08 agosto, 2013

Sobre os recentes dados estatísticos da Taxa de Desemprego


Se no global a taxa de desemprego recuou dos 17,7% para os 16,4%, é interessante observar as alterações verificadas regionalmente (região NUTS II). Assim, relativamente às regiões Norte, Centro, Lisboa e VLT, e Algarve, verifica-se do 1º T para o 2º T, uma quebra de 1,4%, 1,80%, 0,20% e 3,60%, respectivamente. Todas registaram recuos, mas a magnitude dessas alterações é bem distinta.

Muito se tem falado da sazonalidade associada ao turismo, repare-se que no Algarve a quebra do desemprego foi bem mais significativa que nas restantes regiões (quase 4 pontos percentuais). No entanto, será que a sazonalidade associada ao turismo explica as reduções verificadas no Centro e Norte?

Longe de ser especialista na área, penso que o turismo tem mais peso em Lisboa e Vale do Tejo, do que nas regiões Centro e Norte. Assim, porque terá a taxa de desemprego descido nestas duas últimas regiões (1,4% e 1,80%), mas ter permanecido praticamente inalterada em Lisboa e VLT?

Obviamente, a informação é muito escassa e só a evolução dos próximos trimestres permitirá perceber que trajectória terá o desemprego em Portugal. Mas, não será que, em vez da sazonalidade associada ao turismo, a criação de emprego nas Regiões do Norte e do Centro se explicam pela criação de empregos nos sectores da Agricultura e Indústria, desempenho esse que também ajudaria a explicar o bom desempenho das exportações?

Recorde-se, a propósito da existência de dois modelos de sociedade no nosso País - o "Portugal que vive à mesa do Orçamento de Estado" Vs o “Portugal Silencioso”- este post de Maio de 2013…

 "Do "Portugal silencioso"...

O Norte exportador

"É quase uma notícia de rodapé. Como se já fosse hábito. O Porto de Leixões teve em abril um aumento das exportações de 30%, com um máximo histórico de 1,7 milhões de toneladas carregadas num só mês! E, mais do que um mês bem sucedido, o acumulado de subida das exportações é até agora de 13% em 2013 face a 2012.
O que exportamos mais? Combustíveis refinados, ferro e aço, bebidas, papel e cartão, máquinas e produtos químicos. Os países onde as empresas portuguesas encontraram novos clientes são a Argélia (mais 150%), Marrocos (mais 61%), EUA (mais 45%), Reino Unido (mais 44%) e França (mais 39%).
É extraordinário. Há dois países em Portugal. Este é o silencioso, fruto de sangue, suor e lágrimas. Há dezenas de milhares de trabalhadores e algumas centenas de empresários e diretores comerciais de mala na mão por este mundo fora a fazer a tal 'coisa' sempre pomposamente dita pelo Governo: fazer a inversão da balança comercial do país e fazer a retoma.
...
"
Estes dados, são a melhor evidência dos dois modelos de sociedade existentes no nosso País. Por um lado, o modelo de sociedade representado por um grupo bem instalado em “Lesboa” (Raquel Varela, por ex.): conquistado na sombra da monstruosa estrutura do Estado e dos milhares e milhares de empregos sustentados pela burocracia. À custa desta estrutura sustentada com os impostos de TODOS os portugueses, cresceu uma economia "pseudo- privada": um sector de serviços ancorado nos gabinetes de "grandes" advogados & seus pareceres, nos escritórios da banca e das consultoras internacionais, das administrações das empresas públicas e das ex-públicas (edp, pt, galp...) que, mesmo anos depois da sua privatização, contaram com as benesses e os momopólios que a proximidade com o poder lhes garantiu (e garante).

O "outro" modelo é representado, nas palavras de Daniel Deusdado, pelas "dezenas de milhares de trabalhadores e algumas centenas de empresários e diretores comerciais de mala na mão por este mundo fora" que, apesar de um Estado ladrão, que ao longo dos anos foi retirando, saqueando, pela via fiscal (impostos) ou pela sua incompetente gestão (electricidade, combustíveis, scuts...), uma fatia cada vez maior do fruto do seu trabalho enquanto criou obstáculos adicionais à sua competitividade, para sustentar a estrutura desmesurado e voraz do Estado, nomeadamente, os milionários vencimentos dos "gestores" do sector empresarial público.

É tão simples ver sobre qual destes modelos devem recair as reformas e os cortes e qual deles deve ser poupado para que Portugal se desenvolva económicamente... mas há um factor que trava esta mudança e impede que a sociedade em geral tenha esta percepção - a comunicação social. Sendo Portugal o país centralizado que é, nomeadamente, a circunstância de todas as redacções e meios de comunicação "de massas" estar instalada em Lisboa, faz com que a visibilidade do "Portugal silencioso" Vs o "Portugal que vive à mesa do Orçamento de Estado", seja quase nula... Assim, um dos maiores desafios que se coloca a este País, é o seguinte:
- sabendo nós que a comunicação social desempenha um papel central na ascensão e queda dos sucessivos governos, será possível implementar as mudanças que Portugal precisa - e que passam essencialmente pelo corte nos recursos que sustentaram a riqueza gerada na capital nas últimas décadas - quando é precisamente o grupo mais prejudicado por essas medidas quem domina completamente a opinião pública e a agenda mediática?

07 agosto, 2013

Juro que não queria falar mais de SWAPS...


Antes de ir aos mais recentes desenvolvimentos desta novela, partilhar um pensamento que nos últimos dias me tem ocorrido: se, no tempo certo, a comunicação social tivesse "acordado" para este problema da “maquilhagem de contas”, se, durante 6 anos de tanta aldrabice contabílistica, os srs. jornalistas não tivessem mantido (por oposição à hipersensibilidade actual) uma atitude de autêntica passividade bovina, teria sido possível poupar os portugueses a parte dos sacrifícios que agora têm – temos – de fazer… 

Sobre a “caça às bruxas“, “é assim”: no início, os socialistas contrataram estes swaps ruinosos estando este governo, e a ministra, a remediar a situação. Aqui, a questão central eleita pela comunicação social, não foi o apuramento de responsabilidades pela existência de tais contratos, não. Como a Mª L. Albuquerque disse que na transição de pastas não constava informação dos swap (e os socialistas diziam que sim), a responsabilidade da assinatura desses contratos foi considerada uma questão lateral... A questão central passou a ser a conduta da ministra: teria, ou não mentido?

Entretanto, depois de semanas sob fogo, a ministra conseguiu provar que, efectivamente, nada de relevante e concreto tinha sido transmitido relativamente aos “swap tóxicos”… o jornalismo - que nem se preocupou em confrontar os socialistas (quem mentia afinal?) com os elementos apresentados - logo substituiu essa polémica. O alvo deixou de ser a ministra, mas a sua imagem, claro, foi seriamente desacreditada.

Agora, com base em documentos possivelmente forjados, lançou-se na comunicação social a notícia que este secretário de Estado era o responsável pela proposta de swaps tóxicos ao governo de Sócrates. Desta vez, se quem apresentou os documentos mentiu ou não mentiu, parece que é secundário, lateral. A questão central é saber se o secretário de estado – há altura colaborador do CitiBank – estava associado a essas propostas…

Pelo menos, nisto de definir o que é a questão central e a questão lateral, o critério da comunicação social é óbvio e coerente: os “culpados” são sempre os mesmos… a isto chama-se “Jornalismo de Inquisição”. Agora a questão de fundo:
 
A escolha de um Ministro ou Secretário de Estado das Finanças, passa a ficar vedada a pessoas que tenham trabalhado no sector financeiro?


Considerando a polémica em torno do actual secretário de estado – dado como incompatível para o lugar porque “andou enrolado” em swaps -, e, sabendo nós, que todas as empresas do sector financeiro comercializam esses produtos, depreende-se pelos comentários de jornalistas e comentadores nos últimos dias, que “JAIMÉ!” alguém com experiência nesse sector poderá exercer funções das Finanças. 

Saído este sec. de estado de cena, talvez seja melhor começar a recrutar os próximos , por ex., em roulottes de venda de farturas… desde que, claro, nunca se tenham esquecido de passar factura! (já imagino as reportagens com anónimos a relatarem a compra de coiratos à margem do fisco…um escândalo!!!)   

Um governante, deve ser seleccionado pelas suas competências e, posteriormente, avaliado pelo mandato e trabalho desenvolvidos, ou são os jornais, em função do seu critério selectivo e pelo clima criado em torno da escolha, o elemento determinante a observar? Se a comunicação social tivesse ficado silenciosa, como sucede em tantos outros casos, teria existido demissão neste caso?...
 
Mas a própria reacção de Pais Jorge - com as suas hesitações e receios de como as coisas seriam exploradas mediaticamente - é sintomática dos tempos de verdadeira “tirania mediática” em que vivemos. Se estava ao serviço de uma entidade que comercializava esses produtos, é expectável que fizesse o quê?!

Por exemplo, imaginemos que, nos próximos meses, o Estado, através das inúmeras entidades públicas que tutela, passar a comprar mais grades de cerveja à Unicer, como vai ser? Será que se vão levantar questões éticas relativamente ao novo Ministro da Economia?

06 agosto, 2013

Notícias que passam ao lado das manchetes


"Sei que dói, mas há boas notícias"
Henrique Raposo
"Eu sei que dói, eu sei que custa ouvir, mas a verdade é que há boas notícias em Portugal.
O desemprego voltou a cair pelo segundo mês consecutivo. O índice de produção industrial está a crescer. O índice de confiança dos consumidores também está a subir e, em consequência, a sangria no comércio a retalho está a estancar. Portugal foi o país da OCDE onde a produtividade mais subiu. O consumo de combustíveis aumentou pela primeira vez em dois anos. As poupanças dos portugueses continuam a aumentar e o vício do crédito continua a descer: o endividamento das famílias portuguesas baixou 9 mil milhões desde 2011. E, acima de tudo, o défice externo já foi destruído.
 
Pela primeira vez desde pelo menos 1995, atingimos um excedente comercial positivo devido à queda das importações de bens de consumo e devido à explosão das exportações. O excedente positivo deve ser de 4,5% do PIB no final deste ano e de 6,4% no próximo ano. Repare-se que tivemos um défice externo médio de -8,3% do PIB entre 1999 e 2011 (a mãe de todos os males). O ajuste, portanto, está a ser notável. Entre 2011 e 2013, Portugal foi o terceiro país da Europa a ganhar quota no comércio internacional. Depois de crescerem 4,7% este ano e 5,5% no próximo ano, as exportações representarão 43% do PIB no final de 2014. Em 2009, representavam apenas 28%.
 
Já estamos salvos? Não. Mas é bom que se perceba que Portugal não sairá da cepa torta enquanto não alcançar um equilíbrio sólido na balança de pagamentos. Nós não temos dimensão para mantermos uma economia baseada no consumo interno de importações alavancadas por crédito externo.

Mas isto são apenas números e gráficos. É preciso dar gente e estórias a esta história. E a principal estória é esta: nos primeiros seis meses do ano, foram criadas 20.051 empresas, mais do dobro das empresas que fecharam ou insolventes; há cinco anos que não se criavam tantas empresas em Portugal. Além disso, os sectores clássicos continuam a aguentar: em Vila Velha de Ródão, a AMS Goma-Campus gerou 130 empregos no sector do papel nos últimos anos e prepara-se para aumentar a equipa; gozando da boa fama do peixe português, a Gelpeixe aumentou as suas exportações em 400% nos últimos anos; a Bosch Portugal prepara-se para exportar para África; o sector metalúrgico está em altíssimo nível e criou a Portugal Steel para promover as exportações; a Amorim continua a transformar a cortiça numa coisa sexy; a Corkway Store levou a cortiça para capas dos ipads (haverá melhor capa para telemóveis e afins?); a Galp já produz biodiesel (50 empregos directos) a partir de desperdícios animais e de óleos alimentares; as dormidas em hotéis de cinco estrelas aumentaram 30%; os passageiros low cost para Portugal aumentaram 448% desde 2004; Lisboa está sempre a vencer votações internacionais de "melhor destino de férias"; os nossos hostels dominam os "hoscars".

Estas estórias são a carne daqueles números. E há mais: a quase falida Faurecia (Palmela) conseguiu contrato com a Range Rover e contratou 100 novos trabalhadores; em Famalicão, a Leica cresceu 30% e criou mais postos de trabalho; a Jóia Calçado (Felgueiras) investiu 700 mil euros numa nova fábrica (40 postos de trabalho) para alimentar marcas como a Kenzo e Armani; a Embraer está a tentar trazer mais aviões para Évora, impulsionando assim o cluster aeronáutico em Portugal, tal como a Auto-Europa impulsionou o cluster automóvel. Neste momento, a Embraer já tem seis fornecedores portugueses qualificados. Ainda neste sector, as OGMA garantiram contratos de manutenção de aviões da força aérea francesa, da força aérea dos Camarões e da Virgin Austrália.
Sim, é triste e quiçá inadmissível, mas as boas notícias estão aí."
 
Henrique, essa conversa interessa a alguém?! A pergunta essencial é... e os swaps?!

05 agosto, 2013

Agarra que é "fassista"!



(Nota introdutória: um dia que sentisse o meu posto de trabalho em perigo, escrever algo assim, daria um bom alíbi para depois dizer que estava a ser perseguido politicamente...  )

Pela mesma razão que o canal Benfica não é o sítio mais adequado para aqueles que pretendem revisitar os maiores êxitos desportivos do F.C. Porto, nunca, com esta comunicação social, um governo da área da direita terá boa imprensa!

Os briefings nasceram porque se dizia que este governo "não comunicava / comunicava mal", que era / é um desastre a explicar medidas, blá, blá, blá.... Os "especialistas" do governo lá pensaram numa fórmula para ir mais de encontro a essas críticas e (tentar) dar de si uma melhor imagem - nasceram os briefings.

Agora, garantidamente, já comunicará mais qualquer coisa... mas, sejamos claros, o que interessa às redacções e aos Srs. jornalistas difundir, está nos antípodas do que este governo quer comunicar! O problema não reside na mensagem ou na forma como esta é veiculada, o verdadeiro problema comunicacional entre emissor (governo de “direita”) e receptor (jornalismo), decorre da incompatibilidade ideológica entre ambos!

Note-se o caso presente: num país onde o jornalismo luso conviveu sem grande indignação com o que abaixo se descreve (aliás, essa personagem até veio a tornar-se ilustre comentador), que razões substantivas - para lá da "repulsa ideológica" - podem levar o Sr. Mascarenhas a contemplar Maduro & Lomba, com o epiteto de fascistas?!

Se estes são fascistas, por uma questão de escala, outros, o que serão... o anti-cristo?!

(19 Março, 2013)


Daria um excelente "Escândalo!", se fosse para malhar na Direita....

Como é hábito neste cantinho socialista, as declarações e entrevista que a seguir se transcrevem, não suscitaram qualquer interesse por parte dos "predadores de polémicas" do costume. A matéria é explosiva mas, agora e como invariavelmente sucede, envolvendo malta inimputável de esquerda, o assunto passa ao lado das manchetes de jornais e dos alinhamentos de noticiários na rádio e televisão.

A entrevista, dada por Octávio Ribeiro na última edição do jornal SOL, pode ser lida aqui e traz novos elementos sobre as relações de Sócrates com o mundo da comunicação social.

«[Octávio Ribeiro] Quando começo a ter acesso a algumas das escutas do Face Oculta apercebo-me que não era só a TVI que ia ser comprada. O CM também. Houve uma fase negra em Portugal em que, com o apoio da banca, se ponderou fazer grandes negócios na comunicação social que não visavam o objecto de negócio, mas sim mudar direcções e silenciar.

O que pensa de Sócrates?

Entre 90 e 91, ao fim-de-semana tinha RTP e durante a semana Semanário e RR. Nesta altura, António Guterres apresenta-me uma jovem promessa. E, de facto, ele tinha um estar que contrastava: não usava gravata, dizia palavrões, era pouco mais velho do que eu e trabalhava imenso. Já como líder do PS faço-lhe a entrevista que antecede a queda de Santana Lopes, com o título: 'O PS está pronto para governar'. Logo a seguir dá-se a decisão de Sampaio. Numa primeira fase conversávamos muito, trocávamos impressões de forma aberta, ainda eu era director-adjunto.
Em 2007 ele faz-me um convite que achei que o primeiro-ministro não podia fazer.
Que convite foi esse?

Para substituir o José Eduardo Moniz na TVI. Ele diz que não sabia de nada do que se estava a passar, mas em Fevereiro fez-me esse convite. Quatro meses antes. Disse-lhe que não estava disponível e a relação acabou.

Sócrates quis dominar a comunicação social?

Completamente. Tinha essa vertigem. Denunciei isso muitas vezes em editoriais. Uma vergonha. Não é um democrata. É um tipo colérico quando é contrariado. Depois desse almoço na Travessa - e uma coisa estranha é que o restaurante estava cheio, mas todas as mesas à nossa volta estavam vazias, portanto presumo que ele não marcava apenas uma mesa, mas um quadrado -, acho que nunca mais falámos.» "
Como é fácil de entender, há luz do critério esquerdista das redacções lusas, o conteúdo da entrevista não tem relevância jornalística, sendo mesmo inoportuno... ainda mais num momento em que as redacções apostam, como nunca, em incutir no cidadão tuga a ideia de que a culpa da crise em que o País está mergulhado é de Passos & Gaspar. Imagine-se a mesma entrevista, mas com o nome "Relvas" em vez de "Sócrates"... teríamos abertura de telejornal, semanas a fio que culminariam com 1 - 2 Milhões na rua a pedir a demissão do governo.
 

03 agosto, 2013

Implantar uma ideia: mascarar o défice com truques financeiros (swaps & outros)



 
Que mensagem, que ideia se pretende implantar junto dos cidadãos que lêem estes títulos de notícias? Que os socialistas não mascaram contas, que seriam incapazes de o fazer? Que esse tipo de prática está apenas associado aos actuais responsáveis pelas finanças, ou seja, aos partidos “da direita”?

Que país miserável e hipócrita, cuja opinião pública é conduzida por gente sem o mínimo interesse de informar os cidadãos - apenas doutriná-los - sempre na lógica “esquerda boazinha Vs direita maléfica”.

Sejam sérios! Se, em 2011, pedimos um resgate foi precisamente porque Sócrates foi o maior maquilhador de contas da história da política portuguesa! De outra forma como seria possível, ao mesmo tempo que afirmava “Está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice” , Portugal, em apenas 6 anos, ter mais que duplicado a sua dívida! Srs. jornalistas e comentadores, parem, perante os portugueses, de encobrir a desastrosa e criminosa, governação socialista durante o consulado “socretino”.

Recordem-se as “imagens de marca” dos governos de Sócrates:

 

PPP rodoviárias:


Sabiam que estas obras foram lançadas com um período de carência de 5 anos? Ou seja, o empreiteiro com dinheiro emprestado pela banca (bem remunerado claro...), faz a obra e só 5 anos depois o Estado começa a pagá-la... Isto é, injecta-se dinheiro na economia, criam-se um postos de trabalho e cobram-se uns impostos, faz-se uma festarola a inaugurar a obra à hora de abertura dos telejornais...

Cinco anos depois (agora) ficam auto-estradas onde não passa ninguém e é altura de pagar a dívida acumulada! 

Isto não é mascarar as contas?!


Desorçamentação generalizada (obras públicas, saúde, educação, etc…):

Talvez o caso mais evidente desta desorçamentação seja a empresa Estradas de Portugal. Até ao consulado Sócrates, a despesa relacionada com manutenção e construção de estradas estava no perímetro orçamental. Com a alteração do estatuto da Estradas de Portugal (EP), todos esses encargos, deixaram de ser contabilizados no Orçamento de Estado e passaram as contas daquela empresa.
Todos os anos, milhares de milhões de €, "desapareceram" do défice mas foram-se acumulando na dívida E. P. – alguém, mais tarde, haveria de pagar. Aqui, podem constatar a dimensão deste truque contabilístico: enquanto, no final de 2007 a dívida da EP era de 1.000 milhões de €, 18 meses depois (em 2009, portanto) essa dívida já ultrapassava os 15.000 milhões! Mas, claro, a comunicação social em nada disso via razão para alertar os cidadãos e, nesse mesmo ano, Sócrates – por pouco – não voltou a ter maioria absoluta… 

Para aferir a dimensão da despesa que foi sonegada à contabilidade do défice, podemos ainda consultar aqui (artigo do Jornal de Negócios), como entre 2008 e 2011, a desorçamentação terá atingido valores entre os 6% e os 9% do PIB! (em média, 8.000 a 9.000 milhões € / ano).

Isto não é mascarar as contas?!


Concessão de barragens hidroeléctricas à EDP:
 
No mesmo ano em que Sócrates se afirmava o campeão do défice, para além da desorçamentação que era uma prática comum desde o início do seu mandato, encaixou, só em 2007 cerca de 750 milhões de € pela concessão à EDP das novas barragens no Douro. Os portugueses, basta olhar para a sua factura, facilmente percebem quem está agora a pagar esses negócios...
 
Note-se, que falamos das barragens que, mais tarde (2011, 1021) se dizia colocarem em causa o estatuto “Douro Património Mundial”. Imaginam o cenário que resultaria do cancelamento dessas obras, como iria o Estado devolver esse dinheiro à EDP e indemnizar as partes envolvidas (empreiteiros, projectistas, municípios, trabalhadores…)?

Isto não é mascarar as contas?!


A empresa pública Parque Escolar:

Aqui assiste-se a uma prática similar às PPP Rodoviárias, difere apenas na circunstância de o concessionário das PPP rodoviárias serem entidades privadas e, neste caso, o concessionário (a quem as rendas são pagas) ser uma entidade pública. 
Um aspecto abordado na comunicação social, foi a chama “festa do Parque Escolar”. Mais uma vez, com recurso a fundos comunitários – mas com uma significativa componente de dívida à banca – foram efectuadas obras faraónicas em escolas pelo País fora (candeeiros Siza Vieira, pedras e mármores de países exóticos, sistemas de ar condicionado apenas usados em hóteis 5*, etc.). No entanto, um aspecto que não foi muito falado, e que explica como essa divida à banca será paga nas próximas décadas, é a circunstância de todas as escolas intervencionadas ao abrigo deste programa, passarem a ter de pagar avultadas rendas à empresa Parque Escolar. Esta, por sua vez e durante os próximos 20 – 30 anos, canalizará para a banca essas verbas de modo a reembolsar dívida assumida…

“Cada escola remodelada paga, em média, uma renda de 320 mil euros por semestre à Parque Escolar. Valores podem chegar aos 113 milhões por ano, quando estiverem prontas 178 escolas.”

Isto não é mascarar as contas?!


A empresa pública Estamo:

(esta é das minhas favoritas) Esta empresa pública foi criada para gerar receitas extraordinárias através da gestão do patrmónio imóvel do Estado, operava da seguinte forma: O Estado dispoe de um imenso parque de imóveis onde funcionam todos os organismos da sua (mostruosa) estrutura. A Estamo é uma empresa pública criada para adquirir imóveis ao próprio Estado (confuso?), passando os organismos e serviços do Estado que funcionavam nesses edifícios a ser inquilinos da Estamo.
 
Quem beneficiava com isto? A banca que, para além da assessoria e comissões das operações, emprestava dinheiro à Estamo para as operações de compra dos imóveis, por outro lado. o défice desse ano, com esta receita, lá baixava mais um pouco.
 
O problema, é que a partir daí, estes organismos - que não tinham despesas por ocuparem esses edifícios -, passam a ter rendas a pagar à Estamo (que, na verdade, é um mero intermediário da banca).

Isto não é mascarar as contas?!


E o que têm comum todas estas manigâncias contabilísticas? Todas elas, através de divida contraída à banca, contaram com a cumplicidade do sector financeiro e este, claro, entre comissões, pareceres e assessorias, elevadas taxas de juro, etc.., graças a quem desgraçadamente nos governou nesse período, encontrou à sombra do Estado – à custa dos contribuintes portugueses – a “galinha dos ovos de ouro”.    


Pelo exposto, tendo em conta o que foi esta gestão socialista, como classificar o comportamento de “virgens ofendidas”, no que diz respeito a esta questão de “alguém do sector financeiro vir propor a Sócrates instrumentos para maquilhar as contas do Estado”?!

Estas campanhas na comunicação social, um verdadeiro insulto à inteligência dos cidadãos portugueses, servem a quem?

Eu não sou jornalista, mas, nas afirmações e pontos de vista acima expostos, preocupo-me em citar fontes onde a informação base pode ser consultada. As nossas redacções, o que fazem?! Limitam-se a reproduzir afirmações de socialistas como os Galambas, os Zorrinhos (e outros, discípulos de Sócrates),  como se de factos consumados se tratassem, e usam-nas em manchetes e na abertura de telejornais! Se isto não é manipulação da opinião pública...

Caro leitor, desculpe pela franqueza, mas o que se passa neste País – nomeadamente, este jornalismo esquerdista – é nojento! 


 NOTA: Quando se usa o termo “gestão socialista”, refere-se essencialmente o consulado socretino. Acredito que também há pessoas honestas no PS, a questão é que a actual estrutura dos socialistas está refém de gente que enterrou o País! E como Portugal precisa que a “gente boa” do PS resgate o partido…

01 agosto, 2013

Filhos e enteados da comunicação social: Dilma Rousseff…

 
Muitos são os exemplos de duplo-critério da comunicação social no tratamento mediático dos temas que vão marcando a agenda política. Em resumo, pode dizer-se que as nossas redacções tratam:
          - tudo o que é “ de esquerda” (e não tem que o ser, o rótulo basta…) como INOCENTE até prova em contrário;

          - tudo o que é “ de direita”, como CULPADO até prova em contrário (neste caso, mesmo que seja um governo socialista em funções, rótulos como “austeridade”, “especulação financeira”, “grande capital”, etc., remetem automaticamente responsabilidades para a direita…).

A partir destes estereótipos (herdeiros do “Sebastianismo Abrilista”) temos uma gestão mediática – manchetes de jornais e aberturas de noticiários, nomeadamente – que reforça ou retira destaque aos assuntos de acordo com o seu desenvolvimento. É assim: se “a coisa“ corre de feição para “malhar na direita”, não se fala de outra coisa!
 
Veja-se o caso dos swap, por ex.: ao longo das últimas semanas o jornalismo investigou, vasculhou, procurou inconsistências, denunciou declarações contraditórias, enfim, tudo foi escrutinado (no que diz respeito ao papel de Mª L. Albuquerque).
No entanto, quando os factos e as evidências revelam, afinal, que a esquerda tem “telhados de vidro”, que as responsabilidades principais do assunto em questão até são do governo socialista, rapidamente o assunto começa a perder destaque e a cair no esquecimento… em vez do apertado escrutínio e vigilância com que os políticos ou personalidades próximas de direita, são contemplados, o jornalismo adopta uma postura bem mais passiva: não questiona, não investiganão identifica contradições, etc... Enfim, não há aquele entusiasmo... 
 


Insere-se neste contexto, a rúbrica “Filhos e enteados da comunicação social”, onde, através de casos concretos, se identificam exemplos deste duplo-critério do (fraco) jornalismo português. Desta feita, a personalidade é Dilma Rousseff

Ainda há dias, aquando da visita do Papa ao Brasil (jà agora, lembram-se de algum jornalista ou comentador luso referir o aproveitamento político feito pela “presidenta” dessa visita?...), num daqueles discursos típicos da “esquerda boazinha Vs direita maléfica”, dizia assim (notícia do Público) Dilma:

“Papa Francisco e Dilma Rousseff em sintonia contra as desigualdades no mundo”

“Na recepção ao Papa, a Presidente brasileira, que perdeu alguma popularidade no auge dos protestos de há umas semanas, considerou que a resolução da actual crise não deve limitar-se a medidas de austeridade e que os problemas sociais, por ela criados, não podem ser esquecidos….”

“Dilma propôs uma aliança para combater as desigualdades e a pobreza.”


Lá está a cassete. O P.T. (partido de esquerda, certo?!) governa o Brasil “vai para décadas”, mas, numa clássica manobra de sacudir a água do capote da sua própria governação (onde é que já vimos isto…), imputa-se a crise e “os problemas sociais”, às “medidas de austeridade”…

Enfim, Dilma – numa narrativa transversal à “esquerda”, diga-se -, recorre aquela lógica infantil que pretende explicar a actual crise, não como uma consequência de anos a fio de péssimas decisões económicas em contexto de globalização, da acumulação de dívidas monstruosas ou das promessas líricas de Estados Sociais que tudo asseguram. Não! Ao ouvir a "voz da esquerda" (e o jornalismo militante, seu fiel seguidor), esta crise resulta exclusivamente das políticas e dos políticos que defendem a “austeridade”. Dilma, claro está, não se encontra entre esses malévolos indivíduos, mas entre a galeria de políticos bonzinhos, os defensores da “anti-austeridade”.

Se as palavras e a narrativa são estas, vejamos agora os actos e as atitudes… através do Blasfémias e graças à “incontornávelHelena Matos, cruzei-me com uma interessante notícia (da Reuters) que dá umas pistas sobre o que representa e em que consiste afinal essa posição “anti-austeridade” que o Brasil de Dilma defende:

“Brasil cita risco de calote e nega apoio a novo auxílio do FMI à Grécia”
“Onze países da América Latina se recusaram a apoiar a decisão do Fundo Monetário Internacional nesta semana de continuar financiando a Grécia, citando riscos de não pagamento”

Ora cá está, ao contrário dos mal-intencionados defensores da “austeridade” - que ameaçam deixar de dar apoio financeiro à Grécia, caso os gregos não façam as reformas necessárias ( no sentido de tornarem-se uma nação sustentável) -, o governo de Dilma adopta uma posição completamente diferente e… ameaça cortar o auxílio financeiro à Grécia. Entenderam?

Esta notícia é tanto mais interessante quando se analisam outras afirmações do representante do Brasil (e de outros países sul americanos), junto do FMI e se constata a existência de um conflito entre os países sul-americanos e os países europeus:

“Sob comando da Alemanha, a zona do euro prometeu considerar medidas brandas para ajudar a Grécia no ano que vem… Mas o FMI alertou que a Grécia precisa reduzir sua dívida mais intensa e rapidamente, a fim de estimular a confiança dos investidores e obter um crescimento econômico anual na faixa de 3 por cento, podendo assim concluir o resgate financeiro.”

Notável! Já não bastava a narrativa dissimulada de esquerda, que se descarta de qualquer responsabilidade em relação a todos os males desta crise (eles "é só" crescimento e emprego), afinal, enquanto nos jornais, rádio e televisões, os vemos jurar fidelidade eterna à “anti-austeridade”, na retaguarda dos gabinetes - onde, note-se, as decisões são tomadas - criticam, por serem demasiado brandas, as medidas de ajustamento propostas por aqueles que publicamente são catalogados como os “apaixonados pela austeridade”!

Talvez seja só eu a ver aqui uma enorme hipocrisia… até porque não vi nenhum jornalista ou comentador a vislumbrar qualquer incoerência entre o discurso e os actos da “presidenta” Dilma.
 
O caro leitor viu?!


 

Ainda os swap...

 
Vagueando pela blogosfera, deparei-me com um post interessantíssimo sobre o assunto no "Os Comediantes". A partir de dados oficiais (que abrangem diversas empresas públicas) e analisando a relação entre valor dos contratos swap Vs as suas perdas potenciais, podemos ter - por oposição ao ruído e intriga que a comunicação social tem cultivado neste assunto - mais alguma informação sobre a questão essencial neste processo: o que separa um contrato swap "normal" de um contrato swap "especulativo". 
 

"Rio para não chorar



O quadro é tirado daqui. O que vos chama particularmente a atenção? A mim, mas se calhar é só a mim, chama-me especial atenção o valor dos contratos celebrados pela metro do Porto e as suas perdas potenciais (os do STCP também são particularmente interessantes: as perdas potenciais são "apenas" o dobro do valor dos contratos). Não é por isso surpreendente que seja nesta empresa que se encontravam alguns dos contratos swaps altamente especulativos que foram assinados por gente irresponsável e que ditaram o seu afastamento do Governo (nota: que existam perdas potenciais em quase todas as empresas, dada a evolução dos juros, é normal, e diga-se que os swaps, ao contrário do que leio e oiço, não são um instrumento de obtenção de lucros: dito isto, olhem para o rácio valor dos contratos/perdas potenciais feitos pela Refer, por onde passou Maria Luís Albuquerque, e talvez fiquem com uma ideia das responsabilidades dela).
 
Feito este enquadramento, na RTP, acabo de ouvir Rui Rio a malhar forte e feio na ministra Maria Luís Albuquerque e é impossível dissociar isso do afastamento do engenheiro Juvenal Silva Peneda do Governo (sim, é irmão do outro), sendo que este partilhou com Rio presença no Conselho de Administração da Metro do Porto (e também passou pela STCP). Rio, aprendendo com Daniel Oliveira, acrescentou mesmo que Maria Luís está ligada a swaps em tudo iguais aos associados ao engenheiro Juvenal Peneda. Então não está, é que é só olhar para o gráfico."