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08 abril, 2015

“Cortam, cortam, cortam, mas a despesa aumenta!”, ouço à mesa durante o almoço…

O desabafo em título, foi ouvido ontem durante o almoço e é uma daquelas ideias que, de tão repetidas na agenda mediática - pelas vozes da oposição, mas também por diversos comentadores -, tornou-se em mais um daqueles casos de “ideia implantada”.

Quando disse (perante a atitude reprovadora da maioria dos presentes…) que essa ideia não correspondia aos factos e que, pelo contrário, a despesa baixou uns largos milhares de milhões de euros, ainda obtive como resposta “Tenho a certeza que não é assim, pois já vi muitos comentadores na televisão a dizê-lo!”.

Enfim… “Uma mentira mil vezes repetida, transforma-se em verdade…” 

Você também está convencido que a despesa aumentou?

A partir do Portal do Governo (que, note-se, recorre a dados oficiais) testemos a adesão à realidade desta “ideia implantada”. 
 
O gráfico seguinte representa a evolução da despesa, mas sem a componente dos juros (despesa primária).

 


Conclusão: ao longo de quatro anos, existiu uma redução acumulada de cerca de 11 500 milhões de euros.


Algumas notas sobre esta evolução:

- outra “ideia implantada” traduz-se na noção generalizada de a despesa ter baixado, exclusivamente, em função dos cortes aplicados a vencimentos e pensões. Isto também não é verdade, já que o peso desses cortes na despesa é muito inferior (menos de metade) dos 11.500 milhões de redução de despesa;

- o efeito ainda desconhecido dos portugueses, da pesada herança das políticas seguidas no consulado de Sócrates (e não falo de questões criminais). O quadro em baixo (fonte INE e Banco de Portugal) permite-nos constatar que em 2005 a despesa com juros era inferior a 4.000 milhões de Euros. 


 
No entanto, fruto de coisas que permanecem como orgulhos do PS”, os portugueses têm hoje de suportar quase 9.000 milhões de euros de despesa com juros! E a este (mais do que) duplicar de encargos com juros, há ainda a somar as rendas com PPP que representarão nos anos vindouros mais 1.500 a 2.000 milhões de euros anuais… 


Povo que vos indignais! Entre 6.000 e 7.000 milhões anuais do vosso esforço, do vosso trabalho, vão direitinhos para o pagar a “visão” socialista que, Sócrates e seus companheiros de partido, executaram entre 2005 e 2010.

Esses mesmos que vos preparais para reeleger…     

“No encontro, em que teceu duras críticas à governação PSD/CDS, António Costa afirmou também que, “ao contrário do que o Governo diz, apesar dos cortes nos salários, cortes nas pensões, cortes das despesas sociais, apesar do aumento da carga fiscal, a verdade é que as finanças públicas não estão melhores do que há quatro anos”.”


Voltando à discussão durante o almoço: como normalmente faço, disse ao "indignado" para ser mais desconfiado em relação às coisas que e ouve na televisão e nos media em geral. Que fizesse uma pesquisa na net, observa-se os dados e, então, retirasse as suas conclusões.    

 
Os media, deviam confrontar aqueles que dizem que finanças públicas estão pior com os factos e não colaborar com a sua estratégia.
 
Em Portugal, os cidadãos não votam em função de factos e de informação objectiva, mas em função de opinião e emoção induzidas em relação ao político A ou B.
 
 
 
 

19 março, 2015

Lista VIP e a rendição à tirania mediática.

 
Anda tudo indignadíssimo com a “lista VIP” de contribuintes. Aqui e acolá, ouço jornalistas e comentadores dizerem que os cidadãos não aceitam que existam contribuintes de e contribuintes de . Que esta polémica veio abalar a confiança dos portugueses no Fisco…
É mais um caso de ideia implantada.
Vejamos, o caso começou na sequência da seguinte constatação: funcionários do fisco, por mera curiosidade andavam a bisbilhotar a informação fiscal de alguns contribuintes. Pessoalmente, tomar conhecimento que isto pode acontecer com total leviandade, é que abala a minha confiança no fisco...
Mas parece que isto não preocupou ninguém. Aliás, é delicioso verificar que até a comissão nacionalde proteção de dados se manteve sossegada perante este assunto – o sigilo e a reserva da informação fiscal dos portugueses não estava em causa, presume-se -, mesmo com declarações públicas do presidente do sindicato afirmando “…que é uma prática comum os funcionários consultarem as informações fiscais dos contribuintes quando há sinais exteriores de património acima da média” – já agora, qual é a média?...
Caro cidadão, não pense pela sua cabeça, deixe que os jornalistas o façam por si!
Por favor, ponham o mais rapidamente possível, Costa no lugar de PM para que este clima de histeria e constante polémica na comunicação social cesse. O meu sistema nervoso já não aguenta…
Estivesse o PS no governo e, não tenho dúvidas, assistiríamos a um enquadramento e discussão mediática completamente distinto. O drive da indignação seria algo do género:
 
Como é possível que os cidadãos estejam à mercê do voyeurismo dos trabalhadores dos impostos?!
 
Como é possível que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Impostos se ache acima do direito constitucional dos portugueses à reserva e sigilo da sua informação fiscal?!

 
No plano mediático, bem longe do clima de histerismo e indignação atuais, assistiríamos à abertura de telejornais  dando conta aos portugueses que o governo socialista estava atento à situação e que estava já a preparar medidas no sentido de estabelecer um controlo mais apertado à possibilidade de acesso indevido à informação fiscal dos cidadãos…    
 
 

12 fevereiro, 2015

Lembram-se da dívida da Madeira? Ou quando a Esquerda reclamava austeridade para aqueles que acumularam dívida…


Já não suporto a ladainha – autêntica cópia da postura do BE sobre o tema - e a chantagem emocional usadas pelo jornalismo tipo TSF sobre a situação da Grécia (uns querem a condenação dos gregos contra "os outros", que os querem salvar).


A contínua repetição na agenda mediática da ideia de vitimização dos gregos, que a pobreza e miséria que sobre eles recaiu se deve aos “grunhos” dos alemães e de todos os que defendem a austeridade. Em suma, estou farto que me façam sentir um pulha só porque penso que a miséria que se abateu sobre a Grécia é, essencialmente, consequência do que andaram a fazer durante décadas e que o perdão da dívida não servirá para nada…


Solução para a dívida da Grécia Vs Solução para dívida da Madeira

Basta recuar ao final de 2011 e ao célebre “buraco” da dívida da Madeira, para constatar a coerência desta malta. Como facilmente se constata numa busca no Google, a coerência das posições de BE, PCP e PS, sobre dívida e austeridade, são desconcertantes…


A dívida da Grécia, dizem, é injusta e imoral. É essencialmente fruto das políticas europeias, designadamente, do próprio programa de ajustamento imposto à Grécia. Logo, existem razões plausíveis para não pagar. Os gregos são as vítimas desta estória.

E qual foi a posição desta malta relativamente à dívida da Madeira?... Basta analisar, em finais de 2011, os termos usados por Louçã para se referir ao assunto:

 “… é preciso que se faça uma auditoria às contas da região “para proteger a Madeira e todos os contribuintes no país inteiro que têm sido obrigados a pagar este descalabro das contas e este facilitismo das contas de Alberto João Jardim, que é o primeiro e único responsável pelo buraco financeiro da Madeira”…”


Note, a dívida é da exclusiva responsabilidade do “descalabro” e do “facilitismo” dos que governaram a Madeira. Não existiu contributo das políticas nacionais ou europeias, para esse desfecho.



Quando se fala da Grécia, está sempre presente uma ideia de obrigação moral dos seus parceiros europeus, perdoando as dívidas, “salvar” os gregos. No caso da Madeira, o tom usado era “ligeiramente” diferente… voltemos a Louçã:

“... “Desconfiamos que no dia em que Pedro Passos Coelho vier fazer um comício ao lado de Alberto João Jardim, por cada minuto do discurso, nós todos vamos pagar 30 milhões de euros, até chegar aos 500 milhões do cheque que ele vai passar a Jardim

Em vez de apelos à solidariedade com a Madeira, a “esquerda” alertava para a circunstância de estar em curso o pagamento do “descalabro” madeirense "à custa de nós todos”



Na Grécia, a austeridade é a culpada da situação económica grega e tem que ter um ponto final. No caso da Madeira, pressionava-se o governo de Passos para aplicar o respetivo plano de austeridade! E, era implícito, esse plano de austeridade tinha de assegurar que seria a Madeira – e não os contribuintes de todo o país – a pagar a crise


“O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, confrontou o primeiro-ministro com o compromisso assumido pelo Governo no anterior debate sobre a Madeira, no qual Passos Coelho se referiu ao plano de austeridade para resolver a dívida do arquipélago.
 
[…] Na intervenção de hoje, o primeiro-ministro garantiu que será "prioritariamente" a região autónoma a fazer "o esforço de correção" orçamental e financeiro e não o país na sua globalidade.”

Só para demonstrar que a posição do PS era (então como agora...) sensivelmente a mesma do BE…

Seguro desafia Passos Coelho a esclarecer quem paga "irresponsabilidade" da dívida da Madeira

Referindo que a dívida da Madeira é de oito mil milhões de euros, António José Seguro disse que "os bebés daqui [região autónoma] já nascem endividados".



A coerência desta gente em termos de doutrina sobre dívida e austeridade, fica bem patente…

Que moral, têm aqueles que acusam os alemães de falta de solidariedade com os gregos, quando a posição que adotaram em relação à resolução dos problemas da dívida dos seus próprios compatriotas, foi a que se vê nos excertos acima?


Para finalizar, notar que o tratamento mediático destes dois casos – o da Madeira e o da Grécia – é também exemplar num outro plano: a sistemática colagem dos meios de comunicação social, às posições políticas de circunstância da esquerda.
 

 

14 novembro, 2014

A raíz de todo o mal…os Vistos Gold!




Este sistema de vistos gold é uma vergonha! E é obrigatório - em qualquer jornal, rádio e televisão – dizê-lo: este governo psd/cds é o responsável por trazer o cancro da corrupção para o interior da sociedade portuguesa!

Temos de nos indignar com o Portas e o Passos. Não bastava a sua opção deliberada e ideológica, de “empobrecer os portugueses”, como ainda provocaram a degradação da moral e honestidade do bom povo português!

Alguém se lembra, em tão curto espaço de tempo, tantos casos de polícia, tantas detenções relacionadas com corrupção na máquina do estado?! Não me venham dizer que agora “a justiça está a funcionar” e que, de alguma forma, este governo contribuiu para isso!...
 
Tudo permanece igual na Justiça, o fenómeno da corrupção é que foi incentivado pelo Governo de Passos Coelho. Essa é a ideia que os portugueses têm de reter!  


Em inúmeras áreas da vida dos portugueses, não podemos deixar de o dizer na imprensa, na rádio e na televisão, Portugal e os seus cidadãos terão de esperar anos, para recuperar dos estragos e malefícios causados por este governo…


Entretanto, numa notícia de 2013 sem qualquer conexão com esta matéria...


"Lisboa é a cidade menos honesta do mundo.

...Para este estudo os investigadores deixavam cair no chão 12 carteiras no total, espalhadas por locais movimentados das cidades e ficavam depois a observar se os transeuntes ficavam com as carteiras ou as entregavam a alguma autoridade para que pudessem ser devolvidas aos seus donos. Cada carteira continha ainda cerca de 50 euros, fotografias de família e contactos.

Em Helsínquia 11 das 12 carteiras foram entregues, enquanto em Lisboa apenas uma foi devolvida - não por um lisboeta mas por um casal de holandeses que se encontrava de férias.

No total, das 192 carteiras apenas cerca de metade foi devolvida.

O estudo conclui ainda que as condições económicas não têm impacto directo no facto de as pessoas ficarem com o dinheiro ou não. Mumbai, na Índia, alcançou a segunda posição, com os cidadãos a devolverem nove das 12 carteiras. Em comparação, apenas quatro foram entregues em Zurique, na Suíça.

Conheça a lista completa das capitais:

1. Helsínquia, Finlândia: 11 de 12 carteiras

2. Mumbai, Índia: 9 de 12

3. Budapeste, Hungria: 8 de 12

4. Nova Iorque, EUA: 8 de 12

5. Moscovo, Rússia: 7 de 12

6. Amesterdão, Holanda: 7 de 12

7. Berlim, Alemanha: 6 de 12

8. Liubliana, Eslovénia: 6 de 12

9. Londres, Reino Unido: 5 de 12

10. Varsóvia, Polónia: 5 de 12

11. Bucareste, Roménia: 4 de 12

12. Rio de Janeiro, Brasil: 4 de 12

13. Zurique, Suiça: 4 de 12

14. Praga, República Checa: 3 de 12

15. Madrid, Espanha: 2 de 12

16. Lisboa, Portugal: 1 de 12


 
 

13 novembro, 2014

Há imunidades e imunidades…

 
Seria interessante conhecer a posição de princípio da redação do Público sobre o estatuto de imunidade parlamentar.

Se, neste primeiro caso, o Público parece ter-se empenhado em demonstrar junto dos leitores que tal estatuto pode ser usado para "bloquear" e "suspender" o regular funcionamento da Justiça:


"Imunidades dos deputados e governantes da Madeira bloqueiam mais de 60 processos nos tribunais

Nos tribunais da Madeira estão suspensos 61 processos criminais devido à não autorização do levantamento da imunidade de deputados ou por recusa do presidente e membros do governo a deporem, como testemunhas ou arguidos, em audiências de julgamento."


Já eeeemmmm ooutrooooosss caaasooooos, designaaadaaaameeenteeeee com sociaaaliiiiiistaaaaas (a cena do Pires de Lima não me sai da cabeça!), o mesmo Público, limita-se a informar sobre a recusa do Parlamento Europeu de um pedido de levantamento de imunidade.

 

Ao contrário do caso anterior, hoje o Público optou por não lembrar os que o leram, a circunstância de o estatuto de imunidade servir para "bloquear" este ou aquele processo judicial.


Aliás, lendo o Público e outros meios de comunicação social que hoje dão notícia da decisão do PE, todos ficamos a perceber como pode ser importante o estatuto de imunidade parlamentar, nomeadamente, para proteger algumas figuras que são objeto de "tentativas de intimidação e silenciamento".

 
Aguardemos pois, pelo próximo caso de levantamento da imunidade, confiando sempre que a comunicação social nos ajudará a separar o "trigo do joio"...
 
 
Caro cidadão, não pense pela sua cabeça! Deixe que os jornalistas o façam por si...
 


       

08 novembro, 2014

A última indignação contra Merkel e o Jornalismo de Intriga…


A mais recente indignação coletiva contra a Sr.ª Merkel foi, afinal, mais um caso do Jornalismo de Intriga… 

Graças à blogosfera, cheguei a este post e ao resultado da investigação que a autora se propôs fazer em relação às afirmações que a comunicação social atribuiu a Merkel:
 
"... Anteontem não se falava de outra coisa. Fomos mesmo bombardeados com as alegadas afirmações da senhora por órgãos de comunicação social que costumam tentar distanciar-se de outros, enfim, mais useiros e vezeiros nestas matérias. Houve mesmo um ministro que respondeu às alegadas afirmações da senhora. Crato, who else.
 
Nas redes sociais (Twitter e Facebook) foi uma festa. Só comentários indignados, e outros pior ainda. Eu própria comecei por embarcar na coisa.

Mas depois parei para pensar e fui atrás.

Todos citavam a Lusa e
Bloomberg. A Lusa referia a Bloomberg. Na Bloomberg, nada. Órgãos de comunicação social espanhóis? Nada. Imprensa internacional? Nada. Eu conseguia encontrar várias notícias sobre o discurso da senhora, mas referências a Portugal e Espanha? Nada.
 
Recorro ao Twitter e ao Facebook. Pergunto. Alguém sabe? Pessoas a viver na Alemanha? Nada. No Luxemburgo. Em Espanha. Em França. Ninguém conseguia encontrar nada.

E eu queria contexto. 
 
E finalmente chega-me o contexto e o enquadramento de que eu precisava, e que me devia ter sido dado pelos órgãos de comunicação social. E chegou-me através da Helena Ferro de Gouveia que deixou um comentário num post que a Helena Araújo escreveu no Facebook.
 
O que a senhora disse foi (adaptado da tradução da Helena Ferro de Gouveia):
 
“Eu peço a todos vocês para tornarem claro nos vossos discursos em escolas e perante jovens: a formação profissional é um excelente pré-requisito para levar uma vida de prosperidade. Não tem necessariamente que se ter tirado um curso superior. Isto é muito, muito importante. Faremos tudo o que estiver no nosso poder, também a OCDE, que nos fornece muitos números úteis que afirmam que não é uma “descida” social, que o filho ou a filha de um trabalhador qualificado complete uma formação como trabalhador qualificado novamente e, de seguida, se torne num bom técnico. Internacionalmente reconhece-se que não é uma “descida” e que isto não significa que o sistema de educação tenha fracassado. Temos que abandonar a ideia de que o ensino superior é o Nonplusultra para uma carreira bem sucedida. De outra forma não poderemos provar a países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados e procuram hoje vias de formação profissional, que isso é bom”.

Ora, isto é muito diferente de "Merkel diz que Portugal tem demasiados licenciados". Isto é um "temos, nós próprios, de tomar consciência disto, porque senão não temos moral para dizê-lo aos portugueses e aos espanhóis".
 
..."

Enfim, nada de novo para quem vai lendo este blog... Merkel está, ideologicamente, do "lado errado" e, como outros, é objeto de uma espécie de linchamento mediáticoQualquer um de nós pode ser alvo deste processo sujo: retirar do contexto uma frase mais polémica que, facilmente pode ser deturpada e usada numa campanha deste género.
 
Os media nunca se retratarão do tratamento parcial e manipulador que reservaram a este caso (e a outros...). Daqui para a frente - como se de verdades inquestionáveis se tratasse -, ouviremos em discussões públicas afirmações do género "A Merkel acha que temos de ser analfabetos.", "A Merkel não quer licenciados em Portugal, quer escravos!", etc... 
 
Mais uma "verdade fabricada" e uma ideia implantada. Caso idêntico, é a célebre frase / desejo atribuído a Passos Coelho que "queria que os portugueses emigrassem". Quem se der ao trabalho de ir ler o que ele disse, facilmente constatará que não foi nada disso.   


Entretanto, nos comentário do mesmo post, mas sobre outra recente polémica que fez "correr muita tinta", pude constatar mais esta pérola do nosso jornalismo de intriga. É incrível como o rigor e isenção são negligenciados de forma a gerar estas ondas de indignação que, quase diariamente, percorrem as redes sociais...

 

(texto da autoria de "Marco")
 
Já que os jornais desistiram de investigar e informar com rigor, decidi perder aqui 10 minutos a ler a notícia com atenção e a escarafunchar o site das finanças.
Então é assim: saiu hoje uma notícia que as finanças iam vender a casa de família de uma senhora que tem dívidas sobre o IUC duns carros abatidos há uma porrada de anos, e que já lhe penhoraram o salário e mais não sei o quê. Está aqui no Económico, por exemplo: http://economico.sapo.pt/…/fisco-vende-hoje-casa-de-familia…
 
(já agora, tendo em consideração a similitude entre os vários jornais, isto tem todo o aspecto de ter sido copiado de um take da Lusa ou algo do género - ou então copiaram uns pelos outros, o que também é cada vez mais normal)
1. Inventar um nome fictício para uma pessoa que é identificada em 2 minutos no site das finanças é simplesmente estúpido. Não vou divulgar o nome da senhora, porque não sou jornalista, mas é trivial e croquetes de encontrar;
2. É incrível como é que passam cinco anos e ela não se dá conta que tem IUC por pagar. Quanto mais não fosse, ao entregar o IRS, saltava logo. Mas pronto, dou de barato, porque que quem recebe o salário mínimo, na maioria das vezes, está isento de entregar a declaração de IRS. Siga;
3. A casa não foi posta à venda hoje. Em primeiro lugar, porque hoje era o último dia para entrega de propostas (as finanças não vendem, leiloam) e em segundo porque o processo até está suspenso ao abrigo do n.º 4 do Art.º 264.º do Código do Procedimento e do Processo Tributário. Tudo informações que estão no site das finanças (e que os jornais não encontraram ou não lhes interessou encontrar);
 
4. Já que falamos no último dia para entrega de propostas (que era ontem), a senhora alega que recebeu a notícia há um mês. Peta. Pura peta. A abertura do leilão foi no dia 28 de Janeiro (fonte: adivinhem? site das finanças). Há 10 meses, portanto. E é garantido que a senhora, como fiel depositária do bem a leilão, foi notificada;
5. A senhora também diz que ganha o salário mínimo e que há cinco meses que tem o salário penhorado. Uma destas duas coisas é pura mentira. As penhoras de rendimento incidem, no máximo, sobre 1/3 do mesmo que seja superior ao salário mínimo. Portanto, uma pessoa cujo único rendimento seja o salário mínimo está sujeita a uma penhora de... zero. Há três cenários: ou a senhora tem outros rendimentos (pensão de viuvez, talvez?), ou não ganha o salário mínimo, ou não tem penhora nenhuma;
6. A notícia diz ainda que a casa do sobrinho está no mesmo terreno e que vai ser vendida também. O site das finanças diz-nos que o imóvel tem 90m² e que o terreno tem 100m². A menos que a casa do sobrinho seja alguma casota de cão, algo aqui não bate certo. A realidade é que a casa do sobrinho fica do lado esquerdo da fotografia (vê-se a sombra do telhado) e tem para aí o triplo do tamanho (facilmente visível no Google Maps). E, não, não vai ser leiloada (nem vendida) em conjunto;
 
7. Já disse isto, mas volto a dizer: o leilão está suspenso, por ter sido pago 20% do valor em dívida. Claro que os jornalistas se "esqueceram" de referir o facto. Quer dizer, a senhora dá a entrevista, "coitadinha de mim que me vão vender a casa", é publicada neste pressuposto e agora deixa-me cá ir pagar 20% da dívida. Aliás, como é que, com ordenados penhorados e entregas "de 50 ou 100 euros, conforme pode", ainda não estavam 20% (380€) pagos?
Mais do que o caso da senhora, que é dramático mas com mais buracos do que um Emmental, o que está aqui em causa é a péssima qualidade do jornalismo cá do burgo. Miserável.

É isso mesmo - miserável - define bem o jornalismo que temos...
 
Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...



 

29 agosto, 2014

O que têm em comum a Igreja e Israel? Má Imprensa…

 
Já por diversas ocasiões aqui se referiu que uma das maiores falhas do nosso jornalismo, é a forma como a agenda mediática é utilizada - não para tratar os assuntos de “per si”, recorrendo a informação isenta e factual -, mas antes para usar esse espaço como ferramenta de “doutrinação ideológica” dos cidadãos. Como é habitual, a agenda mediática tende a beneficiar a perspetiva e a narrativa da esquerda.
Vejamos dois temas distintos, ambos delicados, mas onde a cobertura noticiosa apresenta traços comuns.

1 Fundamentalismo islâmico

Nos últimos dias, foi dado maior destaque às notícias que dão conta dos atos de barbárie indescritível que os jihadistas do Estado Islâmico vêm cometendo. No entanto, durante as semanas de guerra entre o Estado de Israel e os fundamentalistas do Hamas, semelhantes atrocidades vinham sendo cometidas mas as redações optaram por dar-lhes pouco destaque. Porquê?

Obviamente, porque, sendo o jornalismo militante tão abertamente pró-palestiniano, dar nessa fase destaque às notícias do Estado Islâmico – cujos princípios são partilhados pelos fundamentalistas do Hamas – enfraqueceria a narrativa esquerdista do “Estado agressor israelita”.

Nota: uma coisa é a criação de um Estado Palestiniano soberano e a necessidade de encontrar uma solução que confira e salvaguarde aos palestinianos direitos básicos de cidadania. Outra coisa é o que o Hamas defende, que é a erradicação do Estado de Israel! 


Vendo os telejornais durante o período mais agudo do conflito, a notícia recorrente (acompanhada das imagens de destruição e as vítimas palestinianas da guerra) era “Israel volta a bombardear Gaza”, mas eram claramente subvalorizadas as centenas de rockets diariamente lançadas sobre Israel (sabia que, em cerca de 40 dias, foram lançados 3.600 rockets?...) usando, não raras vezes, o seu próprio povo como escudo humano.

“Foreign correspondents emerging from the Gaza Strip since a cease-fire between Israel and Hamas went into effect two days ago are confirming Israel’s claims that Hamas was firing rockets during the month-long confrontation from residential areas and near UN facilities.”

 
Este é um assunto ultra-delicado. Obviamente, Israel também praticou / pratica “atrocidades” e as suas ações terão de envolver cedências. Mas, se nesta guerra – recordar que é disso que se trata - os israelitas reagissem, não da forma “musculada” e determinada como fazem, mas da forma como a esquerda portuguesa (e europeia, diga-se) entende que seria a resposta “adequada”, será que o Estado de Israel ainda existiria?    

Entretanto, ver em jornais ou na televisão, o Hamas ser apresentado como uma força que luta por uma solução pacífica para a região, nomeadamente, como defendendo a criação e convivência de dois estados. Israelita e palestino, é uma fraude.  

 


2 Os casos de abusos sexuais sobre menores.   

Neste caso, a propósito dos cuidados em não beliscar a narrativa da esquerda, recomenda-se a leitura destes dois posts de Vítor Cunha no Blasfémias, os quais demostram como foram (são?...) encobertos alguns casos de abusos sobre crianças por comprometerem uma das bandeiras tão caras à esquerda: uma dos expoentes do politicamente correto, denominado multiculturalismo, ou uma espécie de “fobia anti-racista”.
O assistente-social-modelo (*)

“By far the majority of perpetrators were described as ‘Asian’ by victims, yet throughout the entire period, councillors did not engage directly with the Pakistani-heritage community to discuss how best they could jointly address the issue. Some councillors seemed to think it was a one-off problem, which they hoped would go away. Several staff described their nervousness about identifying the ethnic origins of perpetrators for fear of being thought racist; others remembered clear direction from their managers not to do so.”

Não são monstros, são só socialistas

Depois de ler os posts, pense porque nenhum dos casos referidos, dessas “polémicas”, chega a um telejornal ou merece a atenção das nossas redações. No entanto, de cada vez que alguma figura ligada à Igreja pede desculpa pelos abusos cometidos sobre crianças, há sempre uma notícia num telejornal a recordar ao cidadão o “cadastro” que esta instituição apresenta na matéria.

Não se defende aqui o branqueamento dos crimes de quem quer que seja, mas o igual tratamento e isenção na informação veiculada nos media. Mas, fica a interrogação: porque será que na comunicação social algumas “instituições” parecem ser poupadas a notícias que as associem a abusos de crianças, "tráfico sexual" e pedofilia, enquanto outras, nomeadamente, as que são ligadas à Igreja, são amplamente denunciadas na agenda mediática? 
 
A quem e a que causas, serve o enfraquecimento de umas instituições (caso da Igreja) e o “controle de danos” e o encobrimento, quando são outros grupos os responsáveis? Será porque as instituições religiosas são (na nossa história em particular) forças da “reação” e inimigas de longa data dos "socialismos"?


Enfim, talvez não se trate de jornalismo faccioso e ideologicamente comprometido, mas a circunstância de algumas instituições ou correntes (Igreja e Israel, por ex.), terem apenas política de comunicação… pois.


Caro cidadão, não pense pela sua cabeça, deixe que os jornalistas o façam por si!


“O espaço mediático atual, será o espelho da sociedade portuguesa e traduzirá de forma isenta as diferentes correntes e sensibilidades existentes?

Ou será que esse espaço, negligenciando a missão de informar de forma isenta e, não raras vezes, menosprezando até o pensamento e as convicções da maioria, empenha-se, suportado nas convicções de uma minoria alinhada com o “wishfull thinking” do jornalismo militante, num exercício diário de doutrinação da “população” com os seus próprios valores?”

 

22 agosto, 2014

Vencimentos dos médicos, o que é Realidade e o que é Narrativa?

 
Nota introdutória: este post não visa a "classe dos médicos", mas a cobertura mediática que tem sido dada ao assunto nos últimos dias.

O sector da saúde, tem sido um dos mais afetados na "era pós-troika". E, dentro deste sector um grupo em especial – os médicos – tem vindo a perder muitos dos privilégios que usufruía… Este facto, aliado ao perfil do atual bastonário (ideologicamente mais radical que os próprios sindicatos do sector), determina um clima de constante guerrilha contra o Ministério de Saúde e, por arrasto, o atual Governo.

Ora, onde existe uma "força" a lutar contra o governo "reacionário de direita", já se sabe, a solidariedade de uma boa parte da comunicação social não poderia deixar de comparecer na luta… Assim, nos últimos dias, temos assistido a uma verdadeira cruzada na imprensa que nos tem dado conta da vida precária dos médicos fruto, claro está, das "maldades" deste governo.

O Jornal I, apresenta hoje esta peça "Quanto ganham os médicos no SNS?" que pretende caracterizar o que são as condições remuneratórias dos médicos. Desenganem-se aqueles que pensavam que os médicos tinham ordenados chorudos! De acordo com a peça que recorre a 10 "casos reais", o ordenado médio líquido de um médico rondará os 1.500 € / mês.

Enfim, gosto de ver peças jornalísticas que recorrem a casos reais para retratar uma qualquer situação, mas duvido que os elementos utilizados na peça retratem fielmente o que quer que seja e fica a dúvida se a peça - em vez de informar - não visa apenas "fazer opinião" (pré-médicos & anti-governo).

Uma breve pesquisa na net para tentar saber "quanto ganham os Médicos no SNS", fez-me chegar a esta notícia acerca do "Balanço Social do Ministério da Saúde em 2012". Dela, embora não constem informações específicas sobre os médicos, permite a constatação de alguns dados sobre os encargos / custos com o pessoal no sector, dados que pode ser úteis para uma breve reflexão sobre o tema.

Eis alguns informações:

"Ministério tem mais de 126 mil funcionários

[…]

Os encargos com pessoal baixaram de 3.332.546.492 euros, em 2011, para 2.871.830.528 euros, no ano passado [2012].

Os suplementos remuneratórios também baixaram de 601.066.218 euros para 551.105.171 euros."



Ora, com base nestes dados e a preciosa ajuda da matemática (matemática, talvez uma das principais razões que levou tantos estudantes a enveredar pela comunicação social…), rapidamente chegamos a um encargo médio por trabalhador de 27.166 € / ano = 1940 € / mês (valor ilíquido, considerando 14 meses).

Note-se, que este valor de vencimento mensal médio dos 126.000 funcionários do Ministério da Saúde, não é muito distante do vencimento médio de um médico, apontado na peça do Jornal I.

Ainda de acordo com o mesmo relatório: "Em relação às carreiras, os enfermeiros representam cerca de um terço dos trabalhadores do Ministério da Saúde, seguidos dos assistentes operacionais (21,4%) e os médicos (19,3%)."
Estas 3 classes totalizam cerca de 75% dos funcionários do Ministério. Deduz-se que os restantes seja funcionários, por ex., funcionários administrativos.

Considerando os dados extraídos deste relatório e as conclusões apontadas pela peça do Jornal I, pergunta-se: Será que os médicos auferem sensivelmente os mesmos vencimentos que as restantes categorias (assistentes operacionais, administrativos, enfermeiros...)?!
 

Serão os médicos os novos pobres?
Desconheço o que se passa no sector da saúde. Os dados acima referidos resultam apenas dos meus conhecimentos de matemática e poderão ter muitas leituras e falta de rigor. No entanto, as notícias que vou lendo nos jornais são ainda menos rigorosas!

Com certeza muitos médicos terão razão de queixa das políticas seguidas e é obrigação dos governantes tomar as decisões que resolvam os problemas existentes, eliminando eventuais injustiças e salvaguardando - note-se -, os interesses dos cidadãos e... contribuintes.
 
Nota: não duvido que as maiores injustiças possam ser encontradas - como em muitas outras áreas - entre os médicos que estão agora a aceder à carreira e a geração dos "direitos adquiridos", mas isso é tema que não interessa aos jornalistas e redações... 
 
Mas não podemos aceitar acriticamente esta campanha da comunicação social que visa apenas contribuir para o clima de "guerrilha mediática" instalado entre médicos e governo. Esta campanha, que pretende apresentar na praça pública a classe médica como o "cordeiro a ser sacrificado" às mãos do ministro Paulo Macedo, só prejudica a tentativa de chegar a um desfecho adequado e uma solução equilibrada para os diferentes interesses em jogo (corporativos Vs bem comum).

Para finalizar. Todos nós conhecemos médicos e, usando de algum bom senso e observação do que nos rodeia, podemos constatar através de alguns sinais (o carro, a sua casa, etc.*) que algo "não bate certo" entre a ideia que estas peças jornalísticas nos pretendem oferecer e a realidade. 

Srs. Jornalistas, "isto" não é informação, é doutrinação pura!
 

* nada contra, foram alcançados através de estudo e trabalho.

01 agosto, 2014

Doutrinação ideológica via rodapé...

É sabido como um título influencia a perceção dos cidadãos. Aliás, considerando que segundo estudos realizados, cerca de 2/3 dos leitores de jornais não chegam a ler o corpo das notícias, podemos afirmar que a formação da “opinião pública” é em larga medida formatada através da mensagem veiculada pelos títulos das notícias.

 
Assim, um tópico recorrente aqui no blog, é a forma como as redações utilizam as manchetes e os títulos, para resumirem uma dada notícia. Mais concretamente, denuncia-se por aqui como essa escolha (seletiva, digo eu…) constitui um óbvio exemplo de manipulação ideológica dos cidadãos e da “opinião pública”…
 
 

Um título que, neste caso, é apresentado no rodapé da reportagem, deve (deveria...) resumir ou transmitir a essência da notícia. Ora, o que nos transmite o título / comentário, escolhido sobre a situação argentina?
A culpa é dos fundos especulativos... Enfim, a narrativa habitual - diariamente reproduzida pela “esquerda” e uma vasta maioria da comunicação social -, que, em vez de analisar os erros e as más opções de governação que nos trouxeram aqui, preferem atribuir a “culpa da crise” aos especuladores! Aos mercados! À austeridade. Etc., etc…


O que é um especulador e o que é um caloteiro?

Esta é a 5ª bancarrota da Argentina e a nos últimos 13 anos! Quantos espectadores ao ver esta notícia saberão deste facto?

Será que os empréstimos contraídos – para políticas de “investimento público, certamente – não foram o resultado de uma decisão tomada livremente?

Caramba, à 5ª bancarrota é um pouco “difícil de engolir” aquela célebre máxima: “Pagar a dívida é ideia de criança. As dívidas gerem-se…” 
 
Será que “especulador”, é todo aquele que, concedendo um empréstimo, tem a legítima expectativa (ou será pretensão?…) de ser ressarcido nos termos acordados entre credor e devedor?


“ARGENTINA EM FALÊNCIA: Falta de acordo com fundos especulativos deixa país em falência”
Numa breve nota / comentário de rodapé, todo um programa…
Não pense pela sua cabeça, deixe que os jornalistas o façam por si!

15 julho, 2014

É obrigatório que os cidadãos se indignem com o atual Governo!


Para além desta capa do JN, foram diversos os órgãos de comunicação social que fizeram questão de difundir esta “falcatrua”…

Governo «esconde» 162 mil desempregados

Desempregados em formação poderiam fazer disparar a taxa de desemprego de 15,1% para os 18,2%


Governo encobre número de desempregados com estágios e formações


"Formação e estágios escondem reais valores do desemprego"


Pois... Basta revisitar (bendito Google…) algumas notícias alusivas ao fim do “Programa Novas Oportunidades” para constatar como é discricionária a análise mediática dos assuntos...

Em 2012, quando várias notícias nos davam conta do encerramento de muitos centros das Novas Oportunidades por iniciativa este governo, alguma capa de jornal referiu que os inscritos nesses cursos eram, na verdade, “desempregados escondidos”?

Claro que não. Nessa altura, entre outras desvantagens, a comunicação social preferia destacar o desinvestimento na educação de adultos…  
Ao pesquisar o que então noticiava, facilmente se constata que o ângulo de análise escolhido pelo jornalismo visa sempre o mesmo objetivo: incitar o "cidadão comum" a indignar-se com o atual governo.   

“Formação de adultos sem respostas depois do fim das Novas Oportunidades…

Na prática, denunciou também a Associação Nacional de Profissionais de Educação e Formação de Adultos (ANPEFA), "não há oferta de educação de adultos desde Agosto de 2012", altura em que os centros Novas Oportunidades foram impedidos de receber novas inscrições. Estes encerraram em Março, deixando, segundo estimativas apresentadas pelo Governo, 55 mil candidatos com processo de formação em curso.
[…]
Entre 2006 e 2010 foram 409 mil os adultos que conseguiram uma certificação escolar através do programas Novas Oportunidades, a maioria dos quais por via dos processos RVCC, em que eram sobretudo valorizadas as competências já aprendidas ao longo da sua vida. Para além destes, conseguiram uma certificação escolar mais 80 mil adultos nos chamados "cursos de Educação e Formação de Adultos" (EFA), que também estão agora reduzidos a uma expressão ínfima…”



Porque será que os mesmos jornalistas que conceberam a capa do JN acima, não se lembraram aquando da subida (acima de todas as expectativas ) da taxa de desemprego em 2012 e 2013, de referir que - parte dessa subida, pelo menos - se devia ao fim das ações de formação das NO?!
 
Porque não fez  o mesmo JN uma capa em letras garrafais a afirmar que, na realidade, a taxa de desemprego divulgada pelo governo socialista entre 2006 e 2011 era falsa, graças às centenas de milhar de formandos "escondidos" nas Novas Oportunidades!?


Conclusão:

Se um governo "de direita" cria cursos de formação, isso éesconder desempregados”. Quando um governo "de esquerda” fomenta cursos de formação, está a apostar na "qualificação dos portugueses".

É assim o (duplo) critério do jornalismo português.

07 julho, 2014

Parem de destruir o Serviço Nacional de Saúde!




Uma observação a propósito da indignação da “classe médica” veiculada por sindicatos e respetiva Ordem (por estes dias, convertida no verdadeiro sindicato dos sindicatos):

Se, para a generalidade dos trabalhadores e comuns mortais, é uma questão de bom senso sofrer um corte num “subsídio de assiduidade” (já de si um conceito interessante...) quando se falta ao trabalho, temos de entender a especificidade deste sector e, nomeadamente, alguns “direitos” adquiridos…




Obviamente, este post é provocatório. Acredito que a larga maioria dos médicos são bons profissionais. No entanto, dado o número e a dimensão das fraudes ao SNS com o envolvimento sistemático de médicos - detetadas, curiosamente (ou talvez não...), desde que Paulo Macedo assumiu funções de Ministro - é estranho nunca ouvirmos uma posição da Ordem e / ou dos Sindicatos em relação a esses casos.

Apenas reclamar dos "cortes" do ministério, mas nada fazer para travar as fraudes que ascendem a centenas de milhões de euros, revela preocupação com a população em geral ou apenas com a sua corporação?  

Basta fazer a seguinte experiência: ir ao google e pesquisar: "sns fraude médicos".


24 fevereiro, 2014

Qual será a distância entre a “versão mediática” e a Realidade?


Várias vezes aqui no blog se questionou a adesão à realidade do que é noticiado, especialmente, nos media de grande audiência (por exemplo aqui ”O País dos telejornais das 20h, será o País Real?”, ou aqui “O “wishful thinking” das redacções VS o País Real”).

Desta vez chamamos a atenção para a cobertura mediática do caso dos Estaleiros de Viana ("polémica"que também já tinha sido focada neste post).

Durante semanas, fomos bombardeados com reportagens diárias nos telejornais que nos davam conta da “luta dos trabalhadores” contra a concessão daquela empresa. Inúmeras vezes, partilhei uma refeição com o Sr. Arménio da CGTP e um outro Sr. com ar ainda mais zangado (de 0 a 10, ele será um 8. Um 10, já agora, é o Daniel Oliveira) que sistematicamente eram identificados nesses peças jornalísticas como sendo os “representantes dos trabalhadores”.

E o que, repetidamente e de forma peremptória, nos diziam esses representantes? Os trabalhadores são contra as rescisões!



Entretanto, o caso deixou de abrir telejornais e este fim de semana, vários órgãos de informação noticiavam:


Ou seja, 98% dos trabalhadores aceitaram a proposta ... este detalhe também é interessante:

“11 funcionários não aderiram ao acordo. A tutela acrescenta que dos sete elementos da comissão de trabalhadores cinco aderiram à proposta.”


Entre o cenário que os telejornais nos apresentaram e este desfecho, não há aqui nada de estranho?! De outra forma, qual será a distância entre a “versão mediática” e a Realidade?

Pergunto: será que aqueles sindicalistas, tal como os srs. jornalistas nos informaram, representavam efetivamente a vontade da maioria dos trabalhadores? 

Será que não existiam outras correntes entre as centenas de trabalhadores,  que o critério jornalístico, simplesmente, optou por ignorar?


Concluindo:


"O espaço mediático atual, será o espelho da sociedade portuguesa e traduzirá de forma isenta as diferentes correntes e sensibilidades existentes? Ou será que esse espaço, negligenciando a missão de informar de forma isenta e, não raras vezes, menosprezando até o pensamento e as convicções da maioria, empenha-se, suportado nas convicções de uma minoria alinhada com o “wishfull thinking” do jornalismo militante, num exercício diário de doutrinação da “população” com os seus próprios valores?"