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19 fevereiro, 2017

Ainda sobre a defesa da Verdade: estaremos imunes às técnicas de Trump?


Nos noticiários do costume, tive a oportunidade de assistir a declarações de Costa durante a inauguração de um projeto industrial em Águeda:


No registo de "chico-espertismo" habitual - e investido no papel de PM, note-se - Costa aproveita-se do evento para fazer verdadeira campanha eleitoral, chamando a si e à sua geringonça, os "louros" pelo projeto. Pelo meio vai imputando à oposição "irritação" pelo que vai correndo bem no País.

Segundo o atual PM, são casos como este que explicam a redução do desemprego, o crescimento económico, a redução do défice!

Note-se: Costa tem razão! Portugal precisa de (mais) casos de sucesso como este, mas uma breve pesquisa, acessível a qualquer cidadão (mas complicada de fazer para algum jornalismo...), permite chegar notícias de 2015 como esta:


Numa nota de imprensa divulgada hoje, o presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais (PS), diz que o processo de negociação foi árduo e envolveu "membros do alto escalão" do Governo.
 
"Disputámos o investimento com a Espanha e mais de uma dezena de municípios portugueses, mas conseguimos", congratulou-se o autarca."
 

A noticia é de Maio de 2015... passariam ainda 18 meses para assistirmos ao nascimento da geringonça. Será a Costa, Catarina e Jerónimo, que se devem os empregos criados e a riqueza gerada?... Como classificar quem recorre a estes métodos, a este nível de embuste? 

E como classificar o papel da comunicação social? Não teria a obrigação de desmascarar quem profere este tipo de declarações em vez de permitir  um aproveitamento descarado do que são méritos da ação de outro governo?! 


Recordando um post de Outubro de 2016:
"...O investimento em curso atualmente, é fruto de decisões tomadas há 2 - 3 anos atrás! ... O impacto das políticas da geringonca no investimento, só se farão sentir dentro de 2, 3 anos!"







25 maio, 2015

Conto de crianças Vs Governos tontos. "Só os burros é que não mudam!"...


Há 4 meses, António Costa referiu-se à vitória do Syriza nas eleições gregas com expressões como "um sinal de esperança" ou sinal de "esgotamento das políticas de austeridade".

Ao mesmo tempo e em relação à mesma vitória do Syriza, o atual PM pronunciou-se da seguinte forma: 


“Pedro Passos Coelho apelidou de "conto de crianças" a ideia de que "é possível que um país, por exemplo, não queira assumir os seus compromissos, não pagar as suas dívidas, querer aumentar os salários, baixar os impostos e ainda ter a obrigação de os seus parceiros garantirem o financiamento sem contrapartidas".”


Como se recordarão, a propósito deste “conto de crianças”, a agenda mediática encheu-se de indignação pelas “aberrantes” declarações Passos. Oposição e comentadores do costume, logo reduziram o conteúdo daquela reação a um conjunto de tiradas que se podem encontrar neste “artigo-guião” de Isabel Moreira e do qual se transcrevem algumas frases tocantes:

“…
Como é possível Passos não ter sentido de estado algum, o mínimo que seja?

Como é possível Passos não perceber que está a falar de um povo em chagas de tanto sofrimento após uma receita falhada?

Como é possível Passos não perceber que o que aconteceu e o que acontece na Grécia tem a ver com Portugal?

Como é possível Passos não ter qualquer espírito patriótico?

Como é possível Passos ser tão ignorante?

Como é possível Passos resumir a escolha de um povo a um conto de crianças alinhando num objetivo perigoso e estúpido de isolar a Grécia?

Diz lá, Passos. Como és possível?”



Sábado (23 de Maio), Costa dá uma entrevista ao Observador. Referindo-se à atuação do Syriza  no contexto da negociação com as instituições europeias, diz: 

“Temos de travar um combate na UE de forma inteligente, não de forma tonta como o Syriza


Se está à espera de ver aqueles que se indignaram com o “conto de crianças”, voltarem às televisões, rádios e jornais, revoltados com estas declarações, desculpe, mas é um tonto…



Recordar, sobre Costa e Syriza, o que se escreveu-se por aqui no passado mês de Janeiro:
 

Enfim, daqui a 3, 6 meses, veremos o que esta nova era do "fim da austeridade" trará e se Costa mantém esta colagem ao Syriza...  
 
...
 
Quem apenas veja telejornais e tenha fraca memória (uma vasta maioria de portugueses, infelizmente...), nem se lembra o que o último "Messias anti-Austeridade", conseguiu: é graças a Hollande que a  extrema direita francesa lidera as sondagens. 
 
Daqui a uns meses veremos se Tsipras e o Syriza ainda são entusiasticamente citados pelos socialistas. Ou, tal como sucedeu com Hollande, se a realidade e, principalmente, a circunstância de o eleitorado identificar esses "ex-Messias" como os novos símbolos de desilusão, ditará o seu varrimento para debaixo do tapete...
 
 
Votos de Boa Sorte ao povo grego... bem vão precisar dela."

12 fevereiro, 2015

Lembram-se da dívida da Madeira? Ou quando a Esquerda reclamava austeridade para aqueles que acumularam dívida…


Já não suporto a ladainha – autêntica cópia da postura do BE sobre o tema - e a chantagem emocional usadas pelo jornalismo tipo TSF sobre a situação da Grécia (uns querem a condenação dos gregos contra "os outros", que os querem salvar).


A contínua repetição na agenda mediática da ideia de vitimização dos gregos, que a pobreza e miséria que sobre eles recaiu se deve aos “grunhos” dos alemães e de todos os que defendem a austeridade. Em suma, estou farto que me façam sentir um pulha só porque penso que a miséria que se abateu sobre a Grécia é, essencialmente, consequência do que andaram a fazer durante décadas e que o perdão da dívida não servirá para nada…


Solução para a dívida da Grécia Vs Solução para dívida da Madeira

Basta recuar ao final de 2011 e ao célebre “buraco” da dívida da Madeira, para constatar a coerência desta malta. Como facilmente se constata numa busca no Google, a coerência das posições de BE, PCP e PS, sobre dívida e austeridade, são desconcertantes…


A dívida da Grécia, dizem, é injusta e imoral. É essencialmente fruto das políticas europeias, designadamente, do próprio programa de ajustamento imposto à Grécia. Logo, existem razões plausíveis para não pagar. Os gregos são as vítimas desta estória.

E qual foi a posição desta malta relativamente à dívida da Madeira?... Basta analisar, em finais de 2011, os termos usados por Louçã para se referir ao assunto:

 “… é preciso que se faça uma auditoria às contas da região “para proteger a Madeira e todos os contribuintes no país inteiro que têm sido obrigados a pagar este descalabro das contas e este facilitismo das contas de Alberto João Jardim, que é o primeiro e único responsável pelo buraco financeiro da Madeira”…”


Note, a dívida é da exclusiva responsabilidade do “descalabro” e do “facilitismo” dos que governaram a Madeira. Não existiu contributo das políticas nacionais ou europeias, para esse desfecho.



Quando se fala da Grécia, está sempre presente uma ideia de obrigação moral dos seus parceiros europeus, perdoando as dívidas, “salvar” os gregos. No caso da Madeira, o tom usado era “ligeiramente” diferente… voltemos a Louçã:

“... “Desconfiamos que no dia em que Pedro Passos Coelho vier fazer um comício ao lado de Alberto João Jardim, por cada minuto do discurso, nós todos vamos pagar 30 milhões de euros, até chegar aos 500 milhões do cheque que ele vai passar a Jardim

Em vez de apelos à solidariedade com a Madeira, a “esquerda” alertava para a circunstância de estar em curso o pagamento do “descalabro” madeirense "à custa de nós todos”



Na Grécia, a austeridade é a culpada da situação económica grega e tem que ter um ponto final. No caso da Madeira, pressionava-se o governo de Passos para aplicar o respetivo plano de austeridade! E, era implícito, esse plano de austeridade tinha de assegurar que seria a Madeira – e não os contribuintes de todo o país – a pagar a crise


“O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, confrontou o primeiro-ministro com o compromisso assumido pelo Governo no anterior debate sobre a Madeira, no qual Passos Coelho se referiu ao plano de austeridade para resolver a dívida do arquipélago.
 
[…] Na intervenção de hoje, o primeiro-ministro garantiu que será "prioritariamente" a região autónoma a fazer "o esforço de correção" orçamental e financeiro e não o país na sua globalidade.”

Só para demonstrar que a posição do PS era (então como agora...) sensivelmente a mesma do BE…

Seguro desafia Passos Coelho a esclarecer quem paga "irresponsabilidade" da dívida da Madeira

Referindo que a dívida da Madeira é de oito mil milhões de euros, António José Seguro disse que "os bebés daqui [região autónoma] já nascem endividados".



A coerência desta gente em termos de doutrina sobre dívida e austeridade, fica bem patente…

Que moral, têm aqueles que acusam os alemães de falta de solidariedade com os gregos, quando a posição que adotaram em relação à resolução dos problemas da dívida dos seus próprios compatriotas, foi a que se vê nos excertos acima?


Para finalizar, notar que o tratamento mediático destes dois casos – o da Madeira e o da Grécia – é também exemplar num outro plano: a sistemática colagem dos meios de comunicação social, às posições políticas de circunstância da esquerda.
 

 

14 janeiro, 2015

Quais são, afinal, os limites de tolerância do nosso jornalismo com aqueles que violam os valores da liberdade de expressão e imprensa?


Seremos um país de “Charlies” convictos? E, mais concretamente, será a nossa classe jornalística – olhando à forma militante como aderiu ao slogan “Je suis Charlie” nos últimos dias – uma defensora implacável e intransigente, contra TODOS aqueles que ameaçam os valores da “liberdade de expressão” e da “liberdade de imprensa”?...


Talvez uma resposta a esta questão possa ser encontrada recordando esta entrevista de Octávio Ribeiro ao jornal SOL e que foi objeto deste post de Março de 2013:

"Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita....

A entrevista, dada por Octávio Ribeiro (OR) na última edição do jornal SOL, pode ser lida aqui e traz novos elementos sobre as relações de Sócrates com o mundo da comunicação social.  

«...[OR] Quando começo a ter acesso a algumas das escutas do Face Oculta apercebo-me que não era só a TVI que ia ser comprada. O CM também. Houve uma fase negra em Portugal em que, com o apoio da banca, se ponderou fazer grandes negócios na comunicação social que não visavam o objecto de negócio, mas sim mudar direcções e silenciar.

[Sol]O que pensa de Sócrates?

Entre 90 e 91, ao fim-de-semana tinha RTP e durante a semana Semanário e RR. Nesta altura, António Guterres apresenta-me uma jovem promessa. E, de facto, ele tinha um estar que contrastava: não usava gravata, dizia palavrões, era pouco mais velho do que eu e trabalhava imenso. Já como líder do PS faço-lhe a entrevista que antecede a queda de Santana Lopes, com o título: 'O PS está pronto para governar'. Logo a seguir dá-se a decisão de Sampaio. Numa primeira fase conversávamos muito, trocávamos impressões de forma aberta, ainda eu era director-adjunto.

Em 2007 ele faz-me um convite que achei que o primeiro-ministro não podia fazer

Que convite foi esse?

Para substituir o José Eduardo Moniz na TVI. Ele diz que não sabia de nada do que se estava a passar, mas em Fevereiro fez-me esse convite. Quatro meses antes. Disse-lhe que não estava disponível e a relação acabou.

Sócrates quis dominar a comunicação social?

Completamente. Tinha essa vertigem. Denunciei isso muitas vezes em editoriais. Uma vergonha. Não é um democrata. É um tipo colérico quando é contrariado. Depois desse almoço na Travessa - e uma coisa estranha é que o restaurante estava cheio, mas todas as mesas à nossa volta estavam vazias, portanto presumo que ele não marcava apenas uma mesa, mas um quadrado -, acho que nunca mais falámos.» "



Ora, perante o conteúdo desta entrevista, qual foi a reação de todos os “Charlies” que agora povoam os jornais, as televisões e as rádios? A reação foi… ZERO.


Alguém se recorda, há altura dos factos - isto é, há altura em que um governo andava a silenciar tudo o que era órgão de informação que não controlava -, de algum movimento na comunicação social a denunciar aqueles que estavam a colocar em causa a “liberdade de expressão”?

Porque não existiu reação, porque não existiu indignação? Como pode explicar-se, sendo genuína e convicta esta posição de defesa intransigente da liberdade de expressão e imprensa, o total silencio dos que agora se afirmam “Charlies”?   

Teria a ausência de reação ficado a dever-se à circunstância de tais manobras partirem de um governo “de esquerda”? O facto de essas pressões terem partido de uma personagem política, pela qual (ainda hoje, diga-se…) muitos jornalistas e comentadores nutrem uma admiração especial, terá ditado o encobrimento e esquecimento do caso, por receio do impacto que o mesmo poderia ter na opinião pública, nomeadamente, pela influência que poderia ter nas legislativas de 2009?


Enfim, por cá, a defesa da liberdade expressão e de imprensa, até pode ser importante. Mas, por favor, não venham dizer que é um “valor absoluto”. As evidências que outras causas se lhes podem sobrepor, está à vista de todos...



 

21 maio, 2014

Da "esquerda sensivel e boazinha"...




Quem fala assim, é dirigente do mesmo partido que conduziu Portugal a 3 bancarrotas em pouco mais de 3 décadas. Notar ainda que,  com assinalável dose de autoridade, se permite falar assim dos políticos dos partidos que, sistematicamente, ficam com a tarefa de cumprir as contrapartidas dos empréstimos pedidos ao FMI (78/79, 83/84 e 2011 )...
Desfecho óbvio em função da "democracia adulta" que somos: o "povo" prepara-se para lhes dar uma vitória nas urnas!
Portugal, é isto... um País que não tem, nem memória, nem respeito por si próprio.
 

24 março, 2014

Hollande, sem ti esta vitória não seria possível!...


Todos estes títulos bem poderia ser precedidos de "Graças à demagogia de Hollande e dos socialistas, …”

"... Extrema-direita francesa prepara vitória nas europeias"
 
"... Subida espetacular da extrema-direita nas autárquicas em França"  
 
"... Extrema-direita francesa conquista câmara municipal pela primeira vez"

 

Por cá a "austeridade", conceito absurdo que consiste em suportar as despesas com as próprias receitas, será derrotada nas legislativas de 2015 (desta vez, podiam poupar-nos ao Vangelis, por favor?) e substituída pela "alternativa" do “crescimento” e das “pessoas à frente dos números”….
 


 Em 2016 volta a realidade, que não se compadece com alternativas que apenas encontram sustentação na retórica e em crenças ideológicas. PSD e a “direita”, não poderão ser irresponsáveis (nem antipatriotas) e terão de acordar com os socialistas os cortes indispensáveis para cumprir as nossas obrigações externas… Será a nossa vez de assistir ao crescimento das forças extremistas locais.


Pela sua afinidade com “anti austeridade” e com as posições que a esquerda vem defendendo no nosso país, principalmente, nos últimos 20 anos (“Há vida para além do défice!”), não devemos menosprezar as importantes responsabilidades que a comunicação social terá neste processo de fortalecimento das forças mais extremistas.

Mas, como se o papel do jornalismo fosse completamente irrelevante no decurso dos acontecimentos, lá estarão jornalistas e comentadores, a perguntarem: “Como chegamos aqui?” ou “Isto é o resultado da falta de credibilidade da nossa classe política!”


Pois…


23 outubro, 2013

Portugal e a “Relação de Causa e Efeito”


Notícia de 2008:

“O primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu hoje que o investimento público é "absolutamente essencial" nesta altura de crise financeira internacional e destacou as energias renováveis como uma das principais apostas do Governo.”

 
Notícia de 2010:

“O Governo aprovará nos próximos dias uma proposta para aumentar a potência da energia eólica em 400 megawatts, o que representará um investimento na ordem dos 400 milhões de euros, anunciou José Sócrates.”

 


Evidentemente, não há qualquer relação entre as notícias anteriores e as que se seguem…

Notícia de 2013:

 Factura da luz das famílias portuguesas é a mais pesada da Europa a 15

“Comentando a evolução dos preços desde 2009, o relatório salienta que, "talvez de forma inesperada, os preços da electricidade em Portugal e Espanha (que têm um mercado integrado, o Mibel), que costumavam estar abaixo da média da União Europeia a 15, sofreram saltos impressionantes e estão agora entre os mais elevados da Europa".”

 
Mas este descalabro não ficará por aqui, pois – apesar dos enormes aumentos da eletricidade que ocorreram nos últimos 10 anos – o que os portugueses têm desembolsado não chega para cobrir os custos do sistema! Os produtores de energia e a banca, têm vindo a acumular um crédito denominado défice tarifário.

NOTA: A mesma notícia, refere que os cortes ditados pelo actual governo nas “rendas excessivas” dos produtores de energia permitiram aliviar um aumento dos preços de 11%, sensivelmente. Claro que o PS se "escandalizou" por esses cortes não terem "ido mais longe"…



Recapitulemos:

“Factura da luz das famílias portuguesas é a mais pesada da Europa a 15”, mas ainda terão de pagar, um dia destes, mais 3,7 mil milhões de euros… 

Porreiro, pá!


Portugal, é isto… uma sociedade e uma classe jornalística que passa a vida a (supostamente)  clamar pela incompetência dos seus governantes, mas  não entende (ou não quer entender) o processo de “causa - efeito” entre a governação socialista recente e o estado de bancarrota em que Portugal se encontra.


Brevemente, numa entrevista perto de si:

"Jornalista fascinado": “Que balanço faz da sua aposta de subsidiação das energias renováveis ?”

“Ingenheiro”: não sabia o que aquilo era!”…
 
 
 

10 outubro, 2013

Portugal precisa de políticos assim!



"Hoje gostaria apenas de chamar a atenção para a necessidade de uma mudança de paradigma cultural que está por fazer. Há uma cultura da responsabilização e da corresponsabilização que nos falta adquirir; há uma cultura de ‘accountability’, de prestação de contas, de transparência e de boa governação que importa reforçar; há uma cultura de excelência, da autonomia e da iniciativa empreendedora, que nos falta a todos um pouco”


Este senhor, foi PR durante o consulado de Guterres, período (entre 1995 e 2001) que conheceu o maior aumento de despesa pública na nossa história recente, fruto, entre outros, da contratação de centenas de milhar de novos funcionários públicos ou da criação de subsídios para os mais diversos fins (o RSI é o melhor exemplo). Mas também foi o período em que mais privatizações ocorreram (sim, foi sob um governo socialista…), tendo essa receita sido canalizada para o indispensável investimento público. Recorde-se, que esse foi o período em que se iniciou a construção das “auto-estradas que se pagavam a si próprias”, as famosas SCUT… 

Já depois do consulado de Guterres, com Ferreira Leite nas Finanças, quando se tentava travar a despesa pública – não através de cortes – mas, através do congelamento de salários e contenção de outras despesas, foi este mesmo senhor que veio dizer “basta” e atirou com o célebre “Há vida para além do défice”. 

Pouco tempo depois, foi este mesmo senhor que dissolveu a AR e abriu a porta para a vinda de Sócrates… Depois de anos consecutivos a gastar mais 10% - 15% que aquilo que conseguimos produzir, depois de duplicar a dívida em apenas 5 anos, o País (pela 3ª vez em 30 anos) chamou o FMI para evitar uma bancarrota “formal”.
 
Foi apenas há 2 anos…

Recapitulando: entre 1995 e 2011, 16 anos portanto, Portugal teve praticamente 13 anos de governo rosa e menos de 3 de governo laranja… os 10 anos do senhor Sampaio como PR, estão compreendidos neste período - uma verdadeira "era dourada socialista".

Assim, considerando a tal necessidade de uma “cultura da responsabilização e da corresponsabilização que nos falta adquirir”, da ”… cultura de ‘accountability’, de prestação de contas”, como classificará o Dr. Sampaio o seu próprio papel na nossa historia recente?
 
Ouvir Sampaio a lançar estes apelos sobre “responsabilização” e a necessidade de “critérios de exigência e rigor”, é muito bom… nem a malta do Inimigo Público, conseguiria estas peças repletas de humor sarcástico.

Enfim, ser português, é isto… vamos tratar de acertar contas com Passos!
 
NOTA: PPC, pf, afaste-se e deixe o Dr. Seguro mostrar como se faz!



12 setembro, 2013

Austeridade: Causa ou Consequência?

 
Continua a campanha mediática que visa atribuir à “austeridade” a origem de todos os males.

Recorrentemente, nos jornais e nas tvs, continua a ser transmitida a ideia que os problemas dos quais o País padece, tiveram origem nas “medidas de austeridade”, nomeadamente, nos últimos dois anos de governação.

Por vezes, custa a acreditar na forma infantil como este assunto é tratado na agenda mediática, onde existem: os “bonzinhos” que querem crescimento Vs os “mauzões” que querem a austeridade. Lembram-se, por ex., de Hollande? O “salvador” que a comunicação social nos vendeu durante meses? Porque será que esse símbolo da “anti austeridade” conseguiu o extraordinário feito de, ao final de 1 ano de mandato, ser “o chefe de Estado menos popular da história moderna francesa.”



Isto para não falar naqueles jornais que até reformulam a história, recordar este post por ex., onde o Público chegou a avançar que a quebra da taxa de natalidade em Portugal (apesar de esta vir decrescendo desde os anos 80), se deve à “austeridade”…

Agora, é a vez de imputar à “austeridade” outra responsabilidade: a circunstância de Portugal ser um “dos países mais desiguais do mundo”. Isto é falso!
 

Aqui, podemos constatar que “antes da austeridade” (2008), Portugal já era o país mais desigual da União Europeia a 27!

“Considerando o total dos 5% mais ricos, Portugal era o país da UE-27 no qual o rendimento monetário detido por este grupo era proporcionalmente mais elevado: 18% do rendimento monetário total apurado para o país. Se se considerar o 1% do topo, Portugal surgia também em primeiro lugar, a par da Lituânia: 6,6% do rendimento monetário total.”

E, sim, parece que este fosso entre ricos e pobres, foi cavado em conformidade com a “sacrossanta” Constituição

Repito – este era o retrato do país antes da “austeridade” – atribuir a “pobreza”, a “desigualdade”, etc., à “austeridade” é mais um EMBUSTE que interessa a alguns manter!

Este é um país sem memória. O triste estado a que Portugal chegou, não se deve aos últimos 2 anos. Esta ladainha da “austeridade” Vs “crescimento”, serve apenas para, junto dos cidadãos, implantar uma ideia. Mas alguém acredita que algum político quer que um país “empobreça” em vez de “crescer”?! Os políticos “vivem” de votos e de (re)eleições, acham que a 1ª opção dá votos a alguém?!

A "austeridade", i.e., os cortes e os sacrifícios com que a sociedade portuguesa tem de conviver, são a consequência dos erros de governação cometidos no passado e não a causa desses sacrifícios (estes, infelizmente, são inevitáveis. E serão durante anos…).

Imaginem que uma família comprou um “carrão” a prestações: se, porque não dispõem de recursos para tal, tiverem dificuldade em pagá-lo, a responsabilidade dos sacrifícios que terão de ser feitos, deve ser atribuída a quem optou pela compra ou, aqueles que se vêm forçados a cortar nas despesas porque é preciso pagar as prestações?!

 Infelizmente, branqueando a responsabilidade de quem, no passado recente, tomou opções desastrosas e governou pessimamente, a comunicação social insiste é confundir causa com consequência... claro que isto não é inocente e visa colocar a opinião pública “do lado” da narrativa da esquerda.

Como é possível esta espécie de amnésia colectiva “pré-2011”, nomeadamente, o esquecimento da herança que os políticos que se intitulam como “anti austeridade” - os socialistas – deixaram, fruto da sua governação quase ininterrupta entre 1995 até 2011 (com o breve intervalo de 2,5 anos).

Se durante esse período - em que o financiamento era abundante – o resultado das tais “políticas de crescimento” foi, para além de uma das sociedades mais desiguais do mundo ocidental (como vimos) a bancarrota de 2011, como é possível que alguns ainda acreditem que essa “receita” poderia resultar, no actual contexto de financiamento exíguo?!

Austeridade, é fazer despesa à medida da receita que se consegue gerar. É assim tão difícil, para uma parte tão significativa da sociedade portuguesa, entender isto?...

06 setembro, 2013

A Arte da Hipocrisia…


 
 
Há personalidades que se revestem de uma candura e inocênciaEsse tempo foi gasto porque o PS assim o quis! Porque, eleitoralmente, lhe dava jeito.

Se achavam essa clarificação importante e necessária, porque chumbaram os socialistas – em Julho de 2012 (há mais de um ano, portanto) - um projecto de clarificação da lei?!
 
E depois andarem com estes “lamentos”: é a “preocupação e a incerteza que o processo provocou nos eleitores” (coitadinho do eleitor...); é o “lamento” pela imagem negativa que o processo deu do “funcionamento da democracia”... não há pachorra para tanta hipocrisia!

Na comunicação social, também muito se falou - e “lamentou” - a propósito "dos danos" que o arrastar desta indecisão até "às portas das eleições provocou à democracia”, acarretou.
 
Infelizmente (não, inexplicavelmente...), os Srs. Jornalistas preferiram ocultar dos cidadãos - e tanto se falou do assunto ao longo do último ano -, que tal situação se deveu apenas à vontade dos socialistas (essa clarificação só seria possível se existissem dois terços de deputados que aprovassem essa proposta).
 
Enfim, nas redacções, business as usual…
 

21 agosto, 2013

Da “Fiscalização preventiva”


Dentro de umas semanas, voltará a “nuvem negra” associada à preparação e anúncio das medidas de um novo Orçamento de Estado sob resgate. Desta vez o de OE2014.

Até agora, o discurso da oposição tem-se centrado em dois pilares: a luta contra as “políticas de austeridade” e a defesa dos direitos estabelecidos na Constituição. Com os recentes sinais positivos da economia é de prever que “todas as baterias” passem a centrar-se no segundo ponto.

Por mais de uma vez se abordou este assunto aqui no blog, nomeadamente, o conflito existente entre a rigidez do que a Constituição prevê e as transformações de que Portugal precisa – leia-se, - redução da despesa pública.

Desta feita, o presente post, debruça-se sobre uma expressão recorrente na comunicação social -  a “fiscalização preventiva”, da medida A ou da medida B. Pergunta-se, será mesmo “preventiva”?...
A este propósito, recuemos até Junho para acompanhar um tema que esteve em discussão na Alemanha. Discutia-se, então, o mecanismo de compra de dívida soberana pelo Banco Central Europeu que, segundo um grupo de cidadãos alemães, poderia violar a Constituição alemã. 

Este mecanismo, destinado sobretudo à aquisição de dívida soberana dos países em dificuldade (Portugal, Espanha, Itália e Grécia), comporta riscos para os cidadãos e contribuintes alemães, nomeadamente, uma eventual factura sobre as gerações seguintes. Ora se esta factura, se este risco, representa uma ameaça aos direitos dos cidadãos alemães previstos na sua Constituição, quem pode discordar desta análise prévia às decisões do governo alemão?

Isto sim, trata-se de “fiscalização preventiva”.

Nós, portugueses, depois de anos, de décadas, sucessivas de péssima gestão da “coisa pública” sob o signo do “Festeje hoje como se não houvesse amanhã”, como são símbolo: o CCB, os estádios do Euro, a Expo 98, a sede da caixa geral de depósitos (à época, a maior sede de um banco na Europa), ou os casos mais recentes – e por isso mais graves pois, desde há 1 década, se adivinhava o beco sem saída para que se encaminhavam as nossas contas públicas – como os milhares de km de auto-estradas (sem custo para os utilizadores, lembram-se?...), as eólicas que penteiam qualquer serra portuguesa (e que determinam as rendas da edp e outras eléctricas), a “festa” do Parque Escolar, o novo Aeroporto de Beja, etc., etc….

Contudo, não é apenas nas obras públicas feitas à custa de dívida (que mais tarde alguém pagaria…), e de empreitadas que custam sempre 2X, 3X, 10X, mais que o inicialmente anunciado, que se esgotam os exemplos de negligência e desrespeito pela gestão dos recursos públicos. Veja-se como ao longo dos anos o Estado distribuía subsídios como se esse dinheiro não fosse retirado do bolso de uns portugueses para ser entregue a outros: o rendimento mínimo, depois RSI, deveria sempre ser apresentado como uma ajuda temporária e não permanente. Portugal, ainda hoje, é um sítio onde os subsídios garantem uma vida mais confortável que o salário mínimo!

Outra prática, bem conhecida e que nos deve fazer pensar sobre o nosso sistema de pensões, era o “simpático” costume de aumentar principescamente os salários dos funcionários púbicos nas vésperas de estes se reformarem. Recorde-se que até 2005, um trabalhador do Estado reformava-se com uma pensão idêntica ao seu último vencimento – que direito constitucional existirá nestes casos de manter, à custa dos rendimentos de alguns cidadãos, os privilégios assim angariados de outros?!
 

Em resumo, durante anos Portugal comportou-se como aquelas famílias que vão contraindo dívidas com empréstimos pessoais, para saldar a dívida do cartão de crédito, pagar as férias, a renda da casa. As decisões tomadas nunca tiveram em consideração os seus efeitos nos direitos dos cidadãos, nomeadamente, nos direitos daqueles que no futuro pagariam a factura. Em diversas ocasiões, pareceu que o dia da inauguração era o horizonte temporal do investimento...

Enquanto nos emprestavam novos montantes, apesar de os juros e da dívida se irem acumulando, foi possível continuar assim. Mas isso acabou…

A dívida contraída entre 2005 e 2011, ditou um aumento superior a 4.000 M € no montante de juros que Portugal tem de pagar anualmente aos seus credores. Curiosamente (ou talvez não…) é precisamente esse, o valor que agora se aponta como necessário cortar na despesa pública, no “Estado Social” … 

Aqueles que agora clamam pela “fiscalização preventiva” desta e daquela medida, onde estavam, quando as opções que agora sobrecarregam os portugueses e ditam a supressão parcial dos seus direitos, foram tomadas?! Alguns estavam a apoiá-las e até fizeram belos discursos nas pomposas inaugurações que víamos nos telejornais. Alguns até são seus co-autores…     

Na Alemanha, existe esse conceito estranho: que “direitos” implicam “deveres”. Se a Constituição prevê um conjunto de direitos, “fiscalização preventiva” trata-se de examinar previamente as medidas e decisões, cujo resultado podem colocar em causa os tais direitos constitucionais.

Em Portugal, como sociedade imatura e irresponsável que, infelizmente, ainda demonstramos ser, preferimos passar anos a assobiar para o lado e, só quando a realidade “nos cai em cima”, quando se verifica que não dispomos de recursos para saldar os compromissos assumidos, vimos invocar que ninguém nos pode “roubar” este e aquele direito… isso seria anticonstitucional!
 
Portugal teve a sua 1ª bancarrota em 77/78, anos mais tarde a e, em 2011 - não terá sido por falta de aviso -, a. Daí achar sempre curioso como, estando Portugal em situação de emergência e a viver de dinheiro emprestado pela “troika estrangeira” (ajuda, sem a qual, estaríamos a passar por cortes e privações bem maiores), se utiliza candidamente a expressão “fiscalização preventiva”, como se fosse esta a altura para estarmos vigilantes... não vá algo de mal acontecer-nos!

Enfim, por alguma razão a Alemanha é a Alemanha, e Portugal é Portugal...

 

15 agosto, 2013

Das Previsões "do Excel" ao inesperado Crescimento do PIB


Depois dos números do desemprego, do crescimento das exportações, foram ontem conhecidos os surpreendentes dados do PIB relativos ao 2º Trimestre. Apesar das boas notícias, obviamente, a situação ainda é de crise. De qualquer forma, uma das expressões mais ouvidas dos últimos tempos, já não fará qualquer sentido ser usada - a célebre “espiral recessiva”.

Aliás, contrariamente aqueles que clamam pelo fim dos cortes, pois estes “trarão mais recessão”, o caminho do crescimento permanece indissociável de uma contínua e paulatina, redução da despesa do Estado. A redução da despesa pública e os cortes na estrutura o Estado – pois é este sector que necessita de ajustamento - deve prosseguir, infelizmente a sua dimensão (entenda-se custo) permanece sobredimensionado para os recursos que a economia portuguesa consegue gerar.
 
Infelizmente, o ajustamento do sector público tem sido obstaculizado por duvidosas razões de inconstitucionalidade, entre outras, por duvidosos príncipios de equidade já aqui abordados.

No entanto, a propósito das boas notícias, seria ingrato não recordar dois nomes…

Vítor Gaspar - Onde estão agora os críticos às suas previsões?

A 18 de Janeiro, interpelado pela deputada d'Os Verdes Heloísa Apolónia, Passos Coelho justificou as discrepâncias nas apostas do Governo para a recessão deste ano (1%) com as do Banco de Portugal (1,9%, quase o dobro).”

A confirmar-se esta tendência de evolução do PIB, será que algum daqueles “gurus da previsão económica” da oposição que, mais do que criticar, troçavam das previsões de Gaspar, se irá retractar em público e reconhecer que, contra todas as previsões, afinal as suas eram as mais correctas?
 
Álvaro Santos Pereira – estas boas notícias, não podem deixar esquecer o trabalho deste Ministro, cuja capacidade de análise da situação portuguesa e convicção do que carecia ser mudado, foi sempre menosprezada.

Basta recordar a forma como sempre foi tratado pelas «pseudo-elites» que dirigem a nossa comunicação social. Certamente, esse desprezo, não será alheio à circunstância de se tratar, nas últimas décadas, do Ministro da Economia mais independente dos lóbis do “establishment”.
 
Esta independência, infelizmente, também ditou o seu sacrifício em função dos interesses e equilíbrio de poder dentro da própria coligação… a dignidade com que saiu de cena, só pode confirmar as qualidades humanas que parecia ter, nomeadamente, a humildade e seriedade.
 
 


18 julho, 2013

Da imparcialidade ideológica do comentador tuga...



“Com o acordo, o PSD e o CDS ganham tempo para recuperar da sua desgastada imagem. Eleições agora seriam provavelmente dramáticas para os dois partidos. O PS ganha respeitabilidade e as mudanças que vinha pedindo. E o país respira de alívio.”

"O PS ganha respeitabilidade...", certos comentários dão vontade de rir.

O PS, depois de 1 ano dedicado às "causas de esquerda",  envolvido numa acesa disputa com BE e PCP. no que parecia um concurso de popularidade para apurar qual deles seria o maior “inimigo da austeridade”, assim que se viu obrigado a lidar com a realidade (recordar o ar apavorado de Seguro no dia da demissão de Portas...), em menos de uma semana, já veio dizer que é impossível um acordo com o BE. Da noite para o dia, de uma suposta proximidade e possibilidade de acordo para o célebre "governo de esquerda", o PS passa a acusar o BE estes apenas estarem interessados em "jogos partidários". 

Ou seja, na prática, o PS também assumiu como eram fantasiosas e demagógicas as posições que vinha defendendo ultimamente, nomeadamente, as suas posições contrárias a qualquer corte ou reformaaquele e a constante referência à "urgência" de eleições antecipadas (recordar, mais uma vez, o ar apavorado de Seguro no dia da demissão de Portas...).

Mas esta total inversão de posição - naquela lógica do duplo-critério da comunicação social que aqui no blog tão frequentemente se expõe -, é RESPEITÁVEL!

Estamos conversados...

NOTA: Depois, comentadores com este tipo de raciocínio, admiram-se de atraírem para si os “Baptistas da Silva” deste mundo…

09 julho, 2013

O chapéu socialista...


OH! Grande coisa, um terrorista muçulmano disfarçar-se de cowboy!…


No meu País, não um indivíduo, mas um conjunto deles e durante anos a fio, conseguiram desviar milhares de milhões de Euros de dinheiro dos contribuintes, para os bolsos das grandes construtoras, da banca, das empresas de energia, etc., mas jornalistas, comentadores e uma parte significativa da sociedade, como num daqueles truques de ilusionismo em que fazem um avião desaparecer diante dos nossos olhos, não confrontam os verdadeiros culpados com os seus actos e passam os dias a acusar uns sujeitos-  sem qualquer responsabilidade no que se passou nos últimos 20 anos de governação - pela consequência de já não existir dinheiro para pagar uma promessa que lhes foi feita chamada Estado Social. Segundo as televisões, jornais e a rádio, eles querem cortar nas despesas sociais, na saúde, na educação, etc., porque são “de direita”...

O segredo, porque ninguém parece desconfiar deles? Usam um chapéu socialista! Um socialista, por definição, é alguém que protege os cidadãos (o povo) das constantes maldades que a “direita do grande capital”…

E mais, neste caso, os cidadãos que foram vítimas do Srs. que se disfarçaram com o “chapéu” nem os procuram pelo mal que lhe fizeram, estão até dispostos a trazê-los de volta ao poder!

Brilhante!

 

28 junho, 2013

PEC IV: a nova religião.


Não deixa de ser curioso observar como muitos socialistas troçam de Cavaco Silva, pela sua fé em Nossa Senhora, e depois vê-los criar um autêntico culto à volta de um “símbolo”, esse sim, nos conduziria à salvação. Esse símbolo e essa crença, o PEC IV…

 
 
A entrevista de Teixeira dos Santos veio (mais uma vez) insistir num dos mitos mais recentes da política portuguesa: “O PEC IV teria evitado o resgate português.”

Para os seguidores de Sócrates, este PEC IV converteu-se numa nova espécie de Sebastianismo. Mas não passa de um mito, uma falácia que, sistematicamente, passa sem o devido contraditório jornalístico. Como resultado disto, na opinião pública, vai-se implantando a ideia que este memorando da Troika - e os sacrifícios que dele decorrem - são “obra” de Passos & Gaspar em vez dos verdadeiros responsáveis – os socialistas.  

O que deveria ser perguntado a Teixeira dos Santos a este propósito:

Dr. T.S., recuando ao início de 2011 e ao PEC IV: considerado que, tanto a Irlanda, como a Grécia, estavam já sob resgate fmi/feef, garante aos portugueses que as instituições europeias iriam dar a Portugal um tratamento previligiado?

E quanto nos iriam emprestar, 80.000, 100.000 milhões de €?! A que taxas, 1%, 2%?!


Se o PEC IV fosse realmente um programa nos termos em que os socialistas o “pintam”, não teriam já surgido documentos que comprovassem isso? Claro que sim! Mas, para os jornalistas “esquerda friendly” uma afirmação do género “ai! Disseram-nos num encontro, não tenho qualquer dúvida que esse apoio ao PEC IV existia!”, é prova mais que suficiente...

Quem tiver fé nestes socialistas (a trupe de Sócrates, bem entendido…) pode agarrar-se com grande convicção a esta versão, mas trata-se disso mesmo - Fé. O 4º PEC, sem troika, destinava-se a manter Portugal nos mercados a contrair divida a 7, 8, 9 % (aguantaríamos mais 3 ou 4 meses, talvez o suficiente para colocar o TGV e o novo aeroporto em obra…).
Se com o empréstimo da troika, com um juro de 3,4%, estamos assim, imagine-se essa "alternativa"...


Foi possivelmente o chumbo do PEC 4 que evitou a degradação da situação financeira portuguesa, ao ponto da situação a que a Grécia chegou.
 
Deixem-se de fantasias: o que teria evitado o resgate português está à vista de todos - era não ter duplicado (cavado, para usar a terminologia de alguns) a dívida entre 2005 e 2010. O que sobrecarrega efectivamente os portugueses são os 8.000 milhões de juros que temos de pagar anualmente.


NOTA FINAL: Alguém perguntou a T. Santos se voltaria a nacionalizar o BPN? (decisão que, segundo ele em 2008, não custaria um cêntimo aos contribuintes)


21 junho, 2013

Concurso de popularidade socialista


Costa Vs Sócrates, quem será o mais popular? Descubra as diferenças de estilo entres estes dois ilustres socialistas.

António Costa, durante a vigência do memorando de resgate relativo à 3ª bancarrota socialista em 30 anos, mas ano de eleições autárquicas (2013):

 

José Sócrates, durante a "maior crise financeira do século", mas ano de eleições legislativas (2009):
 
 
"O Governo vai propor aos sindicatos uma actualização dos salários dos cerca de 700 mil funcionários públicos de 2,9%." (se não me falha a memória, foi até um valor superior ao que a UGT pediu...)
 




30 maio, 2013

Títulos vs Corpo de notícia: lições sobre manipulação

 
Matéria recorrente aqui no blog, é a frequente utilização de títulos para "implantar uma ideia" no leitor... O exemplo presente foi retirado daqui:
 
por João Monge de Gouveia, em 30.05.13
 
Tem aparecido nos jornais que uma empresa do Primeiro Ministro está a ser investigada.
O titulo é chamativo e refere "Gabinete anti-fraude da UE investiga antiga empresa de Passos"
Depois se formos lendo a noticia, percebemos que a mesma está a ser investigada devido a uma denúncia da eurodeputada socialista Ana Gomes, ou seja, afinal a empresa está ser investigada não por livre iniciativa do Gabinete anti fraude, mas porque houve uma denúncia, o que é normal.
Se eu fizer uma denuncia sobre x ou y à policia dizendo que este cometeu qualquer crime, x ou y também será investigado e provavelmente constituido arguido e no final poderá ser acusado ou absolvido, no caso desta útlima hipótese e se tiver bases para tal pode até intentar uma queixa por denúncia caluniosa contra a pessoa que o denunciou.
Imaginemos agora que a investigação não dá em nada, não seria bem feita que quem denunciou fosse denunciada?
"
 
 
Ninguém está a dizer que o caso não deve ser investigado. Mas será que se justifica o destaque dado a esta notícia - apresentada como se de uma novidade se tratasse, centrando o caso na figura do 1º Ministro "investigado pelo gabinete anti-fraude da UE" e complementada com uma fotografia do "arguido" Passos - quando é público que a actividade da Tecnoforma já está sob investigação desde o final de 2012?!  
 
Já no início do ano, e depois do assunto ser extensivamente usado nos media para atacar Passos e Relvas, a PGR já tinha vindo esclarecer que "...Pedro Passos Coelho não está envolvido nos dois inquéritos judiciais à empresa Tecnoforma". Será que um organismo administrativo de Bruxelas se vai sobrepor às entidades oficiais portuguesas?
 
Mas daqui a 3 - 4 meses (até porque,  a memória tuga é o que é...), o assunto pode perfeitamente ser repescado e servir para um novo título sonante. Como o jornalismo militante é assim: enquanto uns casos "morrem à nascença", outros, são ciclicamente revisitados e "ressuscitados". 
 
Em relação à Drª Ana Gomes, dar-lhe os parabéns! Perante situações deste género, onde está em causa a (má) gestão de dinheiros público, e de eventuais crimes até. temos de recorrer a todos os meios ao nosso alcance para apurar responsabilidades. Nesse sentido, seria interessante saber do ponto de situação das queixas que apresentou junto dos organismos da UE relativamente a casos como o Freeport, o Face Oculta, as cláusulas criminosas das PPP rodoviárias, sobre os negócios e pressões sobre os media, das escutas a jornalistas, da Cova da Beira, do ajuste directo de milhões para comprar computadores Magalhães com dinheiro público, dos decretos lei para benefício da indústria farmacêutica...
 
 
 
 

20 maio, 2013

FC Porto e Benfica, nas últimas 2 décadas, estão empatados afinal…


É muito frequente na comunicação social ouvir esta afirmação:

“PS e PSD têm iguais responsabilidades na actual crise”.

Jornalistas e comentadores, recorrentemente, afirmam que “PS e PSD sucederam-se nos diversos governos”…

Curiosamente, nos últimos 20 anos, o FC Porto (em títulos) e o PS (em governos) têm o mesmo “domínio” nos respectivos métiers: 
Assim, se no que diz respeito ao futebol, todos achariam disparatado dizer que nos últimos 20 anos Benfica e Sporting têm o mesmo domínio que o FC Porto, porque será que esta falácia passa na política?! 

O PS - com cerca de 3 anos de intervalo - governou de 1995 a 2011. Esta ilusão frequentemente repetida nos media que, PS e PSD, têm iguais responsabilidades na governação recente (quando falamos em 85% Vs 15%), serve a quem?


Só este “reset” da responsabilidade política socialista, promovido pelo jornalismo que se faz em Portugal, permite a Seguro e ao PS continuarem com o seu enjoativo discurso de "crescimento", das "pessoas antes dos números", “a austeridade não leva a lado nenhum”, blá, blá, blá…  

 
Com tanto "xarope de crescimento socialista" que tomamos nos últimos 20 anos, como ficamos na bancarrota?!