03 junho, 2015

E você, já fez as contas a quanto o Estado lhe deve?..

Esta ideia repetidamente disseminada - que o Estado tudo deve garantir - não vai acabar bem...


"O Estado vai ter de pagar 22 mil euros de indemnização a um jovem agredido há 12 anos por um colega, na escola que frequentava no distrito de Viseu, quando tinha 14 anos.

 
No acórdão, a que a agência Lusa teve acesso, os juízes do TCA do Norte dizem que os responsáveis da escola tinham a obrigação de zelar pela segurança dos alunos, o que não aconteceu, tendo em conta que no momento da agressão não havia nenhum vigilante próximo dos menores.

"Poder-se-á objetar que os danos se teriam verificado ainda que estivesse nessa sala um profissional a zelar por tais direitos. Mas essa prova não foi feita", pode ler-se no documento.

Os juízes referem ainda que a agressão ocorreu durante um intervalo entre aulas, assinalando que nestes momentos de descompressão e em grupo "mais é de esperar, por parte de menores, comportamentos de excesso e de conflitos, em concreto as habituais brigas entre rapazes"."

 
 
Um acórdão que resume todo um programa ideológico.
 
Depois queixem-se que os tribunais estão entupidos de processos. Este país é insano,
 
 
P.S.: Umas horas depois da publicação deste post e da referência a acórdãos que são autênticos programas ideológicos, é noticiado isto:
"O tribunal deu seguimento à providência cautelar do movimento "Não TAP os olhos!" que contesta a legalidade do decreto de privatização."

 

29 maio, 2015

Difícil, difícil, é estancar a epidemia de notícias alarmantes a cada noticiário da TSF…

 
São 8.30h. Sintonizo a TSF para ouvir o noticiário.
 
Uma das notícias em destaque, é o caso confirmado de tuberculose na cadeia de Beja. Logo oiço um Sr. do sindicato a revindicar a abertura de um inquérito e pedir a substituição – demissão, bem entendido - do Diretor do estabelecimento prisional e do Chefe dos guardas “se forem apuradas falhas”
 
O que me ocorre dizer sobre isto:
  • se o inquérito vier a apurar o desrespeito das regras básicas de higiene por parte dos próprios guardas envolvidos, que penalização defende o Sr. do sindicato para esses funcionários? (existe um rastreio em curso, existindo 7 casos suspeitos: 5 guardas prisionais e 2 funcionários administrativos);
 
  • e se algum dos testes acusarem um resultado positivo: como estabelecer relação “causa-efeito” com um contacto em particular? Milhares de casos de transmissão ocorrem, por ex., em transportes públicos;  
  
Em Portugal, todos os anos, existem cerca de 20.000 casos de tuberculose e parece que nos anos mais recentes – oh! maldita austeridade, oh! assassinos  cortes na saúde! – a taxa de incidência está a descer (ver notícia em baixo).
 
Porque será que a redação da TSF, entre tantas dezenas de milhares de casos, nunca deu atenção a esta temática e nunca deu voz (promoveu?...) à indignação de tantos outros portugueses? Quantos noticiários poderiam ter discorrido sobre as razões da propagação da doença, sobre a punição – caso tenham existido “falhas” - de diretores, gerentes, administradores, etc., das entidades empregadoras dos infetados com tuberculose…
  
Porquê TSF, qual o critério?! Já tentarem obter a declaração do Secretário de Estado sobre o assunto? E da Ministra? 
 
 
Nota: “felizmente” isto aconteceu no do estabelecimento prisional de Beja. Imagino o que sucederia nos próximos dias se fosse em Évora…
 
 
E agora alguma informação sobre Tuberculose em Portugal (fonte, Público):
 
"Panorama nacional

A tuberculose tem vindo a diminuir de forma consistente em Portugal e, segundo o comunicado do director-geral da saúde, Francisco George, os dados provisórios para 2014 apontam que, “pela primeira vez desde que há registos”, Portugal vai ficar abaixo da barreira, tida como “linha vermelha”, dos 20 novos casos por 100 mil habitantes. Portugal era, até ao momento, o único país da Europa Ocidental com níveis de incidência de tuberculose superiores a este valor, que corresponde ao limiar de baixa incidência definido internacionalmente.
 
Os dados provisórios notificados à DGS indicam 1940 novos casos de tuberculose em 2014, o que corresponde a uma redução da taxa de incidência dos 21,1 novos casos por 100 mil habitantes registados em 2013 para os 18,7 casos. No entanto, as directivas mais recentes da OMS apontam para uma redução do limiar de baixa incidência para metade, o que coloca Portugal novamente como um país de incidência intermédia." 


27 maio, 2015

A inestimável contribuição dos Media para a resolução dos grandes problemas do País…


No passado sábado à noite, discursando perante jovens sociais-democratas. Mª Luís Albuquerque proferiu as seguintes declarações:

“…é honesto dizer aos portugueses que vai ser preciso fazer alguma coisa sobre as pensões para garantir a sustentabilidade da Segurança Social. E essa alguma coisa pode passar, se for essa a opção, por alguma redução mesmo nos atuais pensionistas. 

Se isso for uma distribuição mais equilibrada e razoável do esforço que tem de ser distribuído entre todos, atuais pensionistas, futuros pensionistas, jovens a chegar ao mercado de trabalho, se essa for a solução que garante um melhor equilíbrio na distribuição desse esforço, é aí que nos devemos focar”, afirmou Maria Luís Albuquerque.

A ministra sublinhou que “a sustentabilidade da Segurança Social é algo que tem de se resolver com tempo”, de modo a que “as soluções não sejam demasiado agressivas numa situação de rutura, para que [se possam] preservar as pensões mais baixas, para que não [se tenham] de pedir contribuições a quem tem menos”.

"Fazer a promessa de que não fazemos nada para aqueles que já são pensionistas e que vamos fazendo tudo sobre os que lá chegarão no futuro é de uma enorme injustiça."

 
Alguma pessoa – de boa fé e minimamente informada, bem entendido - pode discordar destas declarações? 


No dia seguinte, na melhor tradição jornalística de doutrinação politica e ideológica do tuga, televisões, rádios e jornais, reduzem aquela intervenção a:

 
 

Por se tratar do problema que, provavelmente, é o mais delicado que o pais tem de enfrentar nos próximos anos, as declarações de M.ª Luís Albuquerque poderiam ter sido o mote para que, em clima de pré ou campanha eleitoral, se pudesse discutir ponderada e seriamente o assunto, e (tentar pelo menos...) conhecer as propostas de cada partido / candidato.

Convém nesta fase recordar um frequentemente lamento  revelado por jornalistas e comentadores: a ausência de um “debate político sério”; a existência de demasiada politiquice que empobrece o debate e afasta os cidadãos da discussão pública, blá, blá, blá…


Mas, “uma coisa é o que se diz e outra, o que se faz”. Na prática, recorrendo ao que aqui no blog se designa por guerrilha mediática”, a abordagem jornalística e mediática ao tema, serviu antes para deixar a Costa, aos socialistas e oposição em geral, terreno e contexto ideal para que pudessem aparecer e debitar as larachas habituais: "cortes e austeridade, é o caminho da maioria psd / cds", esses malvados. A nossa “alternativa” é só crescimento e coisinhas boas!


Enfim, em vez de desempenhar um papel que contribua para um debate esclarecedor em torno dos problemas e desafios que se colocam à sociedade portuguesa, a realidade demonstra que a nossa comunicação social é, demasiadas vezes, um dos principais fomentadores da tal "politiquice" que tanto diz desprezar.  


Para cúmulo, três dias depois das declarações iniciais de MLA, algum jornalismo avança:

“Ministra das Finanças corrige declarações e já fala em negociar com PS”

E, segundo o sr. jornalista, o que veio “corrigir” a Ministra: “Maria Luís Albuquerque diz agora que o Governo não tem ainda uma solução definida para a Segurança Social”


Qual correção, qual carapuça!… bastava ler o que a Ministra disse a 23 de Maio para perceber que nada estava decidido e que nenhuma solução estava definida. 
 
Ainda recentemente aqui se disse e reafirma: a maior ameaça ao rigor e isenção de informação em Portugal, está dentro das próprias redações e dos próprios órgãos de comunicação social!
 

Ainda assim, há que reconhecer o brio profissional do jornalista que fugiu ao previsível e muito gasto, “Ministra recuou…”.
 
 
 

25 maio, 2015

Conto de crianças Vs Governos tontos. "Só os burros é que não mudam!"...


Há 4 meses, António Costa referiu-se à vitória do Syriza nas eleições gregas com expressões como "um sinal de esperança" ou sinal de "esgotamento das políticas de austeridade".

Ao mesmo tempo e em relação à mesma vitória do Syriza, o atual PM pronunciou-se da seguinte forma: 


“Pedro Passos Coelho apelidou de "conto de crianças" a ideia de que "é possível que um país, por exemplo, não queira assumir os seus compromissos, não pagar as suas dívidas, querer aumentar os salários, baixar os impostos e ainda ter a obrigação de os seus parceiros garantirem o financiamento sem contrapartidas".”


Como se recordarão, a propósito deste “conto de crianças”, a agenda mediática encheu-se de indignação pelas “aberrantes” declarações Passos. Oposição e comentadores do costume, logo reduziram o conteúdo daquela reação a um conjunto de tiradas que se podem encontrar neste “artigo-guião” de Isabel Moreira e do qual se transcrevem algumas frases tocantes:

“…
Como é possível Passos não ter sentido de estado algum, o mínimo que seja?

Como é possível Passos não perceber que está a falar de um povo em chagas de tanto sofrimento após uma receita falhada?

Como é possível Passos não perceber que o que aconteceu e o que acontece na Grécia tem a ver com Portugal?

Como é possível Passos não ter qualquer espírito patriótico?

Como é possível Passos ser tão ignorante?

Como é possível Passos resumir a escolha de um povo a um conto de crianças alinhando num objetivo perigoso e estúpido de isolar a Grécia?

Diz lá, Passos. Como és possível?”



Sábado (23 de Maio), Costa dá uma entrevista ao Observador. Referindo-se à atuação do Syriza  no contexto da negociação com as instituições europeias, diz: 

“Temos de travar um combate na UE de forma inteligente, não de forma tonta como o Syriza


Se está à espera de ver aqueles que se indignaram com o “conto de crianças”, voltarem às televisões, rádios e jornais, revoltados com estas declarações, desculpe, mas é um tonto…



Recordar, sobre Costa e Syriza, o que se escreveu-se por aqui no passado mês de Janeiro:
 

Enfim, daqui a 3, 6 meses, veremos o que esta nova era do "fim da austeridade" trará e se Costa mantém esta colagem ao Syriza...  
 
...
 
Quem apenas veja telejornais e tenha fraca memória (uma vasta maioria de portugueses, infelizmente...), nem se lembra o que o último "Messias anti-Austeridade", conseguiu: é graças a Hollande que a  extrema direita francesa lidera as sondagens. 
 
Daqui a uns meses veremos se Tsipras e o Syriza ainda são entusiasticamente citados pelos socialistas. Ou, tal como sucedeu com Hollande, se a realidade e, principalmente, a circunstância de o eleitorado identificar esses "ex-Messias" como os novos símbolos de desilusão, ditará o seu varrimento para debaixo do tapete...
 
 
Votos de Boa Sorte ao povo grego... bem vão precisar dela."

18 maio, 2015

O (defunto?) JN e o editorial dos “cheira-cus”…

Pelo seu conteúdo mais regional e até por algum distanciamento em termos de perspetiva em relação aos diários da capital, em tempos, dava alguma prioridade ao JN. Nos últimos tempos, apesar da veia nortenha, o esforço despendido para o ler era cada vez maior. No entanto, depois deste fim de semana e, designadamente, o nojo que é este editorial, desisto…
 

“Juntemos dois ou três canídeos e observemos. Rodopiam sobre si próprios, cada qual cheirando o traseiro do outro. Na minha terra, chamamos cheira-cus a este impulso irracional que é também tão comum no condomínio privado em que se transformou a política caseira, comentadores e politólogos incluídos.

Isto, a propósito da fumaça gerada pelo lançamento da biografia de Pedro Passos Coelho e do episódio da revelação de que Paulo Portas…”



Quem escreve este editorial e eloquente alegoria aos “cheira-cus”, é Afonso Camões (ainda diretor do JN, presumo). Recordar apenas isto: A.C. foi administrador da Agência Lusa desde 2005, após a vitória de Sócrates. Em 2009, passa a presidente do Conselho de Administração, cargo de onde saiu para a direção do JN em maio de 2014.


Terá sido já em Maio de 2013, que surge nas escutas telefónicas do preso 44 (ver links): é em Macau, em plena visita oficial do Presidente da República Cavaco Silva, que terá sido escutado a informar o próprio Sócrates que estaria a ser investigado e que correriam rumores da sua detenção (oh! pobre segredo de justiça...). Em outras escutas, surge citado em conversas mantidas entre Sócrates e Daniel Proença de Carvalho a propósito do domínio do grupo Controlinveste (proprietário de JN e DN). Segundo informação avançada pelo Correio da Manhã, terá sido Sócrates quem escolheu Afonso Camões para diretor do JN.



Como é fácil de constatar, muito haveria a dizer sobre a temática dos “cheira-cus”… nem vale a pena. É muito triste ver um jornal que em tempos li, servir de palco para algo que, no mínimo, é um insulto à inteligência dos seus leitores.
 
 
R.I.P., Jornal de Notícias.
 
 

14 maio, 2015

Não à privatização! Vem lutar pelos teus direitos e pelo "serviço público" de transportes...


Post inserido na temática "defesa do interesse público", cuja especificidade, suspeito, não desencadeará junto do jornalismo de indignação o entusiasmo recorrente em outras situações. 
 
Nem para colher a reação  de celebérrimos dirigentes sindicais, nem para merecer especial atenção e destaque mediático (por exemplo, honras de abertura de telejornal)...


(fonte, Público)

"O polícia aproxima-se das bilheteiras empunhando a requisição que lhe dá direito a carregar o passe para o autocarro sem pagar. Quando recebe os papéis, a funcionária do guichet é lesta a abrir a caixa e a tirar as notas, que lhe entrega de forma dissimulada, dentro de um folheto informativo. Não carregou o título de transporte: limitou-se a entregar-lhe 89 euros, menos 20 do que o valor do passe a que o agente tem direito.
 
É a sua comissão."