13 novembro, 2014

Há imunidades e imunidades…

 
Seria interessante conhecer a posição de princípio da redação do Público sobre o estatuto de imunidade parlamentar.

Se, neste primeiro caso, o Público parece ter-se empenhado em demonstrar junto dos leitores que tal estatuto pode ser usado para "bloquear" e "suspender" o regular funcionamento da Justiça:


"Imunidades dos deputados e governantes da Madeira bloqueiam mais de 60 processos nos tribunais

Nos tribunais da Madeira estão suspensos 61 processos criminais devido à não autorização do levantamento da imunidade de deputados ou por recusa do presidente e membros do governo a deporem, como testemunhas ou arguidos, em audiências de julgamento."


Já eeeemmmm ooutrooooosss caaasooooos, designaaadaaaameeenteeeee com sociaaaliiiiiistaaaaas (a cena do Pires de Lima não me sai da cabeça!), o mesmo Público, limita-se a informar sobre a recusa do Parlamento Europeu de um pedido de levantamento de imunidade.

 

Ao contrário do caso anterior, hoje o Público optou por não lembrar os que o leram, a circunstância de o estatuto de imunidade servir para "bloquear" este ou aquele processo judicial.


Aliás, lendo o Público e outros meios de comunicação social que hoje dão notícia da decisão do PE, todos ficamos a perceber como pode ser importante o estatuto de imunidade parlamentar, nomeadamente, para proteger algumas figuras que são objeto de "tentativas de intimidação e silenciamento".

 
Aguardemos pois, pelo próximo caso de levantamento da imunidade, confiando sempre que a comunicação social nos ajudará a separar o "trigo do joio"...
 
 
Caro cidadão, não pense pela sua cabeça! Deixe que os jornalistas o façam por si...
 


       

08 novembro, 2014

A última indignação contra Merkel e o Jornalismo de Intriga…


A mais recente indignação coletiva contra a Sr.ª Merkel foi, afinal, mais um caso do Jornalismo de Intriga… 

Graças à blogosfera, cheguei a este post e ao resultado da investigação que a autora se propôs fazer em relação às afirmações que a comunicação social atribuiu a Merkel:
 
"... Anteontem não se falava de outra coisa. Fomos mesmo bombardeados com as alegadas afirmações da senhora por órgãos de comunicação social que costumam tentar distanciar-se de outros, enfim, mais useiros e vezeiros nestas matérias. Houve mesmo um ministro que respondeu às alegadas afirmações da senhora. Crato, who else.
 
Nas redes sociais (Twitter e Facebook) foi uma festa. Só comentários indignados, e outros pior ainda. Eu própria comecei por embarcar na coisa.

Mas depois parei para pensar e fui atrás.

Todos citavam a Lusa e
Bloomberg. A Lusa referia a Bloomberg. Na Bloomberg, nada. Órgãos de comunicação social espanhóis? Nada. Imprensa internacional? Nada. Eu conseguia encontrar várias notícias sobre o discurso da senhora, mas referências a Portugal e Espanha? Nada.
 
Recorro ao Twitter e ao Facebook. Pergunto. Alguém sabe? Pessoas a viver na Alemanha? Nada. No Luxemburgo. Em Espanha. Em França. Ninguém conseguia encontrar nada.

E eu queria contexto. 
 
E finalmente chega-me o contexto e o enquadramento de que eu precisava, e que me devia ter sido dado pelos órgãos de comunicação social. E chegou-me através da Helena Ferro de Gouveia que deixou um comentário num post que a Helena Araújo escreveu no Facebook.
 
O que a senhora disse foi (adaptado da tradução da Helena Ferro de Gouveia):
 
“Eu peço a todos vocês para tornarem claro nos vossos discursos em escolas e perante jovens: a formação profissional é um excelente pré-requisito para levar uma vida de prosperidade. Não tem necessariamente que se ter tirado um curso superior. Isto é muito, muito importante. Faremos tudo o que estiver no nosso poder, também a OCDE, que nos fornece muitos números úteis que afirmam que não é uma “descida” social, que o filho ou a filha de um trabalhador qualificado complete uma formação como trabalhador qualificado novamente e, de seguida, se torne num bom técnico. Internacionalmente reconhece-se que não é uma “descida” e que isto não significa que o sistema de educação tenha fracassado. Temos que abandonar a ideia de que o ensino superior é o Nonplusultra para uma carreira bem sucedida. De outra forma não poderemos provar a países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados e procuram hoje vias de formação profissional, que isso é bom”.

Ora, isto é muito diferente de "Merkel diz que Portugal tem demasiados licenciados". Isto é um "temos, nós próprios, de tomar consciência disto, porque senão não temos moral para dizê-lo aos portugueses e aos espanhóis".
 
..."

Enfim, nada de novo para quem vai lendo este blog... Merkel está, ideologicamente, do "lado errado" e, como outros, é objeto de uma espécie de linchamento mediáticoQualquer um de nós pode ser alvo deste processo sujo: retirar do contexto uma frase mais polémica que, facilmente pode ser deturpada e usada numa campanha deste género.
 
Os media nunca se retratarão do tratamento parcial e manipulador que reservaram a este caso (e a outros...). Daqui para a frente - como se de verdades inquestionáveis se tratasse -, ouviremos em discussões públicas afirmações do género "A Merkel acha que temos de ser analfabetos.", "A Merkel não quer licenciados em Portugal, quer escravos!", etc... 
 
Mais uma "verdade fabricada" e uma ideia implantada. Caso idêntico, é a célebre frase / desejo atribuído a Passos Coelho que "queria que os portugueses emigrassem". Quem se der ao trabalho de ir ler o que ele disse, facilmente constatará que não foi nada disso.   


Entretanto, nos comentário do mesmo post, mas sobre outra recente polémica que fez "correr muita tinta", pude constatar mais esta pérola do nosso jornalismo de intriga. É incrível como o rigor e isenção são negligenciados de forma a gerar estas ondas de indignação que, quase diariamente, percorrem as redes sociais...

 

(texto da autoria de "Marco")
 
Já que os jornais desistiram de investigar e informar com rigor, decidi perder aqui 10 minutos a ler a notícia com atenção e a escarafunchar o site das finanças.
Então é assim: saiu hoje uma notícia que as finanças iam vender a casa de família de uma senhora que tem dívidas sobre o IUC duns carros abatidos há uma porrada de anos, e que já lhe penhoraram o salário e mais não sei o quê. Está aqui no Económico, por exemplo: http://economico.sapo.pt/…/fisco-vende-hoje-casa-de-familia…
 
(já agora, tendo em consideração a similitude entre os vários jornais, isto tem todo o aspecto de ter sido copiado de um take da Lusa ou algo do género - ou então copiaram uns pelos outros, o que também é cada vez mais normal)
1. Inventar um nome fictício para uma pessoa que é identificada em 2 minutos no site das finanças é simplesmente estúpido. Não vou divulgar o nome da senhora, porque não sou jornalista, mas é trivial e croquetes de encontrar;
2. É incrível como é que passam cinco anos e ela não se dá conta que tem IUC por pagar. Quanto mais não fosse, ao entregar o IRS, saltava logo. Mas pronto, dou de barato, porque que quem recebe o salário mínimo, na maioria das vezes, está isento de entregar a declaração de IRS. Siga;
3. A casa não foi posta à venda hoje. Em primeiro lugar, porque hoje era o último dia para entrega de propostas (as finanças não vendem, leiloam) e em segundo porque o processo até está suspenso ao abrigo do n.º 4 do Art.º 264.º do Código do Procedimento e do Processo Tributário. Tudo informações que estão no site das finanças (e que os jornais não encontraram ou não lhes interessou encontrar);
 
4. Já que falamos no último dia para entrega de propostas (que era ontem), a senhora alega que recebeu a notícia há um mês. Peta. Pura peta. A abertura do leilão foi no dia 28 de Janeiro (fonte: adivinhem? site das finanças). Há 10 meses, portanto. E é garantido que a senhora, como fiel depositária do bem a leilão, foi notificada;
5. A senhora também diz que ganha o salário mínimo e que há cinco meses que tem o salário penhorado. Uma destas duas coisas é pura mentira. As penhoras de rendimento incidem, no máximo, sobre 1/3 do mesmo que seja superior ao salário mínimo. Portanto, uma pessoa cujo único rendimento seja o salário mínimo está sujeita a uma penhora de... zero. Há três cenários: ou a senhora tem outros rendimentos (pensão de viuvez, talvez?), ou não ganha o salário mínimo, ou não tem penhora nenhuma;
6. A notícia diz ainda que a casa do sobrinho está no mesmo terreno e que vai ser vendida também. O site das finanças diz-nos que o imóvel tem 90m² e que o terreno tem 100m². A menos que a casa do sobrinho seja alguma casota de cão, algo aqui não bate certo. A realidade é que a casa do sobrinho fica do lado esquerdo da fotografia (vê-se a sombra do telhado) e tem para aí o triplo do tamanho (facilmente visível no Google Maps). E, não, não vai ser leiloada (nem vendida) em conjunto;
 
7. Já disse isto, mas volto a dizer: o leilão está suspenso, por ter sido pago 20% do valor em dívida. Claro que os jornalistas se "esqueceram" de referir o facto. Quer dizer, a senhora dá a entrevista, "coitadinha de mim que me vão vender a casa", é publicada neste pressuposto e agora deixa-me cá ir pagar 20% da dívida. Aliás, como é que, com ordenados penhorados e entregas "de 50 ou 100 euros, conforme pode", ainda não estavam 20% (380€) pagos?
Mais do que o caso da senhora, que é dramático mas com mais buracos do que um Emmental, o que está aqui em causa é a péssima qualidade do jornalismo cá do burgo. Miserável.

É isso mesmo - miserável - define bem o jornalismo que temos...
 
Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...



 

07 novembro, 2014

Manifesto contra o “chico-espertismo”.

Quando surgiu o célebre Manifesto dos 70 sobre a renegociação da dívida, o PS era a favor. O então e ainda atual, Governo, era contra.

Quando o Governo renegociou as maturidades e taxas do empréstimo da Troika, o PS criticou porque isso não "resolvia o problema” de Portugal, que a medida era tardia. Em qualquer medida anunciada por Passos / Gaspar / M.ª L. Albuquerque sobre controlo do défice ou da dívida, o PS manifesta-se convicta e frontalmente CONTRA!

Note-se que qualquer solução para reduzir os encargos e constrangimentos decorrentes da dívida gigantesca que o país acumulou terá sempre “espinhos” e implicará sacrifícios dos portugueses. O PS sabe-o, qualquer pessoa minimizante informada – especialmente jornalistas – deviam sabê-lo. A única coisa que teria resolvido o “problema da dívida” era não a ter (mais do que) duplicado no consulado socialista de Sócrates… 
 

Agora, pasme-se, o PS vem dizer que não tem uma posição definida sobre a dívida… Não tem!?

Só se poderá concluir, então, que a única convicção profunda do PS parece ser estar contra a posição defendida pelo Governo - qualquer que ela seja! E depois, aproveitando a boleia da “guerrilha mediática”, movida pelos habituais comentadores de serviço e uma significativa maioria do jornalismo hostil ao Governo "de direita", vai arrebanhando uns votos aqui e acolá criando a ilusão que este problema se resolverá sem custos para os portugueses…


Não sei se esta forma de “fazer política” está mais alinhada com os “valores do 25 de Abril” ou com a “ética republicana” – argumentos que, recorrentemente, fazem parte dos discursos dos mesmos ilustres socialistas –, mas, o que gostaria de perguntar é o seguinte: 

Serão estes os políticos que vão colher a preferência dos portugueses?

Serão estes políticos que merecem (voltar a) governar o Pais?


Onde melhor se enquadrará este tipo de política do “contra, apenas porque sim”? Mais próxima das democracias ocidentais - das democracias do norte da Europa (que os mesmos socialistas tanto gostam de invocar) -, ou mais próximas de fenómenos que ainda se passam no continente africano onde, infelizmente, ainda funciona mais ou menos assim: o que a “tribo inimiga” defende, a “minha tribo” tem de defender o contrário.

Mas, o mais pernicioso para sociedade portuguesa ou para o “fortalecimento da democracia” portuguesa (que tantos indignados dizem querer...) nem é, diga-se, o comportamento dos socialistas. Sejamos claros, o papel de um político é captar votos, conquistar o poder. Assim, é “desculpável” que o seu comportamento se adapte a esse objetivo. O que não está bem no nosso país, é constatar que este tipo de conduta – do mais puro oportunismo – compensa!

Mas, só compensa para alguns...
Qualquer declaração de Passos Coelho, de outro membro do governo ou de personalidades que corroborem as suas posições (Isabel Jonet, lembram-se?) que possa ser contraditória com algo que disse há 1, 2 ou 3 anos, dá logo aso a um chorrilho de artigos e uma reportagem no telejornal. Logo, uma torrente de comentários e posições de indignados com o "disparate", a "falta à verdade", etc., toma conta do espaço mediático.
 
Já as posições de socialistas, comunistas e outros que andam à procura da sua entidade, não contam com qualquer escrutínio ou contraditório. O resultado - “à esquerda”, nunca há contradições ou trapalhadas!

Porque compensa o oportunismo e o chico-espertismo em Portugal?... Porque, desde que seja para “malhar na direita”, qualquer estratégia é válida e poderá contar com a cumplicidade e a benevolência da comunicação social.


Como Vasco Lobo Xavier aqui bem diz:
"A única coisa que este país merece, mesmo, é a comunicação social que tem."



 

05 novembro, 2014

As “barbaridades e os disparates” que a tonta da Merkel se atreve a dizer!...



Claramente, existem duas visões distintas sobre este tema das “quotas” de licenciados e / ou das qualificações académicas.
 
Uma visão, mais próxima das declarações de Merkel (e, pode dizer-se, mais “à direita”) que defende a necessidade de observar uma  correspondência entre o n.º de licenciados - e da própria “variedade” de licenciaturas que num dado sistema económico, num país, devem existir – em função do aproveitamento que o seu tecido económico pode fazer dessa mão de obra, i.e., a “absorção” desses licenciados.

A outra visão, ideologicamente mais “à esquerda”, que olha a vida académica quase como um fim em si mesmo, onde a produção de conhecimento é sempre uma “mais valia” independentemente de esse “conhecimento” ter aplicação ou retorno (económico ou outro) para a sociedade / sistema económico em causa.

Um e outro são defensáveis. O problema, está na sustentabilidade do sistema de ensino que cada sociedade opta. Centremo-nos no caso português: teremos capacidade económica para formar os milhares de licenciados em direito, em sociologia, nas letras ou, por ex., mais professores quando o desemprego entre estes licenciados atinge (infelizmente) os níveis conhecidos?...


Até podemos achar que sim e continuar a financiar este (cada vez maior) conjunto de pessoas ao longo de décadas através de bolsas de “investigação”, de “doutoramento”, etc. Mas, poderemos garantir essa política de forma ilimitada e universal?
 
Deixem-me salientar aqui um aspeto para reflexão:  um dos traços que caracterizava os países de leste - sociedades que Merkel conheceu bem e onde vigoraram sistemas comunistas e socialistas -, era a “excelência” do seu sistema de ensino, designadamente, as elevadíssimas taxas de alfabetização e formação superior dos seus cidadãos. Um modelo, portanto, próximo do modelo defendido pela “esquerda”.


No sentido de avaliar os prós e contras destas duas visões, não seria interessante sondar aos médicos, os engenheiros e toda a variedade de doutorados, oriundos e formados nesses países que, especialmente durante os anos 90 e porque o modelo económico desses países implodiu, se viram forçados a vir trabalhar para Portugal nas obras de construção civil, nos cabeleireiros e em outras profissões “qualificadas”, qual será a sua opinião sobre este assunto?


Nunca fiz a sondagem, mas tenho o palpite que esses tenderão a concordar mais com a Merkel do que com a opinião da nossas “elites” e o pensamento mediaticamente dominante… 



 

31 outubro, 2014

Os jornalistas da Bola serão preguiçosos?


Curioso com o título? Já lá vamos...
 

2 Entre os que dominam o palco do espaço mediático, as previsões do atual Governo são sempre inexequíveis e um embuste (atente-se à discussão do OE2015). Apesar disso e tal como já sucedeu em 2013 - ano em que personalidades (essas sim) de inquestionável sabedoria e credibilidade, vaticinavam um novo resgaste para Portugal e o seu regresso à idade média -, o défice orçamental está em linha com a meta prevista (embora a execução tenha sido afetada pela decisão do TC, recorde-se):

“O saldo das Administrações Públicas fixou-se nos -3.989,9 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um desagravamento de 1.421 milhões face ao período homólogo.

... se excluirmos a despesa do Estado com juros da dívida, observa-se um excedente primário de 1.388 milhões de euros, uma melhoria de 1.654 milhões face a 2013.”



3 Terceira nota - a dívida pública -, outro segredo bem guardado pelos média. Parece que o ano de 2014 assinalou uma inversão da tendência de subida:
“A proposta de Orçamento do Estado para 2015 aponta para uma descida do rácio de endividamento de 127,2% para 123,7%, uma descida de 3,5 pontos percentuais. Em 2013, este valor atingiu os 128%, já tendo em conta as novas regras do Sistema Europeu de Contas Nacionais e Regionais (SEC 2010).”


O que têm em comum estes 3 factos?!
A circunstância de passarem completamente despercebidos nas manchetes e nas aberturas de telejornal das 20h!
 
Mas, bastará fazer um breve exercício de memória e todos recordaremos (em períodos bem recentes)  telejornais abrirem, quase diariamente, com notícias sobre o aumento do desemprego, da dívida ou a denunciarem uma derrapagem do défice

E, não,
não é “preguiça” de ir estudar os números e os indicadores. Este condicionamento da agenda mediática, como aqui se defende há muito, é deliberado. O país não precisa de notícias boas nesta fase... 

Alguns fizeram troça das declarações de Passos Coelho sobre jornalistas e comentadores, outros fizeram-se desentendidos... No entanto, qualquer pessoa minimamente atenta e imparcial, sabe que essas declarações refletem uma realidade:  o espaço mediático não é isento, é-lhe (bastante) hostil e anseia pelo regresso ao poder de algo com um rótulo de "esquerda"...
 
 
Enfim, as boas notícias regressarão às capas dos jornais e à abertura dos noticiários, quando o "predestinado" tomar o seu lugar... 
   
 
Façamos aqui uma analogia entre o "jornalismo político" e o jornalismo desportivo.   
 
A falta de isenção clubística do jornal "A Bola", ficará a dever-se à "preguiça" dos seus jornalistas ou será que a redação daquele jornal, objetivamente, segue um critério editorial de apoio ao clube lisboeta que veste encarnado? 
 
 
 
 
 

27 outubro, 2014

Com a corrupção podemos nós bem... perder o subsídiozito, isso é que não!


http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/26/politica/1414353687_757868.html

Mais do que o desempenho ou a estratégia de Aécio Neves, penso que o resultado das eleições brasileiras decorre deste simples facto: por acreditarem que a sua manutenção no poder conservará aberta a "torneira" dos apoios estatais e subsídios, as "massas" disponíveis para votar em Dilma superaram as "massas" que olham para a evolução económica brasileira recente e concluem ser imperativo um travão no modelo socialista.


Entre os que votaram em Dilma, milhões sabem que a economia do país se vem degradando e que as promessas feitas na campanha não serão cumpridas. Ainda assim, por anos de “formatação ideológica” (lógica esquerda amiguinha dos pobres Vs direita dos ricos) votam na força política que, supostamente, os protegerá e que lhes continuará a garantir a esmola. E isto até pode ser verdade, mas apenas no curto prazo. Veja-se o caso da Venezuela ou de qualquer outro país que tenha enveredado pela receita socialista. 
 


Obviamente, em meia dúzia de semanas, a realidade encarregar-se-á de se sobrepor à "fé ideológica" e a desilusão baterá à porta de milhões de brasileiros. Dentro de 2 meses, através dos telejornais, lá estarão milhões nas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo, muito indignados com a corrupção e as promessas não cumpridas dos políticos…

A grande incógnita dos próximos tempos será esta: irá o Brasil entrar num processo de aproximação à Venezuela ou irá a próxima vaga de convulsões sociais ditar a interrupção do ciclo que agora se inicia e termina em 2018?
 
 
 
P.S.: Lembram-se de ver nas televisões as manifestações "generalizadas" da sociedade brasileira contra a corrupção do PT? No fundo, até existe um paralelo entre estas Presidenciais de 2014 no Brasil e as nossas Legislativas de 2009…

“... Nessa altura Sócrates arrecadou 37% dos votos contra 29% de Manuela Ferreira Leite. Apoiado num discurso completamente falso e irrealista, de mais estado social e mais investimento público (num momento em que a torneira do crédito se fechava) enquanto MFL – sobre quem não existiam dúvidas de carácter - alertava para o descalabro que aí vinha se não houvesse uma inversão de política. Os resultados dessas eleições são a prova, a evidência, reveladora das escolhas e preferências dos portugueses, quando confrontados com alguém que lhes aponta a verdade (que normalmente implica um caminho mais difícil) e alguém que lhes vende ilusões…

Como pode ser compatível o desfecho das eleições de 2009, com o tal país das petições e manifestações que, constantemente, reclamam “moralidade” aos seus políticos e onde os seus habitantes se declaram tão intolerantes com comportamentos não éticos?!


Nos jornais e televisões fazem-se anúncios tremendos: “Os portugueses saíram à rua” e lá os vemos, aos milhares, indignados com os “gatunos dos políticos”. Na rádio, televisão e jornais, diz-se que os portugueses estão cansados de serem “enganados” e que são pessoas revoltadas contra as injustiças e as iniquidades. Pois, pelas razões acima indicadas, desde 2009 a propósito de manifestações e petições, pergunto-me que percentagem dos indignados lá estão por uma simples questão ideológica (talvez tribal seja mais adequado…), isto é, manifestam-se por serem “anti-esquerda” ou” anti-direita”, em vez de ali estarem por consistentes razões éticas e pela “moralidade” na vida pública.


Pergunto-me até, quantas daquelas pessoas desmobilizariam e deixariam os cartazes cheios de princípios e valores caídos no chão, ao primeiro aceno de um subsídio extra ou de um empregozito, pois foi precisamente baseado nesta ideia - que era possível continuar a distribuir benesses - que Sócrates ganhou em 2009.”

(post na íntegra)

 

21 outubro, 2014

A novela das eleições que "todos" querem antecipar…


É impressão minha ou o “grande capital” está ao lado de Costa?

 
Estivesse o “Pêeeeéseeee” no governo e a “direita” na oposição, belas parangonas poderia o "jornalismo militante" conceber à custa disto…


Entretanto, para aqueles que genuinamente se preocupam com a circunstância de, daqui a um ano, ter que se preparar o OE 2016 “em cima do joelho”, porque não sugerir (desafiar?) Costa e o PS, a prepararem e apresentarem já o seu orçamento?