOTA FINAL: Alguém perguntou a T. Santos se voltaria a nacionalizar o BPN? (decisão que, segundo ele em 2008, não custaria um cêntimo aos contribuintes)