27 maio, 2015

A inestimável contribuição dos Media para a resolução dos grandes problemas do País…


No passado sábado à noite, discursando perante jovens sociais-democratas. Mª Luís Albuquerque proferiu as seguintes declarações:

“…é honesto dizer aos portugueses que vai ser preciso fazer alguma coisa sobre as pensões para garantir a sustentabilidade da Segurança Social. E essa alguma coisa pode passar, se for essa a opção, por alguma redução mesmo nos atuais pensionistas. 

Se isso for uma distribuição mais equilibrada e razoável do esforço que tem de ser distribuído entre todos, atuais pensionistas, futuros pensionistas, jovens a chegar ao mercado de trabalho, se essa for a solução que garante um melhor equilíbrio na distribuição desse esforço, é aí que nos devemos focar”, afirmou Maria Luís Albuquerque.

A ministra sublinhou que “a sustentabilidade da Segurança Social é algo que tem de se resolver com tempo”, de modo a que “as soluções não sejam demasiado agressivas numa situação de rutura, para que [se possam] preservar as pensões mais baixas, para que não [se tenham] de pedir contribuições a quem tem menos”.

"Fazer a promessa de que não fazemos nada para aqueles que já são pensionistas e que vamos fazendo tudo sobre os que lá chegarão no futuro é de uma enorme injustiça."

 
Alguma pessoa – de boa fé e minimamente informada, bem entendido - pode discordar destas declarações? 


No dia seguinte, na melhor tradição jornalística de doutrinação politica e ideológica do tuga, televisões, rádios e jornais, reduzem aquela intervenção a:

 
 

Por se tratar do problema que, provavelmente, é o mais delicado que o pais tem de enfrentar nos próximos anos, as declarações de M.ª Luís Albuquerque poderiam ter sido o mote para que, em clima de pré ou campanha eleitoral, se pudesse discutir ponderada e seriamente o assunto, e (tentar pelo menos...) conhecer as propostas de cada partido / candidato.

Convém nesta fase recordar um frequentemente lamento  revelado por jornalistas e comentadores: a ausência de um “debate político sério”; a existência de demasiada politiquice que empobrece o debate e afasta os cidadãos da discussão pública, blá, blá, blá…


Mas, “uma coisa é o que se diz e outra, o que se faz”. Na prática, recorrendo ao que aqui no blog se designa por guerrilha mediática”, a abordagem jornalística e mediática ao tema, serviu antes para deixar a Costa, aos socialistas e oposição em geral, terreno e contexto ideal para que pudessem aparecer e debitar as larachas habituais: "cortes e austeridade, é o caminho da maioria psd / cds", esses malvados. A nossa “alternativa” é só crescimento e coisinhas boas!


Enfim, em vez de desempenhar um papel que contribua para um debate esclarecedor em torno dos problemas e desafios que se colocam à sociedade portuguesa, a realidade demonstra que a nossa comunicação social é, demasiadas vezes, um dos principais fomentadores da tal "politiquice" que tanto diz desprezar.  


Para cúmulo, três dias depois das declarações iniciais de MLA, algum jornalismo avança:

“Ministra das Finanças corrige declarações e já fala em negociar com PS”

E, segundo o sr. jornalista, o que veio “corrigir” a Ministra: “Maria Luís Albuquerque diz agora que o Governo não tem ainda uma solução definida para a Segurança Social”


Qual correção, qual carapuça!… bastava ler o que a Ministra disse a 23 de Maio para perceber que nada estava decidido e que nenhuma solução estava definida. 
 
Ainda recentemente aqui se disse e reafirma: a maior ameaça ao rigor e isenção de informação em Portugal, está dentro das próprias redações e dos próprios órgãos de comunicação social!
 

Ainda assim, há que reconhecer o brio profissional do jornalista que fugiu ao previsível e muito gasto, “Ministra recuou…”.
 
 
 

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