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09 maio, 2015

E quando a maior ameaça à “liberdade de informação” parte dos próprios órgãos de comunicação social?

 
Várias notícias vão dando conta aos cidadãos dos “perigos” que a proposta de lei relativa à cobertura eleitoral, apresentada pela coligação psd/cds, representa…

Este título de uma notícia do Público, traduz a principal ideia que tem sido avançada na agenda mediática sobre o assunto, a que se somam outras “ameaças”:


“..a nova proposta de lei do PSD e CDS sobre a cobertura eleitoral confunde jornalismo e propaganda política, “mantém a tentação de impor um freio às redações” e ameaça a liberdade de informação.”     


“Embora saúdem a eliminação de propostas “absurdas” da anterior versão,  [este trecho daria um péssimo título...] como o visto prévio para planos de cobertura das eleições pelos órgãos de comunicação social, os directores editoriais consideram que o novo articulado da maioria “está ainda longe de garantir aos cidadãos a existência de um jornalismo livre e independente de restrições políticas e administrativas inadmissíveis em democracia”.


E quando a confusão entre jornalismo e propaganda política, parte dos próprios órgãos de comunicação social? Que outra forma – sem a imposição de um conjunto mínimo de regras às redações - pode ser definido de forma a salvaguardar a isenção e objetividade de informação a que nós, cidadãos, temos direito?


Tomemos o exemplo do Público (cujos critérios editoriais e de isenção, já aqui abordamos em outras ocasiões). Recorrendo a este post de Helena Matos, não é difícil imaginar o que seria o dito “jornalismo independente” e que caminhos, em termos de “pluralidade de informação”, seriam trilhados caso a sua redação não tivesse de obedecer a qualquer regra ou requisito…     


       
Vitória de Hollande
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Vitória de Rajoy
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Vitória do Syriza
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Vitória de Cameron
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30 julho, 2014

A redação do JN volta a atacar…



Perante uma capa destas, nem sei bem por onde começar…

Ora bem, um estudante, que o JN batizou de “génio do euromihões”, candidata-se a um programa de uma universidade americana e é selecionado. Parabéns ao jovem que, pelos vistos, desenvolveu um método que permite passar de uma probabilidade de acertar no euromihões de 1 em 500.000.000, para 20 em 500.000.000.
NOTA: Desconheço a probabilidade exata de ganhar o euromihões.

Aparentemente, as despesas de viagem e estadia eram da responsabilidade dos candidatos. Por uma razão qualquer, no ponto de vista dos jornalistas do JN, a TAP tem obrigação de lhe pagar a viagem…?!

Porquê a TAP? Porque não outra companhia de aviação qualquer? E não poderia ir de barco?

A capa tem ainda um toque de tragédia grega: um “génio do euro milhões” que não tem dinheiro para um bilhete de avião...

Porquê a notícia? Porquê a manchete e a capa?!...
(estará a decorrer alguma "Semana das notícias a cascar na TAP", será que a TAP está a cortar na publicidade em alguns jornais?...)

Aliás, não se entende esta indignação da redação do JN com a TAP. A generalidade da comunicação social tem passado os últimos anos a lamentar a fuga do país da “geração mais bem preparada de sempre” e a fomentar a revolta do cidadão comum com aqueles que “incentivam a emigração”.

Então, não perceberam que esta "recusa" da TAP trata-se apenas de evitar a fuga de “mais um cérebro“!?


Enfim, diz que é Jornalismo…


Outras capas do JN que, pelo impacto, constituíram grandes sucessos de vendas com certeza:

Do Jornalismo Engraçadinho…

Diz que é Jornalismo!

É obrigatório que os cidadãos se indignem com o atual Governo!

 

09 abril, 2014

Claro que a culpa é da Crise, estúpido!


Depois do desemprego, dos sem abrigo, da fome, da violência doméstica, da falta de vaga em hospitais, etc., etc., eis que o jornalismo descobriu uma nova e dramática consequência da “crise”: 

 

No interior do jornal, o desenvolvimento da “reportagem” (apenas disponível na versão em papel) é nominado em letras garrafais pelo título: “CADA VEZ MAIS ADOLESCENTES EM FUGA DEVIDO Á CRISE”.
Talvez para que não restem dúvidas quanto à ligação direta das “políticas de austeridade” e mais este problema com que a sociedade portuguesa terá de lidar…

 
Mas, hoje em dia, ser jornalista não é para qualquer um...
 
De facto, para construir peças como esta, o jornalista deve reunir (no mínimo) as competências de psicólogo, sociólogo, investigador… e, por falar em investigação, num rodapé de um grafismo podemos encontrar a seguinte informação:
“Muitos adolescentes fogem de casa para namorar e outros para ir a festivais de verão

Com estas duas constatações arrasadoras, só se pode concluir: claro que a culpa é da crise!
 

Crise, esse tema infinitamente complexo...
Obviamente, “a crise” que provoca o aumento da violência doméstica, não pode ser a mesma “crise” que leva os jovens namorados a fugirem de casa, tal é a força do seu amor …

Ou, considerando que os festivais de verão não são de graça, a “crise” que leva muitos portugueses a terem fome, será a mesma que provoca o aumento de afluência ao “Rock in Rio” ou ao “Optimus Alive”?... 

Qual física quântica! Os jornalistas portugueses têm de lidar com algo bem mais complexo: a Física da Crise.

 

03 abril, 2014

De facto, só a Realidade supera a Ficção...


No que diz respeito a notícias ficcionadas, sou fã incondicional deste sítio, Imprensa Falsa:

"Relógios avançam uma hora no próximo domingo: Seguro diz que é ‘pouco’

 
 No próximo domingo, os relógios adiantam todos uma hora.  «É  pouco», defende o líder da oposição. «Depois de tanta austeridade, de tantos milhões roubados ao rendimentos dos portugueses e das portuguesas, o que é que o Governo conseguiu? Que os relógios avançassem uma hora… uma hora, minhas amigas e meus amigos», lamentava Seguro, esta noite, num jantar com socialistas."
 
 
Coisa completamente diferente, são os meios de comunicação social portugueses "à séria"... Estes, talvez como nenhum outro, abordam qualquer assunto com uma lucidezcoerência desarmantes, sendo incapazes criticar algo ou alguém, por mera birra ou ressabiamento. Veja-se a cobertura da célebre "factura da sorte": 
 
"Quer o carro do fisco?"
 
"O bastonário lembrou que as famílias estão a viver tempos de dificuldades económicas e que poderão ganhar um carro, no sorteio, sem meios para o sustentar."
 
 
 
"Audi das faturas pode custar até 365 euros por mês a cada premiado"
 
(notícia do Expresso, Grupo Impresa)

 

Obviamente, títulos de notícias como estes nada têm em comum com os conteúdos de um jornal satírico. Será que não?... 
 
 
 

(algumas fotos de sorteios da SIC, Grupo Impresa)
 
 



 
De forma alguma se usa este tema (como outros...) para "malhar no governo"! Não há aqui nenhum ressabiamento ou má vontade, da comunicação social por motivos de ordem ideológica... 
 
Obviamente, a indignação de alguns meios de comunicação social com o tema "factura da sorte", está relacionada com questões de fundo, com questões de principio...
 
 

Pena é que os cidadãos não saibam, não reconheçam, a sorte que têm por poder contar com a clarividência do jornalismo e das redações lusas. Sem estes meios de comunicação social, como poderiam os portugueses formar opinião sustentada e coerente sobre qualquer assunto!?
 
 
 

31 março, 2014

A insustentável leveza das notícias sobre pensões…


A agenda mediática da semana passada foi dominada por dois temas:

- A ”agenda escondida” do governo para implementar cortes definitivos nas pensões, situação que A.J Seguro e os socialistas continuam a denunciar como intolerável e resultado do seu radicalismo ideológico, e;

- Um estudo do INE que, entre outras conclusões, como um declínio demográfico acentuado (“Em menos de 50 anos Portugal pode perder um quinto da sua atual população”) veio confirmar outro facto já conhecido e que se prende com um enorme aumento do índice de envelhecimento, quantificando “…entre 2012 e 2060 passaremos de 131 idosos por cada 100 jovens para 307 idosos”.

Das infindáveis horas dedicadas ao tratamento destas duas notícias, nunca vi uma reflexão um comentário, sobre a óbvia ligação entre ambas…

Vejamos, como já aqui se referiu no blog, o atual sistema de pensões foi concebido num momento em que existia, grosso modo, 1 pensionista por cada 4 trabalhadores ativos (convém sempre recordar que o nosso sistema de pensões não é de capitalização…). 
Também convém recordar que as pensões não são pagas por entidades mais ou menos abstratas como o Estado, o Tribunal Constitucional ou a Constituição, mas pelos descontos dos trabalhadores ativos (conclusão que um cidadão que apenas se informe pelo que vê e ouve em telejornais, pode perfeitamente concluir...).
 
Ora, infelizmente, ao longo das duas últimas décadas, não só essa proporção entre contribuintes e beneficiários se foi degradando como ainda assistimos a um enorme aumento na esperança média de vida, fatores cuja evolução ditam a completa insustentabilidade do sistema.


Nada disto é ideologia, trata-se de simples e básica aritmética: um sistema concebido para funcionar com 4 contribuintes por cada beneficiário, não pode funcionar da mesma forma quando passam a existir igual número trabalhadores ativos e pensionistas ou 2 contribuintes e 4 beneficiários! 

Mas parece que em Portugal – na tal “democracia adulta” de que se ouvirá falar nos 40 anos do 25 de Abril - não se podem constatar algumas realidades nem dizer algumas coisas, sob pena de ser catalogado como um crápula ultra-mega-neo-liberal… “fassista”!


Para terminar: Quem mente aos portugueses?
 
Quem afirma que as pensões deverão manter-se tal como estão ou quem, simplesmente, diz que a breve prazo não existirão recursos suficientes para o fazer?


É assim Portugal, depois das legislativas de 2015, lá teremos os portugueses zangados, indignados, com um governo que irá fazer "ao contrário do que prometeu"...
 
 
Os portugueses, têm razão quando lamentam ter sido enganados ou será que gostam de enganar-se a si próprios?...
 
 

 

17 outubro, 2013

Diz que é Jornalismo!

Capa de hoje do JN.
"I rest my case"...
 
Se, como frequentemente se vê afirmado na comunicação social, o Ministro da Educação está a "matar a escola pública", o que estarão as redacções e os jornalistas a fazer à inteligência dos portugueses?...