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27 novembro, 2013

Lições de vida socialista: A vítima, é a cigarra.


Um dos argumentos às vezes esgrimidos por políticos do PS (e até por alguns comentadores…) para desculpabilizar a gestão socialista entre 2005 e 2011* - que culminou com o pedido de ajuda à Troika e cujos efeitos estão aí para durar... -, é a invocação de alguma responsabilidade imputátel às instituições europeias por, alegadamente, terem incentivado as políticas seguidas.
 
É sobre (mais) esta falácia, usada com alguma frequência na agenda mediática, que hoje vamos falar.

Este post surge na sequência de uma troca de opiniões com RCAS, um comentador habitual na caixa de comentários do Blasfémias.

NOTA: Um cumprimento especial a RCAS pela forma educada e cordata, como expõe as suas opiniões. Só para exemplificar, deixo 2 comentários com que fui “presenteado” nas últimas 24h: “És boy do Passos e pagam-te para isto ou és só mais um idiota inútil ??” ou “Jornalismo assim és filho de nazi e Pide dá um tiro nos cornos.”…     

RCAS, em defesa da gestão socialista, tinha referido os défices públicos reduzidos nos anos de 2006 e 2007. Repliquei, referindo a massiva desorçamentação (imagem de marca de Sócrates, já aqui abordada), assim:

”…a muita despesa inscrita no OE que foi sendo transferida para empresas públicas (área dos transportes, saúde, estradas de Portugal… a era dourada dos swap), fundações (negócio do Magalhães, por ex.) e outras entidades.

Como [RCAS] bem disse, foi sendo feito investimento com impacto positivo na economia, mas também como o caro RCAS sabe, essas obras foram lançadas com um período de carência de 5 anos. Ou seja, o empreiteiro com dinheiro da banca (bem remunerado, claro…), fez a obra e só 5 anos depois o Estado começa a pagá-la… Isto é, injeta-se dinheiro na economia, criam-se um postos de trabalho, cobram-se uns impostos, fazem-se belas festarola para inaugurar a obra e passar no telejornal… 5 anos depois (2012 para a frente) ficam auto-estradas onde não passa ninguém, as portagens, mais desemprego e é altura de pagar a obra!

Repare RCAS, se o défice real fosse efetivamente o que menciona no seu comentário (2,8%) como explica que entre 2005 e 2010 tenha sido acumulada uma dívida superior a 90.000 milhões €?!”



A resposta veio assim:  

“O meu amigo não deixa de ter uma certa razão, na transferência de despesa para as empresas públicas! esta criatividade, só foi possível pelas regras do Eurostat vigentes até aí, tendo permitido até esse momento que todos os governos pudessem se quisessem ser criativos!

Quando em 2010 o Eurostat mudou as regras, o défice previsto que era de 6,8 passou imediatamente com a alteração das regras para 9,1!”

Ora, esta imputação de "culpas" às instituições europeias, faz tanto sentido como aquele ladrão que se desculpa com um assalto, porque o dono da casa deixou a janela aberta!

Vejamos, Portugal e os restantes parceiros europeus, aquando da entrada para o euro, comprometeram-se com o cumprimento de duas regras essenciais: os Estados Membros tenham um défice orçamental anual não superior a 3% do PIB e uma dívida pública abaixo de 60% do PIB (Critérios de Convergência de Maastricht).

O que fizemos nós, portugueses, relativamente a este compromisso? A frase “Há mais vida para além do défice”, resume tudo…

Queixamo-nos que alemães e nórdicos, “olhem de soslaio” para o Sul da Europa: mas, caramba!, que outra conclusão poderão eles tirar?! Se até o Presidente da República (Sr. Sampaio) fez, na prática, “letra morta” de compromissos assumidos internacionalmente pelo País, se permitimos que a dívida fosse crescendo 10% ao ano e nunca cumprimos com qualquer meta de défice, aliás, se mesmo os défices “oficiais” que cumpriam esse critério, fizeram-no à custa de truques contabilísticos! (por muito que custe reconhecê-lo...)

Esta é a realidade. Por isso, voltando ao comentário de RCAS e à “mudança de regras” do Eurostat - não existiu qualquer mudança de regra! O que existiu, foi uma alteração de método de contabilização dívida (mais) “à prova” das manigâncias financeiras que portugueses e gregos, se especializaram em fazer.
 
O buraco a diferença entre despesa e receitaesteve lá sempre!

Dentro desta linha de raciocínio do "défice que cresceu porque o Eurostat mudou as regras”, para desculpabilizar a pilha brutal de dívida deixada pelo consulado socrático, também é frequente ouvir ilustres comentadores referirem que as opções então tomadas pelo governo socialista*, contaram com o encorajamento da Comissão Europeia e do seu “apelo a mais investimento público para combater a crise”.  

Também aqui é preciso contextualizar e recordar que o mesmo tratado subscrito por Portugal, prevê a possibilidade de serem temporariamente aceites défices superiores aos 3 %, designadamente, em caso de recessão. É, obviamente, neste contexto que se inseria o apelo ao investimento, feito aos estados membros pelas instituições europeias. Ouviram algum responsável europeu dizer, que o défice e a dívida, deixaram de ser importantes?!
 
Infelizmente, porque não fizeram o seu “trabalho de casa”, alguns países não estavam em condições de o fazer e, como no conto da formiga e da cigarra, ficaram completamente expostos à crise… 

Podemos criticar a lentidão e a hesitação como que as autoridades europeias responderam à crise, mas, atribuir a essas entidades a responsabilidade pelos desastres financeiros como as PPP rodoviárias, o Parque Escolar, o Aeroporto de Beja e outros, denota uma irresponsabilidade muito nossa, muito portuguesanão temos obrigações e deveres, só direitos.

(uma boa parte, consagrados constitucionalmente...) 

* O autor deste blog entende que Sócrates, embora não sendo o “culpado de tudo”, é o principal responsável pela atual crise.


19 setembro, 2013

Resumo de 2 anos de debate político em Portugal


A propósito do OE 2014 - nomeadamente, os "famigerados" cortes - e da meta do défice...

Esta declaração, embora demagógica e infantil, não é muito diferente do "ruído de fundo" que a comunicação social vem constantemente debitando nos últimos 2 anos.

Assim, de forma a resumir as milhares de palavras escritas e milhares de horas de "informação" na tv (estou a pensar nas Judites, nas Constanças, Ana Lourenço e tantos ilustres comentadores da nossa praça...), aqui fica o contributo do blog para um debate sério e esclarecido, em torno da estratégia de resolução dos problemas de Portugal:
 
 
Entretanto, aqueles que lá fora ainda nos vão emprestando (a taxas razoáveis) dinheiro para pagar os nossos "direitos adquiridos", voltam a ter dúvidas sobre as hipóteses de reaver o seu dinheirinho. Obviamente, estão na categoria "Cafageste Malvado"... apenas merecem o nosso desprezo!
 
The show... must go on! Leia-se, campanha... 
 
  
 


09 setembro, 2013

Filhos e enteados da comunicação social: Che Guevara...



Ainda a propósito da Festa do Avante, espaço nesta rúbrica, para um dos predilectos da extrema-esquerda (e da malta do merchandising…”ele é” bandeiras, ”ele é” t-shirts, cartazes…) - Ernesto «Che» Guevara.

Ao ler estas suas declarações,
obtidas via “(Im)pertínências, é interessante comparar o pensamento e os traços de personalidade de quem as proferiu, com a figura mítica que tantos adeptos da extrema-esquerda veneram como um ídolo (mito, diga-se, que boa parte do jornalismo ajuda a perpetuar).
 
No que diz respeito ao fabrico de mitos e à categorização do "mundo" em classes ou rótulos (operários Vs capital, nós Vs eles, etc.), ninguém faz melhor que a extrema-esquerda... Não é recordando que cada "ser humano" é um indivíduo, com os seus príncipios, o seu percurso, etc., que se consegue instigar o ódio capaz de manipular as massas. ...
«We're going to do for blacks exactly what blacks did for the revolution. By which I mean: nothing.»

«The Negro is indolent and lazy, and spends his money on frivolities, whereas the European is forward-looking, organized and intelligent.»

«Mexicans are a band of illiterate Indians

«Given the prevailing lack of discipline, it would have been impossible to use Congolese machine-gunners to defend the base from air attack: they did not know how to handle their weapons and did not want to learn».
 
"
 
Não admira que socialismo e comunismo, sejam incompatíveis com religião, basta recordar estas palavras:

“Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará a outro, ou se apegará a um e desprezará o outro.”


11 junho, 2013

Cavaco, Portugal e a UE, ideias e mitos alimentados pela comunicação social.


Ui, ui… “o País” anda escandalizado com o discurso de Cavaco… diz que foi o “discurso da Ovibeja”. Enquanto uns não lhe perdoam a sugestão de trocarem os seus i-phones e as constantes visitas à fnac, por um estilo de vida mais frugal, mais “agrícola” (que gadgets serão necessários para plantar umas batatas?!...), outros acusam-no de hipocrisia por ter sido precisamente ele o “obreiro” do abandono das pescas e da agricultura.

Vamos ver, ciclicamente surge este tipo de reacção nos meios de comunicação social. Discurso aqui, intervenção acolá, e uma série de opiniões e de notícias, recuperam uma espécie de julgamento relativamente às opções tomadas a partir do final dos anos 80, nomeadamente, sobre o processo da adesão de Portugal à, então CEE, hoje União Europeia.

E aqui começam os mitos que a comunicação social é tão profícua em difundir … Por exemplo, se recordarem o tom das reportagens “em jeito” de retrospectiva que telejornais passam sobre o período da adesão à CEE existem dois ângulos distintos sobre a mesma realidade:

Mito 1: Quando a entrada na “CEE” é boa para Portugal: quando a reportagem pretende evocar, os benefícios da entrada na comunidade, incontornavelmente, Mário Soares é lembrado como sendo o obreiro da nossa entrada para a CEE.


Mito 2: A CEE obrigou-nos a destruir as pescas e a agricultura: este diagnóstico acompanha frequentemente as reportagens e notícias que se debruçam sobre o lado mau da entrada na “CEE”. Neste contexto, diversos opinadores, jornalistas, etc., esquecem completamente o papel determinante do eterno líder socialista (então não foi ele quem negociou os termos da nossa adesão?) e, quando se fala do definhar da agricultura, das pescas e restantes sectores “tradicionais”, apenas se associa o nome de Cavaco Silva.

Ainda sobre este 2º mito, nomeadamente, que a CEE nos forçou a não produzir, olhemos aqui para o lado… a Espanha, por ex., acabou com as pescas e a agricultura? Sabemos que não e também estão na UE, certo?
 
Ou seja, se a opção pelos subsídios para não produzir foi nossa e não imposta pela UE, quem foram então os culpados do desmantelamento da nossa economia?...

Pessoalmente, penso que Cavaco Silva, de facto, é um dos grandes responsáveis pelo declínio do modelo económico assente nos sectores mais tradicionais (agricultura, pesca, indústria, etc.), mas não nos moldes que muitos apregoam e a comunicação social, dá eco. Não foi publicado um decreto a estipular “abata-se!”. Não, o que provocou o definhamento dessas actividades económicas, foi a aposta centralista que o seu 2º mandato (principalmente) veio intensificar. A aposta - provinciana, diga-se – de querer desenvolver uma capital megalómana (à imagem de Paris, Madrid ou Londres), que iria depois “rebocar” o resto do País para o desenvolvimento. É desta visão que nascem o Centro Cultural de Belém, a sede da CGD, os planos da Expo 98, a Ponte Vasco da Gama, etc., etc…

Mas ver alguns sectores da sociedade portuguesa, nomeadamente, os socialistas, criticarem Cavaco Silva por isto, dá vontade de rir. Basta recordar que, que no início dos anos 90, ainda a A1 (Porto - Lisboa) não estava pronta, Portugal ainda era deficitário em escolas, centros de saúde, etc.,   e os socialistas indignavam-se contra a "política do betão" laranja. O PS - que governou de 1995 a 2002 e de 2005 a 2011 – o que fez para além de atapetar o país com asfalto?!

Também se mostraram muito indignados com o contrato (parcerias público-privada) da Vasco da Gama. O que fizeram a seguir? Assinaram 90% das PPP existentes... Será preciso dizer mais?

Foi essa orientação de todos os recursos para a criação de um Estado monstruoso (obra de Cavaco e Guterres, principalmente) e centralizado em Lisboa, do fomento - como aqui já referimos - de uma economia "pseudo-privada", que alimenta um sector de serviços baseado nos gabinetes de "grandes" advogados & seus pareceres, dos escritórios da banca e das consultoras internacionais, das administrações das empresas públicas e das ex-públicas (edp, pt, galp...), etc. … em detrimento de uma política de desenvolvimento mais equilibrada em termos regionais. 
Não tenho nada contra Lisboa, se a capital fosse no Porto, provavelmente aconteceria a mesma coisa, o problema é cultural, o problema é este modelo económico, em que decisões que afectam a vida de quem habita em Aljesur ou em Mirandela, dependem mais de um qualquer gabinete de um ministério em Lisboa, do que daqueles que conhecem o terreno. O resultado está à vista: Portugal é dos países mais desiguais da OCDE.
 
Um País onde, por exemplo, de acordo com dados do INE, na comparação entre regiões (NUTS III,) a região da Grande Lisboa revela um PIB per capita superior à média do país em mais de 60%! E onde, segundo o mesmo estudo, um cidadão residente na capital mais do que triplica o valor do mesmo indicador relativamente a um compatriota da região do Tâmega.
 
 
Quando, nas décadas recentes, o Estado colocou todos os recursos e incentivos, ao serviço de um modelo centralizado, “secou” tudo o resto. Os agentes económicos limitaram-se a seguir o rasto do dinheiro…

Querem encontrar o "culpado pelo fim" da agricultura e das pescas? Aí o têm - o Centralismo. Este foi (é) o grande erro de Portugal depois do 25 de Abril, está para lá de esquerda e direita, psd e ps...