02 janeiro, 2014

01.01.2014, 00h:05m: foi o prazo de validade do Jornalismo assente em factos e no rigor.


O ano de 2014 era ainda um recém-nascido, e já alguma comunicação social nos brindava com uma das suas “especialidades”: forjar notícias. É aquele tipo de jornalismo que, por aqui, classificamos na categoria “Se não aconteceu, devia ter acontecido”.

 
Visto aqui, numa pertinente observação de Vítor Cunha no Blasfémias:

"O bebé do ano nasce sempre ali ao lado


O JN decidiu que o bebé do ano nasceu convenientemente na Maternidade Alfredo da Costa.
Já a TVI optou por decidir que o bebé do ano pode nascer fora de Lisboa e, desta vez,
escolheu Viseu.
Segundo o Centro Hospitalar de Lisboa Central, o número de partos na MAC foram 5244 (2009), 5328 (2010) e 5583 (2011).
 
Ano Total de Nascimentos Partos na MAC % de nascimentos na MAC
2009 99.491 5.244 5,27
2010 101.381 5.328 5,25
2011 96.856 5.583 5,76
(Fontes: CHLC e Pordata)
 
Fascinante como uma maternidade onde nascem em média 5,4% dos bebés consegue obter o record absoluto de bebés do ano:
 
Ano Bebé do Ano é MAC? Fonte
2006 SIM JN, DN
2007 SIM JN
2008 ?
2009 SIM JN
2010 SIM JN,
2011 NÃO DN
2012 SIM JN
2013 SIM e NÃO JN jura que sim, TVI jura que não
 
Qual é a probabilidade de 1 de 5,4% dos bebés nascidos num dado ano acontecer no dia 1 de Janeiro entre as 0h00 e as 0h05, em Lisboa e na Maternidade Alfredo da Costa?
 
Segundo o galardão bebé do ano, 75%. Encerrar a MAC parece ser uma má decisão para este prestigiado galardão."

Enfim, quando estão em jogo as causas queridas do jornalismo - neste caso, a MAC (assunto já aqui abordado anteriormente) - não há facto ou acontecimento, que não possa ser moldado à medida do "wishfull thinking" das redacções...  

Feliz Ano Novo e, já sabe, nunca deixe de ter sentido crítico em relação ao que vê, lê ou ouve nos media…

 
Pense pela sua cabeça, não permita que outros o façam por si.