Mostrar mensagens com a etiqueta Censura por omissão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Censura por omissão. Mostrar todas as mensagens

02 maio, 2015

O silêncio dos media de grande audiência sobre o sms de Costa. Por onde andam os Charlies?!


Em Janeiro passado, durante a fase “Je suis Charlie”, publicou-se este post:

Quais são, afinal, os limites de tolerância do nosso jornalismo com aqueles que violam os valores da liberdade de expressão e imprensa?

Tenham vergonha!

Vocês, enquanto afirmam à boca cheia que o desrespeito pela liberdade de imprensa é incompatível com a democracia - por razões de pura afinidade ideológica – são capazes de se aliarem à agenda dos que “se cagam para o segredo de justiça”, de se aliarem à estratégia dos que, com Sócrates, calaram alguns jornalistas e condicionaram outros, em suma, são capazes de colocar os interesses e a conveniência da "esquerda" (nomeadamente, os interesses de Costa e do PS) à frente dos tais direitos que dizem ser intocáveis e, ativamente, darem o vosso contributo para que essa gente volte ao poder!”



Serve esta introdução para melhor enquadrar a omissão e o silêncio – à exceção do Expresso, órgão de comunicação onde escreve o visado, do Observador e de alguns blogs -, em torno deste elucidativo episódio sobre o próximo PM de Portugal (recorro, mais uma vez e com a devida vénia, ao Impertinente…):

"João Vieira Pereira, um jornalista com uma razoável independência de espírito, qualidade reconhecidamente pouco abundante na corporação, escreveu no dia 25 de Abril uma crónica com o título «Perigosos desvios do PS à direita» sobre o relatório "Uma década para Portugal", do qual, aliás, não faz uma apreciação negativa, nem menciona uma única vez António Costa, e onde escreveu:

«Só que ao estilo PS. Nada como pedir a uns independentes que façam umas contas que não comprometem ninguém. Se correr bem o partido tinha razão. Se correr mal eram apenas umas ideias loucas de uns economistas bem-intencionados. Esta falta de coragem é a mesma que levou Sampaio da Nóvoa a avançar sozinho. Uma espécie de "vai andando que eu já lá vou ter". A política do tubo de ensaio. Cheia de falta de coragem e reveladora da ausência de pensamento político consistente.
»

O retrato sem nome é tão rigoroso que o inominado enfiou a carapuça e tomou a iniciativa de lhe enviar um intimidatório
SMS:«Senhor João Vieira Pereira. Saberá que, em tempos, o jornalismo foi uma profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que comentava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de opinar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de terem uma opinião e discutirem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher as colunas que lhes estão reservadas. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem nem conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito. António Costa»

Se a crónica de João Vieira Pereira traça um retrato político do líder do PS, a resposta de Costa oferece-nos um retrato do seu carácter. São complementares, por assim dizer. "



Não vi uma referência a este caso em nenhum telejornal. Não encontrei nos noticiários daquela rádio de informação sempre com linha direta às indignações do dia, qualquer referência ao assunto…
 

Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...
 
 

06 março, 2015

Então, ainda não prenderam o Passos?!


Já lá vai uma semana... e o "jornalismo de inquisição" não sossega. O país nunca conheceu um PM com o cadastro do atual!...
 
A quem aproveitou a "libertação" da notícia no momento escolhido? (sim, foi escolhido...) 
 
Recordo: depois de uma semana em que Costa - finalmente - se expôs à opinião pública: por um lado, as declarações sobre Portugal estar em melhor situação que em 2011, por outro, chegarem à agenda mediática informações reveladoras sobre as suas opções políticas em Lisboa (como foi o caso do perdão de taxas (4,6 Milhões) ao Benfica enquanto muitos lisboetas passaram a receber faturas de água com aumentos de 100%).
Acrescentar, na vertente externa, a novela do Siryza estar a evoluir no sentido que se sabe, desfavorável à narrativa a que Costa se tinha colado...
 
Em suma, Costa, estava a ficar encurralado e, algo ou alguém, veio em seu socorro...
 
 
O assunto das dívidas à SS de Passos eram do conhecimento do Público desde 2012. Porque motivo optou aquele jornal pela não divulgação da informação nessa altura, mantendo-a "na gaveta"?...
 
 
Estaria guardada para alguma "ocasião especial"?
 
 

Se o jornalismo destaca ou omite factos que, sistematicamente, favorecem uma determinada força política / narrativa / ideologia (por ex., teve conhecimento em algum telejornal do "cadastro" de Costa com o Fisco? ), em suma, se a comunicação social não se revela, política e ideologicamente, imparcial, até que ponto as decisões dos cidadãos – como o voto, por exemplo - são determinados por uma espécie de “Tirania Mediática?


(Setembro de 2014) "Enfim, a comunicação social já escolheu o novo “querido líder”. Resta aos portugueses continuarem a ver e ouvir os comentadores do costume e lerem os escribas do costume, até que o poder volte a cair no colo dos predestinados

Tudo correrá pelo melhor e sem sobressaltos!


 Com jornalismo assim, quem precisa de censura?..."
 
 
Para concluir... Se, neste momento, a discussão política em Portugal resvalou para um campo da "chafurdice" onde, o que menos importa, é a solução que cada força política tem para apresentar aos portugueses, isso é da responsabilidade de quem?...
 
Eu digo-vos: a culpa é dos mesmos que, em outras circunstâncias e com outros protagonistas, evitam falar de assuntos que mais não são do que "baixa política" e não interessam aos portugueses...
 
 
 

02 março, 2015

Relaxe! O Jornalismo decidirá, por si, quem tem cadastro suficientemente limpo para chegar a PM…

Levamos já 3 dias consecutivos com os telejornais a abrirem com esta notícia... neste momento decorre um fórum na TSF.

aqui no blog se abordou a (interessante) temática do “cadastro” de políticos e a compatibilidade / incompatibilidade dos mesmos com o exercício da função de Primeiro-ministro: “…que factos podem determinar, a (in)elegibilidade de alguém para o cargo de ministro, ou, como no caso presente, encontrando-se alguém no desempenho dessas funções, que factos obrigariam a uma demissão?”


Aparentemente, pelo destaque jornalístico e mediático que tem merecido desde 6ª feira passada, a dívida (acumulada durante 6 anos) de 2.800 € de PPC à Segurança Social entre 1999 e 2004, cai numa dessas situações.

Entretanto, atendendo ao silêncio dos mesmos media sobre os casos seguintes, conclui-se que os mesmos são de nenhuma ou residual gravidade, pelo que, tais condutas não serão impeditivas para o desempenho do cargo. A saber:


1 António Costa, “fugiu” ao pagamento de sisa e contribuição autárquica:
 

Pode um homem que tenha falhado o pagamento de impostos no passado ser primeiro-ministro de Portugal?

B_DfWX6WkAAdfhy.jpg_large
 
 

2 Há alguns anos, Costa (e outros socialistas que agora andam muito preocupados com as fugas ao segredo de justiça) foi apanhado em escutas telefónicas a interferir num caso judicial, recorrendo, para o efeito, aos seus contactos na PGR e na Presidência da República para ajudar um seu camarada sob investigação…



3 Para concluir: imaginem a seguinte situação: o Estado, fazendo uso do dinheiro dos contribuintes, suporta o salário e as contribuições para a Segurança Social do funcionário “X” adstrito a uma determinada função a tempo inteiro. Não existirá nenhuma ilegalidade quando se constata, meses a fio, que esse funcionário está, afinal, a desempenhar funções distintas daquelas e ao serviço de outra entidade?

Por outras palavras: será legal que António Costa continue a receber  salário e pagamento de contribuições para a SS pelo Estado, quando está em tournée pelo país ao serviço do Partido Socialista? 

Tenho dúvidas sobre a legalidade, sobre a (i)moralidade da situação, não tenho nenhumas…


Costa estava enrascado e logo a "Cavalaria da Imprensa" surgiu em seu socorro...


"Dando de barato" que Passos fugiu às suas obrigações fiscais*, estará a comunicação social a tratar os candidatos a P.M. de forma isenta e imparcial?  

E, claro, a trapalhada em que António Costa se meteu na semana passada e o timing da “libertação” desta notícia sobre as contribuições de PPC, são pura coincidência
 
 

 
 
* Entre 2002 e 2004, acumulei atividade de Categoria B (recibos verdes) com a minha atividade principal Categoria A (trabalhador por conta de outrem). Não paguei S.S. por, à altura, entender que não era obrigatório. Obviamente, não tendo feito esses descontos não usufruirei dos benefícios futuros em termos de carreira contributiva. Nunca fui notificado de qualquer dívida. Talvez seja um dos mais de 100.000 contribuintes nessa situação...
 
Felizmente não está nos meus planos, mas parece que nunca poderei exercer qualquer cargo governativo...
 

16 fevereiro, 2015

Olhemos o lado positivo: pelo menos a esquerda radical vai acabar com a pouca vergonha dos paraísos fiscais…

"a 'lista Falciani'

Governo da Venezuela depositou 12 bilhões de dólares no HSBC

Clientes britânicos, suíços e venezuelanos são os que mais depósitos tinham na Suíça


 
 
"Entre os quase 100.000 clientes que estavam registrados na base de dados do HSBC, mas que tinham sua identidade protegida pelo sigilo bancário, destacam-se três nacionalidades: britânicos, suíços e venezuelanos. Estes detinham 14,8 bilhões de dólares (41 bilhões de reais, pelo câmbio atual). Do total, 85%, ou quase 12 bilhões dólares, concentravam-se em quatro contas pertencentes ao Estado venezuelano, abertas em nome da Tesouraria Nacional e do Banco do Tesouro, um banco comercial criado por Chávez em 2005 e que conta atualmente com uma centena de agências espalhadas pelo país sul-americano.

...
O presidente do Banco do Tesouro e responsável pelas contas era o general Rodolfo Marco Torres, hoje vice-presidente da República para a Área Econômica. O tesoureiro da época, Alejandro Andrade Cedeño, foi quem abriu outra conta em nome do organismo, com quase 700 milhões de dólares. Andrade foi vice-ministro de Finanças e presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (Bandes). Originário do humilde bairro de Coche, na zona sudoeste de Caracas, chegou a ser aceito em clubes sociais exclusivos. Aficionado da equitação, é um dos mecenas do esporte na Venezuela e mantém propriedades na Carolina do Sul e Flórida (EUA). Até o momento, nem Torres nem Andrade reagiram às revelações."
 
 

Pergunte a si mesmo: porque será que, notícias como esta
, passam quase despercebidas nas manchetes dos jornais e nos telejornais dos media portugueses?



O espaço mediático atual, será o espelho fiel da sociedade portuguesa e traduzirá de forma ideologicamente isenta as diferentes correntes e sensibilidades existentes?

Ou será que esse espaço - negligenciando a missão de informar de forma isenta e, não raras vezes até, menosprezando o pensamento e as convicções da maioria -, está mais empenhado num exercício diário de doutrinação da “população” com os seus próprios valores de esquerda?




Caro cidadão, não pense pela sua cabeça, deixe que os jornalistas o façam por si!
 
 
 

06 fevereiro, 2015

OLÉ, Podemos! Desconfio que esta será outra notícia a passar ao lado das manchetes e dos telejornais...


Monedero reconoce su deuda con Hacienda por asesorar a Venezuela

  • Presenta una declaración complementaria para regularizar los 425.150 euros que facturó su empresa



Monedero, en la reciente manifestación del partido en Madrid.
 
Hi Five, Podemos!...
 
 
O Syriza, alia-se à extrema-direita para formar governo...
 
O Podemos, tem como principais fundadores empresários que fogem ao Fisco...
 
Será que estes "pormaiores" não tiram o sono a malta tão ideologicamente convicta e militante do BE, PCP e PS mais canhoto?...
 
 
 

18 dezembro, 2014

Por que razão continua a comunicação social a proteger a imagem de António Costa!?

Este post do Portugal Profundo, vem acrescentar mais uma novidade ao caso do papel da CM Lisboa nos projetos de expansão do Hospital da Luz do Grupo Espírito Santo…

"O Santo Costa


Duas perguntinhas sobre o assunto tabu das relações da Câmara Municipal de Lisboa com o grupo Espírito Santo:



 
Mais uma vez se insiste: uma das principais formas de censura praticada pelos órgãos de comunicação social portugueses, consiste na seleção manhosa das notícias que vão ser objecto de grande visibilidade e destaque nos media e aquelas que são esquecidas ou “sonegadas” ao grande público…

São vários os casos demonstrativos de ligações privilegiadas entre A. Costa / CML e os Espírito Santo já referidos aqui no blog. Mas a comunicação social continua, deliberadamente, a ocultá-los. Imagine se tivesse sido um Ministro do atual Governo PSD / CDS, a autorizar obras sem a respetiva licença. E que, as mesmas, se tornaram legais em virtude de alterações legislativas aprovadas em data posterior à sua realização.
 
Não seria apenas a demissão desse político a ser exigida mas, certamente, também a intervenção do Ministério Público de forma a apurar eventuais responsabilidades criminais! Seguramente, teríamos dias consecutivos de telejornais a abrir com as “notícias de última hora” em torno das suspeitas levantadas pela investigação jornalística em curso…

Enfim, é mais um exemplo de “Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita...”



Porque não tem A. Costa, o mesmo tratamento mediático de Cavaco, Barroso ou Moedas?

Numa fase em que a família Espírito Santo é um “activo tóxico” e, consequentemente, qualquer personalidade que lhe seja associada fica com a sua imagem “contaminada”, as únicas personalidades que nos telejornais e na imprensa vão sendo associadas ao clâ do (ex)DDT são Cavaco Silva, pelas contribuições para as campanhas das presidenciais, ou os telefonemas de Ricardo Salgado a Durão Barroso ou a Carlos Moedas, para intercederem em favor do GES junto de Passos Coelho...
 
António Costa, a avaliar pelo que circula na agenda mediática, vive em outro mundo e nunca teve qualquer relação de proximidade com os Espírito Santo! Obviamente, só os políticos "da direita" andam de braço dado com o "grande capital"...


Por que razão continua a comunicação social a proteger a imagem de António Costa!?

Será apenas fruto da inclinação ideológica do jornalismo e redações lusas -  designadamente, o receio de tais notícias beneficiarem eleitoralmente Passos Coelho e a “direita” -, ou, existirão outras forças a cuidar da boa imprensa e da boa imagem mediática do candidato socialista perante os cidadãos portugueses?
 
 
 

08 janeiro, 2014

O estranho caso da pantera negra e dos dois animais políticos…


Costuma dizer-se que é nos tempos mais difíceis, na adversidade, que se conhecem os amigos.

Não se trata aqui de laços de amizade mas, curiosamente, entre as inúmeras reações na sequência da morte de Eusébio, dois casos sobressaíram por, de alguma forma, virem expor a natureza e a verdadeira essência das respectivas personagens.

Depois de ontem muito se ter falado das declaraçoes de Soares, hoje é a vez de Sócrates… (post de F. Duarte de Carvalho)

20140107

"Eusébio e Sócrates

Que Eusébio não fosse um pensador, como disse esse pensador Mário Soares, é uma opinião. Agora, em relação aos factos, temos um problema quando ouvimos Sócrates, outro pensador. Ele diz que se lembra de caminhar para a escola a ouvir os golos de Eusébio. E diz que isto foi num  momento muito específico: durante o célebre jogo do Mundial de 1966 contra a Coreia do Norte.
Ora, várias questões se levantam quando um político fala e pensa. Daí que o trabalho dos jornalistas seja o de verificar a veracidade dos factos. Não é dizer que ele mente ou que se engana nos factos. Mas, trata-se de pensar naquilo que ele diz.
Assim, Sócrates diz, por outras palavras, que, no sábado, dia 23 de Julho de 1966, pelas 15 horas - data e hora do jogo entre Portugal e a Coreia do Norte -, ele foi à escola. E era Verão, quando muita gente já estaria de férias. Ele tinha então 8 anos, portanto, é possível que a memória não seja bem esta.
Mas, agora, pensem noutras coisas que um político diz e garante serem verdade. Por isso, olhem e observem - não basta olhar apenas - para os movimentos do corpo e as palavras... http://youtu.be/rbPamN_o1F0"
 
No caso de Soares e relativamente as polemicas declaraçoes por si proferidas, ja se tinha constatado o "desinteresse" dos media de grande audiencia - nomeadamente, os telejornais das 20h. Com este episodio de Socrates, verifica-se a mesma "inexistencia". O caso, alias, apenas parece "existir" no mundo dos blogs...
Se ao menos fosse o Relvas... isso sim, seria caso para as manchetes e aberturas de telejornal.
 
"Notícias, manifestações, factos, etc., ora são silenciados, ora são amplificados, de acordo com o critério jornalístico. Não se discutem os assuntos pela sua substância, sendo antes tratados como instrumentos para atingir um objectivo predeterminado, invariavelmente, alinhado com o pensamento e corrente ideológica reinante nas redacções....
"





03 novembro, 2013

François Hollande. PROCURA-SE!


Acabo de ler este post de Helena Matos, que descreve as recentes manifestações ocorridas em terras gaulesas, particularmente, o seu crescendo de violência. Apesar deste cenário – e como bem constata HM -, o nosso jornalismo caseiro tem mantido um manto de silêncio sobre o assunto. Mas não foi sempre assim…

Em meados de 2012, aquando da vitória de "Hollande, o crescimentista", os media diariamente nos traziam notícias desse grande “irmão socialista”, o homem que iria por fim à “política de austeridade” e abrir caminho a um mundo novo. Diárias, igualmente, eram as notícias que nos davam conta da aliança estratégica entre Seguro e Hollande, juntos, iriam “pressionar a Europa a apostar em políticas de crescimento” 
 
Interlúdio Conspirativo: 
Só por si, a redação deste tipo de notícias na redacção do Expresso, dava “pano para mangas”… estaria alguém interessado em patrocinar uma campanha para reforçar o estatuto de Seguro?!

Recordar que, uns meses depois, “pela mão” de Balsemão,
Seguro e Portas foram à reunião anual do Clube de Bilderberg. Essa reunião teve lugar em Junho de 2013. Um mês depois, Paulo Portas – mesmo à revelia dos seus apoiantes mais próximos -, anunciou a sua demissão e os acontecimentos tiveram o desfecho conhecido.   


Entretanto, depois da retórica do “crescimento económico” que tanto convinha à esquerda, a realidade impôs-se. Cedo se constatou que as palavras e os discursos estavam nos antípodas dos resultados produzidos pela governação socialista: o desemprego continuou a subir, os impostos continuaram a subir, novos cortes no estado social foram sendo implementados, etc.. E assim, como a realidade da acção governativa de Hollande já não colava com a narrativa do jornalismo militante, em meia dúzia de meses, Hollande desapareceu dos telejornais (e dos discursos de Seguro, também…)

 
Esta selectividade dos órgãos de comunicação social portugueses, é uma das suas imagens de marca. Já aqui no blog se demonstrou que não é a importância ou dimensão intrínseca de um qualquer acontecimento, que determina a sua visibilidade. Neste post, por ex., pudemos constatar como o jornalismo pode operar verdadeiros “milagres”, transformando manifestações com oito ou nove pessoas, em algo mais relevante e visível, que outras que contam milhares .
 
Neste caso, enquanto Hollande serviu para mostrar que existia alternativa às “políticas de austeridade” e as suas terríveis consequências (defendidas por Merkel e Passos, esses malfeitores…), o simpático Sr. era nossa visita diária em casa através dos telejornais. A partir do momento em que o efeito Hollande passou a desilusão, Hollande sumiu!  


Notícias, manifestações, factos, etc., ora são silenciados, ora são amplificados, de acordo com o critério jornalístico. Não se discutem os assuntos pela sua substância, sendo antes tratados como instrumentos para atingir um objectivo predeterminado, invariavelmente, alinhado com o pensamento e corrente ideológica reinante nas redacções....

Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...







21 outubro, 2013

Das manifestações que importam… a "Censura por omissão".


Ainda sobre o papel da comunicação social, nomeadamente, a sua falta de isenção e sistemática  “campanha de doutrinação” da população com os seus próprios valores…

Eis mais um caso (que na altura me passou despercebido…) onde fica mais uma vez demonstrado que, graças ao critério jornalístico, uma manifestação com oito ou nove pessoas, pode transformar-se em algo mais relevante e visível, que outra com milhares:

(blog, Avenida da Liberdade)

"O regresso da Censura


Hoje, estive na Caminhada pela Vida, organizada em apoio da Iniciativa de Cidadania Europeia UM DE NÓS. Vi, portanto, com os meus olhos. Ninguém me contou. Vi.
Entre o Marquês de Pombal e o Rossio, em Lisboa, desfilaram mil a duas mil pessoas. [...] O ambiente foi de festa e alegria, com muitos, muitos jovens a participar. Houve um pequeno comício no final, no Rossio. As imagens falam por si.
E, amanhã, domingo, 6 de Outubro, decorre em todo o país o dia nacional de recolha de assinaturas na petição UM DE NÓS, como aí foi anunciado e promovido.
Estive a ver o Telejornal da RTP-1. Nem uma notícia, nem um segundo de atenção.

Fui espreitando o que se passaria no Jornal da Noite da SIC e no Jornal das 8 da TVI. Idem. Confirmei, depois, com amigos. Nem um segundo. Nada.
Silêncio. Omissão. Ocultação. Censura. Para quem se informa pela televisão, nada aconteceu.

Receio que, na imprensa, o mesmo irá acontecer. A
agência Lusa fez uma notícia pelos mínimos, tendo deflaccionado os participantes para 500 pessoas, número que depois é replicado por todos os outros. Ainda assim, obrigado, Lusa! Pois quase que aposto que nem essa notícia sairá em qualquer jornal. Apenas a RR - Rádio Renascença lá esteve e tem reportado alguma coisa. No mais, é o férreo império da Censura.
E, todavia, vi nos telejornais:
  • Longas reportagens sobre a "manifestação" e provocações do movimento Que Se Lixe a Troika, que, na Praça do Município, não juntou mais de 20 pessoas! (Também o vi com os meus olhos, pois também lá estive, de manhã, nas cerimónias do 5 de Outubro, onde isto aconteceu.)
  • A reportagem de uma manifestação "com 100 pessoas" em homenagem aos bombeiros, que se desenrolou do Marquês de Pombal para a Assembleia da República. (Esta homenagem é mais do que devida e ainda bem que a manifestação foi coberta. Aliás, também apoio a indignação pela muito baixa participação nesta outra manifestação, merecidíssima, mas que pouca divulgação tivera.)"


Esta "censura por omissão" de uma manifestação com milhares de pessoas, enquanto de dá relevo e visibilidade a outra com reduzido número de participantes, obedece a que critério jornalístico?
 
Lá porque os Srs. jornalistas e redações, são pró-liberalização do aborto, será correto, será ético,  “silenciar” aquela manifestação popular, enquanto - no mesmo momento -, talvez por se tratar da (tão querida à esquerda) “causa republicana”, lá vai "todo lampeiro" garantir a cobertura e difusão de um evento que contou com a presença de meia dúzia de cidadãos?   

Esta forma de censura que, na prática, mais não é que a discriminação de uma determinada corrente e ideologia, em favor de outra, é também uma das mais vulgares formas de manipulação da agenda mediática e de contínua formatação da opinião dos cidadãos portugueses.


“Omitindo” seletivamente "esta" manifestação, "aquela" opinião, "este" facto ou notícia – isto é - privilegiando um determinado ponto de vista em relação a outros, vai-se incutindo na sociedade uma realidade distorcida que condiciona a célebre “opinião pública”.

Esteja atento às reportagens e verificará que algumas manifestações contam com mais jornalistas a cobrir o acontecimento, que manifestantes...


NOTA: pessoalmente, sou contra a proibição do aborto. É uma decisão do foro pessoal e intimo das pessoas onde o Estado não deve interferir. Mas a função dos media é informar e não "educar".