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26 novembro, 2014

Guião do comentário televisivo para não deixar cair Costa e o “PêeeeéSssseeeeee“…

Embora na imprensa a cobertura do caso Sócrates esteja a ser isenta, i.e., vemos referidos os aspetos que suportam a detenção do ex-pm, assim como, os receios de algum justicialismo e o eventual perigo para os direitos dos cidadãos perante o sistema de justiça, na televisão, espaço onde se fabricam os presidentes e se forjam os vencedores de eleições, os comentadores do costume (Adão e Silva, Marques Lopes, Clara Ferreira Alves, M.S. Tavares, etc.) têm feito um trabalho digno de registo…

Ontem ao ver os telejornais e a fazer zapping pelos canais noticiosos, assisti a uma tremenda preocupação como a "justiça", com o imenso poder dos juízes e nada sobre o que se vai sabendo das práticas de Sócrates…


Repetidamente, vêm-se e ouvem-se, comentadores e opinadores falarem cada vez mais das preocupações com o “fim do estado de direito”, com a mediatização do processo (como se essa responsabilidade não fosse exclusiva dos meios de comunicação para quem trabalham) e nada dizendo sobre o que já se sabe dos alegados crimes de Sócrates.

Assim, ao fim de 48 horas da prisão preventiva do “querido líder”, entre a consternação e algum choque pelo sucedido, já é possível descortinar o fio condutor e as traves mestras - ou ideias a implantar - no comentário político para os tempos que se avizinham. Elenquemos algumas dessas ideias, recordando outros casos de forma a avaliar o critério agora seguido por tão distinguidos comentadores:


1ª ideia a implantar:

“É indecente falar do que, alegadamente, Sócrates andou a fazer pois está em segredo de justiça. Estão a condená-lo na praça pública e isto é uma negação de justiça!”

Caro cidadão, uma coisa é falarmos nos telejornais do roteiro de Duarte Lima em terras do Brasil por onde - alegadamente - “foi despachar
” um assunto com uma sua cliente e várias reportagens nos deram  conta dos pormenores do carro alugado por Lima, da lavagem dos tapetes para eliminar vestígios do crime, etc.. Assim como, no caso de Isaltino, até era divertido falar do seu sobrinho taxista que – alegadamente – tinha em seu nome centenas de milhares de euros na Suiça.

Lembra-se de ver na televisão tantos pruridos com o “segredo de justiça”, nestes casos?


Mas há tanto para investigar e noticiar sem violar o (pobre) segredo de justiça. Por exemplo: já foram investigar quanto faturavam o Grupo Lena e/ou as empresas do Carlos Santo Silva, antes de Sócrates chegar ao poder e quanto passaram a faturar?


2ª ideia a implantar:

“Isto não atinge apenas Sócrates, mas todos os políticos do regime!”.

Os crimes do BPN são crimes claramente identificados com o PSD e com Cavaco Silva. No caso de Sócrates, parece que não são crimes “exclusivos” dos socialistas e do PS, são da “classe política”... 

 Aliás, será também interessante constatar como será a gestão mediática do seguinte aspecto: A colagem de Cavaco ao BPN, porque Dias Loureiro e Oliveira e Costa foram membros do seu governo, é recorrente na agenda mediática. Esse governo data do final dos anos 80 e início dos 90, a fraude do BPN ocorre 10 anos depois, mas é unânime a narrativa da ligação BPN, PSD e Cavaco (notar ainda que a existência do BPN coincidiu com um período de governação socialista: 14 anos em 16, no período que decorreu entre 1995 e 2011).


No “caso Sócrates”, será que os que estiveram ao seu lado – nomeadamente Costa – vão ser objeto do mesmo critério de análise e comentário, i.e., da mesma ligação / contaminação?... Cavaco “está metido no BPN” porque, 10 anos depois, ex-ministros seus cometeram crimes.
 
Basta pensar que as leis que permitiram o repatriamento dos capitais do Sr. Engenheiro, foram todas aprovadas em Conselho de Ministros por ministros sociaslistas…


3ª ideia a implantar:
 
“Este processo é muito mau para a imagem de Portugal lá fora!”.

Quando Berlusconi ou Sarkozy foram detidos e se viram a contas com a Justiça nos seus países, quantos comentadores viram na televisão referir que, Itália e França, eram um “país de corruptos”?!

Ou seria que a ideia transmitida por essas reportagens ia mais no sentido “finalmente a justiça está a actuar como deve num Estado de Direito”. Alguns até lamentavam que em Portugal não fosse assim. Um país onde os políticos eram jugados como qualquer outro cidadão.  


Comunicação Social, a verdadeira oposição…
A menos de um ano de eleições, nunca, como neste momento e, o PS está nas mãos da comunicação social e do jornalismo de causas. Ainda ontem, através dos mesmos telejornais, pude assistir a um episódio só possível pela cumplicidade dos media. Refiro-me à (improvável) cena de ver Ferro Rodrigues, em plena Assembleia da República, na "casa da democracia",  vestir o fato de guardião do Estado de Direito e de defensor da “verdadeira” Justiça…

"A confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, certamente diminuiu". Neste quadro, alertou, todos os deputados estão obrigados a "defender o Parlamento e o Estado de Direito".


Imagine o caro leitor se esses mesmos telejornais – tal como fazem em relação ao passado de outros atores políticos – fossem revisitar o que nesta matéria do “respeito pela justiça” é o seu currículo, concretamente, no caso das escutas do processo Casa Pia e o célebre:
 
"Os políticos não são todos iguais". Quem serão os políticos que voltarão a merecer o voto dos portugueses?

 
Dizem que o “regime está podre”, se está!...
 
 

09 agosto, 2013

Ainda os swap... Produtos tóxicos informativos

(por Pinho Cardão, 4ª República)
 
"Na sua edição de ontem, o DN titulava em manchete de grossas letras na 1ª página: Ministra contratou avaliador de swaps que tentou vender contratos tóxicos.
 
Na sua edição de hoje, o mesmíssimo jornal, mas em letra envergonhada, a meio da 2ª coluna da página 4, desmente o que ontem afirmara: "estes contratos, como explicaram especialistas ouvidos pelo DN, não são tóxicos (ao contrário do que assumiu este jornal na sua manchete de ontem), nem especulativos...". E mais acrescenta que, à época o Eurostat aceitava esse tipo de operações, como o próprio Citigrou exemplifica com contratos na Áustria, na Finlândia e na Dinamarca. 
 
Apesar disto, o DN prossegue a campanha, referindo em letras garrafais na 1ª página: Secretário de Estado obrigado a demitir-se por ter esquecido reuniões. 
 
No meio de tudo isto, produtos tóxicos verdadeiros são os que os media diariamente nos têm servido. E aí não há demissões, nem rigor, nem exigência particular. Directores, Directores Adjuntos, Subdirectores, Editores podem estar descansados. Têm sempre à mão a edição do dia seguinte."
 
 
Para além do descrito no post, acrescento outro episódio que sugere uma tendência que nos próximos dias se poderá confirmar (ou não...): Até à sua demissão, enquanto se discutia na comunicação social a conduta de Pais Jorge em 2005-06 - então ao serviço do CitiGroup - o "produto" que ele vendia era "tóxico", "maldito" - sim, parece que era de tráfico que se falava... Entretanto, com a sua saída de cena, alguns constataram o óbvio: se existiram várias reuniões sobre o assunto, é porque os responsáveis políticos de então tinham interesse nesse produto!
 
Aliás, nas últimas horas ficou a conhecer-se esse "pequeno detalhe": Afinal os socialistas queriam o "lixo tóxico" do Citi e - "oh ironia!" - foi o "maldito" Franquelim Alves quem impediu a operação.
 
Mas, voltando à tal "tendência", ontem, comentando precisamente o papel dos responsáveis políticos de então e o seu eventual interesse na proposta do Cito, ouvi na rádio Nicolau Santos referir-se a esses swaps como algo "que até era normal na altura", que o Eurostat "até aceitava esses produtos"...("como disse?!" pensei eu...infelizmente não encontro link)
 
Mas, esperem lá! Então os swaps - os mesmos swaps - são "tóxicos e malditos" quando o contexto é classificar a conduta do ex-sec estado, mas, quando toca a comentar os governantes de então (os mesmos que, entre 2006 e 20011, assinaram dezenas / centenas destes contratos) os  swaps já passam a ser algo que "na altura era normal"?!
 
Estejam atentos ao tratamento mediático deste assunto nos próximos dias... o meu palpite é este:  ou o assunto morre ou vamos assistir a umas interessantes "teorias de desculpabilização" para contextualizar as responsabilidades dos governantes de então. E, caro cidadão, não esqueça:
 
 
“esquerda boazinha Vs direita maléfica”.
 
 

03 agosto, 2013

Implantar uma ideia: mascarar o défice com truques financeiros (swaps & outros)



 
Que mensagem, que ideia se pretende implantar junto dos cidadãos que lêem estes títulos de notícias? Que os socialistas não mascaram contas, que seriam incapazes de o fazer? Que esse tipo de prática está apenas associado aos actuais responsáveis pelas finanças, ou seja, aos partidos “da direita”?

Que país miserável e hipócrita, cuja opinião pública é conduzida por gente sem o mínimo interesse de informar os cidadãos - apenas doutriná-los - sempre na lógica “esquerda boazinha Vs direita maléfica”.

Sejam sérios! Se, em 2011, pedimos um resgate foi precisamente porque Sócrates foi o maior maquilhador de contas da história da política portuguesa! De outra forma como seria possível, ao mesmo tempo que afirmava “Está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice” , Portugal, em apenas 6 anos, ter mais que duplicado a sua dívida! Srs. jornalistas e comentadores, parem, perante os portugueses, de encobrir a desastrosa e criminosa, governação socialista durante o consulado “socretino”.

Recordem-se as “imagens de marca” dos governos de Sócrates:

 

PPP rodoviárias:


Sabiam que estas obras foram lançadas com um período de carência de 5 anos? Ou seja, o empreiteiro com dinheiro emprestado pela banca (bem remunerado claro...), faz a obra e só 5 anos depois o Estado começa a pagá-la... Isto é, injecta-se dinheiro na economia, criam-se um postos de trabalho e cobram-se uns impostos, faz-se uma festarola a inaugurar a obra à hora de abertura dos telejornais...

Cinco anos depois (agora) ficam auto-estradas onde não passa ninguém e é altura de pagar a dívida acumulada! 

Isto não é mascarar as contas?!


Desorçamentação generalizada (obras públicas, saúde, educação, etc…):

Talvez o caso mais evidente desta desorçamentação seja a empresa Estradas de Portugal. Até ao consulado Sócrates, a despesa relacionada com manutenção e construção de estradas estava no perímetro orçamental. Com a alteração do estatuto da Estradas de Portugal (EP), todos esses encargos, deixaram de ser contabilizados no Orçamento de Estado e passaram as contas daquela empresa.
Todos os anos, milhares de milhões de €, "desapareceram" do défice mas foram-se acumulando na dívida E. P. – alguém, mais tarde, haveria de pagar. Aqui, podem constatar a dimensão deste truque contabilístico: enquanto, no final de 2007 a dívida da EP era de 1.000 milhões de €, 18 meses depois (em 2009, portanto) essa dívida já ultrapassava os 15.000 milhões! Mas, claro, a comunicação social em nada disso via razão para alertar os cidadãos e, nesse mesmo ano, Sócrates – por pouco – não voltou a ter maioria absoluta… 

Para aferir a dimensão da despesa que foi sonegada à contabilidade do défice, podemos ainda consultar aqui (artigo do Jornal de Negócios), como entre 2008 e 2011, a desorçamentação terá atingido valores entre os 6% e os 9% do PIB! (em média, 8.000 a 9.000 milhões € / ano).

Isto não é mascarar as contas?!


Concessão de barragens hidroeléctricas à EDP:
 
No mesmo ano em que Sócrates se afirmava o campeão do défice, para além da desorçamentação que era uma prática comum desde o início do seu mandato, encaixou, só em 2007 cerca de 750 milhões de € pela concessão à EDP das novas barragens no Douro. Os portugueses, basta olhar para a sua factura, facilmente percebem quem está agora a pagar esses negócios...
 
Note-se, que falamos das barragens que, mais tarde (2011, 1021) se dizia colocarem em causa o estatuto “Douro Património Mundial”. Imaginam o cenário que resultaria do cancelamento dessas obras, como iria o Estado devolver esse dinheiro à EDP e indemnizar as partes envolvidas (empreiteiros, projectistas, municípios, trabalhadores…)?

Isto não é mascarar as contas?!


A empresa pública Parque Escolar:

Aqui assiste-se a uma prática similar às PPP Rodoviárias, difere apenas na circunstância de o concessionário das PPP rodoviárias serem entidades privadas e, neste caso, o concessionário (a quem as rendas são pagas) ser uma entidade pública. 
Um aspecto abordado na comunicação social, foi a chama “festa do Parque Escolar”. Mais uma vez, com recurso a fundos comunitários – mas com uma significativa componente de dívida à banca – foram efectuadas obras faraónicas em escolas pelo País fora (candeeiros Siza Vieira, pedras e mármores de países exóticos, sistemas de ar condicionado apenas usados em hóteis 5*, etc.). No entanto, um aspecto que não foi muito falado, e que explica como essa divida à banca será paga nas próximas décadas, é a circunstância de todas as escolas intervencionadas ao abrigo deste programa, passarem a ter de pagar avultadas rendas à empresa Parque Escolar. Esta, por sua vez e durante os próximos 20 – 30 anos, canalizará para a banca essas verbas de modo a reembolsar dívida assumida…

“Cada escola remodelada paga, em média, uma renda de 320 mil euros por semestre à Parque Escolar. Valores podem chegar aos 113 milhões por ano, quando estiverem prontas 178 escolas.”

Isto não é mascarar as contas?!


A empresa pública Estamo:

(esta é das minhas favoritas) Esta empresa pública foi criada para gerar receitas extraordinárias através da gestão do patrmónio imóvel do Estado, operava da seguinte forma: O Estado dispoe de um imenso parque de imóveis onde funcionam todos os organismos da sua (mostruosa) estrutura. A Estamo é uma empresa pública criada para adquirir imóveis ao próprio Estado (confuso?), passando os organismos e serviços do Estado que funcionavam nesses edifícios a ser inquilinos da Estamo.
 
Quem beneficiava com isto? A banca que, para além da assessoria e comissões das operações, emprestava dinheiro à Estamo para as operações de compra dos imóveis, por outro lado. o défice desse ano, com esta receita, lá baixava mais um pouco.
 
O problema, é que a partir daí, estes organismos - que não tinham despesas por ocuparem esses edifícios -, passam a ter rendas a pagar à Estamo (que, na verdade, é um mero intermediário da banca).

Isto não é mascarar as contas?!


E o que têm comum todas estas manigâncias contabilísticas? Todas elas, através de divida contraída à banca, contaram com a cumplicidade do sector financeiro e este, claro, entre comissões, pareceres e assessorias, elevadas taxas de juro, etc.., graças a quem desgraçadamente nos governou nesse período, encontrou à sombra do Estado – à custa dos contribuintes portugueses – a “galinha dos ovos de ouro”.    


Pelo exposto, tendo em conta o que foi esta gestão socialista, como classificar o comportamento de “virgens ofendidas”, no que diz respeito a esta questão de “alguém do sector financeiro vir propor a Sócrates instrumentos para maquilhar as contas do Estado”?!

Estas campanhas na comunicação social, um verdadeiro insulto à inteligência dos cidadãos portugueses, servem a quem?

Eu não sou jornalista, mas, nas afirmações e pontos de vista acima expostos, preocupo-me em citar fontes onde a informação base pode ser consultada. As nossas redacções, o que fazem?! Limitam-se a reproduzir afirmações de socialistas como os Galambas, os Zorrinhos (e outros, discípulos de Sócrates),  como se de factos consumados se tratassem, e usam-nas em manchetes e na abertura de telejornais! Se isto não é manipulação da opinião pública...

Caro leitor, desculpe pela franqueza, mas o que se passa neste País – nomeadamente, este jornalismo esquerdista – é nojento! 


 NOTA: Quando se usa o termo “gestão socialista”, refere-se essencialmente o consulado socretino. Acredito que também há pessoas honestas no PS, a questão é que a actual estrutura dos socialistas está refém de gente que enterrou o País! E como Portugal precisa que a “gente boa” do PS resgate o partido…

01 agosto, 2013

Filhos e enteados da comunicação social: Dilma Rousseff…

 
Muitos são os exemplos de duplo-critério da comunicação social no tratamento mediático dos temas que vão marcando a agenda política. Em resumo, pode dizer-se que as nossas redacções tratam:
          - tudo o que é “ de esquerda” (e não tem que o ser, o rótulo basta…) como INOCENTE até prova em contrário;

          - tudo o que é “ de direita”, como CULPADO até prova em contrário (neste caso, mesmo que seja um governo socialista em funções, rótulos como “austeridade”, “especulação financeira”, “grande capital”, etc., remetem automaticamente responsabilidades para a direita…).

A partir destes estereótipos (herdeiros do “Sebastianismo Abrilista”) temos uma gestão mediática – manchetes de jornais e aberturas de noticiários, nomeadamente – que reforça ou retira destaque aos assuntos de acordo com o seu desenvolvimento. É assim: se “a coisa“ corre de feição para “malhar na direita”, não se fala de outra coisa!
 
Veja-se o caso dos swap, por ex.: ao longo das últimas semanas o jornalismo investigou, vasculhou, procurou inconsistências, denunciou declarações contraditórias, enfim, tudo foi escrutinado (no que diz respeito ao papel de Mª L. Albuquerque).
No entanto, quando os factos e as evidências revelam, afinal, que a esquerda tem “telhados de vidro”, que as responsabilidades principais do assunto em questão até são do governo socialista, rapidamente o assunto começa a perder destaque e a cair no esquecimento… em vez do apertado escrutínio e vigilância com que os políticos ou personalidades próximas de direita, são contemplados, o jornalismo adopta uma postura bem mais passiva: não questiona, não investiganão identifica contradições, etc... Enfim, não há aquele entusiasmo... 
 


Insere-se neste contexto, a rúbrica “Filhos e enteados da comunicação social”, onde, através de casos concretos, se identificam exemplos deste duplo-critério do (fraco) jornalismo português. Desta feita, a personalidade é Dilma Rousseff

Ainda há dias, aquando da visita do Papa ao Brasil (jà agora, lembram-se de algum jornalista ou comentador luso referir o aproveitamento político feito pela “presidenta” dessa visita?...), num daqueles discursos típicos da “esquerda boazinha Vs direita maléfica”, dizia assim (notícia do Público) Dilma:

“Papa Francisco e Dilma Rousseff em sintonia contra as desigualdades no mundo”

“Na recepção ao Papa, a Presidente brasileira, que perdeu alguma popularidade no auge dos protestos de há umas semanas, considerou que a resolução da actual crise não deve limitar-se a medidas de austeridade e que os problemas sociais, por ela criados, não podem ser esquecidos….”

“Dilma propôs uma aliança para combater as desigualdades e a pobreza.”


Lá está a cassete. O P.T. (partido de esquerda, certo?!) governa o Brasil “vai para décadas”, mas, numa clássica manobra de sacudir a água do capote da sua própria governação (onde é que já vimos isto…), imputa-se a crise e “os problemas sociais”, às “medidas de austeridade”…

Enfim, Dilma – numa narrativa transversal à “esquerda”, diga-se -, recorre aquela lógica infantil que pretende explicar a actual crise, não como uma consequência de anos a fio de péssimas decisões económicas em contexto de globalização, da acumulação de dívidas monstruosas ou das promessas líricas de Estados Sociais que tudo asseguram. Não! Ao ouvir a "voz da esquerda" (e o jornalismo militante, seu fiel seguidor), esta crise resulta exclusivamente das políticas e dos políticos que defendem a “austeridade”. Dilma, claro está, não se encontra entre esses malévolos indivíduos, mas entre a galeria de políticos bonzinhos, os defensores da “anti-austeridade”.

Se as palavras e a narrativa são estas, vejamos agora os actos e as atitudes… através do Blasfémias e graças à “incontornávelHelena Matos, cruzei-me com uma interessante notícia (da Reuters) que dá umas pistas sobre o que representa e em que consiste afinal essa posição “anti-austeridade” que o Brasil de Dilma defende:

“Brasil cita risco de calote e nega apoio a novo auxílio do FMI à Grécia”
“Onze países da América Latina se recusaram a apoiar a decisão do Fundo Monetário Internacional nesta semana de continuar financiando a Grécia, citando riscos de não pagamento”

Ora cá está, ao contrário dos mal-intencionados defensores da “austeridade” - que ameaçam deixar de dar apoio financeiro à Grécia, caso os gregos não façam as reformas necessárias ( no sentido de tornarem-se uma nação sustentável) -, o governo de Dilma adopta uma posição completamente diferente e… ameaça cortar o auxílio financeiro à Grécia. Entenderam?

Esta notícia é tanto mais interessante quando se analisam outras afirmações do representante do Brasil (e de outros países sul americanos), junto do FMI e se constata a existência de um conflito entre os países sul-americanos e os países europeus:

“Sob comando da Alemanha, a zona do euro prometeu considerar medidas brandas para ajudar a Grécia no ano que vem… Mas o FMI alertou que a Grécia precisa reduzir sua dívida mais intensa e rapidamente, a fim de estimular a confiança dos investidores e obter um crescimento econômico anual na faixa de 3 por cento, podendo assim concluir o resgate financeiro.”

Notável! Já não bastava a narrativa dissimulada de esquerda, que se descarta de qualquer responsabilidade em relação a todos os males desta crise (eles "é só" crescimento e emprego), afinal, enquanto nos jornais, rádio e televisões, os vemos jurar fidelidade eterna à “anti-austeridade”, na retaguarda dos gabinetes - onde, note-se, as decisões são tomadas - criticam, por serem demasiado brandas, as medidas de ajustamento propostas por aqueles que publicamente são catalogados como os “apaixonados pela austeridade”!

Talvez seja só eu a ver aqui uma enorme hipocrisia… até porque não vi nenhum jornalista ou comentador a vislumbrar qualquer incoerência entre o discurso e os actos da “presidenta” Dilma.
 
O caro leitor viu?!


 

04 janeiro, 2013

O fardo do Juros, o Chico-espertismo e o PEC IV


Um bom exemplo do alinhamento de boa parte da comunicação social com o "chico-espertismo" do discurso da esquerda - nomeadamente a bancada do PS -, é a repetição e o constante ruído de fundo à volta da suposta necessidade de Portugal “renegociar a dívida para pagar menos juros”. 

Vejamos, o governo socialista liderado por Sócrates, mais que duplicou a dívida nos seus 6 anos de governo. É nesse período de governação, portanto, que é tem origem mais de metade do montante de juros  - cerca de 8.000 milhões de euros - que hoje temos de pagar. Para os mais distraídos, recorde-se a herança de um governo cuja maior parte dos membros (também convém lembrar) estão hoje sentados na Assembleia da República, entre outras coisas, a clamar contra inconstitucionalidades como se não tivessem nada a ter com a actual crise:

    - uma dívida directa que subiu 90.000 milhões de euros;
    - que a dívida indirecta do sector público empresarial – ascendeu aos 30.000 milhões;
 

Momento 1 - O Jornalismo militante, diz-nos que pagar menos juros não é prioritário:
Considerando o crescimento anémico da economia portuguesa, apesar de quase 20 anos de políticas económicas dominadas pele lema “há mais vida para além do défice”, desde o final dos anos 90, personalidades alertavam para o trajecto de insustentabilidade, a prazo, da nossa dívida. Este facto ficou evidente com a crise financeira de 2008. 

Mas, apesar das evidências e das diversas vozes que alertavam para a circunstância de Portugal não conseguir pagar a dívida acumulada, esta questão da capacidade para o País pagar os juros dela decorrente, nunca foi uma escolha das redacções para a abertura de telejornais ou manchetes. O espaço mediático, aliás, entre 2007 e 2009 era dominado pelo optimismo e um corropio de eventos protagonizados pelos responsáveis socialistas enquanto inauguravam mais um parque eólico, mais uma auto-estrada ou, essa infra-estrutura estratégica, que é o aeroporto de Beja.

Nessa altura - a “era dourada” das PPP, do Parque Escolar, do Magalhães, das Eólicas, etc. - decisões políticas que determinaram a enorme dívida e juros que agora temos de pagar… a comunicação social funcionava como uma espécie de caixa de ressonância da teoria “crescimentista”. Não era raro ver ridicularizados na comunicação social personalidades como Medina Carreira, Manuela Ferreira Leite e outros (ora recorde lá jornalistas falarem no problema dos juros que Portugal teria de pagar no futuro…). 

Aliás, basta recordar as eleições de 2009 onde, em plena crise, aumentando em quase 3% os funcionários pblicos, apoiado num discurso completamente irrealista de mais estado social e investimento público, por pouco, Sócrates não consegue maioria absoluta, apesar de uma situação económica de descalabro iminente. Determinante, foi o papel da comunicação social cooperante, que de episódio em episódio ia desacreditando M. F. Leite que, como se viu depois, tinha razão quanto à impossibilidade da continuação das políticas socialistas…


Momento 2 - O Jornalismo militante, diz-nos que pagar menos juros não é prioritário:

Depois das eleições, rapidamente se constatou a fraude do discurso da campanha socialista, cuja vitória assentou na promessa de “mais investimento púbico”, “mais emprego”, etc.. A realidade, por muitos discursos e muito “sounbyte” debitados, ditava algo diferente: pura e simplesmente não havia dinheiro e os juros de dívida pública iniciaram a sua escalada.
Vieram os cortes, a subida de impstos, os PECs… I… II…III e o famoso PEC IV.

Este - o PEC 4 - é um dos maiores mitos no discurso político recente. Não há semana em que um socialista não venha dizer que “caso o PEC 4 não fosse chumbado, não estaríamos nesta situação”. Esta é uma "chico-espertice" que o Bom Jornalismo teria obrigação de desmontar…

Recuemos ao final de 2010: em Novembro os juros da dívida superam os 7%, no momento do PEC IV (Janeiro / Fevereiro de 2011, rondavam os 8%). Para que Portugal continue a pagar as “despesas correntes” e a contrair dívida (afinal, mais uns mesinhos e estariam no terreno o TGV, o novo aeroporto de Lx e a 3ª travessia do Tejo), os portugueses seriam chamados a mais sacrifícios, depois de verem a aprovação de 3 PEC anteriores (com o acordo do psd) .

Ainda hoje, e aqui reside a "chico-espertice", se diz que Sócrates tinha um acordo com o BCE, mas alguém acredita nisto?! Viram alguém do BCE confirmá-lo?! Pura fantasia, então com a Grécia e a Irlanda, já naquele momento, sob resgate financeiro das instituições europeias e do FMI, é preciso ser muito crente em Sócrates para acreditar que daria um tratamento privilegiado a Portugal. O PEC IV limitava-se a ganhar mais algum tempo e, provavemente, possibilitar que alguns projectos atingissem um ponto de não retorno (também aqui, lembram-se de ver na comunicação social preocupação quanto aos juros que estas opções comportariam no futuro?).

Momento Actual: O Jornalismo militante, diz-nos que pagar menos juros é prioritário!
2012, o culminar daqueles anos de endividamento está aí: "a despesa com juros representava 79 por cento do défice orçamental no termo do terceiro trimestre". Mas agora - depois de anos a "assobiar para o lado", depois de toda aquela dívida ser contraída e por isso temos agora de a pagar - assiste-se, diariamente, a comentadores, jornalistas, etc., formando uma unanimidade em torno da necessidade de pagar menos juros – pergunta-se: onde andavam estas luminárias entre 2005 e 2010, no período em que a dívida foi contraída?

Mas, o cúmulo é assistir, com a maior passividade por parte daquele jornalismo sempre tão pronto a atitudes inquisitórias, aos mesmos socialistas que, ainda há menos de 2 anos, defendiam o PEC IV e, portanto, defendiam a continuidade dos empréstimos a taxas de 8% (ou mais…), converterem-se agora nos maiores inimigos da dívida e passarem a vida a dizer aos portugueses que “é insustentável pagarmos tantos juros” que o Governo tem de renegociar a dívida! Cavalgando a típica memória curta portuguesa, cultivada pelo espaço mediático e o jornalismo miltante, repetem à exaustão que não podmos pagar tantos juros, que é obrigatório renegociar a taxa do empréstimo da Troika (cujo juro é 3,4%, recorde-se).

Mas querem fazer de nós parvos!? Se, como atrás se explicou, o PEC IV implicava que Portugal continuasse a contrair dívida nos mercados a uma taxa de 8%, quase o triplo dos juros da Troika, é preciso muito descaramento!... Isto é sério? E o jornalismo que permite esta farsa e na prática, protege esta politiquice e "chico-espertismo", como fica neste filme?

Por favor acabe-se com o mito. Imaginemos que o PEC 4 tinha passado no início de 2011: Portugal, ter-se-ia aguentado mais uns 6 meses. No terreno, provavelmente, estariam o TGV, o novo aeroporto e sabe-se lá mais o quê… à nossa dívida teriam sido somadas mais umas dezenas de milhares de milhões de euros a um juro bem mais alto, i.e., estaríamos num buraco ainda mais fundo, o que obrigaria à necessidade de maiores cortes e de mais impostos, na actualidade e no futuro. 

Em resumo e ao contrário do que se pretende fazer crer, õ PEC IV não constituia qualquer salvação. Foi possivelmente o chumbo do PEC 4 que evitou a degradação da situação portuguesa ao ponto da situação a que a Grécia chegou. “Vá de retro!”, PEC 4!
 
 
 

13 dezembro, 2012

O maior défice em Portugal é a falta de memória.


Curiosa, esta preocupação recente dos socialistas, secundados pelo habitual jornalismo militante, a propósito da urgência e da necessidade imperiosa de Portugal pagar menos juros pelos empréstimos contraídos.

Como se, desde 2000 até 2011, a política portuguesa não tivesse sido caracterizada, precisamente, entre:
     - a “direita” e “centro-direita”, cuja mensagem fundamental era: no futuro não haveria dinheiro para pagar a dívida que se ia acumulando em virtude das políticas socialistas, bem como os juros decorrentes da mesma;

     - a “esquerda” e o PS, que agora, apregoa a absoluta necessidade de pagar menos juros, depois de uma década a “assobiar para o lado” e a responder aos que alertavam para o caminho que estava a ser trilhado, com tiradas célebres como o “há vida para além do défice”, que “o importante não eram os números eram as pessoas” e que era necessário mais “investimento público” para fomentar o “crescimento económico”…

E nesse período, qual foi o papel da comunicação social? Será que cumpriu as suas obrigações na missão de informar os portugueses para as consequências das opções então tomadas?

E hoje? Quando, os mesmos que durante décadas cavaram esta dívida e estes juros, que nós contribuintes temos de pagar, aparecem nos telejornais e na imprensa, com o ar mais descomprometido do mundo, a falarem na redução do pagamento de juros para “aliviar os sacrifícios dos portugueses”, será que os jornalistas prestam um bom serviço à sociedade sendo cúmplices do encobrimento da responsabilidade destes Srs?

Definitivamente, o maior défice em Portugal é o de memória!

Um desabafo… tento educar os meus filhos no princípio que as nossas acções de hoje terão consequências no futuro e, por isso, devemos ponderar bem os prós e contras envolvidos nessas decisões. Mas às vezes, lendo jornais, vendo televisão, fico com a sensação que este meu método está muito desactualizado…


23 novembro, 2012

Poupanças dos portugueses em queda, será mesmo?

Nos últimos dias, inúmeros artigos e reportagens têm-nos dado conta de uma sangria nas poupanças dos portugueses. Obviamente, os tempos não são fáceis e este facto vem sendo apresentado como uma consequência do tal "empobrecimento do país" em curso. Uma notícia da TSF rezava assim:
 
 
No entanto, com os media portugueses é sempre necessária muita cautela... Há umas semanas atrás tinha lido uma notícia que indiciava precisamente o contrário, ou seja, que as poupanças teriam crescido cerca de 5% de 2011 para 2012 (claro que essa notícia correu nas últmas páginas dos jornais não tendo merecido quelquer destaque...), o assunto merecia uma investigação!
 
A TSF, de onde foi extraído o link anterior, publicava no final de Agosto:
Os depósitos das famílias cresceram 1,9 por cento entre maio e junho de 2011.

Em termos homólogos, os depósitos aumentaram 5,2 por cento, passando de 118.402 mil milhões de euros contabilizados em Junho de 2010 para 124.514 mil milhões de euros em Junho de 2011.

Note-se que o mesmo órgão de comunicação social publica artigos completamente contraditórios pois, mesmo com o decréscimo de depósitos entre Agosto e Setembro de 2012, os números indicam que no último ano as apicações financeiras dos portugueses têm um balanço positivo.

Entretanto, hoje, o Banco de Portugal veio esclarecer que:
"a queda nos depósitos verificada em setembro não se deve a uma diminuição das poupanças das famílias, mas sim a uma reorientação para outras aplicações financeiras, sobretudo obrigações."
"O valor total das aplicações financeiras dos portugueses está hoje «muito em linha» com o observado há um ano, havendo apenas uma reorientação diferente destas."

Concusão: a ideia que a muita comunicação social faz / fez passar - que a  quebra dos montantes aplicados em depósitos corresponde a um aumento de dificuldades dos portugueses -  não é exacta nem verdadeira.

Com jornalismo assim...