19 fevereiro, 2017

Ainda sobre a defesa da Verdade: estaremos imunes às técnicas de Trump?


Nos noticiários do costume, tive a oportunidade de assistir a declarações de Costa durante a inauguração de um projeto industrial em Águeda:


No registo de "chico-espertismo" habitual - e investido no papel de PM, note-se - Costa aproveita-se do evento para fazer verdadeira campanha eleitoral, chamando a si e à sua geringonça, os "louros" pelo projeto. Pelo meio vai imputando à oposição "irritação" pelo que vai correndo bem no País.

Segundo o atual PM, são casos como este que explicam a redução do desemprego, o crescimento económico, a redução do défice!

Note-se: Costa tem razão! Portugal precisa de (mais) casos de sucesso como este, mas uma breve pesquisa, acessível a qualquer cidadão (mas complicada de fazer para algum jornalismo...), permite chegar notícias de 2015 como esta:


Numa nota de imprensa divulgada hoje, o presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais (PS), diz que o processo de negociação foi árduo e envolveu "membros do alto escalão" do Governo.
 
"Disputámos o investimento com a Espanha e mais de uma dezena de municípios portugueses, mas conseguimos", congratulou-se o autarca."
 

A noticia é de Maio de 2015... passariam ainda 18 meses para assistirmos ao nascimento da geringonça. Será a Costa, Catarina e Jerónimo, que se devem os empregos criados e a riqueza gerada?... Como classificar quem recorre a estes métodos, a este nível de embuste? 

E como classificar o papel da comunicação social? Não teria a obrigação de desmascarar quem profere este tipo de declarações em vez de permitir  um aproveitamento descarado do que são méritos da ação de outro governo?! 


Recordando um post de Outubro de 2016:
"...O investimento em curso atualmente, é fruto de decisões tomadas há 2 - 3 anos atrás! ... O impacto das políticas da geringonca no investimento, só se farão sentir dentro de 2, 3 anos!"







23 novembro, 2016

A "Era da pós-verdade", Trump e a semana dos nossos média...



Anda tudo assarampantado, ainda, com a vitória do Trump. Vai daí, as cabeças bem pensantes da praça aliviam o seu desapontamento com o conceito trendy da "pós-verdade".

Neste momento convém dizer que não sou defensor de Trump, tenho-o por algo nefasto que trará consequências...(razão tinha Passos, o Diabo sempre apareceu!) mas irrita-me a diabolização "deste" Trump, por contraste à passividade - reverência, até - dos media a tantos outros que andam por aí! Desde que pertençam à área ideológica correta...

Mas voltemos à "pós-verdade". Para algumas mentes dormirem mais descansadas, explicam a vitória de belzebu pelo uso de recorrente de mentiras. Mentiras que, função de complexas questões relacionadas com o mundo mediático, as redes sociais, etc.., não foram, como deviam, desmontadas perante o "comum mortal" que assim, coitado, ficou à mercê da retórica, demagogia e populismo do candidato ocasional.

Isto é malta preocupada com as grandes questões! A verdade, a mentira, o papel dos media na salvaguarda da ética e (não vamos ter medo de o dizer) da moral.


Em paralelo com estas angústias, o que vi esta semana?...

Continua a novela mexicana em torno das declarações da Administração da CGD. É público e não desmentido, que a não entrega das declarações de património pelos srs administradores foi objeto de acordo prévio (verbal, email... ) da parte de Centeno e Costa. Nunca vi confrontarem diretamente Costa com esta questão. Sobre o assunto vi-o numa peça de telejornal dizer que ele "entrega as suas" (Pilatos, não faria melhor).

Qual o valor de um acordo, qual o valor da verdade, neste caso? Se eu ofereço uma determinada condição a alguém e depois verifico que ela não se pode concretizar, o procedimento correto não seria, sem rodeios, assumi-lo?
 

2 dias atrás, a propósito da solução encontrada para a Carris, numa daquelas cerimónias para abrir telejornais e propangandear soundbytes ao melhor estilo socialista, o mesmo Costa afirmava pomposamente "O bom senso prevaleceu sobre o fanatismo ideológico.", referindo-se, obviamente, ao governo anterior que tinha concessionado (não privatizado) aqueles serviços de transporte.

Deduz-se portanto que a Europa, o Mundo, está cheio de "fanáticos ideológicos", tal é número de cidades onde a gestão destes serviços é privada. Aliás, esta afirmação pode ser o paradigma da "pós-verdade", basta pensar nos diversos planos de governos socialistas - Costa entrou em quase todos, sendo assim co-responsável - para concessionar ou privatizar as empresas públicas de transportes.

E, claro, assim que surjam boas notícias na TAP, lá veremos Costa a congratular-se pela solução da privatização!

Pergunto, Trump faria melhor? Faz sentido, acusar uns de uso indiscriminado de mentira, de demagogia, e elogiar uma suposta "habilidade política" a outros que fazem uso de métodos semelhantes ou próximos?


Por último, ontem vi diversos órgãos de comunicação social destacarem "Governo antecipa reembolso ao FMI".

O que é verdade, o que é mentira? Vejamos esta notícia do início de 2016:
"Ao contrário do que estava programado, o Tesouro só vai reembolsar 3,3 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2016. Este valor representa uma forte redução face ao reembolso antecipado previsto de 10 mil milhões previsto, sendo que o calendário de pagamentos para os próximos anos foi também revisto,"

Pois é, o que na agenda mediática foi apresentado como uma notícia que invocava boa saúde financeira do País e poupança para o bolso do contribuinte, é exatamente o oposto! Este governo reviu - adiando, não antecipando - os reembolsos deste empréstimo.

Se a "verdade" fosse para aqui chamada, ontem, jornalistas e comentadores, estariam a falar sobre as centenas de milhões de euros que teremos, enquanto contribuintes, de pagar a mais via impostos até 2019. Ou das áreas onde se perspectivam cortes de despesa para compensar a derrapagem... nas pensões, nos apoios sociais?   


Verdade, "pós-verdade", deixemo-nos de merdas. A nossa comunicação social é incapaz de se olhar ao espelho e perceber que é uma fraude.




P.S.: Oxford Dictionaries, define assim “pós-verdade”: um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.



              

22 outubro, 2016

O que faz falta, é taxar tanto chico espertismo…


AH! Que belo ar se respira sem a atmosfera pesada da austeridade… Entenda-se que, fim da austeridade, é a devolução imediata do vencimento ao bolso dos funcionários públicos. Nem que a opção seja cortar cegamente nos equipamento e utensílios básicos para prestar os serviços públicos, como está a suceder na saúde ou nos transportes, por exemplo.


Aliás, esta é a questão de fundo da opção política da actual coligação: servir as suas clientelas, basicamente, quem vive do Orçamento de Estado e vota.

Será isto sustentável? Só os tolos podem acreditar. Vamos por partes:


Devolução de rendimentos: o que estava subjacente ao “programa” de Costa era a redução de impostos, nomeadamente, a alteração dos escalões de IRS. Palavra dada… palavra desonrada. Os trabalhadores do Estado (como os outros) não tiveram qualquer redução de impostos. Assim, por cada 1% devolvidos, as taxas de retenção e o apuramento final de imposto, estão a reclamar mais de metade dessa devolução. Aliás, o OE2017 é exemplar nesse capítulo: ao actualizar os escalões (bem) abaixo da inflação, fará com que esse rendimento volte aos cofres do Estado para, no momento seguinte, voltar a ser emprestado aos bolsos do diligente funcionário.


Impostos indiretos: Combustíveis, IMI, Coca-cola, vinho, balas, atualização da taxa audiovisual.... No comments! Aliás, tentemos ver um pouco além da propaganda: se os rendimentos são devolvidos mas o consumo não cresce. O consumo não cresce, mas a poupança mantém-se praticamente inalterada, para onde estará a ir o rendimento?!          


Investimento (público e privado): se a unanimidade maior entre os partidos de esquerda é não deixar a direita governar, a segunda unanimidade seria a subida imprescindível do investimento público - Palavra dada… palavra desonrada! Nunca se viu semelhante travagem do investimento público. Note-se, nos anos recentes, já não havia Parque Escolar, PPP rodoviárias, TGV, eólicas e outros investimentos ruinosos. Estamos a falar de cortes que incluem a não reparação de equipamentos nos hospitais ou cortes que resultam no esgotamento de bilhetes para o metro!


Mais uma vez, aqui reside a opção de fundo deste governo – privilegiar a compra do voto do funcionário público, sacrificando os que, pagando cada vez mais impostos para sustentar um Estado obeso, vão passar a ter piores serviços! Acresce que a não realização deste tipo de investimento, é uma desorçamentação. Mais tarde ou mais cedo, têm de ser substituídos ou reparados esses equipamentos. A não ser que a visão do Estado "pós austeridade" seja termos edifícios públicos como meros depósitos de funcionários. Começa a cheirar a Brasil e Venezuela…


Outra aldrabice que vejo Costa, e restante trupe, repetirem incessantemente refere-se ao crescimento do investimento privado: qualquer pessoa (com o mínimo de bom senso) sabe quantos anos são necessários neste país, desde o momento em que se decide um investimento, até que esse mesmo investimento chegue ao terreno.

O investimento em curso atualmente, é fruto de decisões tomadas há 2 - 3 anos atrás! E ainda se gabam de serem os responsáveis pelo impacto dessa atividade no emprego… faz falta um imposto sobre tanto chico espertismo. O impacto das políticas da geringonca no investimento, só se farão sentir dentro de 2, 3 anos!


Só a propaganda e colaboração dos media (das notícias desapareceu a fome, a emigração, a miséria, etc.), impede o “cidadão normal” de ver que a breve prazo isto vai dar errado. A opção de privilegiar o bolso do funcionário público à custa do investimento afetará, inevitavelmente, a parte da economia que gera riqueza. Quantos meses aguentarão as empresas que fornecem os hospitais, empresas de transportes, escolas, etc.?


Na minha região, por decisão deste governo, foram cancelados investimentos em obras de ligações rodoviárias importantes e há muito esperadas – não eram scuts, note-se. Trata-se de um belo exemplo da consequência das opções nesta era “pós-austeridade”, o impacto dessa decisão: deixaram de se criar largas centenas de empregos, oportunidades de negócio para novas empresas e a dinamização da actividade económica na região pela significativa redução do tempo de viagem entre os municípios da zona.


A opção de devolver à pressa os vencimentos de quem trabalha para o Estado, trará mais crescimento, mais emprego e poderá gerar mais riqueza do que a realização do investimento que estava previsto?


Lembram-se da Grécia?

15 abril, 2016

Governo da Geringonça e a BANCA - a mesma luta!

Impressionante, observar a dinâmica da agenda mediática nas últimas 24h...

Ontem, ao final da tarde, foi conhecida a "inverdade" proferida por Centeno na Comissão de Inquérito ao caso Banif. Logo de seguida, novo facto jornalístico surge para ofuscar a delicada situação em que o actual Ministro se meteu: a suposta "omissão de informação" pelo Governador do Banco de Portugal.

Ora, entre estas 2 notícias qual é merecedora  de destaque pelos media ?! Obviamente, a artilharia mediática preferiu concentrar-se sobre Carlos Costa...


O governo da geringonça e os banqueiros agradecem! Já os contribuintes...

Em termos de proteção dos contribuintes perante a banca, veja-se a diferença de procedimento do anterior (governo reacionário de direita) para o actual governo (do novo tempo...) em 2 casos:

- o Banif já nos custou mais que o pior cenário de venda do NovoBanco (onde será o fundo de resolução a suportar a diferença entre o empréstimo público e o valor de venda)

- a candura do tratamento mediático e dos comentadores, atribuída à solução que este governo está a desenhar, designadamente, a criação de um novo "banco mau" / veículo que visa libertar a banca do crédito mal parado;
 
Nunca pensei ver Jerónimo e Catarina fazerem o papel de "idiota útil" perante os interesses do mundo financeiro!

Já sabe, a lógica é…

“Esquerda boazinha Vs Direita maléfica” 

Caro cidadão, pf, não pense. Deixe que os jornalistas façam isso por si...


08 fevereiro, 2016

E se, em vez de Costa, tivesse sido Passos a recomendar ao tuga que não se metesse em créditos?...

Muito me tenho divertido a apreciar o tratamento mediático que os desenvolvimentos deste "novo tempo" e deste "virar de página" da austeridade têm suscitado na agenda mediática.

Costa, que, confrontado com um chumbo da Comissão Europeia ao seu OE inicial, se viu forçado a lançar mão de um aumento de impostos no montante aproximado de 1.000 Milhões, é, na boca de jornalistas e comentadores, um negociador exímio...   
Recordem-se as palavras do próprio Costa antes das eleições: "Se o PS ganhar as eleições, os impostos vão descer." Como era o slogan? "Palavra dada, é palavra honrada..." Bem, diga-se em rigor que o PS não ganhou as eleições...

Os profissionais da indignação do "outro tempo", em vez de comporem as peças e os alinhamentos de telejornal para intoxicar e revoltar a turba, no melhor exercício do seu "duplo-critério" perante pérolas como a referida em título, optam pela mansidão... formatados na cátedra da "esquerda boazinha Vs direita maléfica" limitam-se, pacificamente, a reproduzir a propaganda do (novo) querido líder... 

Outro exemplo singelo... Só a "esquerda" pode inscrever num Orçamento medidas como esta "O Governo português comprometeu-se com a Comissão Europeia a reduzir 60 milhões de euros em gastos com subsídios de doença". Fosse um governo de "direita" já um coro de virgens indignadas estaria a ocupar as manchetes e aberturas de telejornal com as "mortes que a austeridade e os cortes cegos iria provocar".

Com jornalismo assim, quem precisa de censura?...


Portugal, o ano passado, terá tido um défice abaixo dos 3%, mas a boa gestão orçamental - inédita no contexto português - foi mediaticamente eclipsada pela (triste) novela da devolução da sobretaxa.
(já agora, os que justificaram a subida do ISP em 2016 com a quebra do preço do petróleo, bem podiam recordar que a arrecadação de IVA em 2015, pelos mesmos motivos, foi um dos maiores contributos para a devolução zero da sobretaxa...)  

Se alguns rendimentos este governo de Costa pode devolver, isso será mérito de quem?....  

2015, foi ano de eleições legislativas. Como situação comparável mais recente (2011 foram eleições antecipadas, recorde-se) temos o ano de 2009, onde os socialistas se esmeraram e, de um défice previsto inferior a 3%, as contas fecharam-se com um défice superior a 10%.

Será que os portugueses têm noção dos impostos poupados graças às "contas certas" de 2015?  

Com esta comunicação social... claro que não.

Vamos aguardar por Julho, ver como corre a execução orçamental de 2016 e assistir aos próximos capítulos, i.e., que impostos se seguem para continuar a alimentar a despesa do Estado. 


Eu aposto no IVA a 24%...

E, atenção, eu não duvido que a austeridade acabou para alguns...


Leitura recomendada:
É funcionário público e vê o Estado como o grande motor económico? Não hesite, vote António Costa…