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27 maio, 2015

A inestimável contribuição dos Media para a resolução dos grandes problemas do País…


No passado sábado à noite, discursando perante jovens sociais-democratas. Mª Luís Albuquerque proferiu as seguintes declarações:

“…é honesto dizer aos portugueses que vai ser preciso fazer alguma coisa sobre as pensões para garantir a sustentabilidade da Segurança Social. E essa alguma coisa pode passar, se for essa a opção, por alguma redução mesmo nos atuais pensionistas. 

Se isso for uma distribuição mais equilibrada e razoável do esforço que tem de ser distribuído entre todos, atuais pensionistas, futuros pensionistas, jovens a chegar ao mercado de trabalho, se essa for a solução que garante um melhor equilíbrio na distribuição desse esforço, é aí que nos devemos focar”, afirmou Maria Luís Albuquerque.

A ministra sublinhou que “a sustentabilidade da Segurança Social é algo que tem de se resolver com tempo”, de modo a que “as soluções não sejam demasiado agressivas numa situação de rutura, para que [se possam] preservar as pensões mais baixas, para que não [se tenham] de pedir contribuições a quem tem menos”.

"Fazer a promessa de que não fazemos nada para aqueles que já são pensionistas e que vamos fazendo tudo sobre os que lá chegarão no futuro é de uma enorme injustiça."

 
Alguma pessoa – de boa fé e minimamente informada, bem entendido - pode discordar destas declarações? 


No dia seguinte, na melhor tradição jornalística de doutrinação politica e ideológica do tuga, televisões, rádios e jornais, reduzem aquela intervenção a:

 
 

Por se tratar do problema que, provavelmente, é o mais delicado que o pais tem de enfrentar nos próximos anos, as declarações de M.ª Luís Albuquerque poderiam ter sido o mote para que, em clima de pré ou campanha eleitoral, se pudesse discutir ponderada e seriamente o assunto, e (tentar pelo menos...) conhecer as propostas de cada partido / candidato.

Convém nesta fase recordar um frequentemente lamento  revelado por jornalistas e comentadores: a ausência de um “debate político sério”; a existência de demasiada politiquice que empobrece o debate e afasta os cidadãos da discussão pública, blá, blá, blá…


Mas, “uma coisa é o que se diz e outra, o que se faz”. Na prática, recorrendo ao que aqui no blog se designa por guerrilha mediática”, a abordagem jornalística e mediática ao tema, serviu antes para deixar a Costa, aos socialistas e oposição em geral, terreno e contexto ideal para que pudessem aparecer e debitar as larachas habituais: "cortes e austeridade, é o caminho da maioria psd / cds", esses malvados. A nossa “alternativa” é só crescimento e coisinhas boas!


Enfim, em vez de desempenhar um papel que contribua para um debate esclarecedor em torno dos problemas e desafios que se colocam à sociedade portuguesa, a realidade demonstra que a nossa comunicação social é, demasiadas vezes, um dos principais fomentadores da tal "politiquice" que tanto diz desprezar.  


Para cúmulo, três dias depois das declarações iniciais de MLA, algum jornalismo avança:

“Ministra das Finanças corrige declarações e já fala em negociar com PS”

E, segundo o sr. jornalista, o que veio “corrigir” a Ministra: “Maria Luís Albuquerque diz agora que o Governo não tem ainda uma solução definida para a Segurança Social”


Qual correção, qual carapuça!… bastava ler o que a Ministra disse a 23 de Maio para perceber que nada estava decidido e que nenhuma solução estava definida. 
 
Ainda recentemente aqui se disse e reafirma: a maior ameaça ao rigor e isenção de informação em Portugal, está dentro das próprias redações e dos próprios órgãos de comunicação social!
 

Ainda assim, há que reconhecer o brio profissional do jornalista que fugiu ao previsível e muito gasto, “Ministra recuou…”.
 
 
 

27 abril, 2015

É obrigatório que os cidadãos se indignem com Passos...


Por se tratar de um excelente exemplo do papel da comunicação social no fabrico e alimentação de indignações dirigidas a alvos bem definidos, voltámos a abordar a "fábula da emigração".

Já aqui se demonstrou que frases recorrentes na agenda mediática como “Primeiro ministro mandou portugueses emigrar” ou “Governo convida portugueses a emigrar”, eram (são) uma grosseira distorção e manipulação das declarações de PPC (que se referia a um caso bastante específico conforme pode ser visto aqui).
 
Desta vez - na melhor tradição estalinista -  o jornalismo de intriga deu mais um pequeno passo e reescreveu a história, como se pode constatar neste post de Helena Matos...
 
 
Como segundo a mesma emigrou em Março de 2011 não se percebe se Passos a convidou pessoalmente a emigrar. Se foi sugestão, pensamentos cruzados… Com Passos Coelho à época na oposição dá que pensar como alguém seguiu o seu pensamento com tal fervor. É uma coisa nunca vista."


Enfim...
Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...
 
 
 
Felizmente, já falta pouco para as eleições...
A partir de Novembro, palpita-me. o olhar do jornalismo sobre a emigração será diferente. Passaremos a ouvir, ler e ver, algo do género: 
 
Esta emigração nada tem a ver com a emigração dos anos 60 e 70! (já vejo Adão e Silva...)
 
Hoje, há muitos portugueses que emigram por opção! O seu mundo já não se confina às nossas exíguas fronteiras. Hoje um português é um cidadão do mundo!   
 

Pf Costa, vem rápido! (se mantiveres a boca fechada, ajuda...)

Antecipem-se as eleições, façam qualquer coisa. Quero voltar a ver notícias positivas, já não se aguenta este clima deprimente...


20 abril, 2015

Combustíveis… o que precisávamos, mesmo, era de informação simples, sem aditivos.

Não me considero um individuo de memória prodigiosa, mas lembro-me bem de reportagens nos telejornais que davam conta aos cidadãos que as diferenças entre combustíveis low-cost e os combustíveis aditivados (ou premium), eram muito duvidosas apesar de significativa diferença de preço. 
 

Eu ainda sou do tempo em que os combustíveis low-cost e premium, eram todos iguais


O tom dessas reportagens podia resumir-se, mais ou menos, nesta ideia chave: as empresas petrolíferas andam a vender “gato por lebre”, o cidadão a ser enganado e o governo não fazia nada em relação ao assunto!
Enfim, mais uma (entre tantas outras...) razão para os portugueses se sentirem indignados com o governo...

Parece que o Governo quis fazer qualquer coisa e obrigou essas empresas a disponibilizar em todos os postos os combustíveis sem aditivos, agora ditos “combustíveis simples”. Nem quero aqui tratar as vantagens / desvantagens de mais esta medida implementada pelo governo - unanimemente - mais ultra-neo-mega-liberal de sempre.

Não posso é deixar de notar o seguinte: de repente, vendo os mesmos telejornais, fico a saber que:


- os tais “combustíveis aditivados” têm, afinal, indiscutíveis vantagens! Não se sabe porque motivo, na altura do estudo da DECO, ninguém os procurou, mas, hoje, os jornalistas já conseguem encontrar técnicos que não deixam dúvidas: “os aditivos proporcionam maior rendimento”;


- outro aspeto que as reportagens não deixam de salientar, reside na circunstância de as diferenças de preço não serem as esperadas, ficando “aquém das expectativas”. Curioso é constatar que, enquanto subidas de 1 ou 2 cêntimos, causam indignação, pelos vistos, descidas de 5 cêntimos são uma tremenda desilusão…


Enfim, não adianta… este Governo “não dá uma para a caixa!”.
 
 
 

08 novembro, 2014

A última indignação contra Merkel e o Jornalismo de Intriga…


A mais recente indignação coletiva contra a Sr.ª Merkel foi, afinal, mais um caso do Jornalismo de Intriga… 

Graças à blogosfera, cheguei a este post e ao resultado da investigação que a autora se propôs fazer em relação às afirmações que a comunicação social atribuiu a Merkel:
 
"... Anteontem não se falava de outra coisa. Fomos mesmo bombardeados com as alegadas afirmações da senhora por órgãos de comunicação social que costumam tentar distanciar-se de outros, enfim, mais useiros e vezeiros nestas matérias. Houve mesmo um ministro que respondeu às alegadas afirmações da senhora. Crato, who else.
 
Nas redes sociais (Twitter e Facebook) foi uma festa. Só comentários indignados, e outros pior ainda. Eu própria comecei por embarcar na coisa.

Mas depois parei para pensar e fui atrás.

Todos citavam a Lusa e
Bloomberg. A Lusa referia a Bloomberg. Na Bloomberg, nada. Órgãos de comunicação social espanhóis? Nada. Imprensa internacional? Nada. Eu conseguia encontrar várias notícias sobre o discurso da senhora, mas referências a Portugal e Espanha? Nada.
 
Recorro ao Twitter e ao Facebook. Pergunto. Alguém sabe? Pessoas a viver na Alemanha? Nada. No Luxemburgo. Em Espanha. Em França. Ninguém conseguia encontrar nada.

E eu queria contexto. 
 
E finalmente chega-me o contexto e o enquadramento de que eu precisava, e que me devia ter sido dado pelos órgãos de comunicação social. E chegou-me através da Helena Ferro de Gouveia que deixou um comentário num post que a Helena Araújo escreveu no Facebook.
 
O que a senhora disse foi (adaptado da tradução da Helena Ferro de Gouveia):
 
“Eu peço a todos vocês para tornarem claro nos vossos discursos em escolas e perante jovens: a formação profissional é um excelente pré-requisito para levar uma vida de prosperidade. Não tem necessariamente que se ter tirado um curso superior. Isto é muito, muito importante. Faremos tudo o que estiver no nosso poder, também a OCDE, que nos fornece muitos números úteis que afirmam que não é uma “descida” social, que o filho ou a filha de um trabalhador qualificado complete uma formação como trabalhador qualificado novamente e, de seguida, se torne num bom técnico. Internacionalmente reconhece-se que não é uma “descida” e que isto não significa que o sistema de educação tenha fracassado. Temos que abandonar a ideia de que o ensino superior é o Nonplusultra para uma carreira bem sucedida. De outra forma não poderemos provar a países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados e procuram hoje vias de formação profissional, que isso é bom”.

Ora, isto é muito diferente de "Merkel diz que Portugal tem demasiados licenciados". Isto é um "temos, nós próprios, de tomar consciência disto, porque senão não temos moral para dizê-lo aos portugueses e aos espanhóis".
 
..."

Enfim, nada de novo para quem vai lendo este blog... Merkel está, ideologicamente, do "lado errado" e, como outros, é objeto de uma espécie de linchamento mediáticoQualquer um de nós pode ser alvo deste processo sujo: retirar do contexto uma frase mais polémica que, facilmente pode ser deturpada e usada numa campanha deste género.
 
Os media nunca se retratarão do tratamento parcial e manipulador que reservaram a este caso (e a outros...). Daqui para a frente - como se de verdades inquestionáveis se tratasse -, ouviremos em discussões públicas afirmações do género "A Merkel acha que temos de ser analfabetos.", "A Merkel não quer licenciados em Portugal, quer escravos!", etc... 
 
Mais uma "verdade fabricada" e uma ideia implantada. Caso idêntico, é a célebre frase / desejo atribuído a Passos Coelho que "queria que os portugueses emigrassem". Quem se der ao trabalho de ir ler o que ele disse, facilmente constatará que não foi nada disso.   


Entretanto, nos comentário do mesmo post, mas sobre outra recente polémica que fez "correr muita tinta", pude constatar mais esta pérola do nosso jornalismo de intriga. É incrível como o rigor e isenção são negligenciados de forma a gerar estas ondas de indignação que, quase diariamente, percorrem as redes sociais...

 

(texto da autoria de "Marco")
 
Já que os jornais desistiram de investigar e informar com rigor, decidi perder aqui 10 minutos a ler a notícia com atenção e a escarafunchar o site das finanças.
Então é assim: saiu hoje uma notícia que as finanças iam vender a casa de família de uma senhora que tem dívidas sobre o IUC duns carros abatidos há uma porrada de anos, e que já lhe penhoraram o salário e mais não sei o quê. Está aqui no Económico, por exemplo: http://economico.sapo.pt/…/fisco-vende-hoje-casa-de-familia…
 
(já agora, tendo em consideração a similitude entre os vários jornais, isto tem todo o aspecto de ter sido copiado de um take da Lusa ou algo do género - ou então copiaram uns pelos outros, o que também é cada vez mais normal)
1. Inventar um nome fictício para uma pessoa que é identificada em 2 minutos no site das finanças é simplesmente estúpido. Não vou divulgar o nome da senhora, porque não sou jornalista, mas é trivial e croquetes de encontrar;
2. É incrível como é que passam cinco anos e ela não se dá conta que tem IUC por pagar. Quanto mais não fosse, ao entregar o IRS, saltava logo. Mas pronto, dou de barato, porque que quem recebe o salário mínimo, na maioria das vezes, está isento de entregar a declaração de IRS. Siga;
3. A casa não foi posta à venda hoje. Em primeiro lugar, porque hoje era o último dia para entrega de propostas (as finanças não vendem, leiloam) e em segundo porque o processo até está suspenso ao abrigo do n.º 4 do Art.º 264.º do Código do Procedimento e do Processo Tributário. Tudo informações que estão no site das finanças (e que os jornais não encontraram ou não lhes interessou encontrar);
 
4. Já que falamos no último dia para entrega de propostas (que era ontem), a senhora alega que recebeu a notícia há um mês. Peta. Pura peta. A abertura do leilão foi no dia 28 de Janeiro (fonte: adivinhem? site das finanças). Há 10 meses, portanto. E é garantido que a senhora, como fiel depositária do bem a leilão, foi notificada;
5. A senhora também diz que ganha o salário mínimo e que há cinco meses que tem o salário penhorado. Uma destas duas coisas é pura mentira. As penhoras de rendimento incidem, no máximo, sobre 1/3 do mesmo que seja superior ao salário mínimo. Portanto, uma pessoa cujo único rendimento seja o salário mínimo está sujeita a uma penhora de... zero. Há três cenários: ou a senhora tem outros rendimentos (pensão de viuvez, talvez?), ou não ganha o salário mínimo, ou não tem penhora nenhuma;
6. A notícia diz ainda que a casa do sobrinho está no mesmo terreno e que vai ser vendida também. O site das finanças diz-nos que o imóvel tem 90m² e que o terreno tem 100m². A menos que a casa do sobrinho seja alguma casota de cão, algo aqui não bate certo. A realidade é que a casa do sobrinho fica do lado esquerdo da fotografia (vê-se a sombra do telhado) e tem para aí o triplo do tamanho (facilmente visível no Google Maps). E, não, não vai ser leiloada (nem vendida) em conjunto;
 
7. Já disse isto, mas volto a dizer: o leilão está suspenso, por ter sido pago 20% do valor em dívida. Claro que os jornalistas se "esqueceram" de referir o facto. Quer dizer, a senhora dá a entrevista, "coitadinha de mim que me vão vender a casa", é publicada neste pressuposto e agora deixa-me cá ir pagar 20% da dívida. Aliás, como é que, com ordenados penhorados e entregas "de 50 ou 100 euros, conforme pode", ainda não estavam 20% (380€) pagos?
Mais do que o caso da senhora, que é dramático mas com mais buracos do que um Emmental, o que está aqui em causa é a péssima qualidade do jornalismo cá do burgo. Miserável.

É isso mesmo - miserável - define bem o jornalismo que temos...
 
Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...



 

22 setembro, 2014

Comunicação Social, a verdadeira oposição…

 
Durante os últimos 4 - 5 dias, e com ampla divulgação em todos os meios de comunicação social (incluindo telejornais, espaço onde se  vendem presidentes e se fabricam líderes políticos), os cidadãos foram “informados” dos seguintes factos sobre o passado do atual P.M.:


"Sábado: Investigados alegados rendimentos não declarados de Passos Coelho
Alegadas denúncias remontam a 1995-1999. Passos terá, segundo a revista, recebido cinco mil euros por mês da Tecnoforma quando era deputado em exclusividade. Lei proíbe acumulação de rendimentos."
 

"DCIAP estará a investigar alegados pagamentos ilegais da Tecnoforma a Passos Coelho"

 

Ilegalidades colocam Passos 'na mira' do DCIAP
 O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, estará a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por ilegalidade devido a rendimentos auferidos entre 1995 e 1998, período em que era deputado em exclusividade, e que não foram declarados..”




Entretanto, hoje (22.09.14), um comunicado da Assembleia da República esclarece que ”… Pedro Passos Coelho não teve qualquer regime de exclusividade enquanto exerceu funções de deputado entre novembro de 1995 e de 1999.”

 
Ainda assim, eis como alguns meios de comunicação social optaram por transmitir esta relevante informação:
 

O "gajo" safou-se porque já prescreveu, terá pensado quem apenas leu o título!
 
A quem serve este tipo de “jornalismo”?...


Sinceramente, com esta vergonha de comunicação social, nomeadamente a forma completamente parcial como gere a agenda mediática, cuidando da boa imagem dos candidatos queridos da esquerda, enquanto tudo faz para enlamear e prejudicar a imagem de outros, alguém acredita que as eleições em Portugal podem ser justas?!


“… a comunicação social já escolheu o novo “querido líder”. Resta aos portugueses continuarem a ver e ouvir os comentadores do costume e lerem os escribas do costume, até que o poder volte a cair no colo dos predestinados…

Tudo correrá pelo melhor e sem sobressaltos!

 Com Jornalismo assim, quem precisa de Censura?...”


 

14 maio, 2014

Técnicas de guerrilha mediática


Lança-se uma notícia como se de um facto consumado se tratasse…

 
Dois dias depois constata-se que, afinal, não era bem assim... mas a notícia nem chega à capa do mesmo jornal que antes optou por "lançar a bomba". Temo de recorrer a outras fontes...

 
"...Para nós [governo], é fundamental que a proteção dos trabalhadores durante esse período da caducidade e da sobrevivência dos contratos coletivos continue a existir..."

Se vivêssemos num país maduro e responsável, assim que os factos viessem desmentir as “notícias” avançadas pelo jornalismo de intriga, seria de esperar que os órgãos de comunicação social se retratassem“lembram-se da nossa notícia de há 2 dias atrás? Esqueçam, afinal não era bem assim…”; “…enganámo-nos.”; “… era uma aldrabice.“.

No entanto - e como por aqui repetidamente se denuncia -, sendo o jornalismo português a “verdadeira oposição, essa não é uma opção e o jornalismo militante dificilmente abdicará de continuar a “cavar” este tipo de “notícias”.
 
É uma técnica de "guerrilha ideológica" demasiado útil… É muito fácil fazer capas e manchetes com base nuns boatos ouvidos (inventados?...) na redação: “O Governo está a estudar cortes adicionais”; “O governo pondera atualizar as taxas moderadoras…” (ou “O governo pondera sacrifícios humanos!”, porque não?...). Rapidamente, na agenda mediática, essas “notícias” são difundidas e pelo menos até ao desmentido (sejam umas horas apenas ou 2 / 3 dias), está garantida uma boa dose de intoxicação da opinião pública

Quando se constata que, afinal, as medidas a tomar são diferentes daquelas que a comunicação social tão diligentemente deu conhecimento aos cidadãos, arruma-se o assunto com um simples “O Governo recuou…”. (e umas horas ou uns dias depois, outra qualquer sacanice do “governo de direita” aparece...)

E esta técnica é usada nos mais variados temas (cortes nas pensões, na educação, na saúde, etc…). Aliás, basta consultar ir ao Google e pesquisar “governo recuo” para perceber que o governo passa a vida a recuar nos mais variados assuntos… 

 
 
 
 
 
 
 


Caro leitor, não há razão para alarme! Tem razão para desconfiar do político, do vizinho, do familiar, quanto às notícias que a comunicação social anuncia diariamente, essas, são sempre rigorosas e verdadeiras!

Não pense pela sua cabeça,
deixe que os jornalistas o façam por si!


09 maio, 2014

RTP, diz que é seviço público...


 
 

"Portugal importou, no primeiro trimestre de 2014, três vezes mais bens do que aqueles que vendeu ao exterior, com as importações a aumentarem 6% e as exportações a cresceram apenas 1,7% em termos homólogos."

Há títulos que são um autêntico hino à ignorância e denotam bem o desconhecimento grosseiro de muitos jornalistas em relação aos mais básicos conhecimentos de matemática (por ex., trocar mil milhões por um milhão, e vice-versa, é tão vulgar...). Se nem a matemática elementar conhecem, como podem informar os cidadãos sobre qualquer matéria que envolva números, indicadores económicos, etc.?

Imagine o leitor se, a partir destes dados, fosse um ministro a retirar tal conclusão: seria ridicularizado durante dias a fio!...

Curiosamente, nos meses em que a taxa de aumento das exportações foi o triplo ou o quádruplo da taxa das importações, não consta que a RTP tenha publicado notícias a afirmar “Portugal exportou três vezes mais do que importou”. 

Obviamente, tal título seria uma imbecilidade semelhante à notícia em cima. No entanto, isso demonstra que estas manchetes não resultam apenas de desconhecimento, mas de um misto de ignorância e má-fé do jornalismo no tratamento noticioso, já que, frequentemente, a análise objetiva da informação é preterida em favor de uma mensagem que traduz antes a convicção e tendência política do autor da peça jornalística, invariavelmente, de oposição ao atual governo "fassista". (recordar O “wishful thinking” das redacções VS o País Real).  


Última hora:
Agência Moody's sobe o rating de Portugal
"Pela primeira vez desde 1998, a agência de notação financeira Moody's subiu o rating da dívida portuguesa."
 
Ui!... A azia que deve andar em algumas redações...
  

 

18 janeiro, 2014

As renováveis, os estaleiros e o Contribuinte


A partir deste artigo de Silva Pereira no DE, vamos esmiuçar como as opções políticas de um governo, nomeadamente os seus impactos económicos, são discutidas na praça pública…


“Dada a centralidade da questão energética, este resultado prova que o investimento nas energias renováveis, feito na década que muitos diziam "perdida", foi afinal a mais importante reforma estrutural da história recente da economia portuguesa.
Graças ao investimento nas energias renováveis, Portugal começou a enfrentar, finalmente, um dos mais graves problemas estruturais da economia portuguesa: o problema crónico da dependência energética nacional, responsável por quase metade do desequilíbrio das nossas contas com o exterior."

Bem, isto seria verdade se o capital usado para fazer o investimento fosse oriundo de poupança (pública ou privada) nacional. Na verdade, como esses investimentos foram feitos com recurso a dívida externa, a dependência em relação ao exterior é um falso argumento pois há que pagar a fatura do capital + juros + as taxas de rentabilidade dessas PPP (algumas chegam aos 14%, 16%, diz-se...).

Assim, anulado o argumento da "dependência do exterior", o que seria melhor para os portugueses contribuintes e para a economia nacional,
pagar (por ex.) 5 cent. por cada kwh consumido ou pagar o dobro ou o triplo?

Mas a superficialidade e  o deslumbramento com que este tema das renováveis é abordado por Silva Pereira – e que não difere muito da maioria das peças noticiosas que chegam à agenda mediática -, transforma-se num exemplo interessante pois ser demonstrativo da bondade e ausência de escrutínio com que o jornalismo português costuma olhar para as causas oriundas de partidos da esquerda. Um fenómeno que aqui no blog designámos a lógica “Esquerda boazinha Vs Direita maléfica”.

Repare, apesar de alguns efeitos positivos, sob esta “capa verde”, o negócio das PPP energéticas serviu para garantir às grandes empresas como a EDP e, especialmente, à banca, rendas fixas que se manterão por décadas e taxas de rentabilidade altíssimas, fruto dos milhares de milhões de euros direcionados para estes projetos pelo governo socialista. Mas raramente se fala na circunstância de estes projetos beneficiarem descaradamente os “interesses do grande capital”.

Não, tudo o que vem da esquerda é intrinsecamente bom

Há muitas formas de fazer contas, mas os negócios socialistas contam sempre com a visão mais bondosa de jornalistas e redações … até o TGV, o novo aeroporto, eram um ótimo negócio, lembram-se? 

Outro exemplo,o computador Magalhães: imagine que um governo de direita decidia adjudicar diretamente a uma empresa privada o fornecimento de computadores no valor de dezenas de milhões de euros. Que ângulo, acredita o caro leitor que o jornalismo luso optaria por destacar no espaço mediático? 

Os supostos benefícios para a educação das criancinhas proporcionados pelo contacto com a tecnologia ou o “negócio obscuro” entre os governantes de direita e os seus amigos nas empresas privadas?

Obviamente, o dinheiro para todos estes projetos - veio, vem e virá - de
impostos pagos pelos contribuintes portugueses. Já aqui no blog abordamos este assunto das renováveis e constatamos que, mesmo contando com um dos mais elevados custos de eletricidade, o que os portugueses estão a pagar não chega para cobrir o custo real do sistema e, mais dia, menos dia, alguém terá de assumir os cerca de 4.000 milhões de défice tarifário que o Estado português deve a essas empresas (será interessante ver o que Silva Pereira terá a dizer sobre o assunto...).

Sobre os Estaleiros...
Por comparação com a cobertura jornalística do assunto renováveis, vejamos agora o caso dos Estaleiros de Viana. Trata-se de uma empresa que tem prejuízos crónicos. Nos últimos 6 anos cerca de 30 a 40 milhões de euros de prejuízo que, claro, são pagos com impostos dos portugueses. Por constrangimentos vários, nomeadamente, a legislação europeia, o Estado português não pode reestruturar aquela empresa pelo que avança com a subconcessão. Após concurso público, a escolha recai numa empresa portuguesa que pagará quase meio milhão de euros por ano e assumirá a gestão dos estaleiros, deixando o contribuinte português de suportar os prejuízos recorrentes.

Pense nos dois negócios – PPP renováveis e concessão dos estaleiros – recorde o que em jornais, rádio ou televisão, ouviu sobre os mesmos e tire as suas conclusões em relação a qual deles será o mais ruinoso para os portugueses que pagam impostos.

E então, considera-se um cidadão bem informado?

(peço desculpa, mas em função de fenómenos informáticos estranhos, a publicação de posts neste blog enfrenta algumas dificuldades de ediçao... )

14 setembro, 2013

Do Jornalismo de Intriga...

(notícia do Sol)
"RTP reduz espaço informativo e aposta no entretenimento"

Para agradar ao público, a informação vai perder espaço na antena da RTP1

Os portugueses estão fartos de notícias de política e economia e querem entretenimento na televisão. Esta é conclusão a que chegou um estudo de mercado encomendado pela RTP, que vai reorganizar a grelha para satisfazer as preferências do público.”


Mais uma notícia do jornalismo para "envenenar" as pessoas contra o ministro / governo. Quem leia esta notícia só poderá concluir que está em marcha mais um maléfico plano da direita que visa “roubar” e “estupidificar o povo"…

No entanto, porque não escreve a sra jornalista que esse mesmo governo quer acrescentar os canais RTP Informação e RTP Memória (que neste momento só existem na tv paga) à TDT?

Ao contrário do que é sugerido, isto não vai aumentar o acesso dos portugueses à informação?!


Já agora, fazendo uma comparação entre a gestão socialista e o actual governo, no que diz respeito à TDT, quem terá servido melhor “o povo”? Enquanto o PS conduziu o processo da TDT de forma a que em sinal aberto apenas fossem disponibilizados 4 canais, este governo já acrescentou ao serviço um (canal Parlamento) e, espera-se, no curto prazo, que esse número passe a 7… 
 
 
Qual destes governos servirá melhor os cidadãos e os interesses dos operadores privados da televisão?...


Mas com o jornalismo militante, já se sabe… se não encaixa na narrativa “esquerda boazinha Vs direita maléfica”, é tratado como se não tivesse acontecido ou o seu valor informativo irrelevante..


17 agosto, 2013

Do Jornalismo fútil e mesquinho


 
O que dizer desta entrevista?... (para quem não viu, aqui fica um link)

Logo para começar, será que a sua inclusão num telejornal faz sentido? Será que na redacção a TVI não há profissionais que tenham percebido que toda a entrevista não passou de um “endeusamento” do dinheiro, do consumismo e de uma apelo à inveja e outros sentimentos mesquinhos do ser humano?

Depois, o tom moralista utilizado pela jornalista durante toda a entrevista: “tem a noção que é a imagem de um jovem fútil?”; “que num momento de crise os portugueses ficam ofendidos pela forma como gasta o dinheiro”, etc., etc... parece que o rapaz tem de se sentir culpado por ser rico. 
 
Se não fosse redacção da TVI, os portugueses nem conheceriam os hábitos gastadores do jovem milionário. Se há aqui "culpa" por uma suposta ofensa aos portugueses, não será dos próprios jornalistas que preferem destacar estes casos quando, de Norte a Sul, existem tantos cidadãos excepcionais que - para além de merecerem esse destaque -, graças à visibilidade que a televisão daria às suas acções e obra, representariam um valor acrescentado e algo positivo, para a sociedade.

A forma sobranceira e ofensiva, como a jornalista se dirigia ao rapaz (eu ter-me-ia levantado da cadeira e virado costas…), ou, em certos momentos da entrevista, adivinhar-se no olhar hipnotizado de Judite a tentação de perguntar ao convidado o valor das jóias e do relógio… que deprimente! 

Só a futilidade e o fascínio pelo dinheironão dos “portugueses que queriam conhecer um jovem que pode gastar 1 milhão numa noite”, como anunciado - mas daqueles que conceberam este "momento único" de televisão, pode estar na origem da ideia de incluir num telejornal uma entrevista destas.

São estas pessoas, estes profissionais e os seus valores, que fazem a opinião pública em Portugal. Não há aí jornalistas sérios que se manifestem contra esta simulação de informação, esta vergonha para o Jornalismo?!

Judite, o puto não tem culpa de ser rico! Judite, considerando que os sapatos que usa diariamente, são mais caros que o salário que muitos portugueses auferem, já pensou como eles se sentem?...
 

 

30 julho, 2013

Do Jornalismo de Inquisição...

Enquanto decorre nos meios de comunicação social uma autêntica "caça às bruxas", onde apenas parece interessar continuar com o ruído, aqui  uma explicação sobre a questão essencial: o que separa um contrato swap "normal" de um contrato swap "especulativo".
 

[a partir dos 13 min.] Estes swaps (nomeadamente, contratos celebrados entre 2008 e 2011) foram completamente “anormais” porque, em contexto de taxas Euribor baixas, foram negociados com taxas de 10% e 12%. Porquê? Foi uma forma  de as empresas públicas, assumindo riscos financeiros elevadíssimos (obviamenete, tratando-se de malta socialista, não se pode falar de especulação financeira...), continuarem a financiar-se junto da banca em vez do Orçamento de Estado - vulgo, desorçamentação. Claro que, no curto prazo, estas empresas resolviam o seu problema (pagar salários, por ex.), mas no médio e longo prazo

Enfim, mais uma vez, a imagem de marca do consulado socretino: os contribuintes das gerações futuras que paguem!

Outro aspecto  - por ser revelador da gestão danosa socialista - que a comunicação social "ignora", é o facto de ter sido a própria Direcção-geral do Tesouro e Finanças (DGTF) que recomendou (em Dezembro de 2008) que "a subscrição de ‘swaps' por parte das empresas públicas ficasse dependente de uma autorização do Ministério das Finanças." No entanto, o então secretário de Estado do Tesouro (Carlos Costa Pina), optou por deixar as Empresas Públicas livres deste controlo, aliás, o governante socialista (ao melhor estilo grego) incentivou a contratação destes produtos. Mas isto não interessa nada... Mª Luís Albuquerque deve ir para a fogueira!  
  
 
Foi em Abril que aqui no blog se abordou este assunto dos swap. É impressionante como ao longo destes meses, mantendo o foco numa questão acessória e ocultando o essencial, o jornalismo de intriga ainda investe numa vergonhosa agenda de perseguição a quem está do "lado da solução" (pois já se conseguiram reduzir as perdas associadas a estes contratos para metade), ilibando das suas responsabilidades aqueles que criaram o problema.  
 
Porque, decorridos quase 4 meses, se mantém completamente actual, fica o post de Abril:

Em apenas 6 anos duplicaram a dívida pública portuguesa, aumentando em cerca de 4.000 M € / ano, o valor de juros que Portugal tem de pagar aos seus credores … os contribuintes das gerações futuras que paguem.

Auto-estradas foram lançadas com um período de carência de pagamento às concessionárias de 5 anos… fazem-se as obras, mantém-se artificialmente algum emprego e crescimento do pib, o Estado até arrecada alguma receita à conta da dívida... 5 anos depois e ao longo de 40 anos, os contribuintes das gerações futuras que paguem.


As empresas públicas tinham de mostrar balanços e demonstrações de resultados mais “limpinhos”? Simples, através de uns contratos swap, é possível contrair dívida a taxas de juro temporariamente mais baixas, i.e., no curto prazo os resultados financeiros melhoram, em contrapartida, no médio / longo prazo, essas taxas podem crescer até 20% e originar perdas de 3.000 milhões €… os contribuintes das gerações futuras que paguem.

Quem, nestes 3 casos, não consegue identificar um padrão de actuação de gestão danosa da “coisa pública” e sistemático benefício do sector financeiro?!
 
Portugal, é isto… uma classe jornalística que não entende (ou não quer entender) o processo de causa - efeito da governação socialista recente no estado de bancarrota em que Portugal se encontra. Por ex., até ontem, este "caso swap" foi passando para a opinião pública como "mais um escândalo" da responsabilidade deste governo, quando se trata de mais uma herança socretina.

 
 

26 julho, 2013

Agradecimento a Álvaro Santos Pereira


Partilho completamente desta opinião (jfc, O fueiro) sobre Álvaro Santos Pereira.
"Álvaro Santos Pereira saiu do governo.
 
Poder-se-ão encontrar motivos da mais diversa espécie. A verdade é que Santos Pereira representava, com Vítor Gaspar, na versão 0.1 deste governo, a independência dos critérios partidários. Significava isso que Santos Pereira valia pela sua competência, pelo seu voluntarismo e pela sua análise da realidade portuguesa. Não podem ter sido outros os critérios de Passos Coelho ao escolhê-lo.
 
Faltava-lhe experiência política, disseram os comentadores, confundindo sempre a «política» com os partidos, ou melhor, com a mecânica partidária e mesmo interpartidária.
 
O seu primeiro erro foi de ordem antropológica. Esperou poder assinalar num só gesto a sua origem extrapartidária, o informalismo de origem anglo-saxónica e uma atitude combativa, demarcando-se da retórica subserviente do «Senhor Ministro». Foi fatídico: mês após mês, o «Álvaro» foi alvo de chacota, ostensiva ou dissimulada, nos jornais. E, de um só lance, a sua independência deixou de ser saudada, a sua competência foi olhada com desconfiança, as suas decisões postas em causa, e os seus combates ignorados, desvalorizados, e sobretudo menorizados.
 
Não discuto o facto de Santos Pereira ter possivelmente cometido erros, de ter tido que fazer ajustamentos, de ter tido dificuldades, desarticulações, fracassos, avanços e recuos. O que me parece é que Álvaro Santos Pereira desempenhou o cargo de ministro com seriedade, com independência, com visão sobre o que era preciso mudar para haver mudança. E o que quero aqui notar é que a sobranceria com que foi sempre tratado pela comunicação social e pelas «elites» partidárias se deveu em grande medida ao facto de ser um independente sem laços políticos, sociais, universitários, tribais, com as «famílias» que contam.
 
Álvaro Santos Pereira foi remodelado, como a turba dos comentadores reclamava. Agora estamos na versão 0.2 deste governo. E, nela, tudo tende para a normalização. Os corpos estranhos, os que não têm e não compreendem o que é preciso para fazer política e estar no governo foram expurgados.
 
Agora, sim, estamos (mais) livres de «Álvaros» plebeus e inconvenientes. De técnicos. Os novos governantes são (quase) todos gente conhecida e de bem, gente da «política», gente que não nos deixa ficar mal quando fala na televisão ou come à mesa.
 
Por mim, agradeço a Álvaro Santos Pereira ter aceitado fazer parte da versão inicial deste governo e de ter aturado isto durante este tempo todo."
 

Um país cuja opinião pública clama diariamente contra os "os partidos dos amigos" ou os "partidos interesses", mas que trata este Ministro como Álvaro foi tratado - nomeadamente, a comunicação social, que é quem faz a opinião pública...-, diz bastante sobre a hipócrita sociedade portuguesa...


ASP pode retomar a sua vida num local mais civilizado e nós, por cá, continuaremos a ver o jornalismo militante manter aquele “respeitinho” e subserviência de sempre em relação a alguns figurões. Entretanto, "outro Álvaro" será encontrado para ser o repositório do jornalismo de intriga e da maledicência das redacções.

Obrigado Álvaro, Felicidades.
 

05 junho, 2013

Episódios negros da comunicação social...


(não sabia que título dar a este post, mas este tipo de manipulação é tão reles que a classificação de “episódio negro…” se aplica.)

Tinha acabado de ligar a tv que, por acaso, estava no 1º canal, uns segundos depois José Rodrigues dos Santos (no seu estilo próprio) anuncia:  

“O Bispo do Porto apoia as greves dos professores e das centrais sindicais…”

Imediatamente, a minha atenção passou para o ecrã da televisão para ouvir a intervenção de D. Manuel Clemente e esse tal “apoio as greves dos professores e das centrais sindicais”.
 

Como é possível constatar neste link, eis algumas das afirmações que resumem as ideias transmitidas pelo (ainda) Bispo do Porto (ir para as 20:17h)

- é normal e natural, que existam manifestações, e;
 
- que o diferentes grupos e sectores têm a sua própria perspectiva dos acontecimentos e uma sociedade não vive de unanimismo…;

Por esta altura – apesar do rodapé nos assegurar que “O Bispo do Porto apoia as greves marcadas para este mês” -, já tinha percebido que a apresentação da reportagem passava uma ideia bastante distorcida do que disse D. M. Clemente – na linha do que o nosso "jornalismo de intriga", é useiro e vezeiro...
 
Mas na reportagem ainda se pode ouvir (e desta vez, deixo a transcrição exacta) a seguinte opinião:

“Eu julgo que este governo, ou outro governo que fosse, mesmo do partido que estava até há 2 anos, teria sempre que se confrontar com graves problemas. Porque o desgaste é dos próprios problemas, que são problemas internos mas com uma dependência externa como nós nunca tivemos. ”

Ou seja, D. Manuel Clemente que, de acordo com o que a redacção da RTP nos informa, estaria "alinhado" com os sindicatos e as suas greves, afinal e ao contrário daqueles, entende que os problemas que Portugal atravessa não se resolvem com a queda deste governo! Se isto não é uma manipulação reles... 


Como repetidamente se afirma aqui no blog: a comunicação social é a verdadeira oposição. Que tipo de jornalismo pode transformar o que foi dito, numa mensagem de apoio à cgtp e, por arrasto, às causas e posições que defende?!


Com Jornalismo assim quem precisa de Censura?…